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				<journal-title>Psicologia USP</journal-title>
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					<subject>Editorial</subject>
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				<article-title><bold>A produtividade acadêmica como imperativo moral: do sofrimento ao tédio</bold><xref ref-type="fn" rid="fn1">*</xref>
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					<label>**</label>Endereço para correspondência: <email>revpsico@usp.br</email>
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		<p>Quem se propõe a fazer a crítica, vê-se frequentemente diante da exigência utilitarista de ter de propor algo no lugar do que é criticado, com isso, é compelido a ignorar que a crítica, por si mesma, já é parte da ação transformadora, e que o que deve ser modificado não é somente o seu alvo específico, mas a totalidade social que o conforma. Como efeito, essa exigência se converte em acusação ao momento de liberdade do pensamento; converte-se em acusação à crítica.</p>
		<p>Tal acusação paralisa o pensamento, tolhido pela ameaça de ser inútil e impotente, mas cuja percepção de inutilidade - não se acorrentando a nenhum objetivo imediato - e de impotência - cujo reconhecimento é fundamental para superar esse limite - são fundamentais. Torna-se resignado. A pergunta: “o que fazer?” pode interromper a crítica que permitiria vislumbrar a ação adequada.</p>
		<p>Certamente, a “crítica pela crítica”, a “crítica sem substância”, “a rebeldia sem causa” devem ser postas em questão, mas, quando se refuta a crítica que se refere aos limites do que é refletido, indicando pela negação o que está sendo sacrificado e o que poderia vir a ser, a própria crítica é sacrificada.</p>
		<p>Como tudo mais que há na sociedade capitalista tardia, caracterizada pelo antagonismo entre as classes sociais e pela predominância dos processos calcados no princípio da dominação que reduz os trabalhadores a apêndices da maquinaria, por meio da qual são “forzados en sus más íntimas emociones a adherirse al mecanismo social como portadores de un rol y a modelarse sin reservas según este mecanismo” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Adorno, 1968/2004</xref>, p. 336), a universidade brasileira e os centros de pesquisa parecem também não estar isentos do <italic>modus operandi</italic> da produção industrial. Estão repletos de contradições de difícil análise, de modo que a organização do trabalho intelectual que tem prosperado em seu núcleo acaba por impor a pesquisadores, docentes e estudantes uma forma específica de relação com o conhecimento, e com sua respectiva divulgação, que em muito se assemelha à lógica da produção industrial, reproduzindo, na esfera do pensamento supostamente autônomo, a mesma racionalidade tecnológica que primeiramente foi desenvolvida com o intuito de incrementar a produção material e a acumulação de capital (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Marcuse, 1964/2015</xref>).</p>
		<p>O notório esforço representado pelo novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação - Lei nº 13.243/2016 - para aproximar a universidade brasileira, bem como a sua seleta produção, da sociedade que a produz em acordo com o intuito principal de atender aos interesses econômicos hegemônicos - embora esteja repleta de outras demandas efetivas comumente negligenciadas - carece de reflexão sobre suas metas, pois parece se esquecer de que a sociedade, como uma totalidade complexa que se realiza em cada particular que a compõe, não se resume às instituições sociais produtivas. Na órbita dessa contradição destaca-se o abismo existente entre as instituições de ensino superior públicas, historicamente consolidadas e reconhecidas como produtoras de saber, e o crescente conjunto de instituições de ensino superior particulares, sobre as quais paira, de modo não inteiramente injustificado, certa desconfiança quanto às intenções mercadológicas que estariam subjacentes a seu empenho para se firmarem como referências no âmbito da formação e, mais recentemente, da produção de pesquisa <italic>stricto sensu</italic>. Salvaguardadas as excelentes qualidades de instituições públicas e privadas que priorizam a formação e a produção de conhecimentos de grande relevância social, a crítica à subordinação de ambos os tipos de instituições de ensino e de pesquisa à racionalidade própria à produção industrial deve se voltar também para o fato de que o abismo que as separa radicalmente tende a ser apenas ideologia. Tanto a idealização quanto a desqualificação apressadas de cada um dos dois modelos de universidade, de fato, contrastantes por muitos motivos objetivos, exaustivamente demonstrados por pesquisas voltadas à análise de suas gestões, da formação oferecida e das condições de trabalho nelas asseguradas a docentes e a pesquisadores, minimiza a funesta identidade que há entre ambas no que se refere à mediação exercida por uma politica nacional de ciência e tecnologia, agora marcadamente associada à temerária ideia de inovação.</p>
		<p>Não raro, frequentemente nos deparamos com as intensas queixas de colegas devotados ao magistério superior em instituições privadas, alheias ao desenvolvimento de pesquisas, nas quais são massacrados pelo excesso de trabalho e pela remuneração incompatível quer com seu nível de formação, quer com a manutenção de necessidades básicas para o exercício de suas funções como trabalhadores intelectuais. Antes mesmo de serem sistematizadas como dado primário de pesquisa, diversamente das críticas às condições de trabalho docente proferidas por órgãos sindicais munidos de dados e da análise histórica dos acontecimentos que resultaram no atual nível de degradação da formação, essas queixas representam uma manifestação do modo como cada trabalhador intelectual experimenta sua relação com o conhecimento e com as instituições que se impõem como mediadoras da sua produção. Podem até ser dotadas de excelente fundamentação em dados empíricos já sistematizados ou elevados à reflexão teórica, mas, ainda assim, são também expressões emocionais do impacto que as condições de trabalho e de recepção de seus esforços provocam em suas vidas pessoais, no núcleo de suas existências particulares.</p>
		<p>As exigências até pouco tempo percebidas como específicas das condições de trabalho próprias de cada tipo de instituição têm se revelado muito mais fluídas e generalizáveis do que previa a bem-intencionada, porém rígida, sistematização das diferenças e especificidades das contradições que contaminam a educação superior e a pesquisa brasileiras. A exigência de que os docentes assumam um grande volume de horas-aula, inclusive responsabilizando-se por disciplinas sobre cujos conteúdos não são especialistas e em relação aos quais, cada vez menos, têm possibilidades de se dedicarem suficientemente, de modo a se apropriarem na proporção necessária para que possam ministrar aulas consistentes; ou, de outro lado, a exigência de que produzam um volume elevado de <italic>papers</italic>, relatórios, pareceres, conferências etc., de modo a assegurarem sua sobrevivência acadêmica como pesquisadores vinculados aos programas de Pós-graduação, são situações menos descontínuas do que sugere o discurso que comumente justifica a manutenção dessas condições pouco propícias ao trabalho intelectual. A vida acadêmica contemporânea, dotada ou privada da aura de nobreza, que muitas vezes assegurou a muitos sua distinção intelectual, tem sido absorvida por tarefas e mais tarefas que impossibilitam aquilo mesmo que deveria qualificá-la: a reflexão detida e aprofundada. Quer os docentes horistas vinculados às universidades particulares de caráter mercadológico, que se veem tragados pela reprodução serial de conteúdos padronizados supostamente ligados a uma formação tecnicamente eficiente para o trabalho, quer os docentes pesquisadores vinculados às instituições de ensino superior e de pesquisa públicas, submetidas aos sistemas de avaliação da produtividade intelectual e de seu suposto impacto na sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Oliveira, 2015</xref>) - cuja manutenção requer que se convertam em eficazes empreendedores capazes de captar recursos financeiros de agências públicas de fomento nacionais e internacionais, bem como, cada vez mais, de fundações e de empresas públicas e particulares com interesses bem delimitados, porém não raro alheios ao campo científico -, estão igualmente susceptíveis ao desgaste contínuo das condições que, em condições adequadas, lhes assegurariam a produção intelectual pela qual são rigidamente avaliados e, a depender de seu desempenho, severamente punidos (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Schmidt, 2011</xref>): o volume de horas-aula, o excesso de trabalhos administrativos e a ausência de recursos que possibilitem a dedicação à pesquisa funcionam como formas de punição para os que não se ajustam ao modelo de produção intelectual requerido, o qual tem se tornado a principal mediação para o ingresso e a ascensão na carreira acadêmica. Ambas as condições são faces de um mesmo processo que, muitas vezes, lamentavelmente, subordina a formação e o trabalho acadêmico a interesses de reprodução do capital.</p>
		<p>É nesse contexto de intensa pressão, cujos efeitos ainda imprevistos já incluem a perda do emprego - realidade corriqueira para docentes com vínculos de trabalho precários com instituições públicas e privadas, porém já configurada também para docentes e pesquisadores estáveis de universidades públicas tradicionais, sobretudo em razão da adoção das novas formas de avaliação de desempenho que preveem punições por baixa produtividade -, que as queixas de nossos colegas são produzidas. Seu potencial de crítica não decorre apenas da veracidade dos fatos que espelham as situações que as produzem, mas do sofrimento que explicita. E é sobre ele que se discorre nesta brevíssima reflexão sobre a transformação da produtividade acadêmica em imperativo moral.</p>
		<p>Apesar de ambos os produtos do trabalho acadêmico aqui destacados serem essencialmente produções intelectuais, a desvalorização dessas atividades tem uma direção específica, que resulta na grotesca divisão do trabalho acadêmico, sob a justificativa de que atenderia às diferenças de aptidão: lecionar se tornou uma atividade pouco valorizada pelas avaliações em voga e, não obstante a sua necessidade premente, paradoxalmente, converte-se em “castigo” para os pesquisadores considerados improdutivos.</p>
		<p>A partir dessa consideração crítica inicial, tomamos como objeto de reflexão, neste texto, o fato de que a produção intelectual se tornou mais que uma insígnia da excelência, converteu-se em um imperativo moral que, por não ser factível na proporção e do modo exigidos, é expressão de um tipo de sofrimento laboral pouco reconhecido.</p>
		<p>A despeito das inúmeras controvérsias sobre as implicações éticas dessa política de administração acadêmica que toma alguns indicadores - número de publicações em periódicos bem avaliados e de citações por pares - como decisivos para a definição da almejada excelência, é a capacidade de produzir e publicar artigos científicos que tem se firmado como determinante da conduta dos pesquisadores; mesmo que em muitos casos isso ocorra à custa da adoção de meios espúrios, como as diversas modalidades de fraudes, propagadas de forma epidêmica mundo afora e comumente enfrentadas de modo moralizador, embora flagrantemente ineficaz, como indica <xref ref-type="bibr" rid="B6">Oliveira (2015</xref>): “A ineficácia é o defeito mais decisivo do tratamento moralizador. Levando em conta que vem sendo aplicado há décadas, particularmente nos Estados Unidos, as pesquisas mais recentes que comprovam a epidemia constituem também evidências do fracasso do tratamento moralizador” (p. 886).</p>
		<p>As inúmeras falhas do processo avaliativo são pouco consideradas na discussão: diversas formas de plágio e autoplágio; a apropriação indevida da produção alheia, inclusive por meio da automatização da publicação conjunta com orientandos de cursos de pós-graduação e colaboradores; a fragmentação e a repetição serial de resultados de pesquisa em produções que não se diferenciam substancialmente, mas, antes, se repetem sem nada acrescentar; a mediação financeira do processo de submissão e publicação de manuscritos por <italic>publishers</italic> comerciais que têm fomentado a crescente profissionalização da publicação acadêmica etc. Em consequência, tanto os pesquisadores muito produtivos quanto os considerados improdutivos ficam submetidos ao mesmo imperativo: publique para assegurar sua existência acadêmica! A responsabilização individual pela baixa produtividade observada em parcela significativa dos pesquisadores é percebida isoladamente dos fatores que delimitam a produtividade como um valor e a produzem como fenômeno de distorção da relação com o conhecimento; o resultado é a degradação do conceito de produção intelectual e a infusão de culpa a todos aqueles que não se ajustam à operacionalização desse efeito do trabalho intelectual em função da produção serial de tecnologias mensuráveis de acordo com a racionalidade da produção industrial.</p>
		<p>Tem se tornado frequente a exigência de que alunos de pós-graduação, de cursos de mestrado e de doutorado dependentes do cômputo de suas produções para assegurar o reconhecimento da excelência da formação que promovem, obrigatoriamente publiquem artigos durante seu processo de formação como pesquisadores para que, efetivamente, possam levar a cabo a conclusão de seus cursos. Se não houver sequer a submissão de manuscritos relacionados às respectivas pesquisas, candidatos aos títulos de mestre e doutor talvez não possam sequer defender aquele que tradicionalmente foi reconhecido como o produto principal dessa etapa da formação: a tese de doutorado ou a dissertação de mestrado. Esse tipo de exigência, somada a tantas outras que definem essa etapa da formação, tem promovido e intensificado o sofrimento dos pesquisadores ingressantes, que veem suas aspirações de produzir obras de relevância científica serem frustradas pela necessidade pragmática de ajustamento à produção serial. Não raro, o desespero decorrente dessa condição é propagado e ressoa no empenho de alunos e orientadores para assegurar, mesmo que ao custo do adoecimento físico e psíquico, que suas produções possam ser avaliadas e, quiçá, aprovadas pelos periódicos científicos bem posicionados nos <italic>rankings</italic> nacionais e internacionais.</p>
		<p>Com os pesquisadores profissionais, sobretudo docentes das universidades e institutos de pesquisa públicos, a situação não é diferente, pois sua manutenção em Programas de Pós-Graduação e a possibilidade de obterem recursos para pesquisa - aquisição de insumos de pesquisa, bolsas para seus orientandos, passagens para cooperações internacionais, verba para publicações etc. - dependem diametralmente de sua capacidade de publicação, em especial de artigos em periódicos bem avaliados, preferencialmente em língua inglesa.</p>
		<p>Para além do que pode ser classificado por meio de diagnósticos psiquiátricos - síndrome de <italic>burnout</italic>, ansiedade, depressão, estresse etc. -, o sofrimento produzido por essas condições de trabalho tem conotação moral, caracterizada pela degradação da autoimagem e pela subsequente desabilitação das disposições essenciais para o trabalho de formadores. Quer o ajustamento cego às exigências de produtividade, quer a impossibilidade de atendê-las, implicam na obstrução da atividade intelectual mais importante para quem se dedica à formação de profissionais e de pesquisadores: a capacidade de refletir sobre o próprio trabalho sem sacrificar o amor pelo conhecimento e pela possiblidade de ensiná-lo.</p>
		<p>A esse respeito, em uma palestra proferida na Casa do Estudante de Frankfurt, em 1962, <xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno (1963/2000</xref>) ponderou que, com relação a sua experiência como avaliador da prova geral de filosofia no concurso para docência em ciências nas escolas superiores do estado de Hessen, na Alemanha, interessava-lhe mais a autoconsciência do espírito, que permite ultrapassar o empreendimento particular de determinas áreas das ciências parcelares, do que as insígnias de valor presentes no modo pelo qual a pessoa se formou. Para ele, que fez muito duras críticas à pseudoformação, o que mais importava era a disposição para a autorreflexão, a qual pressupõe a formação, mas não determina de maneira definitiva o percurso de sua aquisição. A ausência da formação em pretensos formadores fora notada por ele como ponto central para sua avaliação, e esta parece manter estreita relação com o problema delimitado nessa análise da relação entre o imperativo da produção intelectual e a produção do sofrimento, disseminado entre pós-graduandos e orientadores, ambos supostamente devotados à condição de formadores. Disse Adorno:</p>
		<disp-quote>
			<p>A colcha de retalhos formada de declamação ideológica e de fatos que foram apropriados, isto é, na maior parte das vezes decorados, revela que foi rompido o nexo entre objeto e reflexão. A constatação disso nos exames é recorrente, levando imediatamente a concluir pela ausência da formação (<italic>Bildung</italic>) necessária a quem pretende ser um formador. (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 1963/2000</xref>, p. 63)</p>
		</disp-quote>
		<p>No afã de fomentar a formação cultural por meio da qualificação das instituições acadêmicas, Adorno apontou para a necessidade de estimular a seleção de pessoas de espírito e não de pessoas altamente produtivas, como tanto se almeja. Incomodou-o a predominância de uma consciência coisificada que busca se apoiar em caminhos já consolidados, que lhes asseguram proteção quanto ao desafio do conhecimento. A ele preocupava se as pessoas que se encarregariam de formar as novas gerações e teriam uma “pesada responsabilidade quanto ao desenvolvimento real e intelectual da Alemanha, enquanto professores de escolas superiores” (p. 54) eram, de fato, intelectuais ou meros profissionais.</p>
		<p>Como se pode notar, a preocupação de Adorno é digna de um avaliador comprometido com os fins da formação e do conhecimento que produzimos e não negligencia, de modo algum, a necessidade de se avaliar criteriosamente tais esferas. Para os propósitos de nossa reflexão, vale destacar a atualidade de suas ponderações e refletir sobre o quanto se aplicam também ao atual momento da academia brasileira.</p>
		<p>O risco de institucionalizar formas determinadas de desonestidade intelectual mediante um sistema de avaliação que supervaloriza o volume de produção e seu impacto artificial, medido por meio de citações nem sempre espontâneas, parece ser incompatível com a exigência de formação cultural destacada por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno (1963/2000</xref>). Não obstante, o caráter falacioso do empreendimento que mobiliza a todos em função de critérios arbitrariamente constituídos, a pressão decorrente da necessidade de alimentar a máquina se tonou premente. Pode-se dizer que, com raras exceções, medeia o cotidiano dos trabalhadores acadêmicos e estudantes de modo pouco saudável. Em geral, as tarefas acadêmicas requerem dedicação plena; invadem o cotidiano daqueles que se dedicam a essa inglória condição, sufocando-os. Com isso, as fronteiras entre a vida pessoal e a atividade profissional passam a ser relativizadas e a necessidade de mais tempo para o trabalho parece confirmar a asseveração pessimista de <xref ref-type="bibr" rid="B8">Schopenhauer (1851/1999</xref>) a respeito da premência do tempo: “Também contribui para o tormento de nossa existência, e não pouco, o impelir do tempo, impedindo-nos de tomar fôlego, perseguindo todos qual algoz de açoite. Somente não o faz com aquele que se entregou ao tédio” (p. 278). Schopenhauer, por certo, não tinha em mente algo semelhante à atual pressão produtivista, que é típica do trabalho de pesquisadores contemporâneos, inclusive brasileiros, mas sim a tensão inerente à existência que não sucumbiu ao tédio, concedendo-lhe um <italic>status</italic> de pessimismo metafísico, de modo que, segundo sua concepção, “as pessoas sofrem pelo apetite insatisfeito de sua cega vontade, ou se entendiam tão pronto aquele esteja satisfeito” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno, 1969/1995</xref>, p. 75). Todavia, sua asseveração desvela o potencial opressivo da operacionalização do tempo em função de tarefas que, para serem cumpridas na proporção requerida pelos sistemas avaliativos pouco afeitos ao conceito de formação (<italic>Bildung</italic>), requerem precisamente o tédio; que, independentemente da ambiguidade presente na teoria schopenhaeuriana do sofrimento, se apresenta para nós como uma condição contraditória: por um lado, necessária para que se possa responder às exigências que, mediante a percepção do impelir do tempo, teríamos intensa dificuldade em atender; de outro, intensifica o nível de desprazer contido na condição que se forma a partir da dissolução heteronômica da fronteira que delimitava o tempo de trabalho e o tempo livre, de modo a estimular a necessidade compulsiva de demarcar nitidamente os âmbitos da atividade profissional e da vida pessoal.</p>
		<p>Em sua análise da apropriação do tempo livre pela racionalidade inerente à sociedade produtiva, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno (1969/1995</xref>) se deteve sobre o estado de letargia ao qual grande parte das pessoas sucumbiu. Com isso, pôde tecer considerações críticas sobre o tédio e sua relação com as disposições psíquicas que deterioram as forças de resistência daqueles que são capturados em sua órbita:</p>
		<disp-quote>
			<p>Tédio é o reflexo do cinza objetivo. Ocorre com ele algo semelhante ao que se dá com a apatia política. A razão mais importante para esta última é o sentimento, de nenhum modo injustificado das massas, de que com a margem de participação na política que lhes é reservada pela sociedade, pouco podem mudar em sua existência, bem como, talvez em todos os sistemas da terra atualmente. O nexo entre a política e os seus próprios interesses lhes é opaco, por isso recuam diante da atividade política. Em íntima relação com o tédio está o sentimento, justificado ou neurótico, de impotência: tédio é desespero objetivo. Mas, ao mesmo tempo, também a expressão de deformações que a constituição global da sociedade produz nas pessoas. (p. 76)</p>
		</disp-quote>
		<p>Conforme o entendimento de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno (1969/1995</xref>), o tédio existe em função da vida que permanece indefinidamente sob a coação cotidiana decorrente da rigorosa divisão do trabalho. Para ele, o tédio:</p>
		<disp-quote>
			<p>Não teria que existir. Sempre que a conduta no tempo livre é verdadeiramente autônoma, determinada pelas próprias pessoas enquanto seres livres, é difícil que se instale o tédio. . . Se as pessoas pudessem decidir sobre si mesmas e sobre suas vidas, se não estivessem encerradas no sempre-igual, então não se entediariam. (p. 76)</p>
		</disp-quote>
		<p>Essa intrusão do funcionamento administrativo nos diversos âmbitos da vida, inclusive na atividade científica, de modo a imprimir os seus ritos e ritmo específicos, gera um paradoxo que requer reflexão: as atividades que poderiam produzir uma intervenção na realidade social, por meio da qual as pessoas poderiam se reconhecer como sujeitos, têm, elas mesmas, enquanto atividades que produzem impacto imediato na organização e significação da vida, se distanciado sobremaneira da qualidade de promotoras de reflexão, assemelhando-se ao que, sob a insígnia do <italic>hobby</italic>, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno (1969/1995</xref>) denominou pseudoatividade. Se o tempo não ocupado pelo trabalho, que poderia ser livre, não o é precisamente porque é organizado conforme a racionalidade que organiza a produção, e está presente na administração do ócio e na forma reproduzida pelos inúmeros produtos da indústria cultural que preenchem grande parte das atividades realizadas nessas circunstâncias, também as qualidades do pensamento, que se sustentam na liberdade de espírito, como a criatividade e a fantasia, elementos centrais à expressão artística e à experiência estética, são impedidas de se desenvolverem. Há muito que tais características estão banidas do trabalho alienado, organizado segundo o princípio da divisão de tarefas e da espoliação, com a crescente organização industrial da produção científica, também o trabalho intelectual por excelência, a pesquisa, se converte cada vez mais em trabalho alienado, sacrificando, igualmente, a criatividade e a fantasia. Seus efeitos nas atividades acadêmicas têm se alastrado incomensuravelmente à custa do extermínio da criatividade e da tão almejada inovação.</p>
		<p>Também no âmbito do conhecimento conceitual, essas qualidades do pensamento são essenciais. Sem criatividade e sem fantasia, a ciência se torna mera constatação de fatos, uma forma de culto débil à realidade pálida. Semelhante ao desamparo imposto a todos em seu tempo livre, desprovido da fantasia, o trabalho intelectual é empurrado para o ferrenho positivismo que nega o sujeito em nome de uma objetividade artificialmente obtida por meio da primazia do método. A forma da produção intelectual se converte em extensão do método; com isso, o intento investigativo realiza um ritual de desencantamento que sacrifica o próprio pensamento, eliminando a vontade que nele se realiza. Paradoxalmente, o sofrimento dos pesquisadores que resistem a se adaptarem à produção serial - sua angústia diante da necessidade heteronomamente imposta de que convertam seu anseio pelo saber em volume de publicação - é sinal de que ainda há vida, de que ainda há vontade sob tensão. O pleno ajustamento, que negligencia e naturaliza o sofrimento, pelo contrário, revela a instalação eficaz e irrefreável do tédio.</p>
		<p>A necessidade de demarcação rígida das esferas do trabalho e o do lazer há muito já denota uma denúncia da degradação da capacidade criativa dos seres humanos sob as condições de trabalho alienado. Quando essa mesma necessidade se afirma de modo tão veemente também em relação ao trabalho acadêmico, tornar-se mister considerar o nível de regressão a que este sucumbiu, recaindo igualmente nas condições de trabalho alienado. Torna-se imprescindível observar que a redação e publicação em larga escala de <italic>papers</italic> científicos atende a interesses alheios à necessidade de produção de conhecimento e que, assim estranhado de sua finalidade, o trabalho intelectual também se torna objeto de fetiche. A despeito de sua redução a valor de troca, que converte o conhecimento em mercadoria e os indicadores de produção em moeda, em capital, a produção fetichizada de <italic>papers</italic> confere à atividade científica o <italic>modus operandi</italic> da produção industrial. Com isso, também a racionalidade própria a essa forma produtiva é incorporada pela pesquisa acadêmica. A notória tendência à organização do trabalho de pesquisa e de divulgação, de modo a se obter maior eficácia produtiva, tem favorecido a aglomeração de pesquisadores em equipes coordenadas por pesquisadores seniores e colaboradores em diferentes níveis da formação e da carreira nas universidades e centros de pesquisa. Com isso, o trabalho em equipe, que pode muito bem resultar em cooperações de altíssima qualidade, tem se mostrado, também e principalmente, como a expressão contraditória da pesquisa administrada. A divisão do trabalho de pesquisa acelera o processo produtivo e assegura a eficácia pretendida, não obstante, intensifica os níveis de alienação em relação ao trabalho desenvolvido e, consequentemente, a necessidade de demarcação precisa da atividade profissional e da atividade intelectual não vinculada formalmente às tarefas profissionais. Em uma breve ponderação sobre o trabalho em equipe para investigação social, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Adorno (1957/2001</xref>) destacou que a organização do trabalho de pesquisa por meio da divisão de tarefas pode resultar no empobrecimento dos momentos de reflexão, contrariando o que poderia, precisamente, assegurar a superação da arbitrariedade de cada um dos pesquisadores envolvidos. Como pôde indicar:</p>
		<disp-quote>
			<p>De este modo no solo es posible llevar a cabo un número de tareas mucho mayor del que podría resolver individualmente cada uno de los colaboradores si se enfrentara al conjunto del material sin la ayuda de los demás, sino que todos los trabajos que pasan por la maquinaria acaban por volverse tan compatibles, por asemejarse tanto entre sí, que la falta de integración teórica de los resultados del conjunto de la <italic>social research</italic> se hace doblemente paradójica: el precio que ha de pagarse por ese <italic>streamlining</italic> de las ciencias sociales es muy elevado. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Adorno, 1957-2001</xref>, pp. 60-61)</p>
		</disp-quote>
		<p>Para os propósitos desta reflexão, a crítica formulada por Adorno a respeito da pesquisa administrada nos auxilia a perceber com maior nitidez os fatores que impulsionam também os cientistas a buscarem subterfúgio no lazer para compensar as agruras do trabalho alienado. Essa constatação é importante, pois somente com muito esforço é possível demarcar com precisão a diferença efetiva entre ler obras literárias que nos promovam experiência estética apenas pela qualidade da experiência que promovem independentemente de sua importância para a investigação científica, ou entrar em contato com essas obras porque constituem um corpo de conhecimento não menos importante do que o conhecimento conceitual validado pelo método científico. Quando a dificuldade espontânea de diferenciar experiências em função de suas respectivas aplicações no trabalho ou como expressões do lazer se mostra como um problema a ser superado, pode-se ponderar que a cisão entre trabalho e tempo livre já se impõe integralmente também ao trabalho acadêmico e que a racionalidade tecnológica (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Marcuse, 1964/2015</xref>) já medeia também a atividade intelectual.</p>
		<p>A consciência acerca dessa cisão é fundamental para que se possa compreender por que o trabalho acadêmico tem se convertido em intensa fonte de sofrimento. Não se trata do sofrimento decorrente do confronto com o objeto do conhecimento, o qual, em razão de sua primazia, requer reflexão e autocrítica ao sujeito, mas sim do sofrimento artificialmente insuflado nos pesquisadores por um tipo de organização do trabalho acadêmico que atende cegamente ao imperativo da produção.</p>
		<p>Entre a tormenta desencadeada pelo impelir administrado do tempo e o tédio que permeia o tempo supostamente livre, além de mediar também a relação heteronômica com o conhecimento, sobressai, em ambas as esferas, a primazia da racionalidade tecnológica. A atividade intelectual está reduzida à pseudoatividade, desvinculada de sua relação efetiva com os objetos, desprovida do encanto que historicamente esteve presente na formação cultural sob a forma de amor ao objeto (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 1963/2000</xref>). Sem esse encanto, sobrevém o feitiço da mercadoria que se torna independente do seu processo de produção, sucumbindo ao fetichismo.</p>
		<p>Sob o imperativo da produção acadêmica, os pesquisadores - pós-graduandos ou docentes - sofrem a pressão das agências de avaliação que exigem volumes crescentes de “produtos” que atestem sua capacidade produtiva, mas sofrem também do tédio desencadeado pela apropriação maquinal da criatividade. Para além do sofrimento desencadeado pela vontade de conhecer em circunstâncias nas quais se é compelido a produzir em um tempo incompatível com o ato mesmo da investigação, o tédio se revela como o efeito mais daninho do produtivismo, pois se apoia no sacrifício do desejo de conhecer.</p>
		<p>Se não é possível haver neutralidade na relação entre conhecimento e política, a apatia que se instaura na esfera política, na atitude que diante dela regride a uma postura impotente, é precisamente na política acadêmica que a relação entre esses dois elementos mais se intensifica: como expressão de desespero objetivo (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno, 1969/1995</xref>), o tédio é continuidade do sofrimento diante da exigência de adaptação, de sacrifício da criatividade e da liberdade de espírito, mas também é efeito da deformidade imposta por esse sistema que impõe sua determinação a todos que ousam pensar.</p>
		<p>Se o sofrimento decorrente da consciência da opressão não nos calar, sua força poderá se tornar libertadora, permitindo reafirmar o valor daquilo mesmo que fazemos com amor: a formação, a pesquisa e a crítica.</p>
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			<title>Referências</title>
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					<article-title>Avaliação acadêmica, ideologia e poder</article-title>
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		<fn-group>
		<fn fn-type="other" id="fn1">
			<label>*</label>
			<p>As críticas manifestadas neste editorial não expressam, necessariamente, o entendimento de toda a equipe editorial da revista <italic>Psicologia USP</italic>, mas, sim, dos editores que o assinam.</p>
		</fn>
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	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Editorial</subject>
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			<title-group>
				<article-title><bold>Academic productivity as a moral imperative: from suffering to boredom</bold><xref ref-type="fn" rid="fn2">*</xref>
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					<xref ref-type="corresp" rid="c2">**</xref>
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				<label>a</label>
				<institution content-type="original">University of São Paulo, Institute of Psychology, Department of Psychology of Learning, Development and Personality. São Paulo, SP, Brazil</institution>
			</aff>
			<aff id="aff4">
				<label>b</label>
				<institution content-type="original">University of São Paulo, Institute of Psychology, Department of Labor and Social Psychology. São Paulo, SP, Brazil</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c2">**Corresponding author: revpsico@usp.br</corresp>
			</author-notes>
		</front-stub>
		<body>
			<p>The one who proposes to make the criticism often faces the charge of having to propose something in the place of what is being criticized, leaving aside that the criticism, in itself, is already part of the transformative action, and that what should be modified is not only the specific target of the criticism, but rather the social totality that conforms it.</p>
			<p>Such accusation to the criticism paralyzes the thought, obstructed by the threat of being useless and powerless, but whose perception of uselessness - not chained to any immediate objective - and powerlessness - whose recognition is crucial to overcome this limit -, is fundamental. One becomes resigned. The question: “what to do?” can interrupt the criticism that would allow a glimpse of the adequate action.</p>
			<p>Certainly, the “criticism for no reason”, the “criticism without substance”, the “rebelliousness without a cause” must be questioned, but when one refutes the criticism concerning the boundaries of what is reflected, indicating what is being and what could eventually be sacrificed through denial, this sacrifice falls upon the criticism itself.</p>
			<p>As everything else that exists in the late capitalist society, characterized by the antagonism between social classes and by the predominance of the processes based on the principle of domination that reduces workers to appendices of machinery, by which they are “forzados en sus más íntimas emociones a adherirse al mecanismo social como portadores de un rol y a modelarse sin reservas según este mecanismo” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Adorno, 1968/2004</xref>, p. 336), the Brazilian universities and the research centers also seem to not be free from the <italic>modus operandi</italic> of the industrial production. They are full of contradictions that are difficult to analyze, thus the organization of the intellectual work that has thrived in its core ends up imposing to researchers, professors and students a specific form of relationship with knowledge and with its respective disclosure. This aspect considerably resembles the logic of industrial production, which reproduces, in the sphere of the supposedly autonomous thought, the same technological rationality that was first developed with the aim of increasing material production and capital accumulation (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Marcuse, 1964/2015</xref>).</p>
			<p>The notorious Brazilian effort, represented by the new Legal Framework of Science, Technology and Innovation - Law no. 13,243/2016 -, to approximate the university and its select production of the society that produces it is full of commonly neglected demands and lacks reflection on their goals, because it seems to forget that society, as a complex totality, which is formed in every particular that composes it, is not summarized to productive social institutions. At the center of this contradiction, we highlight the existing abyss between public institutions, historically consolidated and recognized as knowledge producers, and the growing set of private institutions, on which lingers, in a not entirely unjustified manner, certain suspicion regarding the marketing intentions that would be underlying its commitment to be established as references in the field of education and, more recently, of production of <italic>stricto sensu</italic> research. Apart from the excellent qualities of public and private institutions that prioritize the education and knowledge production of great social relevance, the criticism to the subordination of both types of teaching and research institutions to the rationality proper to the industrial production must also focus on the fact that the abyss that separates them radically tends to be only ideology. The hasty idealization and disqualification of the two models of university, in fact, contrasting for many objective reasons, exhaustively demonstrated by studies focused on the analysis of their managements, of education offered and of working conditions in them assured to professors and researchers, minimize the fatal identity between both as regards the mediation exerted by a national policy of science and technology, now markedly associated with innovation.</p>
			<p>Not infrequently, we often come across with the intense complaints from colleagues devoted to teaching in private institutions of higher education unrelated to the development of research, but massacred by overwork and remuneration incompatible with the requirements of basic training and maintenance necessary for the practice of their functions as intellectual workers. Even before being systemized as primary data of research, different from the criticism to the teaching working conditions declared by trade unions provided with data and historical analysis of events that resulted in the current level of degradation of the education, these complaints represent a manifestation of how each intellectual worker experiences his/her relationship with the knowledge and with the institutions that impose themselves as mediators of the worker’s production. The institutions may even be provided with excellent basis on empirical data already systematized or raised to the theoretical reflection, but, still, they are also emotional expressions of the impact that the conditions of work and reception of their efforts cause in the workers’ prosaic lives, in the core of their private existences.</p>
			<p>The demands until recently perceived as specific of the working conditions particular to each type of institution have shown to be much more fluid and generalizable than the predicted by thewell-meaning rigid systematization of differences and specificities of the contradictions that contaminate the Brazilian education and research. The demand for professors to assume responsibility for a large volume of classes, teaching even subjects which are beyond their areas of specialization and for which they have fewer and fewer possibilities to devote themselves to the necessary appropriation of the contents that they must minister; or the demand for the production of significant volume of papers, reports, opinions, conferences, etc., aiming to ensure their academic survival as researchers related to graduate programs, are situations less discontinuous than suggested by the speech that commonly justifies the maintenance of these conditions little favorable to the intellectual work. The contemporary academic life, privileged or deprived of the aura of nobility that often secured to several academics their intellectual distinction, has been absorbed by tasks and more tasks that make impossible the things that should qualify it: research and reflection. Whether the hourly paid professors from private universities of marketing character, who are swallowed up by the serial reproduction of standardized content allegedly related to a technically efficient education for the work, or the research professors of public institutions, subjected to the evaluation systems of intellectual productivity and its supposed impact on society (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Oliveira, 2015</xref>) - whose maintenance requires them to become effective entrepreneurs capable of capturing financial resources from public agencies of national and international promotion, as well as, increasingly, from public and private foundations and companies with well-delimited interests -,they are equally susceptible to the continuous wear of the conditions that would ensure the intellectual production by which they are rigidly evaluated and, depending on their performance, severely punished (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Schmidt, 2011</xref>): the quantity of classes, the excess of administrative works and the lack of resources that allow the dedication to research are forms of punishment for those who do not fit the required model of intellectual production, which has become the main mediation for the enrollment and the rise in the academic career. Both conditions are faces of the same process that subordinates the education and the academic work to the interests of reproduction of capital.</p>
			<p>It is within this context of intense pressure, whose effects still unforeseen already include job loss - common reality for professors hired through precarious contracts in public and private institutions, and inaugural for professors with careers subjected to the new forms of performance evaluation adopted by public universities, which already predicts penalties and exoneration by low productivity -, that the complaints of our colleagues are produced. The professors’ potential of criticism is not only due to the truthfulness of the facts that mirror the situations that produce them, but also to the suffering that they evidence. And it is about this potential that our very brief reflection exposes, considering the transformation of the academic productivity in moral imperative.</p>
			<p>Despite both products of academic work here highlighted being essentially intellectual productions, the devaluation of these activities has a specific direction, resulting in the grotesque division of the academic work, under the justification that it would achieve the aptitude differences: the teaching became a little valued activity due to the ongoing evaluations and, regardless of its urgent need, a “punishment” for the researchers considered unproductive.</p>
			<p>Based on this initial critical consideration, we took as reflection object, in this text, the fact that the intellectual production became more than a badge of excellence, it grew into a moral imperative that, for not being feasible, is an expression of a kind of little recognized labor suffering.</p>
			<p>Despite the numerous controversies about the ethical implications of this academic administration policy that considers some indicators - number of publications in well-evaluated journals and pair citations - as decisive for the definition of the desired excellence, it is the ability of producing and publishing scientific articles that has been consolidated as a determinant of the researchers’ conduct; even though in several cases it happens at the expense of the adoption of spurious means, as the different forms of fraud, propagated in an epidemic manner throughout the world and commonly faced as an moralizing manner:</p>
			<disp-quote>
				<p>The ineffectiveness is the most decisive defect of the moralizing treatment. Taking into consideration that it has been applied for decades, particularly in the United States, the latest studies that prove the epidemic also provide evidence of the failure of the moralizing treatment. The intensification of moralizing measures itself, as well as the increasing frequency of congresses and similar events, point to the same direction. (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Oliveira, 2015</xref>, p. 886)</p>
			</disp-quote>
			<p>The numerous failures of the evaluation process are little considered in the discussion: several forms of plagiarism and self-plagiarism; the improper appropriation of foreign production, including through automation of joint publication with advisees of graduate courses and collaborators; the fragmentation and serial repetition of results of research in productions that do not differ substantially, but, instead, repeat themselves without adding new content; the financial mediation of the submission process and publication of manuscripts by commercial publishers who have been encouraging the increasing professionalization of academic publication, etc. Consequently, both researchers considered very productive and the ones considered unproductive are subjected to the same imperative: publish to ensure your academic existence! The individual accountability for the low productivity observed in a significant portion of researchers is perceived in isolation from factors that limit the productivity as a value and produce it as a distortion phenomenon of the relationship with the knowledge; the result is the degradation of the concept of intellectual production and infusion of guilt to all those who do not fit the operationalization of this effect of intellectual work in function of the serial production of measurable technologies in accordance with the rationality of the industrial production.</p>
			<p>It has become frequent the requirement that graduate, master’s and doctoral students, depending on their own productions to ensure the recognition of the excellence of the education they promote, mandatorily publish articles during the training process as researchers so that they may effectively complete their courses. If there is not even the submission of manuscripts related to their research, the candidates to the titles of masters and doctors may not even be allowed to defend that which has been traditionally recognized as the main product of this training stage: their thesis or dissertation. This type of requirement, in addition to many others that define this training stage, has promoted and intensified the suffering of enrolling researchers, who see their aspirations of producing works of scientific relevance being thwarted by the pragmatic necessity of adjustment to the serial production. Not infrequently, the despair resulting from this condition is propagated and resonates in the commitment of students and advisors to ensure, even at the expense of physical and mental illness, that their production can be evaluated and, perhaps, approved by the well-evaluated scientific journals.</p>
			<p>With the professional researchers, especially professors of public universities and research institutes, the situation is no different, because their maintenance in graduate programs and the possibility of obtaining resources for research - acquisition of research inputs, scholarships for their advisees, tickets for international cooperation, funding for publications, etc. - depend diametrically on their publishing ability, in particular of articles in well-evaluated journals, preferably in English.</p>
			<p>Beyond that which can be classified through medical and psychiatric diagnoses - burnout syndrome, anxiety, depression, stress, etc. -, the suffering produced by these working conditions has a moral connotation, characterized by the self-image degradation and the subsequent disabling of essential arrangements to the work of educators. Whether the blind adjustment to the productivity demands, or the impossibility of achieving them, they imply the obstruction of the most important intellectual activity for those who are dedicated to the training of professionals and researchers: the ability of reflecting on their own work without sacrificing the love for knowledge and the possibility to teach it.</p>
			<p>In this regard, in a lecture given at the Student’s House of Frankfurt, in 1962, <xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno (1963/2000</xref>) considered that, with respect to his experience as evaluator of the general philosophy test in the civil-service examination for the teaching of science in the superior schools of the state of Hessen, Germany, the self-consciousness of spirit interested him the most, because it allows to surpass the private undertaking of certain areas of partial sciences, compared to the badges of value established according to how the person graduated. For him, who made harsh criticisms to pseudo-education, what mattered the most was the arrangement for self-reflection, which presupposes the education, but does not determine definitively the route of its acquisition. The lack of education in the alleged educators was noticed by him as a central point for his evaluation, which seems to maintain a close relationship with the problem delimited in this analysis of the relationship between the imperative of the intellectual production and the production of the suffering among graduate students and advisors, both supposedly devoted to the condition of educators. According to Adorno:</p>
			<disp-quote>
				<p>The patchwork formed by ideological declamation and facts that were appropriated, that is, most times memorized, reveals that the link between object and reflection was broken. This acknowledgement in the exams is recurring, leading immediately to conclude by the absence of education (<italic>Bildung</italic>) necessary to the one who intends to be an educator. (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 1963/2000</xref>, p. 63)</p>
			</disp-quote>
			<p>In the eagerness of promoting cultural education through qualification of academic institutions, Adorno indicated the need of encouraging the selection of people of spirit and not of people of high production, as so yearned. Adorno was bothered with the predominance of the objectified consciousness, which seeks to rely on paths already consolidated, that ensure them the protection for the challenge of knowledge. The author was interested on whether the people who would be responsible for educating the new generations and would have a “substantial responsibility for the real and intellectual development of Germany, as professors of higher institutions” (p. 54) were, in fact, intellectuals or mere professionals.</p>
			<p>As noticed, Adorno’s concern is worthy of a evaluator compromised with the purposes of education and knowledge that we produce and does not neglect, by no means, the need to carefully evaluate such spheres. For the purposes of our discussion, it is worth highlighting the topicality of his considerations and reflect on how they are also applied to the current moment of the Brazilian academy.</p>
			<p>The risk of institutionalization of the intellectual dishonesty through an evaluation system that overvalues the production volume and its artificial impact through citations seem to be incompatible with the requirement for the highlighted cultural education. Nevertheless, the fallacious character of the undertaking that mobilizes everyone in function of criteria arbitrarily constituted, the pressure resulting from the need to feed the machine becomes urgent. We can say that, with rare exceptions, it mediates the everyday life of academic workers and students in a little healthy manner. In general, the academic tasks require full dedication; invade the everyday life of those who are dedicated to this inglorious condition, suffocating them. With that, the boundaries between personal life and professional activity are relativized and the need for more time for work seems to confirm Schopenhauer’s (<xref ref-type="bibr" rid="B8">1851/1999</xref>) pessimistic assertion regarding the urgency of time: “No little part of the torment of existence lies in this, that Time is continually pressing upon us, never letting us take breath, but always coming after us, like a taskmaster with a whip. If at any moment Time stays his hand, it is only when we are delivered over to the misery of boredom” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">1851/1999</xref>, p. 278). Schopenhauer, certainly, did not have in mind something similar to the current productivist pressure, which is typical of the work of contemporary researchers, including the Brazilian ones, but rather the tension inherent to the existence that did not succumb to boredom, granting it a status of metaphysical pessimism, so that, according to his conception, “people suffer due to the unsatisfied appetite of their blind will, or would understand one another as long as the former is satisfied” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno, 1969/1995</xref>, p. 75). However, his assertion unveils the oppressive potential of the operationalization of time in function of tasks that, to be accomplished in the proportion required by the evaluation systems little used to the concept of education (<italic>Bildung</italic>), precisely require the boredom, which regardless of the ambiguity that might exist in the Schopenhauerian suffering theory, presents itself to us as a contradictory condition: on the one hand, necessary to achieve the requirements that the perception of the force of time would hinder; on the other hand, increases the displeasure level in the dissolution of the working time and free time, to stimulate the need for sharper demarcation between professional life and prosaic life.</p>
			<p>In his analysis of the appropriation of free time by productive rationality, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno (1969/1995</xref>) focused on the lethargy state to which most people succumbed. With that, he could formulate critical considerations on boredom and its relationship with the psychical tendencies that damage the resistive forces of those that are captured in their orbit:</p>
			<disp-quote>
				<p>Boredom is the reflection of the objective gray. With it occurs something similar to what happens with the political apathy. The most important reason for the latter is the feeling, by no means unjustified of the masses, that with the margin of participation in politics that is reserved to them by society, they little can change in their existence, as well as, perhaps in all systems of the Earth currently. The connection between politics and its own interests is opaque to them, thus they retreat in the face of political activity. In close relationship with boredom there is the feeling, justified or neurotic, of impotence: boredom is objective despair. However, at the same time, it also the expression of deformations that the global constitution of society produces in people. (p. 76)</p>
			</disp-quote>
			<p>According to Adorno’s understanding (<xref ref-type="bibr" rid="B1">1969/1995</xref>), boredom exists in function of the life under everyday coercion resulting from the rigorous division of labor.</p>
			<disp-quote>
				<p>It would not have to exist. Whenever the conduct in the free time is truly autonomous, determined by the people themselves as free beings, it is difficult to establish the boredom… Provided that people could decide about themselves and about their lives, provided that they were not contained in the always-the-same, then they would not get bored. (p. 76)</p>
			</disp-quote>
			<p>This intrusion of the administrative functioning in the several areas of life, including in the scientific activity, to impress its specific rites and rhythms, creates a paradox that requires reflection: the activities that would be able to produce an intervention on the social reality through which people could recognize themselves as subjects have, themselves, as activities that produce immediate impact on the organization and meaning of life, been growing greatly apart from the quality of promoters of reflection, resembling to what, under the badge of hobby, Adorno named pseudo-activity. If the time unoccupied by the work, which could be free, is not precisely free because it is organized according to the rationality that organizes the production, and is present in the administration of idleness and, in the form, reproduced by the numerous products of the cultural industry that fill most of the activities conducted in these circumstances, the qualities of thought that are sustained in the freedom of spirit, as creativity and fantasy, key elements to the artistic expression and esthetic experience, are prevented from being developed as well. For a long time these characteristics have been banished from the alienated work, organized according to the principle of division of tasks and spoliation,with the increasing industrial organization of scientific production, the intellectual work quintessential, the research, increasingly becomes an alienated work as well, sacrificing, equally, the creativity and the fantasy. Their effects on the academic activities have spread immeasurably at the expense of the extermination of the creativity and the desired innovation.</p>
			<p>Also in the scope of conceptual knowledge, these qualities of thought are essential. Without creativity and without fantasy, science becomes mere statement of facts, a form of feeble worship of the pale reality. Similar to the helplessness imposed to everyone in their free time, deprived of fantasy, the intellectual work is pushed to the staunch positivism that denies the subject on behalf of an objectivity artificially obtained through the primacy of the method. The form of the intellectual production also is converted into a matter of method, it performs a ritual of disenchantment that sacrifices the thought itself, eliminating the will. Paradoxically, the suffering of researchers who resist to adapt to the serial production, their anguish before the need heteronomously imposed to convert their yearning for the knowledge into volumes of publication, is a sign that there is still life, that there is still will under pressure. The full adjustment, on the contrary, reveals the effective and uncontrollable installation of boredom.</p>
			<p>For a long time, the need for the rigid demarcation of spheres of work and leisure has been denoting the denunciation of the degradation of the creative capacities of human beings under alienated working conditions. When this same need is stated so vehemently in relation to the academic work as well, it becomes necessary to consider the regression level to which it has succumbed, equally affecting the alienated working conditions. It becomes imperative to note that the large-scale writing and publication of scientific studies attend to interests unrelated to the need for knowledge production and that, thus differently from its purpose, the intellectual work also becomes an object of fetish. In spite of its reduction into exchange value, which converts knowledge into a commodity and production indicators into currency, into capital, the fetishized production of studies provides the scientific activity the modus operandi of industrial production. With this, also the rationality proper to this productive form is incorporated by the academic research. The notorious tendency to organization of research work and disclosure to obtain greater productive efficiency has favored the gathering of researchers into teams coordinated by senior researchers and collaborators at different levels of education and career in research universities and centers. With this, the teamwork, which might as well result in collaborations of extremely high quality, has also been showing itself as the contradictory expression of the research administered. The division of research labor accelerates the productive process, ensures the desired effectiveness and, notwithstanding, intensifies the levels of alienation regarding the work developed and, consequently, the need for demarcation requires professional activity and intellectual activity formally unrelated to the professional tasks. In a brief consideration about teamwork for social research, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Adorno (1957/2001</xref>) highlighted that the organization of research work through division of tasks can result in the impoverishment of the reflection moments, which could, precisely, ensure the overcoming of the arbitrariness of each one of the researchers involved. As he could indicate:</p>
			<disp-quote>
				<p>De este modo no solo es posible llevar a cabo un número de tareas mucho mayor del que podría resolver individualmente cada uno de los colaboradores si se enfrentara al conjunto del material sin la ayuda de los demás, sino que todos los trabajos que pasan por la maquinaria acaban por volverse tan compatibles, por asemejarse tanto entre sí, que la falta de integración teórica de los resultados del conjunto de la <italic>social research</italic> se hace doblemente paradójica: el precio que ha de pagarse por ese <italic>streamlining</italic> de las ciencias sociales es muy elevado. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Adorno, 1957-2001</xref>, pp. 60-61)</p>
			</disp-quote>
			<p>For the purposes of this reflection, the criticism formulated by Adorno with respect to the research administered assists us to understand with greater clarity the factors that also drive scientists to seek subterfuge at leisure to offset the bitterness of the alienated work. This observation is important, because only with a lot of effort we can demarcate precisely the effective difference between reading literary works that promote us esthetic experience only by the quality of experience that they promote regardless of their importance for scientific research, and approaching these works because they constitute a body of knowledge not less important than the conceptual knowledge validated by scientific method. When the spontaneous difficulty of differentiating experiences due to their respective applications in work or as leisure expressions is shown as a problem to be overcome, one can consider that the division between work and free time is already entirely imposed to the academic work and that the technological rationality (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Marcuse, 1964/2015</xref>) already mediates the intellectual activity as well.</p>
			<p>The awareness on this division is crucial to understand why the academic work has been converted into an intense source of suffering. It is not about the suffering caused by the confrontation with the object of knowledge, which, due to its primacy, requires from the subject the reflection and self-criticism, but rather about the suffering artificially inflated in researchers for a type of organization of academic work that blindly achieves the imperative of production.</p>
			<p>Between the torment unleashed by the drive administered of the time and the boredom that permeates the alleged free time, in addition to mediating the relationship with hetero-determined knowledge, in both spheres there outstands the primacy of technological rationality. The intellectual activity is reduced to the pseudo-activity, unlinked from its effective relationship with the objects, deprived of the charm that has been historically present in the cultural education in the form of love to the object (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 1963/2000</xref>). Without this charm, there occurs the spell of the commodity that becomes independent from its production process, succumbing to fetishism.</p>
			<p>Under the imperative of academic production, the researchers - graduate students or professors - suffer the pressure from the evaluation agencies that demand increasing volumes of “products” that certify their production capacity, but also suffer with the boredom unleashed by the mechanical appropriation of creativity. Beyond the suffering unleashed by the will of knowledge in circumstances in which one is compelled to produce in a time incompatible with the act of research itself, the boredom is revealed as the most harmful effect of productivism, because it is supported on the sacrifice of the desire of knowledge.</p>
			<p>If the neutrality is prevented from existing in the relation between knowledge and politics, the apathy established in the political sphere, in the attitude that before it regresses to a powerless posture, it is precisely in the academic politics that the relationship between these two elements intensifies the most: as expression of the objective desperation (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno, 1969/1995</xref>), the boredom is a continuity of suffering before the requirement of adaptation, sacrifice of creativity and freedom of spirit, but it is also an effect of the deformity imposed by this system which dictates its determination to all who dare to think.</p>
			<p>If the suffering resulting from the consciousness of oppression does not shut us up, its strength will be able to become liberating, allowing to reaffirm the value of that one thing we do with love: education, research and criticism.</p>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>*</label>
				<p>The criticisms expressed in this editorial do not manifest, necessarily, the understanding of the entire editorial board of <italic>Psychology - USP</italic> journal, but, rather, of the editors that the signed it.</p>
			</fn>
			</fn-group>
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