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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">pusp</journal-id>
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				<journal-title>Psicologia USP</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Psicol. USP</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0103-6564</issn>
			<issn pub-type="epub">1678-5177</issn>
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				<publisher-name>Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0103-656420170102</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigos originais</subject>
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				<article-title>Pesquisa narrativa com mulheres que usam drogas: uma experiência etnográfica feminista</article-title>
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					<trans-title><italic>Recherche narrative avec les femmes utilisatrices de drogues: une expérience féministe ethnographique</italic></trans-title>
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					<trans-title><italic>La investigación narrativa con mujeres que utilizan drogas: una experiencia etnográfica desde la perspectiva feminista</italic></trans-title>
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						<surname>Queiroz</surname>
						<given-names>Isabela Saraiva de</given-names>
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						<surname>Prado</surname>
						<given-names>Marco Aurélio Máximo</given-names>
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				<label>a</label>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de São João del-Rei, Departamento de Psicologia. São João del-Rei, MG, Brasil</institution>
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				<institution content-type="original">Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Psicologia. Belo Horizonte, MG, Brasil</institution>
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					<label>*</label> Endereço para correspondência: <email>isabelasq@ufsj.edu.br</email>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2018</year>
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			<volume>29</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>226</fpage>
			<lpage>235</lpage>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Trata-se de pesquisa narrativa inscrita no campo epistemológico feminista, que buscou conhecer a trajetória de vida de mulheres usuárias de crack. Foi realizada uma etnografia multissituada/multilocal, que partiu da escuta de usuárias inseridas num serviço público de saúde mental para, na sequência, seguir duas delas pelos espaços nos quais circulavam, quais sejam, abrigo, escola, equipamentos de saúde, além de suas próprias casas. Como método de coleta de dados foi utilizada a técnica de entrevista narrativa. A escuta das mulheres possibilitou a desarticulação de sentidos fixos e desafiou a inteligibilidade orientadora das práticas de cuidado às pessoas que usam drogas. Foram ressaltados os limites que a condição de usuária de um serviço de saúde mental estabelece à enunciação de um saber válido das mulheres sobre si mesmas, sendo suas narrativas produto do discurso sobre elas elaborado pelo campo da saúde, que institui e prescreve sua própria materialização como usuárias de drogas.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>Résumé</title>
				<p>Ce travail est une recherche narrative inscrite dans le domaine épistémologique féministe, qui a cherché connaître les trajectoires de vie des femmes utilisatrices de crack cocaine. Une ethnographie multi-située à été conduite, en commençant par écouter les utilisatrices insérées dans un service de santé mentale publique, pour à la suíte suivre deux d’entre elles dans les espaces à travers lesquels elles circulent, à savoir l’école et les établissements de santé en plus de leur propres logements. Comme méthode de collecte des données, la technique d’entrevue narrative a été utilisée. L’écoute des femmes a permis le démantèlement des signifiants fixes et remis en cause les intelligibilités dirigeant les pratiques de soins aux personnes qui consomment des drogues. On a mis en évidence les limites que la condition d’utilisateur d’un service de santé mentale imposent sur l’énoncé d’une connaissance valable des femmes sur elles-mêmes, leurs narratifs étant un produit du discours elaboré sur elles par le système de santé, qui établit et prescrit leur matérialisation en tant qu’utilisatrices de drogues.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>Se trata de una investigación narrativa inscrita en el campo epistemológico de perspectiva feminista, no cual buscó conocer las trayectorias de vida de mujeres usuarias de crack. Se realizó una etnografía multisituada / multilocal, que partió de la escucha de usuarias insertadas en un servicio público de salud mental para luego seguir dos dellas por los espacios por los cuales circulaban, cuáles son, la calle, escuela, equipamientos de salud, además de sus propias casas. Como método de recolección de datos se utilizó la técnica de entrevista narrativa. La escucha de las mujeres posibilitó la desarticulación de sentidos fijos y desafió las inteligibilidades orientadoras de las prácticas de cuidado a las personas que usan drogas. Se resalta los límites que la condición de usuaria de un servicio de salud mental establece la enunciación de un saber válido de las mujeres sobre sí mismas, siendo sus narrativas producto del discurso sobre ellas elaborado por el campo de la salud, que instituye y prescribe su propia materialización como usuarias de drogas.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>mulheres usuárias de drogas</kwd>
				<kwd>epistemologia feminista</kwd>
				<kwd>etnografia</kwd>
				<kwd>entrevista narrativa</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title>Mots-clés:</title>
				<kwd>femmes utilisatrices de drogues</kwd>
				<kwd>épistémologie féministe</kwd>
				<kwd>ethnographie</kwd>
				<kwd>entretien narratif</kwd>
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			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>usuárias de drogas</kwd>
				<kwd>epistemologia feminista</kwd>
				<kwd>etnografia</kwd>
				<kwd>investigación narrativa</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Incorporar o deslocamento da discussão sobre o uso de drogas de um campo que se propõe terapêutico, mas é atravessado por questões morais, para o registro do político é tarefa desafiadora, seja por essa ser uma problemática inscrita na ilegalidade, seja pela proposição de se dar voz a um grupo social até então tido como incapaz de elaborar significados positivos e legitimados socialmente às suas experiências, caracterizadamente marginais. Escutar mulheres que usam drogas aparece, assim, como possibilidade de produção e articulação de narrativas que podem subverter o silenciamento sistemático no qual foram e permanecem inscritas.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B36">Spivak (1987</xref>) pautou essa questão há três décadas, ao se perguntar: “Pode o subalterno falar?”, questionamento que interroga se as condições de opressão podem dar lugar a expressões políticas de fala, entendidas como a articulação de narrativas não capturadas pelos sentidos e compreensões dominantes. Essa pergunta assim colocada “faz alusão às oposições fala/silenciamento, igualdade/opressão, política/servidão, fundamentais para poder compreender as vicissitudes e as contradições desse processo difícil e penoso de emancipação, quando se luta para transformar as condições de opressão” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Castro, 2011</xref>, p. 300). O que está posto, assim, é a premência de que as próprias mulheres que usam drogas falem por si mesmas sobre suas experiências e necessidades.</p>
			<p>Tendo em vista as considerações feitas anteriormente, assumimos como hipótese inicial que o uso de drogas por mulheres se constitui no interior de uma norma de gênero que estabelece contornos específicos a essa experiência. Assim, por um lado, o uso de drogas por mulheres inscrever-se-ia a partir de um registro de fragilidade, que historicamente lhes atribuiu um lugar de dependência, decorrente da necessidade de proteção e vigilância sobre seu corpo. Por outro lado, também estaria relacionado a uma tentativa de deslocamento dos modos de reprodução das normas estabelecidas pela matriz heterossexual, a partir de práticas notadamente contraditórias às esperadas e por ela determinadas (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Queiroz, 2015</xref>).</p>
			<p>Para investigar essa hipótese, faz-se necessário, contudo, romper os limites da produção de discursos sobre drogas feita pelos especialistas, para ir ao encontro da fala das próprias usuárias a respeito de suas experiências cotidianas e sua relação com as drogas. Portanto, numa tentativa de avançar para além da fala dos atores tidos como produtores de saber legítimo sobre o tema - especialistas, pesquisadores e profissionais da área da saúde -, buscou-se escutar as próprias mulheres como enunciadoras diretas da sua experiência.</p>
			<p>Para tanto, foi realizada uma etnografia multissituada/multilocal (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fischer, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>), com o objetivo de investigar diferentes sujeitos, grupos e lugares interconectados entre si, com vistas à caracterização de processos amplos, globalmente distribuídos, que se desenvolvem localmente de formas diferentes. Partiu-se, assim, da escuta de usuárias de drogas inseridas em um serviço público de saúde mental para, na sequência, adentrar no cotidiano de duas delas, “seguindo-as” pelos espaços nos quais circulavam, quais sejam, abrigo, escola, centro de saúde, além de suas próprias casas e ruas circunvizinhas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Etnografia multissituada/multilocal e entrevista narrativa: articulações metodológicas na pesquisa social feminista</title>
			<p>A etnografia multissituada (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fischer, 2011</xref>) ou multilocal (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>) propõe um deslocamento da investigação etnográfica convencional, focada sobre situações locais, para o exame dos modos como circulam significados, objetos e identidades culturais em espaços difusos. Desse modo, diferentemente da etnografia clássica, que se ocupa da descrição densa de um único grupo (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Geertz, 1978</xref>), feita após um longo período de imersão em campo, a etnografia multissituada ou multilocal propõe a investigação de diferentes grupos e/ou lugares interconectados entre si, pensando as relações por eles estabelecidas a partir de dinâmicas que ultrapassam sua existência em um mesmo e único local (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fischer, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001</xref>) indica várias formas de fazer uma etnografia multilocal. Neste trabalho foram adotados os esquemas nomeados pelo autor como “seguir as pessoas” e “seguir as tramas” para caracterizar a composição da trajetória de mulheres usuárias de drogas, a partir da compreensão do modo como suas experiências foram sendo produzidas por processos históricos que as situaram no interior de determinados discursos.</p>
			<p>“Seguir as pessoas” é, para <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001</xref>), a maneira mais óbvia e convencional de materializar uma etnografia multilocal. Trata-se de seguir e permanecer com os movimentos de um grupo particular de sujeitos iniciais, passando por múltiplos lugares de modo a conhecer o que se encontra fora do seu cenário de origem. Isso permite ao pesquisador analisar o que ocorre com os sujeitos em lugares diversos. Para <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001)</xref>, “seguir as tramas, histórias ou biografias” é também uma rica fonte de conexões, associações e relações acerca dos objetos de estudo multilocais, uma vez que tramas e histórias de vida narradas individualmente podem revelar associações inesperadas entre lugares e contextos sociais, sendo guias potenciais na realização de observações e análises etnográficas que, de outra forma, permaneceriam invisíveis.</p>
			<p>O autor também analisa o engajamento do pesquisador na etnografia multilocal, apontando que, nela, ele se encontra às voltas com compromissos pessoais muitas vezes contraditórios, os quais geram conflitos e se resolvem “não ao se refugiar no papel de antropólogo acadêmico distanciado, mas sendo uma espécie de etnógrafo ativista, renegociando identidades em diferentes lugares enquanto aprende-se mais sobre eles” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>, p. 123).</p>
			<p>Evidencia-se, dessa forma, o caráter ético-político da investigação etnográfica multilocal que, ao exigir do pesquisador um movimento entre lugares e níveis sociais distintos, impregna a investigação de um caráter ativista. Nas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001</xref>): “falo de um ativismo muito específico e circunstancial às condições postas pela investigação multilocal. Trata-se de colocar em prática o <italic>slogan</italic> feminista de que a política é algo pessoal” (p. 123).</p>
			<p>Na etnografia multissituada aqui realizada seguimos pessoas e tramas por múltiplos lugares, tendo como fio condutor inicial dos deslocamentos as participantes de um grupo de mulheres de um serviço público de atenção a usuários/as de drogas. Como método para coleta de dados nos encontros com as mulheres, tanto quando estávamos no grupo de mulheres como depois, quando fomos ao seu encontro em outros espaços da cidade, foi utilizada a técnica de entrevista narrativa (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Schutze, 1992</xref>), cujo objetivo principal é reconstruir a dinâmica da interação entre processos biográficos individuais e mecanismos coletivos. Tal escolha metodológica se deu por considerarmos que a forma narrativa apresenta uma estrutura que permite às pessoas conferir sentido às experiências pessoais e coletivas, constituindo a ideia que fazem sobre si mesmas ao longo da vida, ordenando o vivido, organizando a memória do passado e orientando a consciência do narrador e sua ação futura (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brandão &amp; Germano, 2009</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B17">Germano e Silva Serpa (2008)</xref> apontam ainda que, diferentemente do raciocínio lógico das ciências, “o raciocínio narrativo não almeja uma (suposta) verdade histórica ou factual, mas a ‘verdade narrativa’ que uma pessoa ou grupo concebe mediante a organização dos eventos da vida em uma intriga compreensível ou verossímil” (p. 13). Trata-se, assim, de assumir o relato de um/a narrador/a sobre sua existência através do tempo, de modo que ele/a possa contar livremente sua vida e imprimir ao relato suas próprias categorias. Nesse sentido, deve-se deixar claro que no trabalho com histórias de vida a interferência do pesquisador deve ser mínima.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bruner (1997</xref>, p. 99), a heterogeneidade dos mundos sociais e da experiência temporal pode ser evidenciada no pensamento e no texto narrativo e, uma vez assumida a visão narrativa, é possível indagar: “Por que uma história é contada e não outra?”. É nesse ponto que as hierarquias políticas e sociais se fazem presentes, estabelecendo quais devem ser as concepções “oficiais” do si-mesmo. Nesse sentido, “as críticas feministas escreveram copiosamente nos últimos anos sobre o modo pelo qual a autobiografia das mulheres foi marginalizada pela adoção de um cânone absolutamente masculino de escrita autobiográfica” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bruner, 1997</xref>, p. 99). A epistemologia feminista denuncia, assim, a maneira como as concepções e práticas hegemônicas de produção de conhecimento sistematicamente desconsideraram as mulheres e outros grupos socialmente discriminados (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Harding, 1987</xref>). Para <xref ref-type="bibr" rid="B37">Vargas (2012</xref>), as teorias assim produzidas “invisibilizam as atividades e os interesses das mesmas e as relações de poder desiguais que vivenciam, além de não atenderem às [suas] reais necessidades” (p. 33).</p>
			<p>Sobre isso, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Longino (1987</xref>) lembra que as considerações políticas constituem forças relevantes na produção científica, capazes de moldar o raciocínio dedutivo e o conteúdo do conhecimento produzido. Desse modo, comprometer-se com uma ciência feminista requer a ruptura com a ideia de ciência neutra, assumindo as posições políticas presentes em nossas escolhas metodológicas. Decorre disso também a necessidade de assumirmos que não há determinado método capaz de garantir a elucidação de uma suposta “natureza da mulher”, uma vez que, concordando com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Haraway (2009</xref>): </p>
			<disp-quote>
				<p>Não existe nada no fato de ser ‘mulher’ que naturalmente una as mulheres. Não existe nem mesmo uma tal situação - ‘ser’ mulher. Trata-se, ela própria, de uma categoria altamente complexa, construída por meio de discursos científicos sexuais e de outras práticas sociais questionáveis (p. 47).</p>
			</disp-quote>
			<p>Desse modo, tendo em vista as questões metodológicas apresentadas e considerando nossa inscrição no campo epistemológico feminista, nesta pesquisa privilegiamos as narrativas de mulheres sobre suas trajetórias de vida e uso de drogas, escolha que reflete uma posição política no sentido de fazer emergir a fala das mulheres sobre si mesmas. Tal escolha, mais do que intentar significar uma metodologia específica capaz de revelar a “natureza” do que se passa com as mulheres, justifica-se por refletir uma das ideias centrais da epistemologia feminista, qual seja, a de que o sujeito do conhecimento é um sujeito <italic>situado</italic>, isto é, um sujeito que tem uma perspectiva própria daquilo que conhece, de si mesmo e dos outros sujeitos cognoscentes (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vargas, 2012</xref>). Trata-se, portanto, da adoção de princípios e práticas de pesquisa capazes de proporcionar espaço de fala a sujeitos subalternizados, historicamente silenciados por práticas científicas objetivistas. Uma escuta posicionada da fala das mulheres, assim, requer metodologias que possibilitem a imersão em situações de pesquisa que não excluam as tensões, ressonâncias, transformações, resistências e cumplicidades. “Estou argumentando a favor de políticas e epistemologias de alocação, posicionamento e situação nas quais parcialidade e não universalidade é a condição de ser ouvido nas propostas a fazer de conhecimento racional” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Haraway, 2009</xref>, p. 30).</p>
			<p>A seguir, passaremos então ao relato de parte da nossa experiência etnográfica com mulheres que usam drogas, produzida a partir da discursividade narrativa e de princípios epistemológicos e metodológicos feministas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Narrativas de mulheres em grupo: coletivização da experiência e impasses institucionais</title>
			<p>A primeira etapa da pesquisa consistiu na realização de encontros com um grupo de mulheres que frequentavam a permanência-dia de um Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (Caps-ad)<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. O Caps-ad é um serviço 24 horas que oferece tratamento ambulatorial, em meio aberto, com plano terapêutico individualizado de acordo com as necessidades avaliadas para cada indivíduo. Fornece atenção contínua a pessoas com necessidades relacionadas ao uso de drogas durante todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados. Conforme as políticas públicas de saúde vigentes, o Caps-ad utiliza a estratégia de redução de danos, não sendo exigida abstinência para inserção no tratamento. Procura adequar a oferta de serviços às necessidades dos usuários, recorrendo a tecnologias de baixa exigência, tais como: adaptação dos horários às especificidades de cada usuário, acolhimento de usuários mesmo sob efeito de substâncias, dispensação de insumos de proteção à saúde (agulhas e seringas limpas, preservativos, etc.), entre outras. Conforme a necessidade, além da permanência-dia (PD) também pode ser ofertada a utilização de leitos de hospitalidade noturna (HN) como opção terapêutica, havendo ainda assistência aos familiares dos usuários, com orientação e apoio especializados (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2012</xref>).</p>
			<p>Foram realizados 21 encontros do grupo de mulheres, durante nove meses, no período de setembro de 2011 a junho de 2012, do qual participaram 23 mulheres e 2 (duas) travestis. Os encontros do grupo tiveram como foco as narrativas das mulheres sobre si mesmas, num processo de produção de sentidos de caráter coletivo e interativo. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B35">Spink e Medrado (2004</xref>), “a produção de sentidos não é uma atividade cognitiva intraindividual, nem pura e simples reprodução de modelos predeterminados. Ela é uma prática social, dialógica” (p. 42). Tal processo fez emergir no grupo a possibilidade de (re)construção de discursos historicamente desqualificados e invisibilizados pela lógica hegemônica presente nos pressupostos e práticas científicas. Nesse sentido, buscou-se “lançar luzes sobre práticas sexistas não percebidas, aceitas como naturais/normais; sobre a ‘cegueira de gênero’ das políticas e das instituições, que tendem a excluir, ignorar, invisibilizar e/ou silenciar as mulheres, gerando uma ordem social desigual e discriminatória” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vargas, 2012</xref>, p. 5-6).</p>
			<p>Alternativas metodológicas como a que o grupo de mulheres coloca possibilitam aos sujeitos refletir sobre “a permanente interação entre a maneira pela qual entendem o mundo e quem eles são enquanto pessoas historicamente situadas” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Saffioti, 1991</xref>, p. 150). Dessa maneira, o esforço metodológico para a produção de conhecimentos que possam se constituir como alternativa à ciência hegemônica caracteriza-se, entre outras coisas, por um desafio constante à objetividade, concebida como separada da subjetividade, e pela negação do caráter não científico da experiência.</p>
			<p>Assim, através da constituição do que aqui denominamos <italic>grupo dispositivo</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Barros, 2007</xref>), foram compartilhadas histórias de vida cujas experiências de violência emergiram tecendo um pano de fundo para sentidos comuns elaborados pelas participantes sobre suas trajetórias. Ao mesmo tempo, o compartilhamento de suas histórias no grupo também permitiu às mulheres a coletivização da experiência e a desconstrução de explicações individualizantes para o uso de drogas.</p>
			<p>Nesse sentido, cabe dizer que os grupos dispositivos têm o potencial de se constituir como uma via de emergência do político, uma vez que forçam processos de desindividualização, privilegiando a dimensão coletiva da experiência (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Barros, 2007</xref>). Importa acentuar contudo que, ainda que o grupo dispositivo guarde uma potência virtualmente libertária, esta não é garantida de antemão, podendo-se recair em práticas de sujeição. Pode-se dizer, portanto, que a construção do conhecimento e da mudança só é possível a partir da (re)construção dos próprios agentes envolvidos, pesquisadores e pesquisados. E foi assim que, por meio da interpelação coletiva das relações de subordinação e opressão às quais estavam submetidas e do reconhecimento dos lugares de fragilidade e insuficiência historicamente a elas atribuídos, o grupo potencializou nas mulheres participantes o questionamento da sua condição de gênero.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B29">Rocha e Aguiar (2003</xref>) apontam, contudo, que as múltiplas determinações das posições de sujeito presentes no grupo impedem o que poderia ser nomeado como um estado privilegiado de interação no qual se pudesse levar o outro a ser “conscientizado”. Faz mais sentido, portanto, “falar num confronto de diferentes subjetividades, o que concederia uma importância maior à construção de espaços públicos de discussão e debate onde essas diferentes subjetividades tivessem a oportunidade de se defrontarem” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Silva, 1993</xref>, p. 130).</p>
			<p>Sobre isso, a visão descentralizada e multidimensionada de sujeito como entidade dinâmica e mutante, situado em um contexto de transformação constante, mostra-se fundamental, sendo apresentada por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Braidotti (2002</xref>) a partir do conceito de <italic>subjetividade nômade</italic>, que “tem a ver com a simultaneidade de identidades complexas e multidimensionadas” (p. 30), cabendo salientar que estar num campo de debate feminista acarreta o reconhecimento da prioridade do gênero na estruturação dessas relações complexas.</p>
			<p>É assim que assumimos nesse trabalho a importância de se ter em conta a particular localização de cada mulher, tal como proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rich (2002</xref>) no ensaio “<italic>Notas para uma política da localização</italic>”, buscando conjugar, a um só tempo, “uma certa ideia mais ou menos universal sobre aquilo que nos une enquanto mulheres e uma ideia individualizada do que é ser mulher, numa geopolítica específica, num determinado espaço socioeconômico” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Pereira, 2009</xref>, p. 74).</p>
			<p>Por fim, tendo em vista os pressupostos do feminismo como campo intelectual e sua tentativa de compreensão e deslocamento dos poderes científicos e acadêmicos constituídos, assumimos aqui uma ruptura com a ideia de neutralidade científica, fundamentando nosso trabalho na noção de saber situado, que define um olhar abertamente interessado sobre o objeto de pesquisa. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B14">Foucault (1999</xref>), trata-se de “fazer que intervenham saberes locais . . . contra a instância teórica unitária que pretenderia filtrá-los, hierarquizá-los, ordená-los em nome de um conhecimento verdadeiro, em nome dos direitos de uma ciência que seria possuída por alguns” (p. 13). É assim que a perspectiva feminista “introduz e exige a construção do objeto a partir de um olhar situado . . . o sujeito que se diz metodologicamente feminino e/ou feminista jamais passará por uma fala neutra” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Machado, 1994</xref>, p. 22).</p>
			<p>É, portanto, a partir do referencial teórico-metodológico do campo de estudos feministas que as experiências das mulheres com o uso de drogas, compartilhadas nos encontros do grupo realizado, são analisadas nesta pesquisa. Temos assim que dos encontros do grupo de mulheres no Caps-ad emergiram dois grandes grupos de narrativas: (1) Narrativas de experiências de impotência e submetimento, efeito de violências produzidas pela assimilação da norma de gênero heterossexual, nas quais o uso de drogas aparece como um remédio para o sofrimento ou como decorrência dele; (2) Narrativas de questionamento da norma de gênero heterossexual, nas quais o uso de drogas aparece como uma possibilidade de fissura ou tentativa de subversão dessa mesma norma (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Prado &amp; Queiroz, 2012</xref>).</p>
			<p>Assim, nos dois grupos de narrativas identificados, as situações comumente descritas pelas usuárias como associadas ao uso de drogas reproduzem desigualdades de gênero sustentadas por prescrições que atribuem às mulheres uma condição de insuficiência e fragilidade. Exemplos disso foram suas justificativas para o uso de drogas, fundamentadas nas noções de descontrole emocional, saúde mental debilitada, frustração afetiva etc. Só muito pontualmente apareceram narrativas de uso de drogas associadas à experimentação com o corpo ou à recreação, justificativas comumente citadas por homens usuários. Importa lembrar que o próprio conhecimento médico se construiu, em grande medida, a partir de um pressuposto de fragilidade do corpo da mulher, o que estabeleceu práticas corporais específicas, quase sempre convencionadas a espaços sociais regidos pela proteção e controle (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Victora &amp; Knauth, 2004</xref>).</p>
			<p>Cabe dizer que nossa inserção em um serviço de saúde trouxe implicações decisivas à tentativa de ouvir as mulheres. O fato de estarem submetidas a um tratamento, mesmo que em um serviço aberto pautado no paradigma da redução de danos, já as caracterizava como pessoas sob tutela institucional decorrente de uma dada caracterização de uso “problemático” de drogas. Assim, não bastasse o fato de sua possibilidade de fala estar limitada pelas prescrições da instituição, todo o aparato médico de controle dos corpos e modos de vida que ditava os contornos possíveis para as experiências naquele espaço também limitava nossa possibilidade de escuta (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Foucault, 1987</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">1988</xref>). Daí que, mesmo tendo ido ao encontro das mulheres, suas narrativas, produzidas dentro daquele espaço específico, eram fruto de um discurso sobre si mesmas elaborado pelo campo da saúde, que instituía e prescrevia sua própria materialização como usuárias de drogas. É nesse sentido que <xref ref-type="bibr" rid="B7">Butler (2006</xref>) pontua que “quando Foucault afirma que a disciplina ‘produz’ indivíduos, não só quer dizer que o discurso disciplinar os dirige e os utiliza, mas também que ativamente os constitui” (p. 80).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Desestruturando narrativas: tentativas de borrar trajetórias institucionalizadas</title>
			<p>A segunda etapa da pesquisa fora definida, portanto, a partir da compreensão de que havia no interior da instituição uma produção de narrativas estabelecida como efeito do discurso dos profissionais de saúde sobre as mulheres. Desse modo, numa tentativa de acessar produções subjetivas que de alguma forma pudessem escapar das prescrições normativas, estabelecemos a “rua” como campo, procurando captar nuances nos discursos das mulheres que não podiam ser percebidas nas narrativas produzidas no grupo realizado no interior do Caps-ad.</p>
			<p>A tentativa de ir ao encontro das mulheres em espaços não institucionalizados, contudo, revelou-se mais complexa do que o previsto, devido a um fator fundamental: de algum modo, todas aquelas mulheres se encontravam sob alguma tutela institucional, especialmente nos campos da saúde e assistência social. Suas trajetórias indicavam uma peregrinação por serviços de saúde - centros de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (Upa), Centros de Atenção Psicossocial (Caps), hospitais - e por equipamentos da assistência social, como Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e abrigos transitórios. A essas instituições apresentavam demandas diversas: realização de exames, acesso a medicamentos, consulta com especialistas, atendimentos de urgência e tratamento de doenças crônicas. Na assistência social, buscavam acessar benefícios - como auxílio-doença, bolsa-família e aluguel social - ou informações sobre a retirada de documentos e oportunidades de emprego, entre outras.</p>
			<p>Acessar uma narrativa que não fosse efeito das instituições parecia se apresentar, portanto, como algo irrealizável. No entanto, acreditávamos que algumas nuances poderiam ser exploradas ao expandir o território de produção de discursos das mulheres usuárias. Assim, demos início à tentativa de “borrar” as narrativas institucionalizadas, trazendo para a cena elementos de fala que, além de serem inevitavelmente atravessados por instituições, também provocassem fissuras nos discursos produzidos por elas. Inspirados por essa tentativa, iniciamos a segunda etapa da pesquisa de campo, agora não mais buscando estar “fora” das instituições, mas “circulando” por elas.</p>
			<p>A etnografia multilocal ou multissituada apareceu, então, como estratégia metodológica capaz de possibilitar o acesso às trajetórias e fios que constituíam a circulação das mulheres usuárias por esses diversos espaços. Assim, por meio da ação de “seguir” as tramas e histórias de vida das mulheres, narradas individualmente, poderia ser possível revelar o que ocorria com esses sujeitos tomados coletivamente, através da associação entre lugares e contextos sociais diversos.</p>
			<p>A escolha da técnica da entrevista narrativa como método de coleta de dados justificou-se por acreditarmos que o relato autobiográfico das mulheres sobre suas trajetórias poderia fornecer narrativas capazes de, conforme proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B33">Scott (1999</xref>), elucidar os processos históricos que, através do discurso, posicionaram-nas como sujeitos e produziram suas experiências. Dessa forma, cabe ressaltar, mais do que acessar as experiências das mulheres que usam drogas, buscou-se através dos relatos autobiográficos identificar o modo como essas mesmas mulheres foram constituídas por suas experiências. Para <xref ref-type="bibr" rid="B20">Josso (2006</xref>), adotar os relatos de história de vida como metodologia fundamenta-se em dois paradigmas, “o paradigma de um conhecimento fundamentado sobre uma subjetividade explicitada e o paradigma de um conhecimento experiencial, que valoriza a reflexividade produzida a partir de vivências singulares” (p. 21).</p>
			<p>Como discutido anteriormente, tais paradigmas aproximam-se dos pressupostos das metodologias feministas, que consideram a fala das mulheres sobre si mesmas essencial para qualquer produção de conhecimento que se queira crítica ao padrão hegemônico de ciência. Buscamos, portanto, ao “seguir” duas mulheres que haviam participado do grupo realizado no Caps-ad - Cleide e Célia<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> - em seus espaços cotidianos, ir ao encontro das vozes sempre plurais e inacabadas de sujeitos subalternizados, historicamente silenciados por práticas científicas objetivistas. Foi assim que, acessadas em sua diferença, tais mulheres puderam causar uma fissura nos saberes hegemonicamente construídos sobre elas, revelando, através da experiência constitutiva da sua posição subjetiva, outras inteligibilidades possíveis para sua experiência como usuárias de drogas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Cleide era uma jovem de 23 anos risonha e descontraída. Ela havia participado do grupo de mulheres no Caps-ad com interesse, mas pouca implicação, limitando-se nos encontros a rir das narrativas das outras usuárias. Entrou na lista das mulheres com as quais poderíamos fazer contato na segunda etapa da pesquisa por cumprir os critérios estabelecidos: ter participado de pelo menos dois encontros do grupo e ser usuária de crack. As instituições abrigo, escola e Caps-ad configuraram nosso circuito de deslocamento ao “seguir” Cleide e sua trajetória no mapa da etnografia multissituada/multilocal.</p>
			<p>Se buscávamos linearidade, o que encontramos na narrativa de Cleide foi uma miríade de lembranças, entre as quais ela não estabelecia nenhum nexo causal. Desse modo, ao ser interpelada a produzir sentidos para sua trajetória, Cleide demonstrava pouco interesse pela sua condição histórica, apenas distinguindo como “sua vida” uma sucessão de acontecimentos para ela arbitrários. Dessa maneira, ao longo dos encontros que tivemos, Cleide apresentou uma narrativa fragmentada, num fluxo semelhante a uma associação livre que, ao ser contada, ganhava materialidade e possibilidades de sentido.</p>
			<p>Ao longo dos nossos encontros, que aconteceram de março a novembro de 2013, Cleide parecia oscilar entre uma posição de recusa à patologização do seu uso de crack, o que justificava sua baixa adesão às intervenções no campo da saúde; e a aposta na possibilidade de obter da aceitação do rótulo de “dependente” algum tipo de benefício ou privilégio. No campo da assistência social Cleide assumia suas demandas como direito. Nesse campo, sim, havia adesão e busca de reconhecimento: como cidadã em busca da regulamentação dos seus documentos, aluguel social e encaminhamento para oportunidades de emprego.</p>
			<p>Cleide se referia a uma das pesquisadoras como “<italic>a professora que faz muitas perguntas</italic>”, o que indica o modo assimétrico como nossa relação havia se estabelecido. Afinal, se uma de nós era a professora, esperava-se dela correção. Talvez por isso nossa relação não tenha se constituído sob um vínculo de confiança e intimidade, e sim a partir da necessidade de produção de respostas alinhadas ao socialmente esperado. Provavelmente em decorrência disso, Cleide não nos concedera a honra de conhecer de forma profunda sua história, suas motivações e desejos.</p>
			<p>Cleide assumira viver a vida de forma por muitos nomeada como irrefletida; para ela, de forma leve e alegre. Conseguia percorrer os trâmites institucionais que poderiam lhe auferir uma inscrição social mais adaptada aos padrões de normalização hegemônicos, contudo, não estava mobilizada a cumprir com todas as exigências desse processo. Por ora, conseguir acessar os benefícios mínimos assegurados à sua condição de “pessoa que faz da rua sua morada” era o foco dos seus interesses. A companhia do marido, também em situação de rua, significava muito, pois representava proteção e garantia de manutenção do seu modo de vida. As instituições - Caps-ad, centro de saúde, abrigo e outros dispositivos da assistência social - eram acessadas quando necessário, mas as possibilidades de adesão e continuidade das intervenções propostas eram sempre ditadas por Cleide, que em sua errância e “resistência”, mantinha viva a recusa a quaisquer tentativas de disciplinarização do seu corpo e da sua vida.</p>
			<p>Célia, a segunda participante da pesquisa, tinha 42 anos quando participou do grupo de mulheres e estava há cinco fazendo uso abusivo de crack. Ao longo de oito meses, de abril a dezembro de 2013, estivemos com ela sete vezes em sua casa e em seu centro de saúde de referência. Durante esse período ela nos concedeu três entrevistas gravadas, que foram tratadas seguindo as fases de trabalho previstas, quais sejam, transcrição literal, elaboração do <italic>corpus</italic> de análise, identificação dos principais temas referidos nas narrativas e de seu conteúdo central.</p>
			<p>No começo desse período, mesmo com os frequentes esclarecimentos sobre a etnografia e seus objetivos, materializados no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por ela, Célia atribuíra a uma das pesquisadoras o título de “minha psicóloga”. Mais tarde compreenderíamos que o status daquela relação não havia se estabelecido por meio de um contrato escrito e assinado, mas a partir de uma dinâmica relacional que as envolveu como mulheres num vínculo de intimidade e cumplicidade.</p>
			<p>Célia, de forma surpreendente e inesperada, suspendera por conta própria o uso de crack no começo dos nossos encontros, o que nos fez pensar que algo de muito importante estava sendo produzido naquela interação. Ao longo dos encontros, ela passou a se referir a uma das pesquisadoras como “minha colega”, trazendo-a para mais próximo dela. <italic>Colegas</italic>. A pesquisadora não era mais a “psicóloga” que tinha um saber e autoridade sobre ela, era agora sua “colega”, sua cúmplice. Compartilhavam histórias íntimas. Numa ocasião em que sua irmã ligara para ela enquanto conversávamos, querendo ir à sua casa, Célia disse a ela que só poderia recebê-la mais tarde: “<italic>Minha colega veio aqui pra gente bater papo. A conversa da gente é uma conversa assim… oculta. Não dá pra poder ficar… é… mais de um. É só entre nós</italic>”.</p>
			<p>Somente aos poucos foi se tornando claro para nós a especificidade do vínculo que se produziu naqueles encontros. Não se tratava, por certo, de uma relação com vistas à mera coleta de dados de pesquisa, sendo possível já nesse momento vislumbrar o que <xref ref-type="bibr" rid="B2">Barros e Silva (2002</xref>) apontam sobre o trabalho com narrativas: </p>
			<disp-quote>
				<p>recolher histórias de vida é uma relação, não uma simples tomada de informações sobre o outro; e estabelecer uma relação se faz notadamente em todo um processo em que vínculos recíprocos de confiança e afinidades irão se formar com o tempo. (p. 138) </p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, ainda conforme as autoras, a composição da narrativa de uma vida não decorre de uma sucessão de entrevistas com um informante, mas, sim, “de um encontro único do pesquisador com uma pessoa que aceita confiar-se a ele” (p. 138). Tal relação tornou-se uma possibilidade em decorrência do fato de que a reflexão ali colocada de algum modo dizia respeito às duas, pesquisadora e entrevistada, situadas naquele momento no mesmo nível, “em pé de igualdade”. Instaurou-se assim “uma relação significativa, uma autêntica interação” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Ferrarotti, 2011</xref>, p. 97).</p>
			<p>Célia apresentou em sua narrativa uma relação paradoxal com a medicação prescrita no centro de saúde: ao mesmo tempo que o remédio lhe possibilitava manter-se abstinente, a mantinha “domada”, apaziguada frente ao seu cotidiano insípido. <xref ref-type="bibr" rid="B39">Whyte, Van Der Geest e Hardon (2002</xref>), em um estudo com usuárias de benzodiazepínicos, identificaram o papel ambíguo dos medicamentos na vida das mulheres: de um lado, aumentam a dependência de consultas e são objeto de controle médico; de outro, são importantes recursos de poder, uma vez que dão a elas controle sobre suas vidas. Para Célia, o manejo que fazia da sua medicação configurava-se como um exercício de autonomia, estando relacionado aos seus episódios de uso de crack, já que estes aconteciam nos períodos em que ela se encontrava menos medicada e, portanto, mais ativa, o que fazia irromper nela desejos de mudança e superação do contexto restritivo no qual estava inserida.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<p>A escuta das mulheres possibilitada pela etnografia multissituada/multilocal representou o encontro com a produção de <italic>diferenças</italic> que desarticularam sentidos fixos e desafiaram as inteligibilidades orientadoras das práticas de cuidado no campo de atenção às pessoas que usam drogas. A interpelação resultante desse encontro indicou possibilidades de experiências com drogas até então desconhecidas e somente por nós compreendidas de maneira parcial e incipiente, por, entre outras coisas, desestabilizarem os ideais de normalização hegemônicos, aos quais também nos encontramos submetidos. Assim, mais do que nos fazer um convite, o movimento em direção à escuta das mulheres nos impele ao reconhecimento dos limites de nossos saberes e práticas no campo dos cuidados oferecidos às mulheres que usam drogas, inaugurando a possibilidade de um novo olhar sobre suas questões.</p>
			<p>Foram ressaltados os limites que a condição de “usuária” de um serviço de saúde mental especializado em demandas relacionadas ao uso de drogas estabelece à enunciação de um saber válido das mulheres sobre si mesmas. Nesse sentido, as mulheres permanecem sendo vistas pelos especialistas a partir do dispositivo da medicalização (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Fiore, 2002</xref>), ou seja, como sujeitos com direito à saúde e cuidados assistenciais especializados. Decorre disso que somente de maneira muito incipiente observamos sua emergência nos serviços como sujeitos cuja fala, legitimada, é considerada na elaboração das práticas profissionais do campo. Desse modo, as mulheres são alçadas à condição de objeto de uma intervenção institucional fundamentada na normalização biopolítica (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Foucault, 2008</xref>), que se ocupa menos com a escuta da sua singularidade e mais com a gestão de sua saúde e corpos.</p>
			<p>Assim, tendo em vista que os sujeitos aqui em questão são <italic>mulheres</italic> que usam drogas, nessa normalização evidenciam-se os controles exercidos de modo especial em torno dos ideais heteronormativos de vigilância sobre seus corpos, em detrimento de uma atenção focada na escuta de suas necessidades “reais”. Por generalização, decorre disso que a maioria das práticas de cuidado direcionadas às mulheres no âmbito familiar são focadas no atendimento às suas necessidades alimentícias, de sono, higiene e repouso, além do encaminhamento para serviços especializados em desintoxicação, práticas vistas por elas como ações de controle sobre sua vida e punição pela sua situação de dependência (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Santos &amp; Silva, 2012</xref>) e não como ações reconhecidamente de “cuidado”.</p>
			<p>Um apontamento fundamental que deve ser feito sobre a pesquisa etnográfica com mulheres que usam drogas numa perspectiva feminista é a indispensável explicitação do desafio que sua escuta representa para os/as pesquisadores/as. Se ir ao encontro da <italic>diferença</italic> fora algo ansiado por nós, por exemplo, efetivar esse encontro se mostrou durante todo o tempo algo da ordem daquilo que escapa, que foge à compreensão, e por isso produz a constante necessidade de assimilação a partir de esquemas teóricos previamente conhecidos. Desse modo, representou tarefa metodológica constante o esforço para evitar a atribuição de sentidos fixos às trajetórias das mulheres ou a produção de um saber sobre elas elaborado exclusivamente por nós. Portanto, configurou-se como principal desafio metodológico ao longo de todo o trabalho de campo o aprimoramento da capacidade de escutar os sentidos que as mulheres produziam sobre suas próprias experiências e sobre si mesmas, não para construir um saber <italic>sobre elas</italic>, <italic>para elas</italic> e nem mesmo <italic>com elas</italic>, mas, sim, para elaborar pela reflexividade (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Neves &amp; Nogueira, 2005</xref>) um saber sobre <italic>nossa relação com elas</italic>, única experiência acerca da qual poderíamos ser legítimos enunciadores.</p>
			<p>Foi a partir dessa posição como pesquisadores que pudemos, então, ver emergir na nossa experiência com mulheres que usam drogas novas e desconhecidas nomeações sobre o fenômeno que buscamos conhecer inicialmente. Assim, não encontramos em campo “usuárias”, e sim “mulheres” cujas trajetórias incluíam experiências de uso de drogas, designadas por elas de formas diversas. Tais encontros proporcionaram a ampliação das nossas possibilidades de compreensão de suas singularidades, centrais para a exploração das suas formas de engajamento com o mundo e para a elaboração de possíveis estratégias de cuidado e preservação no uso de drogas.</p>
			<p>Enfim, produziu-se nesta pesquisa um deslocamento no modo clássico de elaboração do conhecimento científico, que colocou no centro do trabalho o debate em torno das condições de produção e autoria dos saberes. Assim, é da posição de quem foi sujeito ativo da experiência em análise que podemos falar dos diferentes encontros que se deram nesta pesquisa: da frustração pela relação não estabelecida com Cleide; e da intensa relação de intimidade vivenciada com Célia. Foi a partir do real vivido que o saber elaborado neste trabalho se produziu; saber este sempre parcial, localizado e afetado pelas experiências que nos constituíram como pesquisadores.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusões</title>
			<p>Ao assumir a escuta direta das mulheres como recurso metodológico, colocamo-nos em coerência com uma inscrição epistemológica que valoriza a reflexividade e a experiência como vias de acesso ao político. Tal escolha também inscreveu o estudo aqui realizado no bojo das pesquisas críticas ao modo como se constituem as hierarquias na produção do conhecimento científico. É, portanto, a partir do questionamento dos ideais de neutralidade e objetividade e da valorização da posicionalidade e envolvimento do pesquisador como vias de acesso à experiência - entendida como resultado de processos históricos e discursivos - que acreditamos poder ser criadas as condições para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções mais eficazes no campo da saúde.</p>
			<p>O caminho metodológico traçado apresentou desafios decorrentes das exigências que lhe são próprias, entre eles, os custos de uma inscrição necessariamente longa em campo, essencial para o estabelecimento de vínculos íntimos e possibilitadora do acesso ao cotidiano dos sujeitos envolvidos para além dos espaços institucionais por onde circulam com nomeações fixas.</p>
			<p>Outra questão levantada por este trabalho diz respeito à compreensão de que as diversas características de contexto social, histórico e cultural exigem práticas e instrumentos psicológicos que precisam ser criados e reinventados a partir, especialmente, da utilização de metodologias através das quais se faça possível a escuta dos sujeitos envolvidos. Nesse sentido, é mister interrogar se as condições de opressão podem dar lugar a expressões políticas de fala, entendidas como a articulação de narrativas não capturadas pelos sentidos e compreensões dominantes. O que está posto, portanto, é a premência de que os próprios sujeitos possam falar por si mesmos sobre suas experiências e enunciar seus direitos, e a necessidade de construirmos metodologias de pesquisa e intervenção coerentes com essa proposta.</p>
			<p>Para encerrar, cabe mencionar que ainda que a psicologia venha estudando os processos de exclusão/inclusão social num esforço consciente de colaborar com a garantia de direitos e, portanto, criar condições para o exercício pleno da cidadania, pela perspectiva excessivamente individualizante com que tem abordado esse tema, assim como por muitas de suas concepções de sujeito, ela frequentemente colabora com os processos de exclusão social. Reconhecer os dilemas políticos que constituem os fenômenos psicológicos, com vistas à problematização do caráter universal de como a psicologia tem lidado historicamente com as diferenças, torna-se portanto necessário para romper com a lógica essencialista presente em seu trabalho nas políticas públicas, sendo este um dos principais desafios éticos da psicologia no campo dos direitos das pessoas que usam drogas.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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			<title>Referências</title>
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					<source>Grupo: a afirmação de um simulacro</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre, RS</publisher-loc>
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							<surname>Medrado</surname>
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					<year>2004</year>
					<chapter-title>Produção de sentidos no cotidiano: uma abordagem teórico-metodológica para análise das práticas discursivas</chapter-title>
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					<source>Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas</source>
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				<mixed-citation>Spivak, G. (1987). Can the subaltern speak. In C. Nelson &amp; L. Grossberg (Eds.), Marxism and the interpretation of culture (pp. 271-313). Chicago: University of Illinois Press.</mixed-citation>
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					<chapter-title>Can the subaltern speak</chapter-title>
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					<publisher-name>University of Illinois Press</publisher-name>
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				<mixed-citation>Vargas, R. B. A. (2012). A saúde integral das mulheres e a educação médica: uma ponte por construir (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Victora, C., &amp; Knauth, D. R. (2004). Corpo, gênero e saúde: a contribuição da antropologia. In M. N. Strey &amp; S. T. L. Cabeda (Orgs.), Corpos e subjetividades em exercício interdisciplinar (Coleção Gênero e Contemporaneidade 3). Porto Alegre, RS: EdiPUCRS .</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Whyte, S. R., Van Der Geest, S., &amp; Hardon, A. S. (2002). Woman in distress: medicines for control. In S. R. Whyte, S. Van Der Geest, &amp; A. S. Hardon. (Orgs.), Social lives of medicines (pp. 50-63). Cambridge: Cambridge University Press.</mixed-citation>
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				<p>Bolsista CNPq.</p>
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				<label>2</label>
				<p>Todo o trabalho de campo da tese da qual o artigo aqui apresentado deriva foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (CEP-UFMG), tendo o projeto de pesquisa sido registrado na Plataforma Brasil sob o número CAAE: 21135213.0.0000.5149.</p>
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				<label>3</label>
				<p>Nomes fictícios.</p>
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	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Narrative research with drug-using women: a feminist ethnographic experience</article-title>
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						<surname>Queiroz</surname>
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				<institution content-type="original">Federal University of São João del-Rei, Department of Psychology. São João del-Rei, MG, Brasil</institution>
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				<institution content-type="original">Federal University of Minas Gerais, Department of Psychology. Belo Horizonte, MG, Brasil</institution>
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			<author-notes>
				<corresp id="c2">
					<label>*</label> Corresponding address: <email>isabelasq@ufsj.edu.br</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>This is a narrative research, inserted in the feminist epistemological field, that sought to know the life trajectory of women who use crack. A multi-sited ethnographic research was carried out, which started from listening to drug-using women who took part in a public mental health service to, then, following two of them through the spaces in which they lived, namely, shelter, school, health center, in addition to their own homes. The narrative interview technique was used as data collection method. The act of listening to the women allowed us to disarticulate fixed meanings and challenge the guiding intelligibility of care practices to people who use drugs. The limitations that the condition of user of a mental health service establishes to the enunciation of a valid knowledge of the women about themselves stood out, as their narratives are a product of the discourse created about them by the health field, which institutes and prescribes their own materialization as drug users.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>drug-using women</kwd>
				<kwd>feminist epistemology</kwd>
				<kwd>ethnography</kwd>
				<kwd>narrative interview</kwd>
			</kwd-group>
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		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction</title>
				<p>Incorporating the shifting discussion on drug use of a field that claims to be therapeutic but is crossed by moral issues to register its political realm is a challenging task, either because it is a problem within illegality or because of the proposition of giving voice to a social group so far regarded as unable to create positive meanings socially legitimized to their experiences, which are characteristically marginal. Thus, listening to women who use drugs is a possibility to produce and articulate narratives that can subvert the systematic silencing in which they were and remain inserted.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B36">Spivak (1987</xref>) guided this question three decades ago, by asking herself: “Can the subaltern speak?”, a questioning that interrogates whether conditions of oppression can give rise to political expressions of speech, understood as the articulation of narratives not captured by the dominant meanings and understandings. That question thus posed “alludes to the oppositions speech/silencing, equality/oppression, politics/servitude, which are essential to understand the vicissitudes and contradictions of this difficult and painful process of emancipation, when one fights to transform the conditions of oppression” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Castro, 2011</xref>, p. 300). Therefore, this shows the urgency for women who use drugs to speak for themselves about their experiences and needs.</p>
				<p>In view of these considerations, we assume as initial hypothesis that the drug use by women is within a gender standard that establishes specific contours to this experience. Thus, on the one hand, the use of drugs by women would be based on fragility, which has historically assigned them a place of dependency, arising from the need for protection and surveillance over their bodies. On the other hand, it would also be related to an attempt to shift the modes of reproduction of the standards established by the heterosexual matrix, from practices notably opposed to the ones expected and determined by it (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Queiroz, 2015</xref>).</p>
				<p>To investigate this hypothesis, however, we must break the limits of production of discourses on drugs made by experts, to get to know the speech of these women about their everyday experiences and their relationship with drugs. Therefore, in an attempt to move beyond the speech of the subjects considered producers of legitimate knowledge on the topic - experts, researchers, and health care professionals -, we sought to listen to the women themselves as direct enunciators of their experience.</p>
				<p>To this end, we carried out a multi-sited ethnography research (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fischer, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>), aiming to investigate different subjects, groups, and places interconnected with each other, to characterize globally distributed large processes that are locally developed in different ways. Thus, we started by listening to drug-using women inserted in a public mental health service to, then, enter the daily life of two of them, “following them” them through the spaces in which they lived, namely, shelter, school, health center, besides their own homes and surrounding streets.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Multi-sited ethnography and narrative interview: methodological articulations on feminist social research</title>
				<p>Multi-sited ethnography (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fischer, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>) proposes a shift from the conventional ethnographic research, focused on local situations to analyze the ways in which meanings, objects, and cultural identities circulate in fuzzy spaces. Thus, unlike classical ethnography, which deals with the dense description of a single group (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Geertz, 1978</xref>), carried out after a long period of immersion in the field, multi-sited ethnography proposes the research of different groups and/or places interconnected with each other, thinking about the relationships established by them from dynamics that go beyond their existence in a same and single site (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fischer, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001</xref>) indicates several ways of carrying out a multi-sited ethnographic research. Our study adopted the schemes defined by the author as “following people” and “following plots” to characterize the trajectory of drug-using women, from the understanding of how their experiences have been produced by historical processes that situated them within certain discourses.</p>
				<p>“Following people” is, for <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001</xref>), the most obvious and conventional way to materialize a multi-sited ethnography. It is about following and remaining with the movements of a particular group of subjects, passing through multiple places to meet what lies out of their source scenario. This allows the researcher to analyze what occurs with the subject in several places. According to <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001)</xref>, “following the plots, stories, or biographies” is also a rich source of connections, associations, and relationships about the multi-sited objects of study, since plots and life stories narrated individually can reveal unexpected associations between places and social contexts, being potential guides to conduct ethnographic observations and analyses that would otherwise remain invisible.</p>
				<p>The author also analyzes the engagement of researchers on multi-sited ethnography, pointing out that, on it, they find themselves wrestling with often contradictory personal commitments, which generate conflict and work out “not by taking refuge in the role of distanced academic anthropologist, but by being some sort of activist ethnographer, renegotiating identities in different places while learning more about them” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus, 2001</xref>, p. 123).</p>
				<p>This shows the ethical-political nature of multi-sited ethnographic research, which, by requiring the researcher to move through different places and social levels, brings an activist aspect to the research. In the words of <xref ref-type="bibr" rid="B23">Marcus (2001</xref>): “it is a very specific activism, circumstantial to the conditions posed by multi-sited research. It is about putting into practice the feminist <italic>slogan</italic> that politics is something personal” (p. 123).</p>
				<p>Our multi-sited ethnographic research consisted of following people and stories through several places, starting with the members of a group of women from a public service of care for drug users. As data collection method in the meetings with the women, both when we were in their group and when we met them in other spaces of the city, we used the technique of narrative interview (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Schutze, 1992</xref>), which has the main goal of rebuilding the dynamics of the interaction between individual biographical processes and collective mechanisms. We chose this method because we believe the narrative form has a structure that allows people to give meaning to personal and collective experiences, creating the idea they have about themselves, sorting what was lived, organizing past memories, and guiding each narrators’ consciousness and their future action (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brandão &amp; Germano, 2009</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B17">Germano and Silva Serpa (2008)</xref> point out that, unlike the logical reasoning of science, “the narrative reasoning does not crave one (alleged) historical or factual truth, but the ‘narrative truth’ that a person or group conceives by the organization of life events in an understandable or verisimilar plot” (p. 13). Therefore, this has to do with considering the story of a narrator about her/his existence through time, so that she/he can freely tell their life and give their own categories to their narrative. In this sense, one must make it clear that, when working with life stories, the researcher’s interference must be minimal.</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bruner (1997</xref>, p. 99), the heterogeneity of the social worlds and temporal experience can be shown in the thought and the narrative text and, once the narrative view is assumed, one can ask: “Why is one story told and another is not?” It is at this point that the political and social hierarchies appear, establishing which conceptions must be the “official” ones of the self. In this sense, “feminist critiques profusely wrote in recent years about the way in which women’s autobiography was marginalized by the adoption of a totally male canon of autobiographical writing” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bruner, 1997</xref>, p. 99). Thus, feminist epistemology denounces the way in which hegemonic conceptions and practices of knowledge production systematically disregarded women and other socially discriminated groups (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Harding, 1987</xref>). According to <xref ref-type="bibr" rid="B37">Vargas (2012</xref>), theories thus produced “make their activities and interests and the unequal power relations they experience invisible, in addition to not meeting their real needs” (p. 33).</p>
				<p>About it, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Longino (1987</xref>) points out that political considerations are relevant forces in scientific production, able to shape the deductive reasoning and the content of the knowledge produced. Thereby, committing to a feminist science requires a rupture with the idea of neutral science, assuming the political positions present in our methodological choices. This also reflects the need to assume that there is no particular method capable of ensuring the elucidation of an alleged “woman nature ,” since, according to <xref ref-type="bibr" rid="B18">Haraway (2009</xref>): </p>
				<disp-quote>
					<p>There is nothing in the fact of being a ‘woman’ that naturally unites women. There is not even such a situation - ‘being’ woman. This is a highly complex category built by sexual scientific discourses and other questionable social practices (p. 47).</p>
				</disp-quote>
				<p>Thus, in view of the methodological issues presented and considering our insertion in the feminist epistemological field, this research privileges the narratives of women about their life trajectories and drug use, a choice that reflects a political position in an effort to make the speech of women about themselves emerge. Such a choice, rather than trying to mean a specific methodology capable of revealing the “nature” of what is going on with women, is justified because it reflects one of the main ideas of feminist epistemology, namely, that the subject of knowledge is a <italic>situated</italic> subject, i.e., a subject who has her/his own perspective of what they know, of themselves, and of other cognizant subjects (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vargas, 2012</xref>). Therefore, this deals with the adoption of principles and practices of research capable of providing speech space to subalternized subjects, who were historically silenced by objectivist scientific practices. A postured listening of the women’s speech thus requires methodologies that allow the immersion in research situations that do not exclude the tensions, resonances, transformations, resistances, and complicities. “I am arguing in favor of policies and epistemologies of allocation, positioning, and situation in which partiality, and not universality, is the condition of being heard in the proposals of creating rational knowledge” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Haraway, 2009</xref>, p. 30).</p>
				<p>Hereafter, we will start the report of our ethnographic experience with women who use drugs, produced from narrative discursiveness and feminist epistemological and methodological principles.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Narratives of women in group: collectivization of experience and institutional impasses</title>
				<p>The first step of the research consisted in conducting meetings with a group of women who attended the day-permanence of a Psychosocial Care Center For Alcohol and Other Drugs (CAPS-ad)<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>2</sup></xref>. CAPS-ad is a 24-hour service that offers outpatient treatment, in open environment, with individualized therapeutic plan according to the needs assessed for each individual. It provides continuous care to people with drug-related needs during all days of the week, including weekends and holidays. According to the existing public health policies, CAPS-ad uses the strategy of harm reduction, as abstinence is not required for inclusion in the treatment. It seeks to adjust the supply of services to the needs of patients, using low-demand technologies, such as: adaptation of timetables to the specificities of each user, reception of patients even under the influence of substances, dispensation of supplies of health protection (clean needles and syringes, condoms, etc.), among others. As needed, in addition to day-permanence, the use of night stay can also be offered as a therapeutic option, and there is even care to the patient’s family members, with specialized guidance and support (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2012</xref>).</p>
				<p>From September 2011 to June 2012, 21 meetings of the group of women were conducted, attended by 23 women and two trans women. The meetings of the group focused on the women’s narratives about themselves, in a process of meaning production with collective and interactive nature. According to <xref ref-type="bibr" rid="B35">Spink and Medrado (2004</xref>), “meaning production is not an intraindividual cognitive activity nor a pure and simple reproduction of predetermined models. It is a social and dialogic practice” (p. 42). Such a process made emerge in the group the possibility of (re)construction of discourses historically disqualified and rendered invisible by the hegemonic logic present in the scientific assumptions and practices. In this sense, we sought to “throw light on non-perceived sexist practices, accepted as natural/normal; on the ‘gender blindness’ of policies and institutions, which tend to exclude, ignore, make invisible, and/or silence women, generating an unequal and discriminatory social order” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vargas, 2012</xref>, p. 5-6).</p>
				<p>Methodological alternatives, such as the group of women, enable people to think about “the permanent interaction between the way by which they understand the world and who they are as historically situated people” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Saffioti, 1991</xref>, p. 150). Thus, the methodological effort to produce knowledge that may arise as an alternative to the hegemonic science is characterized, among other things, by a constant challenge to objectivity, conceived as separate from subjectivity, and by the denial of the nonscientific character of the experience.</p>
				<p>Therefore, by the constitution of what we call here <italic>device group</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Barros, 2007</xref>), these women shared their life stories, and their experiences of violence emerged weaving a backdrop for common meanings created by the participants about their trajectories. At the same time, sharing their stories in the group also allowed the women to collectivize their experience and to deconstruct individualizing explanations for drug use.</p>
				<p>In this sense, it is worth saying that the device groups have the potential to be a route of emergence of the political realm, since they force deindividuation processes, focusing on the collective dimension of experience (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Barros, 2007</xref>). However, one must point out that, even if the device group has a virtually freeing power, this is not ensured beforehand, and one may relapse into subjection practices. Therefore, one can say that the construction of knowledge and change is only possible from the (re)construction of the subjects involved, both researchers and researched ones. And that is how, by the collective interpretation of the relations of subordination and oppression to which they were subjected and the recognition of the positions of fragility and insufficiency historically assigned to them, the group increased the questioning of gender condition in its members.</p>
				<p>Nevertheless, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Rocha and Aguiar (2003</xref>) point out that the multiple determinations of subject positions present in the group prevent what could be a privileged state of interaction in which one could lead another to be “made aware.” It makes more sense, then, “to talk about a clash of different subjectivities, which would give greater importance to the construction of public spaces for discussion and debate where these different subjectivities had the opportunity to face each other” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Silva, 1993</xref>, p. 130).</p>
				<p>Thereon, the decentralized and multidimensional view of subject as a dynamic and mutant entity, situated in a context of constant transformation, is essential, being presented by <xref ref-type="bibr" rid="B3">Braidotti (2002</xref>) from the concept of <italic>nomad subjectivity</italic>, which “has to do with the simultaneity of complex and multidimensional identities” (p. 30), and it is worth highlighting that being in a field of feminist debate entails the recognition of prioritizing gender in the structuring of these complex relationships.</p>
				<p>That is how we have assumed in this study the importance of considering the particular location of each woman, as proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rich (2002</xref>) in the essay “<italic>Notas para uma política da localização,</italic>” seeking to combine, at once, “a more or less universal idea about what unites us as women and an individual idea of what it is to be a woman, at a particular geopolitics, in a given socioeconomic space” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Pereira, 2009</xref>, p. 74).</p>
				<p>Finally, given the assumptions of feminism as intellectual field and its attempt to understand and shift the constituted scientific and academic powers, we assume a rupture with the idea of scientific neutrality, basing our work on the notion of situated knowledge, which defines an openly interested look over the object of research. According to <xref ref-type="bibr" rid="B14">Foucault (1999</xref>), it is about “making local knowledge intervene . . . against the unitary theoretical instance that would intend to filter them, hierarchize them, sort them on behalf of a true knowledge, on behalf of the rights of a science that would be possessed by some” (p. 13). That is how the feminist perspective “introduces and requires the construction of the object from a situated look . . . the subject who claims to be methodologically feminine and/or feminist will never have a neutral speech” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Machado, 1994</xref>, p. 22).</p>
				<p>Therefore, it is from the theoretical-methodological framework of the field of feminist studies that the experiences of women with drug use, shared in the meetings of the group, are analyzed in this research. Thus, two large groups of narratives have emerged from the meeting of the group of women at CAPS-ad: (1) Narratives of experiences of helplessness and submission, effect of the violence produced by the assimilation of the heterosexual gender standard, in which drug use appears as a remedy for pain or as a result of it; (2) Narratives for questioning the heterosexual gender standard, in which drug use appears as a possibility of break or attempted subversion of the standard (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Prado &amp; Queiroz, 2012</xref>).</p>
				<p>Thus, in the two identified groups of narratives, the situations commonly described by the users as associated with drug use reproduce gender inequalities supported by precepts that assign women a role of insufficiency and fragility. Their justifications for the use of drugs, based on the notions of emotional unrest, poor mental health, emotional frustration, etc., are examples of this. Narratives of drug use associated with experimentation of their body or recreation, commonly mentioned by men, appeared only occasionally. One must remember that the medical knowledge was largely built from an assumption of fragility of the woman’s body, which established specific bodily practices, almost always agreed to social spaces governed by protection and control (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Victora &amp; Knauth, 2004</xref>).</p>
				<p>It is worth saying that our insertion in a health service brought decisive implications to the attempt of listening to the women. The fact they are subjected to a treatment, even if in an open service based on the harm-reduction paradigm, already characterized them as people under institutional custody arising from a particular characterization of “problematic” drug use. Thus, apart from the fact of their possibility of speech being limited by the requirements of the institution, the entire medical apparatus of control of bodies and lifestyles that dictated the possible contours for the experiences in that space also limited our possibility of listening (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Foucault, 1987</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">1988</xref>). Hence, even having met the women, their narratives, produced in that particular space, were the result of a discourse about themselves prepared by the health field, which instituted and prescribed their own materialization as drug users. In this sense, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Butler (2006</xref>) points out that “when Foucault says that discipline ‘produces’ individuals, he not only means that the disciplinary discourse drives them and use them, but also that it actively constitutes them” (p. 80).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Destructuring narratives: attempts to blur institutionalized paths</title>
				<p>The second stage of the research was defined, therefore, from the understanding the institution had a narrative production established as effect of the discourse of the health professionals about the women. Thus, in an attempt to access subjective productions that somehow could escape the normative prescriptions, we established the “street” as a field, seeking to capture nuances in the speeches of the women that could not be perceived in the narratives produced in the CAPS-ad group.</p>
				<p>However, the attempt to meet the women in noninstitutionalized spaces was more complex than anticipated, because of an essential factor: somehow, all those women were under some institutional supervision, especially in the fields of health and social work. Their trajectories indicated a pilgrimage through health services - health centers, Emergency Care Units (UPA), Centers for Psychosocial Care (CAPS), hospitals - and social work institutions - Reference Centers for Social Work (CRAS), Specialized Reference Centers for Social Work (CREAS), and transitory shelters. They presented several demands to these institutions: examinations, access to medicines, consultation with specialists, emergency care, and chronic disease treatment. On social work, they sought to access benefits - such as sickness aid, family allowance, and social rent - or information about the withdrawal of documents and job opportunities, among others.</p>
				<p>Accessing a narrative that was not an effect of the institutions seemed to be, therefore, impossible. Nevertheless, we believed that some nuances could be explored to expand the territory of production of discourses by these women. Thus, we started the attempt to “blur” the institutionalized narratives, bringing speech elements that, besides being inevitably crossed by institutions, also caused breaks in the discourses produced by them. Inspired by this effort, we started the second stage of the field research, no longer seeking to be “outside” the institutions, but “circulating” through them.</p>
				<p>Multi-sited ethnography appeared, then, as a methodological strategy capable of enabling the access to the trajectories and threads that constituted the movement of these women through various spaces. Thus, by the action of “following” the plots and life stories of the women, individually narrated, we could possibly reveal what was going on with these subjects collectively, by the association between several places and social contexts.</p>
				<p>We chose the narrative interview technique as data collection method because we believe that the autobiographical account of the women about their trajectories could provide narratives capable of, as proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B33">Scott (1999</xref>), elucidating the historical processes that, by the discourse, positioned them as subjects and produced their experiences. Thus, we must stress that, more than accessing the experiences of drug-using women, we sought, by their autobiographical accounts, to identify how these women were formed by their experiences. According to <xref ref-type="bibr" rid="B20">Josso (2006</xref>), adopting autobiographical accounts as a methodology is based on two paradigms, “the paradigm of a knowledge based on a subjectivity made explicit and the paradigm of an experiential knowledge, which values the reflexivity produced from singular experiences” (p. 21).</p>
				<p>As previously discussed, such paradigms approach the assumptions of feminist methodologies, which consider the speech of women about themselves essential to any knowledge production that intends to criticize the hegemonic scientific standard. Therefore, by “following” two women who attended the CAPS-ad group - Cleide and Célia<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>3</sup></xref> - in their everyday spaces, we sought to meet the always plural and unfinished voices of the subalternized subjects, who are historically silenced by objectivist scientific practices. This is how such women, accessed in their difference, were able to cause a break in the knowledge hegemonically constructed about them, revealing, by the constitutive experience of their subjective position, other possible intelligibilities for their experience as drug users.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="results">
				<title>Results</title>
				<p>Cleide is a 23 year-old young woman, smiley and laid-back. She attended the CAPS-ad group of women with interest, but little involvement, only laughing at the narratives of other users. She entered the list of women we could contact in the second stage of the research because she fulfilled the established criteria: having attended at least two meetings of the group and being a crack user. Shelter, school, and CAPS-ad were our displacement circuit when “following” Cleide and her path on the map of multi-sited ethnography.</p>
				<p>If we sought linearity, what we found in Cleide’s narrative was a myriad of memories, among which she did not establish any causal relationship. Thus, when asked to produce meanings for her trajectory, Cleide showed little interest in her historical condition, only distinguishing as “her life” a succession of events arbitrary for her. Therefore, throughout the meetings we had, Cleide presented a fragmented narrative, with a flow similar to a free association that, when told, acquired materiality and possibilities of meaning.</p>
				<p>In these meetings, which took place from March to November 2013, Cleide seemed to oscillate between a position of refusal to pathologize her crack use, which justified her low adherence to the interventions in the health field, and of hope of possibly receiving some benefit or privilege from the acceptance of the label of “addict.” In the field of social work, Cleide assumed her demands as a right. In this field, there was adherence and search for recognition: as a citizen in search of the regulations of her documents, social rent, and referrals to job opportunities.</p>
				<p>Cleide referred to one of the researchers as “<italic>the teacher who asks a lot of questions</italic>,” which indicates the asymmetric way in which our relationship was created. After all, if one of us was the teacher, correction was expected from her. Maybe that is why our relationship was not constituted with a bond of trust and intimacy, but from the need to produce socially expected answers. Because of this, Cleide probably did not grant us the honor of deeply knowing her story, motivations, and desires.</p>
				<p>Cleide assumed living life in a way named by many as unreflective; for her, a light and cheerful way. She was able to go through the institutional procedures that could give her a social registration more adapted to the hegemonic normalization standards, but was not mobilized to comply with all the requirements of this process. For now, being able to access the minimum benefits provided to her condition of “person who makes the street her address” was the focus of her interests. The company of her husband, also in a homeless situation, meant a lot, because it represented protection and ensured maintenance of her way of life. The institutions - CAPS-ad, health center, shelter, and other devices of social work - were accessed when needed, but the possibilities for adherence and continuity of the proposed interventions were always dictated by Cleide, who, in her wandering and “resistance,” kept alive the rejection to any attempts to discipline her body and life.</p>
				<p>Celia, the second participant of the research, was 42 years old when she attended the group and was in crack abuse condition for five years. Over eight months, from April to December 2013, we met her seven times in her house and in her reference health center. During this period, she granted us three taped interviews, which were treated following the predicted stages of study, namely, literal transcription, preparation of the <italic>corpus</italic> of analysis, identification of main issues reported in the narratives and their core content.</p>
				<p>At the beginning of this period, even with the frequent clarifications on ethnography and its goals, materialized in the informed consent form signed by her, Celia assigned the title of “my therapist” to one of the researchers. Later we would understand that the status of that relationship was not established by a written and signed contract, but from a relational dynamics that involved them as women in a bond of intimacy and complicity.</p>
				<p>Celia, in a surprising and unexpected way, stopped using crack on her own in the beginning of our meetings, which made us think that something very important was being produced in that interaction. Throughout the meetings, she started to refer to one of the researchers as “my colleague,” bringing her closer to her. <italic>Colleagues</italic>. The researcher was no longer the “therapist” who had knowledge and authority over her, she was now her “colleague,” her partner. They shared intimate stories. In a time when her sister called her while we were talking, wanting to go to her home, Célia told her she could only receive her later: <italic>“My colleague came here for us to chat. Our conversation is a conversation like... hidden. More people can’t be here. It’s just between us.”</italic></p>
				<p>Only gradually it became clear to us the specificity of the bond that was created on those meetings. It was not, indeed, a relationship for the mere research data collection, and at that moment it was possible to glimpse what <xref ref-type="bibr" rid="B2">Barros and Silva (2002</xref>) pointed out about studies with narratives: </p>
				<disp-quote>
					<p>collecting life stories is a relationship, not a mere collection of information about the other; and establishing a relationship notably takes place throughout a process in which reciprocal bonds of trust and affinities will be created over time. (p. 138) </p>
				</disp-quote>
				<p>In this sense, still according to the authors, the composition of the narrative of a life does not result from a series of interviews with an informant, but “from a unique meeting between the researcher and a person that agrees to trust her or him” (p. 138). Such a relationship has become possible because the reflection placed there somehow concerned both of them, researcher and interviewee, situated at that time at the same level, “on equal terms.” Thus, “a significant relationship, an authentic interaction” was established (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Ferrarotti, 2011</xref>, p. 97).</p>
				<p>Celia presented in her narrative a paradoxical relationship with the medication prescribed in the health center: while the medicine allowed her to remain abstinent, it also kept her “tamed,” appeased before her tasteless everyday life. <xref ref-type="bibr" rid="B39">Whyte, Van Der Geest, and Hardon (2002</xref>), in a study with female users of benzodiazepines, identified the ambiguous role of medicines in the women’s lives: on the one hand, they increase dependency of consultations and are subject to medical control; on the other hand, they are important resources of power, since they give them control over their lives. To Celia, the management of her medication was an exercise of autonomy, being related to her episodes of crack use, as they happened in periods when she was less medicated and, therefore, more active, which made her wish to change and overcome the restrictive context in which she was inserted.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="discussion">
				<title>Discussion</title>
				<p>The act of listening to the women made possible by multi-sited ethnography represented the meeting with the production of <italic>differences</italic> that disarticulated fixed meanings and challenged the guiding intelligibilities of care practices in the field of care to people who use drugs. The information resulting from this meeting provided possibilities of experiences with drugs hitherto unknown and only partially and incipiently understood by us, since, among other things, they destabilize the hegemonic ideals of standardization, to which we are also subjected. Thus, more than inviting us, the movement toward listening to the women urges us to recognize the limitations of our knowledge and practices in the field of care offered to women who use drugs, opening the possibility of a new look at their issues.</p>
				<p>We highlighted the limits that the condition of “user” of a mental health service specializing in drug-related demands establishes to the enunciation of a valid knowledge of the women about themselves. In this sense, the women remain being seen by specialists from the device of medicalization (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Fiore, 2002</xref>), i.e., as subjects with the right to health and specialized social care. Thus, only very incipiently we can observe their emergence in health services as subjects whose speech, legitimized, is considered in the development of professional practices in the field. Therefore, women are put in the condition of object of an institutional intervention based on biopolitical standardization (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Foucault, 2008</xref>), which deals less with listening their uniqueness and more with the management of their health and bodies.</p>
				<p>Hence, considering that the subjects in question here are <italic>women</italic> who use drugs, this standardization shows the controls exercised especially around heteronormative ideals of surveillance over their bodies, to the detriment of a care focused on listening to their “real” needs. Generalizing, this causes most care practices directed at women in the family realm to be focused on meeting their food, sleep, hygiene, and rest needs, in addition to referral to services specialized in detoxification, practices seen by them as actions of control over their life and punishment by their situation of dependency (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Santos &amp; Silva, 2012</xref>) and not as recognized actions of “care.”</p>
				<p>An essential observation that must be made about the ethnographic research with women who use drugs in a feminist perspective is the indispensable explanation of the challenge that listening to them represents to researchers. If meeting the <italic>difference</italic> was something we longed for, for example, conducting this meeting proved to be all the time something that escapes, that is difficult to understand, and because of this it produces the constant need of assimilation from previously known theoretical schemes. Thus, the effort to avoid assigning fixed meanings to the women’s trajectories or the production of a knowledge about them made exclusively by us represented a constant methodological task. Therefore, the main methodological challenge throughout the field work was improving our ability to listen to the meanings that the women produced about their own experiences and about themselves, for not building a knowledge <italic>about them</italic>, <italic>for them</italic>, not even <italic>with them</italic>, but rather to elaborate, by reflexivity (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Neves &amp; Nogueira, 2005</xref>), a knowledge about <italic>our relationship with them</italic>, the only experience about which we could be legitimate enunciators.</p>
				<p>It was from that position as researchers that we could, then, see emerge in our experience with women who use new and unknown drugs denominations about the phenomenon that we sought to know initially. Thus, we did not met “users” in the field, but “women” whose trajectories included experiences of drug use, designated by them in different ways. These meetings provided the extension of our possibilities of understanding their singularities, which are central to explore their forms of engagement with the world and to develop possible strategies of care and preservation in drug use.</p>
				<p>Finally, this research produced a shift in the classic mode of creation of scientific knowledge, placing in the core of the research the debate around the conditions of production and authorship of knowledge. Thus, it is from the position of whom was active subject of the experience under analysis that we can talk about the different meetings that took place in this study: the frustration by the relationship not established with Cleide; and the intense relationship of intimacy experienced with Célia. It was a real experience that produced the knowledge of this research; knowledge that is always partial, situated, and affected by the experiences that constituted us as researchers.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Conclusions</title>
				<p>By directly listening to women as methodological resource, we are in line with an epistemological inscription that values reflexivity and experience as access paths to the political realm. Such a choice also inserted our study amid researches that criticize the way how hierarchies are constituted in the production of scientific knowledge. It is, therefore, from questioning the ideals of neutrality and objectivity and valuing the positioning and involvement of the researcher as access paths to experience - understood as a result of historical and discursive processes - that we believe the conditions for the development of more effective interventions and research in the health field can be created.</p>
				<p>The methodological path followed presented challenges arising from the requirements it has, including the cost of a necessarily long immersion in the field, essential for the establishment of close links and enabling access to the daily life of the subjects beyond the institutional spaces where they circulate with fixed denominations.</p>
				<p>Another issue raised by this study concerns understanding that the several features of social, historical, and cultural context require psychological practices and tools that need to be created and reinvented especially from the use of methodologies by which listening to the subjects involved is possible. In this sense, one must question whether the conditions of oppression can give rise to political expressions of speech, understood as the articulation of narratives not captured by the dominant meanings and understandings. Therefore, this shows the urgency for subjects to speak for themselves about their experiences and enunciate their rights and the need to build research and intervention methodologies consistent with this proposal.</p>
				<p>Finally, we must mention that, although psychology has studied the processes of social exclusion/inclusion in a conscious effort to help ensuring rights and, thus, create conditions for the full exercise of citizenship, it has also approached the topic (as well as many of its conceptions of subject) with an excessively individualizing perspective, thus often collaborating with the processes of social exclusion. Recognizing the political dilemmas that constitute psychological phenomena, aiming to problematize the universal character of how psychology has historically dealt with differences, is therefore required to break with the essentialist logic present in its work in public policies, and this is one of the main ethical challenges of psychology in the field of rights of people who use drugs.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="supported-by" id="fn4">
					<label>1</label>
					<p>Funded by CNPq.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn5">
					<label>2</label>
					<p>All the field work of the thesis from which this article derives was submitted and approved by the Research Ethics Committee of Federal University of Minas Gerais (CEP-UFMG), and the research project was registered in Plataforma Brasil under the CAAE number: 21135213.0.0000.5149.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>3</label>
					<p>Fictitious names.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>