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				<journal-title>Psicologia USP</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Psicol. USP</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0103-6564</issn>
			<issn pub-type="epub">1678-5177</issn>
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				<publisher-name>Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0103-656420170048</article-id>
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					<subject>Artigos originais</subject>
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				<article-title>Pode a psicanálise de Winnicott ser a realização de um projeto de psicologia científica de orientação fenomenológica?</article-title>
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					<trans-title><italic>La psychanalyse de Winnicott peut-elle être un projet de psychologie scientifique d’orientation phénoménologique?</italic></trans-title>
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					<trans-title><italic>¿El psicoanálisis de Winnicott puede ser un proyecto de psicología científica de orientación fenomenológica?</italic></trans-title>
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						<surname>Fulgencio</surname>
						<given-names>Leopoldo</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>a</sup></xref>
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					<label>a</label>
					<institution content-type="original">Universidade de São Paulo, Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade. São Paulo, SP, Brasil</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
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					<label>*</label> Endereço para correspondência: <email>lfulgencio@usp.br</email>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2018</year>
			</pub-date>
			<volume>29</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>303</fpage>
			<lpage>313</lpage>
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					<day>31</day>
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					<year>2017</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Neste artigo pretendo desenvolver a hipótese de que a obra de Winnicott pode corresponder a uma realização possível do projeto de elaboração de uma psicologia científica não naturalista, tal como indicado nas concepções filosóficas da fenomenologia e do existencialismo moderno. Depois de distinguir o que seriam os aspectos clínicos destas propostas filosóficas, procuro mostrar que Winnicott, por um lado, rejeita o uso de especulações metapsicológias naturalistas, e por outro, reformula o modelo ontológico da psicanálise, com a introdução da noção de ser; além de introduzir uma noção de saúde e redescrever a teoria do desenvolvimento socioemocional do ser humano focando-a nas suas relações de dependêndia.Tais modificações colocariam a psicanálise num quadro epistemológico não naturalista, mais de acordo com essas influências filosóficas citadas, modificando também a própria prática psicanalítica, seja em termos dos seus objetivos seja em termos do seu manejo.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>Résumé</title>
				<p>Dans cet article, j’ai l’intention de développer l’hypothèse selon laquelle l’oeuvre de Winnicott peut correspondre à une réalisation possible du projet d’élaboration d’une psychologie scientifique non-naturaliste comme on voit dans les conceptions philosophiques de la phénoménologie et de l’existentialisme moderne. Après la distinction des aspects cliniques de ces propositions philosophiques, je cherche à montrer, d’un côté, que Winnicott rejette l’utilisation de spéculations métapsychologiques naturaliste, de l’autre côté, qu’il reformule le modèle ontologique de la psychanalyse, avec l’introduction de la notion d’être ; au-delà d’introduire une notion de santé et de redécrire la théorie du développement socio-émotionnel de l’être humain en la recentrant sur ses relations de dépendance. Ces motifications mettraient la psychanalyse dans un cadre épistémologique non-naturaliste, plutôt alignée sur les influences philosophiques citées, modifiant par là la pratique psychanalytique elle-même, soit vis-à-vis de ses objectifs soit vis-à-vis de son maniement.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>En este artículo, mi objetivo es desarrollar la hipótesis de que la obra de Winnicott puede corresponder a una realización posible del proyecto de elaboración de una psicología científica no naturalista, como se ve en las concepciones filosóficas de la fenomenología y del existencialismo moderno. Después de distinguir los aspectos clínicos de esas propuestas filosóficas, busco mostrar que Winnicott, por un lado, rechaza la utilización de especulaciones metapsicológicas naturalistas, por otro lado, reformula el modelo ontológico del psicoanálisis, con la introducción de la noción de ser; además de introducir una noción de salud y de redescribir la teoría del desarrollo socioemocional del ser humano, examinándola en sus relaciones de dependencia. Esas modificaciones pondrían el psicoanálisis en un marco epistemológico no naturalista, pero en conformidad con las influencias filosóficas citadas, modificando también la propia práctica psicoanalítica, sea con respecto a sus objetivos sea con respecto a su manejo.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Psicanálise</kwd>
				<kwd>fenomenologia</kwd>
				<kwd>existencialismo</kwd>
				<kwd>epistemologia</kwd>
				<kwd>psicoterapia</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="fr">
				<title>Mots-clés:</title>
				<kwd>psychanalyse</kwd>
				<kwd>phénoménologie</kwd>
				<kwd>existentialisme</kwd>
				<kwd>épistémologie</kwd>
				<kwd>psychothérapie</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>psicoanálisis</kwd>
				<kwd>fenomenología</kwd>
				<kwd>existencialismo</kwd>
				<kwd>epistemología</kwd>
				<kwd>psicoterapia</kwd>
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	<body>
		<p>Já em Kant a construção de um conhecimento do modo de ser do homem (seus comportamentos, sentimentos, suas leis e dinâmicas existenciais e relacionais) é um projeto que poder ser feito em dois quadros epistemológicos diferentes, dependendo do fato de considerá-lo ou não como um ente da natureza (ou da <italic>physys</italic>): “Uma doutrina do conhecimento do ser humano sistematicamente composta (antropologia) pode ser tal do ponto de vista <italic>fisiológico</italic> ou <italic>pragmático</italic>. - O conhecimento fisiológico do ser humano trata de investigar o que a <italic>natureza</italic> faz do homem; o pragmático, o que <italic>ele</italic> faz de si mesmo, ou pode e deve fazer como ser que age livremente” (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Kant, 1798/1997a</xref>, pp. 21-22). Tanto numa como noutra Antropologia (ou psicologia) temos uma metafísica que serve de base para a construção desse conhecimento: uma <italic>metafísica da natureza</italic>, na qual o homem é tão determinado como qualquer outro ente natural, nas suas leis de determinação causal, explicitada por Kant na <italic>Crítica da razão pura</italic>; e uma <italic>metafísica dos costumes</italic>, onde o homem pode determinar-se a fazer e a deixar que façam, explicitada por Kant na <italic>Crítica da razão prática</italic> (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Fulgencio, 2006</xref>a, <xref ref-type="bibr" rid="B14">2008b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B30">Gabby Jr., 2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B46">Loparic, 2003</xref>).</p>
		<p>A psicologia como ciência foi fundada no século XIX, seja em Fechner, seja em Wundt, como proposta de ser uma ciência da natureza (uma Antropologia do ponto de vista fisiológico), ainda que certas reações a essa perspectiva, já em Brentano, tenham apontado outra direção. Nesse vasto quadro quero apontar para o fato de que a psicologia de Skinner e a de Freud são, ambas, propostas de construção de psicologias naturalistas, apesar de suas diferenças.</p>
		<p>Retomarei suscintamente a posição de Freud, dado que parte das suas descobertas serão, mais tarde, ampliadas e inseridas por Winnicott num outro quadro epistemológico que difere do seu quadro naturalista. Suscintamente, para Freud, a psicanálise ofereceu à ciência a possibilidade de conhecer a <italic>vida da alma</italic> como qualquer outro objeto estrangeiro ao homem, sendo, pois, uma ciência da natureza como qualquer outra (<xref ref-type="bibr" rid="B10">1933/2001c</xref>); seu modelo de homem, ou seja, sua maneira de conceber como é a vida psíquica, está construído numa lógica do <italic>como se</italic>, com a ajuda de uma série de especulações analógicas aplicadas ao psiquismo e sua dinâmica, a saber, a consideração do homem, no que se refere a sua ontologia psicológica, tal <italic>como se</italic> fosse um aparelho psíquico, movido por forças e energias<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>.</p>
		<p>No campo da filosofia fenomenológica, com Husserl, a consideração do homem como ente da natureza foi criticada, considerando que este tem outro modo de ser. No caso da construção de uma psicologia como ciência, ele critica o fato de que esta tem limitações naturalistas que deveriam ser ultrapassadas, justamente, pela fenomenologia: “a fenomenologia constitui o essencial fundamento eidético da psicologia e das ciências do espírito” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Husserl, 1986</xref>, p. 47). Isto implica, necessariamente, uma ontologia, um <italic>telos</italic> e um modo de determinação causal, díspares daqueles que Kant explicitou na sua antropologia fisiológica. Numa direção harmônica com essa de Husserl, também podemos reconhecer na filosofia uma série de outras propostas que defendem esta especificidade do modo de ser do homem, por exemplo, em Kierkegaard, Jaspers, Heidegger e Sartre. Podemos reunir essas perspectivas, tal como fez Ellenberger, na rubrica do existencialismo moderno, ocupando-nos também de distinguir as propostas filosóficas das suas aplicabilidades no campo da ciência psicológica ou psiquiátrica, dado que os quadros epistemológicos e metodológicos da ciência e da filosofia se constituem de forma díspar (e meu interesse é mostrar, no campo da psicanálise como psicologia científica, que esta foi modificada por Winnicott, passando de um quadro naturalista para um existencialista). Diz Ellenberger, nesse sentido:</p>
		<disp-quote>
			<p>O que é a fenomenologia e a análise existencial do ponto de vista clínico? Talvez seja conveniente começar esclarecendo o que elas não são. Ao contrário de um juízo corrente, não representam uma introdução desconcertante da filosofia no campo da psiquiatria. É verdade que existe uma corrente filosófica denominada Fenomenologia, fundada por Edmund Husserl, e que existe outra corrente filosófica, chamada existencialismo, cujos principais representantes são Kierkegaard, Jaspers, Heidegger e Sartre. Mas existe um abismo entre a fenomenologia filosófica de Husserl e a fenomenologia psiquiátrica de Minkowski, tal como entre a filosofia existencialista e o método psiquiátrico chamado análise existencial. Analogamente, existe um ramo da física que se ocupa da investigação dos raios X, assim como existe um ramo da medicina, a radiologia, que se ocupa da aplicação dos raios X para fins médicos. E, sem dúvida, ninguém considera que a radiologia médica seja uma intromissão desconcertante da física nos domínios da medicina. De modo parecido, os psiquiatras fenomenologistas e os analistas existenciais são psiquiatras que utilizam certos conceitos novos da filosofia como instrumentos da investigação psiquiátrica. (<xref ref-type="bibr" rid="B36">1958</xref>, p. 92)</p>
		</disp-quote>
		<p>O que vai me interessar nessa minha análise são, portanto, muito mais os aspectos clínicos da fenomenologia e do existencialismo moderno - expressos em práticas de cuidado psicológico, encontráveis na <italic>fenomenologia psiquiátrica</italic>, na <italic>psicologia existencialista</italic> e na <italic>daseinanálise</italic> - do que uma análise dessas concepções no campo da filosofia, procurando colocar em evidência a presença de algumas dessas concepções na maneira como Winnicott concebe a psicanálise como ciência objetiva da natureza humana.</p>
		<p>Em todos os existencialistas modernos há um ponto de partida comum, que diz respeito à caracterização da especificidade do modo de ser do ser humano. Retomarei, de maneira apenas indicativa, a posição de Kierkegaard e a de Heidegger, como dois exemplos centrais que procuram caracterizar essa ontologia.</p>
		<p>Para Kierkegaard: </p>
		<disp-quote>
			<p>O homem não é um móvel pré-fabricado; o homem será o que ele fizer de si mesmo e nada mais. O homem se constrói a si mesmo por meio de suas decisões, pois possui liberdade para fazer escolhas vitais, sobretudo a liberdade de escolher entre as modalidades <italic>autenticas</italic> e <italic>inautênticas</italic> da existência. A existência inautêntica é a modalidade do homem que vive sob a tirania da plebe, da coletividade anônima. A autêntica é a modalidade na qual o homem assume a responsabilidade por sua própria existência. (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Ellenberger, 1958</xref>, p. 118)</p>
		</disp-quote>
		<p>Acrescente-se a isso o fato de que há, para ele, uma angústia constituinte do modo de ser humano, angústia que deriva do fato de que o homem é o único responsável por suas escolhas (ele é o responsável “livre” por decidir fazer e deixar que façam); ele é, na verdade, obrigado a escolher, e essa responsabilidade gera uma angústia existencial constitucional.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
		</p>
		<p>Para Heidegger, o modo de ser específico do ser humano se diz <italic>Dasein</italic>, cuja principal característica é fazer (configurar, criar) a si mesmo, ao outro e o mundo no qual vive. No livro <italic>Os conceitos fundamentais da metafísica: mundo, finitude e solidão</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B37">1983/2003</xref>), ele procura caracterizar este modo de ser diferenciando o que é o mundo para os diversos tipos de entes: “1. A pedra (o material) é <italic>sem-mundo</italic>; 2. O animal é <italic>pobre de mundo</italic>; 3. o homem é <italic>formador de mundo</italic>” (p. 207)”. Ao longo da sua obra encontramos também uma série de expressões que visam <italic>descrever</italic> o que é esse modo específico de ser do ser humano, tais como: <italic>ser-ai</italic>, <italic>ser-com</italic>, <italic>ser-no-mundo</italic>, <italic>ser-junto-a</italic>, <italic>ser-um-com-o-outro</italic>, <italic>ser-para-a-morte</italic> etc. Todas essas expressões, antes de ser entendidas como conceitos, devem ser entendidas como <italic>descrições</italic> de modos de ser propriamente humanos.</p>
		<p>O importante aqui, para minha análise, reunindo esses aspectos destacados, é muito mais apontar para o <italic>sentido empírico</italic>, <italic>fenomenológico</italic>, dessa concepção do que é o modo de ser do ser humano, do que fazer uma discussão conceitual filosófica, que nos remeteria ao campo da história analítico-crítica da história da filosofia, retirando-nos do foco de análise da psicologia como ciência. Num certo sentido estou marcando uma separação entre os problemas e as práticas filosóficas e entre os problemas e as práticas clínicas-psicoterápicas, recusando uma filosofia-clínica e uma clínica-filosófica.</p>
		<p>Sabemos que Binswanger e Boss procuraram construir uma proposta de psicologia científica e uma prática de cuidado psicoterápico a partir dos fundamentos da analítica existencial de Heidegger. Uma das críticas feitas a Binswanger é que ele acabou por confundir os campos da filosofia e da ciência, fazendo ora uma pseudofilosofia, ora uma pseudociência (cf. a análise crítica dessa proposta no artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B45">Loparic, 2002</xref>). Independente de essa síntese poder ser avaliada como bem ou mal sucedida, quero defender aqui a hipótese de que a proposta de Winnicott, na sua reformulação teórico-prático-semântica da psicanálise, apresentou uma psicologia científica que estaria de acordo com o quadro conceitual e epistemológico dos existencialistas modernos, mantendo-se no campo da ciência, seja em termos da descrição de uma teoria do desenvolvimento emocional, seja em termos da sua redescrição do método de tratamento psicoterápico. Noutros termos, a minha hipótese também poderia ser enunciada na enunciação da seguinte pergunta: pode a psicanálise de Winnicott, na sua proposta de fazer com que a psicanálise seja uma ciência objetiva da natureza humana, ser considerada como a realização do projeto de construção de uma psicologia científica do ponto de vista dos fundamentos da fenomenologia e da analítica existencial?</p>
		<sec>
			<title>Proximidade da semântica de Winnicott com a do existencialismo moderno. À procura de um método para o diálogo entre perspectivas teórico-semânticas díspares </title>
			<p>Ao retomarmos o conjunto das inovações semântico-conceituais específicas de Winnicott, podemos listar uma série de termos e/ou expressões que não fazem parte da semântica psicanalítica clássica, tais como <italic>objetos e fenômenos transicionais</italic>, ação de brincar, <italic>espaço potencial</italic>, <italic>lugar em que vivemos</italic>, <italic>ilusão de onipotência</italic>, <italic>o paradoxo de criar-encontrar objetos</italic>, <italic>preocupação maternal primária</italic>, <italic>invasão e falha ambiental</italic>, <italic>dependência absoluta e relativa</italic>, <italic>objeto subjetivo</italic>, <italic>verdadeiro e falso</italic> self, <italic>elaboração imaginativa</italic>, <italic>solidão essencial</italic>, <italic>ser</italic>, <italic>continuidade de ser</italic>, <italic>tendência inata à integração</italic>, <italic>trauma como quebra na linha do ser</italic>, <italic>criatividade originária</italic>, <italic>elemento feminino e masculino puros</italic>, <italic>coração sagrado do</italic> self, <italic>comunicação silenciosa</italic>, <italic>comunicação profunda</italic>, <italic>capacidade de ter fé em…</italic>, <italic>privação e tendência antissocial</italic>, <italic>capacidade de ficar</italic>, mãe-objeto, mãe-ambiente, <italic>diferença entre necessidade e desejo</italic>, <italic>sobrevivência do analista</italic>, <italic>uso do objeto</italic>, <italic>angústia impensável</italic>, ação traumática, <italic>congelamento da situação traumática</italic>, <italic>descongelamento</italic>, <italic>sentir-se real</italic>, <italic>distinção entre</italic> psyqué, <italic>soma e mente</italic>, <italic>vida que vale a pena ser vivida</italic>, <italic>espontaneidade.</italic> Dentre estes quero destacar alguns que me parecem muito próximos, ainda que não idênticos, a concepções reconhecíveis no campo do existencialismo moderno, tais como as noções de <italic>ser</italic>, <italic>continuidade de ser</italic>, <italic>verdadeiro e falso</italic> self, <italic>trauma como quebra na linha do ser</italic>, <italic>lugar em que vivemos</italic>, <italic>vida que vale a pena ser vivida</italic>, <italic>espontaneidade</italic>.</p>
			<p>Essa proximidade semântica não significa que Winnicott importou, numa ligação direta ou numa aplicabilidade direta, concepções de um sistema filosófico ou de um sistema clínico (por exemplo, da fenomenologia psiquiátrica, da psicologia existencialista ou da daseinanálise) e os inseriu na psicanálise. A influência da filosofia ou de outros sistemas teóricos da psicologia (e mesmo da psicanálise) no pensamento de Winnicott, não ocorre dessa forma. O próprio Winnicott diz como ele funciona, em termos das suas influências: “O que ocorre é que eu junto isto e aquilo, aqui e ali, volto-me para a experiência clínica, formo minhas próprias teorias e então, em último lugar, passo a ter interesse em descobrir de onde roubei o que” (1945/2000, p. 218).</p>
			<p>Temos, aqui, um problema epistemológico-metodológico que diz respeito à maneira como serão concebidas as relações (de influência, comunicação, diálogo) entre a filosofia e a ciência, entre as diversas ciências entre si, entre os diversos sistemas teórico-semânticos da psicanálise entre si. Pode-se dizer, com apoio na obra de Thomas <xref ref-type="bibr" rid="B42">Kuhn (1970/1975</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B43">1977</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B44">2000/2006</xref>) que um sistema filosófico (no caso, a fenomenologia, o existencialismo), um sistema teórico-clínico (fenomenologia psiquiátrica, psicologia existencialista, daseinanálise), são <italic>paradigmas</italic> díspares do proposto por Freud; e díspares, pois, da psicanálise. Nessa perspectiva, considerando que os paradigmas ou matrizes disciplinares constituem realidades díspares, devemos nos colocar a questão de saber se os mesmos termos (usados por paradigmas díspares) têm o mesmo referente, ou ainda, se termos diferentes podem estar referidos aos mesmos fenômenos, para saber se, ao nos colocarmos a questão da proximidade, semelhança, distância ou mesmo impossibilidade de comunicação entre sistemas teórico-semânticos díspares (paradigmas díspares), estamos ou não no campo em que um diálogo ou influência mútua pode ocorrer. Nessa direção, a comunicação entre sistemas teóricos díspares depende da compreensão dos referentes de suas concepções, ou seja, é via os fenômenos descritos ou tornados visíveis que se torna possível descrever e/ou explicar/entender o que um sistema pode contribuir ou comunicar com outro.</p>
			<p>O próprio Freud apontou essa perspectiva quando comentou de que maneira a psicanálise e a antropologia poderiam contribuir uma com a outra, em <italic>Totem e tabú</italic>: </p>
			<disp-quote>
				<p>É uma falha necessária dos trabalhos que tentam aplicar os pontos de vista da psicanálise aos temas das ciências do espírito a de oferecer tão pouco dos dois ao leitor. Assim se restringem a ter um caráter de incitação; eles fazem ao especialista proposições que ele deverá tomar em consideração no seu trabalho.<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Freud, 1913/1998</xref>, p. 283)</p>
			</disp-quote>
			<p>A meu ver, trata-se <italic>muito mais do que uma incitação</italic> um tanto quanto vaga, trata-se, na proposta de Freud, do uso de algo que conhecemos, num campo, como sendo útil para conhecer algo que não conhecemos, num outro campo, ou seja, a utilização de método analógico de pesquisa (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fulgencio, 2006</xref>b, <xref ref-type="bibr" rid="B17">2008b</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>.</p>
			<p>Considerada essa distinção e essa proposta metodológica, posso esclarecer um segundo ponto correlato a este, referindo-me, agora, diretamente à relação entre Winnicott e o existencialismo moderno, seja em termos filosóficos, seja em termos científico-clínicos. Primeiro: não estou afirmando que Winnicott está de acordo ou é adepto ao sistema filosófico conceitual ou ideológico de um ou algum dos filósofos mais ou menos associados à rubrica do existencialismo. Winnicott não pode ser dito kierkegaardiano, dilthiano, sartriano, merleau-pontyano ou mesmo heideggeriano; da mesma maneira que Freud, mesmo utilizando e às vezes citando filósofos e filosofias, não pode ser enquadrado como schopenhaueriano, nietzschiano, kantiano etc. Nesse sentido, não se trata de fazer aqui uma projeção afirmando que Winnicott ou Freud construíram seus pensamentos a partir de algum sistema filosófico específico. Segundo: da mesma maneira, não cabe dizer que Winnicott abraça identitariamente o sistema clínico-teórico da fenomenologia psiquiátrica, da psicologia existencialista ou da daseinanálise.</p>
			<p>O que estou defendendo e analisando é o fato de que Winnicott trouxe para a psicanálise o reconhecimento (nesse quadro e com essas ressalvas metodológicas) de alguns fenômenos, bem como a consideração de algumas concepções que estão de acordo e são similares às que os existencialistas modernos utilizam em seus sistemas de pensamento.</p>
			<p>Esclarecido que não se trata de afirmar que Winnicott seja filiado a um ou outro sistema filosófico, é necessário considerar que ele também não é filiado a nenhuma das perspectivas clínicas existencialistas. Não é por filiação ou importação direta que ocorrem essas relações (ou “influências”), nem em Winnicott, nem em Freud. Assim, da mesma maneira que não é condizente com minha proposta retomar os sistemas filosóficos existencialistas, também não é necessário retomar os sistemas teórico-práticos da fenomenologia psiquiátrica, da psicologia existencialista e da daseinanálise, para considerar que Winnicott tem algumas concepções que se assemelham às dessas perspectivas. Remeter minha análise ou essa hipótese à necessidade de retomar esses sistemas teóricos, nessa perspectiva de análise que estou propondo, seria um erro epistemológico, metodológico e até mesmo um erro de entendimento do que estou propondo.</p>
			<p>Me ocuparei agora de analisar, mais especificamente, como a noção de ser e a de falso e verdadeiro <italic>self</italic> aparece na obra de Winnicott, abrindo caminho para, mais à frente, analisar a noção de criar-encontrar a si mesmo e ao outro (criar o mundo em que se vive), bem como a noção de saúde, considerando que todas elas têm sentidos e referentes próximos aos que encontramos na filosofia e nas práticas psicoterápicas existencialistas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A noção de ser na obra de Winnicott</title>
			<p>A consideração de que a psicanálise tem no ser o seu foco de atenção e trabalho já foi ressaltada por Georges <xref ref-type="bibr" rid="B1">Amado (1978</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B2">1979</xref>). Nessa direção ele propôs uma <italic>psicanálise ontol</italic>ó<italic>gica</italic>, da qual Winnicott teria tido a <italic>intuição</italic>, sem, no entanto, ter analisado a obra de Winnicott mais detalhadamente, procurando explicitar como essa noção foi inserida histórico-criticamente.</p>
			<p>Outros psicanalistas também reconhecem o fato de que foi Winnicott quem, de maneira mais explícita, introduziu a noção de ser na psicanálise, seja como uma ação de desenvolvimento e ampliação da psicanálise, seja pra criticá-lo.</p>
			<p>René <xref ref-type="bibr" rid="B48">Roussillon (2009</xref>) considera que Winnicott fez uma <italic>ruptura epistemológica</italic> com a inserção da noção de ser na psicanálise, abrindo um imenso canteiro de obras, dado que essa inserção implica em inúmeras modificações teórico-práticas (p. 123).</p>
			<p>André <xref ref-type="bibr" rid="B35">Green (2011</xref>), por sua vez, também dedicou-se a analisar essa proposta de Winnicott, no entanto de forma extremamente crítica, considerando que ela corresponde muito mais a uma defesa emocional de Winnicott, <italic>um sintoma genial</italic> para evitar seus problemas pessoais relativos à agressividade e à detrutividade do ser humano: “Eu suponho que ao invés de aceitar a ideia de uma pulsão de morte, Winnicott reagiu introduzindo o conceito de ‘ser’, suficientemente potente para se opor à tentação de destruir inteiramente o objeto, ou ao menos ajudar a sobreviver a seus ataques” (p. 83). Green foca sua crítica em argumentos associados à história afetiva e à personalidade de Winnicott, interpretando-o como se este fosse seu paciente, sem propriamente desenvolver as questões teórico-clínicas e suas relações com os fenômenos-problemas que as propostas de Winnicott enunciam: sua teoria da agressividade, sua teoria da compulsão à repetição, sua consideração de que há fenômenos existenciais não redutíveis nem referíveis à vida pulsional etc. A meu ver, Green, amante da metapsicologia (<xref ref-type="bibr" rid="B33">1995</xref>) e da pulsão de morte (<xref ref-type="bibr" rid="B34">2010</xref>), não pôde ver com clareza os fenômenos descritos por Winnicott, reagindo em defesa de suas próprias concepções.</p>
			<p>A inserção que Winnicott fez da noção de ser na psicanálise, a sua apreciação muito mais clínica do que filosófica, me parece ter duas fontes: por um lado sua experiência com pacientes psicóticos, dado que estes se debatem com o problema existencial de serem, com experiências de não-ser; e por outro, suas características pessoais, sua formação e uma influência advinda do horizonte de sua época, na qual o existencialismo surgiu como uma alternativa clínica, tal como podemos ver, por exemplo, num livro importante, publicado em 1958, que podemos supor ser de seu conhecimento (ainda que esta seja uma hipótese especulativa): <italic>Existence. A New Dimension in Psychiatry and Psychology</italic> (May, Angel, &amp; <xref ref-type="bibr" rid="B47">Ellenberger, 1958</xref>); essas concepções existencialistas faziam parte do horizonte da sua época e sabemos que havia muitos próximos a ele que compartilhavam essa perspectiva (dentre eles, por exemplo, Ronald Laing).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">Fulgencio (2014</xref>b) fez um recenseamento da presença e do uso da noção de ser na obra de Winnicott, constatando não só que a maior parte das referências ao termo é feita na década de 1960, mas que um uso mais conceitual só ocorre nessa década. Ele procurou mostrar que o que importa para Winnicott <italic>não é tanto o conceito de ser, mas a experiência de ser ou de não-ser</italic> que seus pacientes relatam no processo analítico. É justamente a partir dessa experiência que ele formulará a sua compreensão do que é a natureza humana.</p>
			<p>Numa passagem, que me parece ser uma das mais diretas sobre a sua noção de ser, ele diz:</p>
			<disp-quote>
				<p>Gostaria de postular um estado de ser que é um fato no bebê normal, antes do nascimento e logo depois. Esse estado de ser pertence ao bebê, e não ao observador. A continuidade do ser significa saúde. Se tomarmos como analogia uma bolha, podemos dizer que, quando a pressão externa está adaptada à pressão interna, a bolha pode seguir existindo. Se estivéssemos falando de um bebê humano, diríamos “sendo”. (1988/1990, p. 148)</p>
			</disp-quote>
			<p>Na mesma direção, que caracteriza o <italic>Dasein</italic> como <italic>formador de mundo</italic>, temos a descoberta de Winnicott sobre a natureza dos fenômenos e objetos transicionais, dado que estes colocam em evidência a <italic>ação de brincar como sinônimo da própria continuidade de ser</italic>, como expressão da criação de si mesmo e do mundo em que vivemos, alçando a ação de brincar a um fundamento universal da natureza humana. Retomo algumas afirmações de Winnicott nesse sentido: “É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (<italic>self</italic>)” (<xref ref-type="bibr" rid="B50">1971/1975c</xref>, p. 80); “Para mim, o brincar conduz naturalmente à experiência cultural e, na verdade, constitui seu fundamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B51">1971/1975b</xref>, p. 147). Para Winnicott essa ação de brincar será mesmo um fundamento do processo psicoterapêutico:</p>
			<disp-quote>
				<p>A psicoterapia se efetua na sobreposição de duas áreas do brincar, a do paciente e a do terapeuta. A psicoterapia trata de duas pessoas que brincam juntas. Em consequência, onde o brincar não é possível, o trabalho efetuado pelo terapeuta é dirigido então no sentido de trazer o paciente de um estado em que não é capaz de brincar para um estado em que o é. (1968/1975a, p. 59)</p>
			</disp-quote>
			<p>Winnicott defende a ação de brincar como um fundamento do existir humano (ainda que esta não seja uma capacidade inata, mas algo que passa a ocorrer depois que certas integrações emocionais já tenham ocorrido; ainda que alguns pacientes ou pessoas se mostrem doentes e não tenham essa capacidade). Diz Winnicott nesse sentido:</p>
			<disp-quote>
				<p>Em outros termos, é a <italic>brincadeira que é universal</italic> e que é própria da saúde; o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; o brincar conduz aos relacionamentos grupais; o brincar pode ser uma forma de comunicação na psicoterapia; finalmente, a psicanálise foi desenvolvida como forma altamente especializada do brincar, a serviço da comunicação consigo mesmo e com os outros. O natural é o brincar, e o fenômeno altamente aperfeiçoado do século XX é a psicanálise. Para o analista, não deixa de ser valioso que se lhe recorde constantemente não apenas aquilo que é devido a Freud, mas também o que devemos à coisa natural e universal que se chama brincar. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">1968/1975a</xref>, p. 63)</p>
			</disp-quote>
			<p>Winnicott considerará, ainda, que é devido à expansão da atividade de brincar (expansão dos fenômenos transicionais) que o ser humano adentra no mundo da cultura, encontrando a si mesmo e ao outro. O brincar corresponde, pois, a ser-com, ser-com-o-outro, constituindo a si mesmo e ao lugar em que se é possível viver, o que parece corresponder (ou ser muito próximo) ao que Heidegger diz quando afirma que o <italic>Dasein</italic> cria a si mesmo, cria o mundo em que vive, dando sentido a si mesmo e ao outro.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>A noção de falso e verdadeiro <italic>self</italic> em Winnicott</bold></title>
			<p>Winnicott reconhece que a sua concepção de verdadeiro e do falso <italic>self</italic> (como modos de ser do ser humano) tem sua origem em certas concepções da filosofia, em certos sistemas religiosos e na psiquiatria: </p>
			<disp-quote>
				<p>Este conceito em si não é novo. Aparece de várias formas em psiquiatria descritiva e especialmente em certos sistemas religiosos e filosóficos. Por certo existe um estado clínico real que merece estudo, e o conceito se apresenta à psicanálise como um desafio quanto à etiologia. (1965/1983d, p. 128)</p>
			</disp-quote>
			<p>Isso não significa que a sua concepção de falso e verdadeiro <italic>self</italic> corresponde a uma aplicação das concepções que estão na sua origem. Para ele, estes dois modos de ser são constitutivos do modo de ser humano, tal como seus pacientes relatam como se sentem, como, por vezes, sentem que levam uma vida por demais adaptada que se oporia a um modo de ser mais espontâneo: </p>
			<disp-quote>
				<p>O conceito de um falso self tem que ser contrabalanceado por uma formulação do que poderia, com propriedade, ser denominado <italic>self</italic> verdadeiro. No estágio inicial o <italic>self</italic> verdadeiro, o verdadeiro <italic>self</italic> é a posição teórica de onde vem a o gesto espontâneo e as ideias pessoais. O gesto espontâneo é o verdadeiro <italic>self</italic> em ação. Enquanto o self verdadeiro é sentido como real, a existência de um falso <italic>self</italic> resulta em uma sensação de irrealidade e um sentimento de futilidade. (1965/1983d, p. 135)</p>
			</disp-quote>
			<p>Poder-se-ia afirmar, usando uma metáfora com fins pedagógicos, que falso e verdadeiro self são como água e vinho misturados, portanto indissociáveis e constituintes do modo de ser do ser humano, ainda que um possa momentaneamente mostrar-se ou realizar-se de forma mais acentuada. O falso <italic>self</italic> faz parte da organização saudável, o falso <italic>self</italic> patológico corresponde a uma dominação (dos aspectos adaptativos do indivíduo), estabelecendo uma hegemonia no modo de ser do indivíduo.</p>
			<p>Assim, paradoxalmente, a noção de falso e verdadeiro <italic>self</italic> tem origem em sistemas filosóficos, religiosos e psiquiátricos (no que me parece ser uma referência clara ao que podemos encontrar no existencialismo moderno), ao mesmo tempo que não corresponde a seus sentidos e referentes originários na filosofia (por exemplo o de vida autêntica, autenticidade) encontráveis nesses sistemas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A psicanálise de Winnicott como uma ciência objetiva da natureza humana</title>
			<p>Caberia, ainda, para finalizar esse item de minha análise, ressaltar que Winnicott coloca a psicanálise num quadro epistemológico muito mais próximo ao que esperava a fenomenologia e a analítica existencial, para a constituição de uma psicologia científica, do que propusera Freud com a criação da psicanálise como uma ciência da natureza.</p>
			<p>Retomo algumas afirmações de Winnicott sobre a <italic>natureza humana</italic>: “Minha tarefa é o estudo da natureza humana” (<xref ref-type="bibr" rid="B52">1988/1990</xref>, p. 21), “Qual é o estado do indivíduo humano quando o ser emerge do interior do não-ser?. Onde fica a base da natureza humana em termos do desenvolvimento individual? Qual é o estado fundamental ao qual todo ser humano, não importa sua idade ou experiências pessoais, teria que retornar se desejasse começar tudo de novo?” (<xref ref-type="bibr" rid="B53">1988/1990</xref>, p. 153), “A vida de uma pessoa consiste num intervalo entre dois estados de não-estar-vivo. O primeiro dos dois a partir do qual emerge o estar-vivo, dá colorido às ideias que as pessoas costumam ter sobre o segundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B54">1988/1990</xref>, p. 154). Poderíamos, ainda nessa mesma direção, colocar lado a lado uma frase de Winnicott e outra de Heidegger, reconhecendo uma proximidade semântica e conceitual significativa entre elas: “O ser humano é uma amostra-no-tempo da natureza humana” [<italic>A Human Being is a time-sample of human nature</italic>] (<xref ref-type="bibr" rid="B55">1988/1990</xref>, p. 11); “O homem é o lugar-tenente do Nada” [<italic>Der Mensch ist der Platzhalter des Nichts</italic>] (Heidegger, 1929/2000, p. 60).</p>
			<p>Para Freud, a grande contribuição da psicanálise para a ciência foi ter colocado a vida da alma para ser compreendida como qualquer outro objeto estrangeiro ao homem, ou seja, como um objeto natural (<xref ref-type="bibr" rid="B12">1933/2001c</xref>, Lição 35). É nessa direção que ele considera a vida da alma <italic>como se</italic> esta fosse um aparelho psíquico. Para Winnicott, no entanto, temos outra ontologia: o ser humano é constituído e impulsionado pela necessidade de ser e continuar sendo. É no quadro dessa nova ontologia, recusando pensar o homem tal como se fosse uma máquina, reconhecendo determinações causais propriamente humanas (e não redutíveis ou análogas às determinações causais próprias dos sistemas naturais), que Winnicott considera a psicanálise como uma <italic>ciência objetiva da natureza humana</italic>, levando a psicanálise para um quadro epistemológico diferente daquele utilizado por Freud.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A posição de Winnicot em relação à metapsicologia</title>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">Fulgencio (2008</xref>b) dedicou-se a analisar a natureza e a função da metapsicologia enquanto modo de teorização freudiana, considerando-a, então, não tanto no seu sentido amplo como uma teoria do inconsciente, mas no seu sentido específico como um conjunto de conceitos auxiliares especulativos de validade apenas heurística, que o próprio Freud caracterizou como <italic>superestrutura especulativa</italic> da psicanálise (<xref ref-type="bibr" rid="B13">1925/2001b</xref>). Os conceitos especulativos, centrais e estruturantes da metapsicologia freudiana, como todos sabem, são: as <italic>forças psíquicas</italic> ou <italic>pulsões</italic>, que Freud reconhece claramente como um tipo de <italic>mitologia</italic>; as <italic>energias psíquicas</italic>, na verdade a energia psíquica às vezes referida a um <italic>quantum de afeto</italic>, às vezes como <italic>libido</italic>; ambas <italic>energias supostas</italic> cujo valor heurístico justificaria seu uso como <italic>construção teórica auxiliar especulativa</italic>; e a própria ideia de um <italic>aparelho psíquico</italic>, que todos sabem que é uma <italic>ficção.</italic></p>
			<p>Na história do desenvolvimento da psicanálise, como já notou <xref ref-type="bibr" rid="B3">Assoun (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">2000</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">2006</xref>), esse modo de teorização foi <italic>expandido e modificado</italic> em graus diversos (por exemplo: Abraham, Ferenczi, Klein, Federn, Anna Freud), <italic>substituído</italic> por outra de mesma natureza especulativa (por exemplo: Bion, Lacan), usado como caixa de ferramentas (Marty, Aulagnier) e, no caso extremo de <xref ref-type="bibr" rid="B56">Winnicott, que é para ele um autor indiferente à metapsicologia (cf. Assoun, 2000</xref>, p. 114-116, <xref ref-type="bibr" rid="B57">2006</xref>). </p>
			<p>Retomando, então, a posição de Winnicott, que vai numa direção aposta à dos que defendem a necessidade do uso de ficções teóricas tais como as que caracterizam a metapsicologia freudiana, temos uma explicação enunciada, por ele mesmo, da sua posição:</p>
			<disp-quote>
				<p>. . . estamos tentando expressar as mesmas coisas, só que eu tenho um modo irritante de dizer as coisas em minha própria linguagem, em vez de aprender a usar os termos da metapsicologia psicanalítica. Estou tentando descobrir por que é que tenho uma suspeita tão profunda para com esses termos. Será que é porque eles podem fornecer uma aparência de compreensão onde tal compreensão não existe? Ou será que é por causa de algo dentro de mim? Pode ser, é claro, que sejam as duas coisas. (1987/1990, carta enviada a Anna Freud em 1954, p. 51)</p>
			</disp-quote>
			<p>Fulgencio tem se dedicado a esse tipo de discussão perguntando-se sobre o lugar da teorização metapsicológica na obra de Winnicott, defendendo que ele rejeitou certos modos de teorização, tais como a utilização de metáforas especulativas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Fulgencio, 2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">2007</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B22">2008a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Girard, 2010</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B32">2017</xref>); bem como, nessa mesma direção, procurou mostrar que Winnicott redescreveu diversos termos clássicos da metapsicologia freudiana, dando-lhes referentes empíricos que fazem com que estes não sejam mais construções teóricas especulativas (noutros temos, não sejam <italic>ficções heurísticas</italic>), afastando-se, assim, das especulações freudianas (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Fulgencio, 2010</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">2012</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B26">2013a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27">2013b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B28">2013c</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B29">2014ª</xref>, 2014c).</p>
			<p>A proposta de Winnicott de apresentar uma teoria psicanalítica que difere e se afasta da metapsicologia naturalista freudiana também me parece reiterar a hipótese que nomeia este artigo, estabelecendo, por um lado, outra ontologia e, por outro, uma linguagem não naturalizante.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A noção de saúde para Winnicott</title>
			<p>Em Freud e na maior parte dos sistemas psicanalíticos desenvolvidos a partir dele (Klein, Lacan, Bion), não há uma noção de saúde. No texto de Freud encontramos, por exemplo, a afirmação de que não há modo descritivo, mas tão somente teórico, para referir-se à noção de saúde: “A saúde, justamente, não se deixa descrever de outra maneira que metapsicologicamente, em referência às relações de força entre as instâncias do aparelho da alma que nós reconhecemos ou, se vocês quiserem, supomos, deduzimos” (<xref ref-type="bibr" rid="B58">1937/1985</xref>, p. 241, nota 2). Assoun considera que Winnicott não é tanto um psicanalista, mas muito mais um pensador que fornece uma <italic>antropologia com recursos “psicodinâmicos”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B59">2006</xref>, p. 67), dado que ele não parte propriamente do sintoma, mas de uma noção de saúde, o que constrastaria com o que deveria definir a posição de um psicanalista. Diz Assoun nesse sentido: “Um psicanalista parte do sintoma; nosso ‘antropólogo’, assumindo toda a dimensão desse termo, parte de uma outra coisa, a ‘saúde’’. É disto, justamente disso que se trata, portanto, no seu sentido mais literal, uma antropologia clínica” (<xref ref-type="bibr" rid="B60">2006</xref>, p. 67).</p>
			<p>Winnicott, no entanto, sem correr o risco de desfazer as conquistas de Freud, (reintroduzindo uma concepção normatizante, moralizante, idealizada e ideológica dos sujeitos, tanto teórica como clinicamente, dado que sua noção é ampla o bastante para ser muito mais uma ética do ser do que uma <italic>moral do ser</italic>), apresenta uma noção descritiva da saúde:</p>
			<disp-quote>
				<p>A vida de um indivíduo são se caracteriza mais por medos, sentimentos conflitantes, dúvidas, frustrações do que por seus aspectos positivos. O essencial é que o homem ou a mulher se sintam <italic>vivendo sua própria vida</italic>, responsabilizando-se por suas ações ou inações, sentindo-se capazes de atribuir a si o mérito de um sucesso ou a responsabilidade de um fracasso. Pode-se dizer, em suma, que o indivíduo saiu da dependência para entrar na independência ou autonomia. (1971/1999a, p. 10) (cf. tb. <xref ref-type="bibr" rid="B29">Fulgencio, 2016</xref>, para uma análise da noção de saúde)</p>
			</disp-quote>
			<p>Aqui também a noção de saúde está muito mais próxima à maneira como o existencialismo moderno considera o modo de ser do ser humano, muito mais próxima à maneira como Heidegger caracteriza o <italic>Dasein</italic>, do que a considerar o ser humano como se fosse um aparelho, um ente da natureza.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A perspectiva desenvolvimentista de Winnicott</title>
			<p>Winnicott é claro ao colocar-se como um desenvolvimentista: “Vocês já devem ter percebido que, por natureza, treinamento e prática, sou uma pessoa que pensa de modo desenvolvimental” (<xref ref-type="bibr" rid="B61">1984/1999b</xref>, p. 42). Ele explicita sua posição:</p>
			<disp-quote>
				<p>Quando vejo um menino ou uma menina numa carteira escolar, somando ou subtraindo, e lutando com a tabuada de multiplicação, vejo uma pessoa que já tem uma longa história em termos de processo desenvolvimental, e sei que pode haver deficiências, distorções no desenvolvimento ou distorções organizadas para lidar com deficiências que têm de ser aceitas, ou que deve haver uma certa precariedade no que tange ao desenvolvimento que parece ter sido seguido. Vejo o desenvolvimento como indo em direção à independência e a significados sempre novos para o conceito de totalidade, que pode ou não se tornar um fato no futuro daquela criança, caso ela esteja e continue viva. Também tenho plena consciência do quanto se depende do meio ambiente, e do modo como esse meio, inicialmente importantíssimo, continua a ter significado e vai ter significado mesmo quando o indivíduo atinge a independência, por meio de uma identificação com características ambientais, como quando uma criança cresce, se casa e cria uma nova geração de filhos, ou começa a participar da vida social e da manutenção da estrutura social. (<xref ref-type="bibr" rid="B62">1984/1999b</xref>, pp. 42-43)</p>
			</disp-quote>
			<p>Mais ainda, para ele, a psicanálise é a única a nos apresentar essa teoria do desenvolvimento em função das relações de dependência: “Possuímos a única formulação realmente útil, que existe, da maneira pela qual o ser humano psicologicamente se desenvolve de um ser completamente dependente e imaturo para um estado maduro relativamente independente” (<xref ref-type="bibr" rid="B63">1989/1994c</xref>, p. 94).</p>
			<p>O que eu gostaria, nesse contexto, é de destacar o quadro geral do processo de desenvolvimento para Winnicott, ou seja, a sua descrição do processo de desenvolvimento emocional focado na questão da dependência (ou, noutros termos, nas diversas maneiras de ser-com-o-outro), dado que tanto a ontologia por ele considerada (centrada na noção de ser) quanto a sua noção de saúde estão inseridas nesse contexto. No que se refere especificamente às <italic>fases do desenvolvimento do lactente</italic>, focadas na questão da dependência, Winnicott distingue três grandes períodos: (1) o da <italic>dependência absoluta</italic>, (quatro primeiros meses), na qual o lactente não tem, ainda, nenhuma possiblidade de reconhecer uma realidade não-<italic>self</italic> e o ambiente (a mãe-ambiente) como algo externo a ele; (2) <italic>dependência relativa</italic> (até aproximadamente 1,5 ano), na qual o lactente pode se dar conta da necessidade de detalhes do cuidado materno e pode de modo crescente relacioná-los ao impulso pessoal, fase em que surgem os fenômenos transicionais e que culmina como a conquista da integração ou do sentimento do EU SOU (Eu sou díspar do mundo), diferenciando-se de tudo que é não eu; e (3) fase <italic>rumo à independência</italic> (de 1,5 ano até o momento da chegada no fenômeno Édipo e seu cenário relacional), na qual o lactente começa a fazer uma série de integrações, até que chega a constituir-se como uma <italic>pessoa inteira</italic> (<italic>whole person</italic>) que tem, como uma de suas principais tarefas existenciais, a administração da vida instintual no cenário edípico, momento em que podem, enfim, ocorrer relações com objetos externos ao indivíduo (sentidos pelo indivíduo como externos) (<xref ref-type="bibr" rid="B64">1960/1983a</xref>, pp. 45-46).</p>
			<p>Me parece terminologicamente adequado, com este tipo de análise, afirmar que a teoria do desenvolvimento emocional de Winnicott é uma teoria do desenvolvimento do ser (dos diversos modos de ser consigo mesmo e com o outro, expressa nesses mesmos termos).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O tratamento psicoterápico do ponto de vista de Winnicott </title>
			<p>O que visa o tratamento psicoterápico, seja no <italic>setting</italic> psicanalítico, seja noutros <italic>settings</italic> (ainda que construídos com base nessa teoria psicanalítica do desenvolvimento proposta por Winnicott)? Trata-se de levar o paciente a encontrar um lugar para viver, ter uma vida que sinta como real, sua, vivida a partir de si mesmo, aceitando aquilo que se é (com seus aspectos positivos, negativos, as limitações, qualidades etc.) e, por isso mesmo, que valha a pena ser vivida, seja com mais ou menos sofrimento. Trata-se de buscar, como ideal, aquilo que ele descreveu como saúde, sabendo, no entanto, que os indivíduos devem chegar a si mesmos, levar uma vida a partir de si mesmos, aceitando aquilo que são (nas suas potências, qualidades e limitações), podendo cuidar de si mesmos e dos outros ou do lugar em que vivem, podendo reparar danos que possam advir de si mesmos e também aproveitar o fato de ser responsável por fazer coisas de valor (para si e para os outros). Na saúde, o ser humano pode, então, adaptar-se ao mundo sem perda demasiada do senso de si mesmo e de sua espontaneidade (<xref ref-type="bibr" rid="B65">1965/2001</xref>, p. 216), ou sem perda excessiva de seu impulso pessoal (<xref ref-type="bibr" rid="B66">1986/1999e</xref>, p. 31).</p>
			<p>E o que seria o tratamento psicoterápico, psicanalítico ou de base psicanalítica? Quais são seus objetivos e suas dinâmicas? Recolhendo as diversas maneiras como Winnicott caracterizou seu método de tratamento psicanalítico, podemos afirmar que: (1) a psicanálise torna possível ao paciente tratar de sua histórica, ocupando-se de uma coisa de cada vez (<xref ref-type="bibr" rid="B67">1958/1978</xref>, pp. 275-276); (2) o tratamento corresponde à realização de uma anamnese prolongada (<xref ref-type="bibr" rid="B68">1989/1994b</xref>, p. 109) ou a uma coleta de histórias (<xref ref-type="bibr" rid="B69">1965/1983c</xref>, p. 121; 1984i, p. 264), tendo a terapêutica como subproduto (<xref ref-type="bibr" rid="B70">1963/1996</xref>, p. 180); e, fundamentalmente, (3) a terapia deve ocorrer na conjunção da área de brincar do analista e do paciente (1971/1975c, p. 80).</p>
			<p>Opondo-se à pergunta “<italic>quanto</italic> se deve fazer?” numa análise, Winnicott estabeleceu, na sua maturidade, outro lema: “<italic>quão pouco</italic> é necessário ser feito?” (1965/1983d, p. 152). Mas o que significa exatamente esse lema? Num determinado sentido, trata-se de esperar que o paciente faça as suas próprias descobertas, mas isso não significa não fazer nada; ao contrário, há que se criar as condições para que o paciente possa chegar, ele mesmo, às suas soluções: “Se pudermos esperar, o paciente chegará à compreensão criativamente, e com imensa alegria” (1969/1994a, pp. 121-122). Não se trata, no sentido estrito da expressão, apenas de revelar o inconsciente reprimido, de entender mentalmente a história e a própria condição existencial do paciente, mas de restituir as condições para que o paciente volte a ter autonomia para enfrentar seus problemas e viver sua vida por si mesmo, ainda que seja uma vida sofrida, mas sem falsas existências (falso <italic>self</italic>) e sem falsas soluções (uma solução falsa é aquela que não foi encontrada pelo próprio paciente). O tratamento psicoterápico visa criar condições ambientais e de comunicação para que o paciente possa amadurecer: “Num contexto profissional, dado o comportamento profissional apropriado, pode ser que o doente encontre uma solução pessoal para problemas complexos da vida emocional e das relações interpessoais; o que fizemos não foi aplicar um tratamento, mas facilitar o crescimento” (1986/1999d, pp. 113-114).</p>
			<p>No final de um tratamento psicoterápico psicanalítico, ou de base psicanalítica, o paciente deveria conquistar a possibilidade de levar uma vida relativamente autônoma, podendo cuidar de si mesmo e dos outros - tal como deveria ocorrer com os filhos -, de modo que o psicoterapeuta, nesse sentido, passa a não ser mais um suporte ou uma sustentação ambiental necessária, a ponto de poder desaparecer: “Ao final de ramificações intermináveis em termos de fantasia hipocondríaca e delírios persecutórios, o paciente tem um sonho que expressa: Devoro-te. Eis aqui uma simplicidade marcante, como aquela do complexo de Édipo” (1965/1983b, p. 153).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Apontamento final</title>
			<p>A retomada dessa série de referências - a ontologia, a saúde como <italic>telos</italic>, o processo de desenvolvimento descrito em termos das situações vividas e suas conquistas, alguns aspectos do processo psicoterápico -, aqui, serve para mostrar que Winnicott integrou todas as descobertas descritivas feitas pela psicanálise de Freud, Klein e outros de seus contemporâneos, com as concepções que considerei de acordo (conceituais e descritivas, ainda que não sendo propriamente as mesmas) com as encontráveis no existencialismo modermo, visando mostrar como elas surgem tanto nas descrições dos processos psíquico-emocionais quanto podem ser retomadas nos processos psicoterápicos e no manejo da relação entre o paciente e seu analista.</p>
			<p>Com Winnicott, a ontologia, o <italic>telos</italic> desenvolvimentista (seja na saúde, seja nas organizações patológicas), a consideração dos modos de ser e de determinação inter-humana, está, pois, muito mais de acordo com aquilo que a fenomenologia e analítica existencial esperavam que pudesse ser o fundamento de uma psicologia científica de acordo com o <italic>Dasein</italic>, do que o modelo naturalista proposto inicialmente por Freud… sem deixar de ser psicanálise, dado que mantém os fundamentos empíricos da psicanálise (reconhecimento de processos psíquicos inconsciente, transferência, resistência, recalque, importância da sexualidade e do complexo de Édipo no processo de desenvolvimento e organização psíquica do ser humano), ainda que tenha reestruturado seu quadro epistemológico.</p>
		</sec>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1994b). O conceito de trauma em relação ao desenvolvimento do indivíduo dentro da família Explorações psicanalíticas. Porto Alegre, RS: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1989)</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>Winnicott</surname>
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					<year>1994</year>
					<source>O conceito de trauma em relação ao desenvolvimento do indivíduo dentro da família Explorações psicanalíticas</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre, RS</publisher-loc>
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					<comment>(Trabalho original publicado em 1989)</comment>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1994c). A psicologia da loucura: uma contribuição da psicanálise. In Explorações psicanalíticas: D. W. Winnicott (pp. 94-101). Porto Alegre, RS: Artes Médicas , 1994. (Trabalho original publicado em 1989)</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>Winnicott</surname>
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					<year>1994</year>
					<chapter-title>A psicologia da loucura: uma contribuição da psicanálise</chapter-title>
					<source>Explorações psicanalíticas: D. W. Winnicott</source>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1996). Treinamento para psiquiatria de crianças. In O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre, RS: Artmed . (Trabalho original publicado em 1963)</mixed-citation>
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					<chapter-title>Treinamento para psiquiatria de crianças</chapter-title>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1999a). O conceito de indivíduo saudável. In Tudo começa em casa (pp. 3-22). São Paulo, SP: Martins Fontes . (Trabalho original publicado em 1971)</mixed-citation>
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					<chapter-title>O conceito de indivíduo saudável</chapter-title>
					<source>Tudo começa em casa</source>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1999b). Sum: eu sou. In Tudo começa em casa (pp. 41-51). São Paulo, SP: Martins Fontes . (Trabalho original publicado em 1984)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1999c). Variedades de psicoterapia. In Privação e delinquência. São Paulo, SP: Martins Fontes . (Trabalho original publicado em 1984)</mixed-citation>
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					<chapter-title>Variedades de psicoterapia</chapter-title>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1999d). A cura. In Tudo começa em casa. São Paulo, SP: Martins Fontes . (Trabalho original publicado em 1986)</mixed-citation>
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					<chapter-title>A cura</chapter-title>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (1999e). Vivendo de modo criativo. In Tudo começa em casa. São Paulo, SP: Martins Fontes . (Trabalho original publicado em 1986)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (2000). Desenvolvimento emocional primitivo. In Da Pediatria à Psicanálise: Obras Escolhidas(pp. 218-232). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1945)</mixed-citation>
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					<chapter-title>Desenvolvimento emocional primitivo</chapter-title>
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			<ref id="B70">
				<mixed-citation>Winnicott, D. W. (2001). Influências de grupo e a crianças desajustada A família e o desenvolvimento do individual. São Paulo, SP: Martins Fontes . (Trabalho original publicado em 1965)</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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					<year>2001</year>
					<source>Influências de grupo e a crianças desajustada A família e o desenvolvimento do individual</source>
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				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Cf. Fulgencio, 2005; ver também <xref ref-type="bibr" rid="B49">Vaihinger 1911/2011</xref>, sobre a Filosofia do <italic>como se</italic>, como procedimento de pesquisa.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Esta, pensando nas práticas psicoterápicas existencialistas, não deveria ser confundida com a angústia que advém da história afetiva do ser humano (as angústias edípicas, por exemplo).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Esta passagem corresponde a uma parte do anexo “De quelques concordances dans la vie d’âme des sauvages et des névroses”, composto por 5 parágrafos publicados em março de 1912 na revista <italic>Imago</italic>, como uma introdução à primeira parte de <italic>Totem e tabú</italic>; eles foram substituídos quando do surgimento do livro por um prefácio escrito em setembro de 1913. Esse anexo foi omitido nas edições que se seguiram e só foram republicados em 1987 (<italic>Nachtragsband da Gesammelte Werke</italic>). Essa passagem foi aqui citada a partir do texto das <italic>Obras completas</italic> publicadas em francês (Freud, 1913/1998).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Talvez esse seja um caminho frutífero para o diálogo e a conjunção dos conhecimentos advindos de diferentes sistemas teórico-semânticos díspares na psicanálise, questão metodológica que tem sido objeto de preocupação da International Psychoanalytical Association (IPA), como mostra o artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bohleber et al. (2013</xref>), bem como a recente publicação de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bernardi (2017</xref>) no <italic>International Jornal of Psychonalysis</italic>.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Can Winnicott’s psychoanalysis be the accomplishment of a phenomenologically oriented scientific psychology project?</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Fulgencio</surname>
						<given-names>Leopoldo</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>a</sup></xref>
					<xref ref-type="corresp" rid="c2">*</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
				<aff id="aff2">
					<label>a</label>
					<institution content-type="original">University of São Paulo, Department of Psychology of Learning, Development and Personality. São Paulo, SP, Brazil</institution>
				</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c2">
					<label>*</label> Corresponding address: <email>lfulgencio@usp.br</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>The purpose of this article is to develop the assumption that Winnicott’s work can correspond to a possible realization of the elaboration project of a non-naturalistic scientific psychology, as it is found in phenomenology and modern existentialism philosophical conceptions. After distinguishing the clinical aspects of these philosophical propositions, I try to show that Winnicott, on one hand, rejects the use of naturalistic metapsychological speculations, on the other hand, reformulates the ontological model of psychoanalysis, introducing the notion of being; additionally, he introduced a notion of health and redescribed the theory of socioemotional development of the human being, focusing on dependency relationships. Such changes would place psychoanalysis in a non-naturalistic epistemological framework, in accordance with the philosophical influences above mentioned, changing at the same time the psychoanalytical practice itself, both in its objectives and handling.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>psychoanalysis</kwd>
				<kwd>phenomenology</kwd>
				<kwd>existentialism</kwd>
				<kwd>epistemology</kwd>
				<kwd>psychotherapy</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>Kant had already discussed the construction of knowledge of man’s way of being (his behaviors, feelings, laws and existential and relational dynamics) as a project that may be performed in two different epistemological frameworks, depending on whether it is considered a nature being (or a <italic>physis</italic> being) or not. “A systematic treatise comprising our knowledge of man (anthropology) can adopt either a <italic>physiological</italic> or a <italic>pragmatic</italic> point of view. - Physiological knowledge of man investigates what <italic>nature</italic> makes of him: pragmatic, what <italic>man</italic> as a free agent makes, or can and should make, of himself” (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Kant, 1798/1997a</xref>, pp. 21-22). In both fields of Anthropology (or psychology) there is metaphysics that is base for the construction of this knowledge: a <italic>metaphysics of nature</italic>, in which the man is in his laws of causal determination as determined as any other natural being, made explicit by Kant in <italic>Critique of Pure Reason</italic>; and a <italic>metaphysics of morals</italic>, where man is able to do and let them do, also made explicit by the author in <italic>Critique of Practical Reason</italic> (Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Fulgencio, 2006</xref>a, 2008b, <xref ref-type="bibr" rid="B30">Gabby Jr., 2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B46">Loparic, 2003</xref>).</p>
			<p>Psychology as science was founded in the 19<sup>th</sup> Century, whether in Fechner or Wundt, as proposal of being a nature science (Anthropology from the physiological point of view), even if certain reactions to this perspective have already pointed to another direction with Brentano. In this extensive framework, I want to call attention to the fact that the proposals of Skinner and Freud are both of construction of a naturalist psychology, despite their differences.</p>
			<p>I will briefly retake Freud’s position, since part of his discoveries will be later amplified and inserted by Winnicott into another epistemological framework, which differs from his naturalist framework. Summarily, psychoanalysis, for Freud, provided science with the possibility to know the <italic>life of the soul</italic> as any other object strange to man, therefore being a nature science as any other (1933/2001c); his model of man, that is, his way of conceiving how the psychic life is, is constructed into a <italic>as if</italic> logic, with help from several analogical speculations applied to psychism and its dynamic, namely: man’s consideration, referring to his psychological ontology, <italic>as if</italic> it were a psychical apparatus, driven by forces and energies (Cf. to <xref ref-type="bibr" rid="B14">Fulgencio, 2005</xref>).</p>
			<p>In the phenomenological philosophy field, Husserl has criticized man as a nature being, considering that man has another way of being. In the case of the construction of psychology as science, he criticizes the fact that it has naturalist limitations that should be precisely surpassed by the phenomenology: “phenomenology constitutes the essential eidetic basis of psychology and of the sciences of the spirit” (Husserl, 1986, p. 47). It necessarily implies ontology, <italic>telos</italic>, and a way of causal determination, different from those that Kant made explicit in his physiological anthropology. In a direction aligned with Husserl’s, we can recognize in philosophy a number of proposals that support this specificity of man’s way of being, as in Kierkegaard, Jaspers, Heidegger and Sartre, for instance. We can gather those perspectives, as it has been done by Ellenberger, under the rubric of modern existentialism, also dealing with distinguishing philosophical proposals from its applicability in psychological or psychiatric science field, since the epistemological and methodological frameworks of science and philosophy are constituted differently (and my interest is to show, in psychoanalysis and psychology scientific field, that this has been modified by Winnicott, going from a naturalist framework to an existentialist one). In this sense, Ellenberger states:</p>
			<disp-quote>
				<p>What clinically are phenomenology and existential analysis? It may be appropriate first to clarify what they are <italic>not.</italic> In contradistinction to a common prejudice, they do <italic>not</italic> represent a confusing interference of philosophy into the field of psychiatry. It is true that there is a <italic>philosophical</italic> trend called “phenomenology”, founded by Edmund Husserl, and there is another <italic>philosophical</italic> trend called “existentialism”, whose major representatives are Kierkegaard, Jaspers, Heidegger and Sartre. But there is a wide gap between the philosophical phenomenology of Husserl and the psychiatric phenomenology of Minkowski and between existentialist philosophy and the psychiatric method called existential analysis. Analogously, there is a branch of physics concerned with the investigation of X-rays, and there is a branch of medicine, radiology, concerned with the application of X-rays for medical purposes; yet nobody will contend that medical radiology represents a confusing interference of physics into medicine. In a similar way, psychiatric phenomenologists and existential analysts are psychiatrists utilizing certain new philosophical concepts as tools for psychiatric investigation. (1958, p. 92)</p>
			</disp-quote>
			<p>Therefore, in this analysis my interest is much more in the clinical aspects of phenomenology and modern existentialism - expressed in practices of psychological care, found in psychiatric phenomenology, existentialist psychology and daseinanalysis - than in analyzing these conceptions in the philosophy field, seeking to highlight the presence of some of these conceptions in the way Winnicott conceives psychoanalysis as objective science of human nature. </p>
			<p>There is a common starting point in all modern existentialists, ant it is related to the characterization of the specificity of the human being’s way of being. I will bring back, only in indicative way, Kierkegaard’s and Heidegge’s positions, as two main examples which seek to characterize this ontology.</p>
			<p>For Kierkegaard: </p>
			<disp-quote>
				<p>Man is not a ready-made being; man will become what he makes of himself and nothing more. Man constructs himself through his choices, because he has the freedom to make vital choices, above all the freedom to choose between an <italic>inauthentic</italic> and an <italic>authentic</italic> modality of existence. Inauthentic existence is the modality of the man who lives under the tyranny of the <italic>plebs</italic> (the crowd, i.e., the anonymous collectivity). Authentic existence is the modality in which a man assumes the responsibility of his own existence. (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Ellenberger, 1958</xref>, p. 118)</p>
			</disp-quote>
			<p>Besides, for him, there is a constitutive anguish of the human way of being, anguish that derives from the fact that man is the only responsible for his choices (he is the “free” responsible for deciding to do and let them do); he is, in fact, obliged to choose, and this responsibility generates an existential constitutional anguish<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>.</p>
			<p>For Heidegger, Daisen is considered as the human being’s specific way of being, whose main characteristic is making (configuring, creating) oneself, the other and the world in which one lives. In the book <italic>The fundamental concepts of metaphysics: world, finitude, solitude</italic> (1983/2003), he seeks to characterize this way of being different; what is the world for the several types of beings: “1. The stone (material) is wordless; 2 The animal is poor in world; 3. Man is world-forming” (p. 207). Throughout his work, we also find a series of expressions that aim at describing what this human being’s specific way of being is, such as: being-there; being-with; being-in-the-world; being-along-with; being-one-with-the-other; being-toward-death, etc. All expressions, before being understood as concepts, should be understood as <italic>descriptions</italic> of properly ways of being human beings.</p>
			<p>The important here for my analysis, gathering these highlighted aspects, is rather pointing to the <italic>empirical, phenomenological meaning</italic> of this conception of what the human being’s way of being is than having a conceptual philosophical discussion, which would lead us to the field of analytical-critical story of philosophy history, redirecting our focus on the analysis of psychology as science. In a certain way, I am separating philosophical problems and practices from clinical-psychotherapist problems and practices, refusing a clinical philosophy and a philosophical clinic.</p>
			<p>We know that Binswanger and Boss sought to construct a proposal of scientific psychology and psychotherapist care practice from the groundings of Heidegger’s analytical existentialism. One of the critiques against Binswanger is that he confused philosophy with science fields, sometimes performing a pseudo-philosophy, sometimes a pseudoscience (Cf. the critical analysis of this proposal in <xref ref-type="bibr" rid="B45">Loparic’s article, 2002</xref>). Regardless of whether this synthesis can be evaluated as good or unsuccessful, I want to defend here the hypothesis that Winnicott’s proposal, in his theoretical-practical-semantic reformulation of psychoanalysis, presented a scientific psychology that would be aligned with the conceptual framework of modern existentialists, remaining in the field of science, whether in terms of the description of a theory of emotional development or in terms of his re-description of the psychotherapeutic treatment method. In other words, my hypothesis could also be expressed in the enunciation of the following question: can Winnicott’s psychoanalysis, in his proposal to make psychoanalysis an objective science of human nature, be considered the accomplishment of the project of constructing a scientific psychology from the groundings of phenomenology and existential analysis point of view?</p>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Proximity of Winnicott’s semantics to modern existentialism semantics. Seeking a method for the dialogue between different theoretical-semantic perspectives </title>
				<p>By retaking Winnicott’s specific semantic-conceptual innovations set, we can list a series of terms and/or expressions that are not part of the classic psychoanalytic semantics, such as: a<italic>cts and transitional phenomena; playing action; potential space; place in which we live; illusion of omnipotence; the paradox of creating-finding objects; primary maternal concern; invasion and environmental failure; absolute and relative dependence; subjective object; true self and false self; imaginative elaboration; essential solitude; being; continuity of being; innate tendency to integration; trauma as break in the line of being; original creativity; pure feminine and pure masculine elements; sacred heart of the self; silent communication; ability to have faith in ...; deprivation and antisocial tendency; ability to stay; mother-object; mother-environment; difference between need and desire; survival of the analyst; use of the object; unthinkable anguish; traumatic action; freezing of the traumatic situation; thawing; feeling real; distinction between psyche, sum and mind; life worth living; spontaneity.</italic> Among these, I want highlight some of them that seem to be very close, despite not being identical, to conceptions recognizable in the modern existentialism field, as the notions of <italic>being, continuity of being, true self and false self, trauma as break in the line of being, place in which we live, life worth living, spontaneity</italic>.</p>
				<p>This semantic proximity does not mean that Winnicott imported, in a direct connection or direct applicability, conceptions from a philosophical system or clinical system (from psychiatric phenomenology, existentialist psychology, or from daseinanalysis) and inserted them into psychoanalysis. The influence from philosophy or other theoretical systems of psychology (and even from psychoanalysis) on Winnicott’s thought does not occur in this way. Winnicott himself states how it works, in terms of its influences: “What happens is that I gather this and that, here and there, settle down to clinical experience, form my own theories and then, last of all, interest myself in looking to see where I stole what” (1945/2000, p. 218).</p>
				<p>Here we have an epistemological-methodological problem that relates to the way in which the relationships (of influence, communication, and dialogue) between philosophy and science, between the different sciences, between the various theoretical-semantic systems of psychoanalysis will be conceived. One can say, based on Thomas Kuhn’s work (1970/1975, 1977, 2000/2006) that a philosophical system (in this case, phenomenology, existentialism), and a theoretical-clinical system (psychiatric phenomenology, existentialist psychology), are <italic>paradigms</italic> different from that proposed by Freud; and thus different from psychoanalysis. In this perspective, considering that paradigms or disciplinary matrices are different realities, we should ask ourselves whether the same terms (used by different paradigms) have the same referent, or whether different terms can be related to the same phenomena, so as to know whether, by placing to ourselves the issue of proximity, resemblance, distance or even impossibility of communication between different theoretical-semantic systems (different paradigms), we are or are not in the field in which a dialogue or mutual influence may occur. In this same direction, the communication between two theoretical systems depends on the understanding of the referents of their conceptions, that is, it is through the phenomena described or made visible that it is possible to describe and/or explain/understand what a system may communicate to the other or to what it may contribute.</p>
				<p>Freud himself pointed this perspective by commenting how psychoanalysis and anthropology could contribute to each other, in <italic>Totem and Taboo:</italic></p>
				<disp-quote>
					<p>“It is a necessary defect of studies which seek to apply the point of view of psychoanalysis to the mental sciences that they cannot do justice to either subject. They therefore confine themselves to the role of incentives and make suggestions to the expert which he should take into consideration in his work.<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> (Freud, 1913/1998, p. 283) </p>
				</disp-quote>
				<p>In my understanding, it is much more than an incitement somewhat vague; it is, in Freud’s proposal, the use of something that we know in one field as being useful to know something we do not know in other field, that is, use of analogical research method (Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Fulgencio, 2006</xref>b, 2008b).<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>
				</p>
				<p>Considered this distinction and this methodological proposal, I can clarify a second point connected to this one, and it directly refers to the relationship between Winnicott and the modern existentialism, whether in philosophical terms or scientific clinical terms. First: I am not affirming that Winnicott agrees with or follows the conceptual or ideological philosophical system of some philosopher somehow associated with the modern existentialism. Winnicott cannot be considered Kierkegaardian, Diltheyan, Sartrian, Merleau-Pontyan or even Heideggerian; as Freud, even using and sometimes quoting philosophers and philosophies, he cannot be considered Schopenhauerian, Nietzschean, Kantian, etc. In this sense, it is not a question of making a projection affirming that Winnicott or Freud construed their thoughts from some specific philosophical system. Second: likewise, it is not possible to say that Winnicott identitarily embraces the clinical-theoretical system of psychiatric phenomenology, existentialist psychology or daseinanalysis.</p>
				<p>What I am defending and analyzing is the fact that Winnicott has brought to psychoanalysis the recognition (within this framework and with these methodological provisos) of some phenomena, as well as the consideration of some conceptions that are in agreement with and similar to those which modern existentialists use in their thought systems.</p>
				<p>After clarifying that it is not a matter of asserting that Winnicott is affiliated with one or another philosophical system, one must consider that he is not affiliated with any of the existentialist clinical perspectives. It is not by affiliation or direct import that these relations (or “influences”) occur, either in Winnicott or in Freud. Thus, in the same way that retaking the existentialist philosophical systems is not aligned with my proposal, it is not necessary to retake the theoretical-practical systems of psychiatric phenomenology, existentialist psychology, and daseinanalysis to consider that Winnicott has some conceptions similar to those of these perspectives. Submitting my analysis or hypothesis to the need for retaking these theoretical systems in the perspective of analysis which I am proposing, would be an epistemological, methodological error, and even an error of understanding of what I am proposing.</p>
				<p>Now, I will analyze more specifically how the notion of being and the notion of false self and true self appear in Winnicott’s work, opening the way for further analysis of the notion of creating-finding oneself and the other (create the world in which we live), as well as of the notion of health, considering that all of them have meanings and referents close to those found in philosophy and existentialist psychotherapy practices.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The notion of being in Winnicott’s work </title>
				<p>Considering that psychoanalysis has its focus of attention and work on the being has already been emphasized by Georges <xref ref-type="bibr" rid="B1">Amado (1978</xref>, 1979). In this direction, he proposed an <italic>ontological psychoanalysis</italic>, of which Winnicott would have had the <italic>intuition,</italic> without, however, having analyzed Winnicott’s work in detail, seeking to make explicit how this notion was historically and critically inserted.</p>
				<p>Other psychoanalysts also recognize the fact that it was Winnicott who, more explicitly, introduced the notion of being in psychoanalysis, whether as an action of development and expansion of psychoanalysis, or to criticize it.</p>
				<p>René <xref ref-type="bibr" rid="B48">Roussillon (2009</xref>) considers that Winnicott made an <italic>epistemological rupture</italic> with the insertion of the notion of being in psychoanalysis, providing an immense construction site, since this insertion implies in numerous theoretical-practical modifications (123).</p>
				<p>On the other hand, André <xref ref-type="bibr" rid="B35">Green (2011</xref>) has also dedicated himself to analyzing this Winnicott’s proposal, but in an extremely critical way, considering that it corresponds more to a Winnicott’s emotional defense, an <italic>ingenuous symptom</italic> to avoid his personal problems relating to the aggressiveness and destrubility of the human being: “I suppose that, instead of accepting the idea of a death drive, Winnicott reacted by introducing the being concept-that is, of a being that would be strong enough to oppose the temptation to totally destroy the object, or could at least help survive its attacks” ( p. 83). Green focuses his criticism on arguments associated with Winnicott’s affective story and personality, interpreting him as if he were his patient, without properly developing the theoretical-clinical issues and their relations with the phenomena-problems that Winnicott’s proposals enunciate: his theory of aggression, his theory of repetition compulsion, his consideration of there being existential phenomena that are not reducible or referable to the life drive, etc. As far as I know, Green, a lover of metapsychology (1995) and death drive (2010), was not able to clearly see the phenomena described by Winnicott, reacting in defense of his own conceptions.</p>
				<p>Winnicott’s insertion of the notion of being into psychoanalysis, his much more clinical rather than philosophical appreciation, seems to me as having two sources: on the one hand his experience with psychotic patients, since they are confronted with the existential issue of being, with experiences of non-being; and on the other hand, his personal characteristics, his formation in addition to the influence coming from the horizon of his time, in which existentialism emerged as a clinical alternative, as we can see, for example, in an important book published in 1958, which we can assume to be of his knowledge (although this is a speculative hypothesis): <italic>Existence. A New Dimension in Psychiatry and Psychology</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B47">May, Angel, &amp; Ellenberger, 1958</xref>); these existentialism conceptions were part of the horizon of his time, and we know that there were many close to him who shared this perspective (Ronald Laing among them, for instance).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B27">Fulgencio (2014</xref>b) made a census of presence and use of the notion of being in Winnicott’s work, noting that not only most references to the term are made in the 1960s, but also that a more conceptual use occurs only in that decade. He sought to show that what matters to Winnicott is not so much the concept of being, but the experience of being or non-being that his patients report in the analytic process. It is precisely from this experience that he will formulate his understanding of what human nature is.</p>
				<p>In one excerpt, which seems to me to be one of the most direct about his notion of being, he says:</p>
				<disp-quote>
					<p>I wish to postulate a state of being which is a fact in the ordinary baby before birth as well as afterwards. This state of being belongs to the infant and not to the observer. Continuity of being is health. If one takes the analogy of a bubble, one can say that if the pressure outside is adapted to the pressure inside, then the bubble has a <italic>continuity of existence</italic> and if it were a human baby this would be called “being”. (1988/1990, p. 148)</p>
				</disp-quote>
				<p>In the same direction, which characterizes Dasein as world-forming, we have Winnicott’s discovery of the nature of transitional phenomena and objects, since they highlight the <italic>playing action as synonymous with the very continuity of being</italic>, as expression of the creation of oneself and of the world in which we live, establishing the playing action as universal foundation of human nature. I retake some Winnicott’s statements in this sense: “It is in playing, and only in playing that the individual child or adult is able to be creative and to use the whole personality: and it is only in being creative that the individual discovers the self” (1971/1975c, p. 80); “For me, playing leads on naturally to cultural experience and indeed forms its foundation” (1971/1975b, p. 147). For Winnicott, this playing action will be a foundation of the psychotherapeutic process:</p>
				<disp-quote>
					<p>Psychotherapy takes place in the overlap of two areas of playing, that of the patient and that of the therapist. Psychotherapy has to do with two people playing together. The corollary of this is that where playing is not possible, the work done by the therapist is directed towards bringing the patient from a state of not being able to play into a state of being able to play. (1968/1975a, p. 59)</p>
				</disp-quote>
				<p>Winnicott defends the playing action as a foundation of human existence (although this is not an innate capacity but something that happens after certain emotional integrations have already happened, even if some patients or people are ill and do not have this capacity). In this sense, Winnicott says:</p>
				<disp-quote>
					<p>In other words, <italic>it is play that is the universal</italic>, and that belongs to health: playing facilitates growth and therefore health; playing leads into group relationships; playing can be a form of communication in psychotherapy; and, lastly, psychoanalysis has been developed as a highly specialized form of playing in the service of communication with oneself and others. The natural thing is playing, and the highly sophisticated twentieth-century phenomenon is psychoanalysis. It must be of value to the analyst to be constantly reminded not only of what is owed to Freud but also of what we owe to the natural and universal thing called playing. (1968/1975a, p. 63)</p>
				</disp-quote>
				<p>Winnicott will also consider that it is due to the expansion of the playing activity (expansion of the transitional phenomena) that the human being enters the world of culture, finding himself and the other. Therefore, playing corresponds to being-with, being-with-the-other, constituting itself and the place where one can live, which seems to correspond (or be very close) to what Heidegger says when he affirms that <italic>Dasein</italic> creates itself, creates the world in which it lives, giving meaning to itself and to the other.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The notion of false self and true self in Winnicott </title>
				<p>Winnicott recognizes that his conception of true self and false self (as human being’s ways of being) has its origin in certain conceptions of philosophy, in certain religious systems and in psychiatry: </p>
				<disp-quote>
					<p>This concept is not in itself new. It appears in various guises in descriptive psychiatry and notably in certain religious and philosophical systems. Evidently a real clinical exists which deserves study, and the concept presents psycho-analysis as an aetiological challenge. (1965/1983d, p. 128)</p>
				</disp-quote>
				<p>This does not mean that his conception of false self and true self corresponds to an application of the conceptions that are in its origin. For him, these two ways of being are constitutive of the way of being human, just as his patients report how they feel; how they sometimes feel that have a life that is too adapted, which would oppose to a more spontaneous way of being:</p>
				<disp-quote>
					<p>The concept of ‘A False Self’ needs to be balanced by a formulation of that which could properly be called the True Self. At the earliest stage the True Self is the theoretical position from which come the spontaneous gesture and the personal idea. The spontaneous gesture is the True Self in action. Whereas a True Self feels real, the existence of a False Self results in a felling unreal or a sense of futility. (1965/1983d, p. 135)</p>
				</disp-quote>
				<p>It could be said, using a metaphor for pedagogical purposes, that false being and true being are like water and wine mixed, therefore inseparable and constituent of the way of being human, although one can momentarily appear or take place in a more accentuated way. The false self is part of the healthy organization, the pathological false self corresponds to a domination (of the adaptive aspects of the individual), establishing a hegemony in the individual’s way of being.</p>
				<p>Thus, paradoxically, the notion of false self and true self originates in philosophical, religious and psychiatric systems (in what seems to be a clear reference to what we can find in modern existentialism), while at the same time it does not correspond to its meanings and original referent elements (e.g. authentic life, authenticity) found in these systems.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Winnicott’s psychoanalysis as objective science of human nature </title>
				<p>To conclude this point of my analysis, it should be highlighted that Winnicott places psychoanalysis in an epistemological framework that is much closer to what phenomenology and existential analytics expected for the constitution of a scientific psychology than Freud’s proposal of the creation of psychoanalysis as a science of nature.</p>
				<p>I retake some Winnicott’s statements on <italic>human nature</italic>: “The task is the study of human nature” (1988/1990, p. 21), “What is the state of the human individual as the being emerges out of not being?” What is the basis of human nature in terms of individual development? What is the fundamental state to which every individual, however old and with whatever experiences, can return in order to start again?” (1988/1990, p. 153), “The life of an individual is an interval between two states of unaliveness. The first of these, out of which unaliveness arises, colours ideas people have about the second death” (1988/1990, p. 154). We could, in this same direction, place a Winnicott’s and a Heidegger’s phrase side by side, recognizing significant semantic and conceptual proximity between them: “Human Being is a time-sample of human nature” (1988/1990, p. 11); “Man is the placeholder of the nothing” [Der Mensch ist der Platzhalter des Nichts] Heidegger, 1929/2000, p. 60).</p>
				<p>For Freud, the great contribution from psychoanalysis to science was to have placed the life of the soul to be understood as any other object which is foreign to man, that is, as a natural object (1933 / 2001c, Lesson 35). It is in this direction that he considers the life of the soul <italic>as if</italic> it were a psychic apparatus. For Winnicott, however, we have other ontology: the human being is constituted and driven by the need for being and keeping on being… It is within the framework of this new ontology, refusing to think of man as if he were a machine, recognizing causal determinations that are human (and not reducible or analogous to the causal determinations of natural systems), that Winnicott considers psychoanalysis as an <italic>objective science of human nature</italic>, leading psychoanalysis to an epistemological framework different from that used by Freud.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Winnicott’s position in relation to metapsychology </title>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B19">Fulgencio (2008</xref>b) dedicated himself to analyzing the nature and function of metapsychology as a mode of Freudian theorization, then considering it not so much in its broad meaning as a theory of the unconscious but in its specific meaning as a set of speculative auxiliary concepts of heuristic validity only, which Freud characterized as <italic>speculative superstructure of psychoanalysis</italic> (1925/2001b). The speculative, central and structuring concepts of Freudian metapsychology, as everyone knows, are: the <italic>psychic forces</italic> or <italic>drives,</italic> which Freud clearly recognizes as a kind of <italic>mythology</italic>; the <italic>psychic energies</italic> - the <italic>psychic energy</italic> in fact sometimes referred to as <italic>quantum of affection</italic>, sometimes as <italic>libido</italic>; both <italic>supposed energies</italic> whose heuristic value would justify their use as <italic>speculative auxiliary theoretical construction</italic>; and the very idea of a <italic>psychic apparatus</italic>, which everyone knows is a <italic>fiction</italic>.</p>
				<p>In the history of the development of psychoanalysis, as <xref ref-type="bibr" rid="B3">Assoun (1993</xref>, 2000, 2006) noted, this mode of theorization has been <italic>expanded</italic> and <italic>modified</italic> into different degrees (for example, Abraham, Ferenczi, Klein, Federn, Anna Freud), <italic>replaced</italic> with another of the same speculative nature (for example: Bion, Lacan); used as a toolbox (Marty, Aulagnier), and in the extreme case of <xref ref-type="bibr" rid="B69">Winnicott, who is for him an author indifferent to metapsychology (refer to Assoun, 2000</xref>, pp. 114-116, 2006). </p>
				<p>Retaking, then, Winnicott’s position, which goes in the direction of those who defend the need for using theoretical fictions such as those that characterize Freudian metapsychology, we have an explanation by himself about his position:</p>
				<disp-quote>
					<p>. . . we are trying to express the same things, only I have an irritating way of saying things in my own language instead of learning how to use the terms of psycho-analytic metapsychology. I’m trying to find out why it is that I am deeply suspicion of these terms. Is it because they can give an appearance of a common understanding when such understanding does not exist? Or is it because of something in myself? It can, of course, be both. (1987/1990, letter sent to Anna Freud in 1954, p. 51)</p>
				</disp-quote>
				<p>Fulgencio has devoted himself to this type of discussion by asking about the place of metapsychological theorization in Winnicott’s work, arguing that he rejected certain ways of theorizing, such as the use of speculative metaphors (Fulgencio, 2005, 2007, 2008a, 2015, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Girard, 2010</xref>, 2017). Also, in this same direction, he sought to show that Winnicott has rewritten several classic terms of Freudian metapsychology, giving them empirical references that make them no longer speculative theoretical constructions (in other words, they are not <italic>heuristic fictions</italic>), moving away from Freudian speculations (Fulgencio, 2010, 2012, 2013a, 2013b, 2013c, 2014a, 2014c).</p>
				<p>Winnicott’s proposal to present a psychoanalytic theory that differs from and moves away from Freud’s naturalistic metapsychology also seems to me to reiterate the hypothesis that names this article, establishing, on the one hand, another ontology and, on the other hand, a non-naturalizing language.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The notion of health for Winnicott </title>
				<p>In Freud and in most of the psychoanalytic systems developed from his work (Klein, Lacan, Bion), there is no notion of health. In Freud’s text we find, for example, the statement that there is no descriptive but only theoretical way to refer to the notion of health: “It is impossible to define health except in metapsychological terms: i.e. by reference to the dynamic relations between the agencies of the mental apparatus which have been recognized - or (if that is preferred) or inferred or conjectured - by us” (1937/1985, p. 241, note 2). Assoun considers that Winnicott is not so much a psychoanalyst, but much more a thinker who provides an <italic>anthropology with “psychodynamic” resources</italic> (2006, p. 67), since he does not start from the symptom but from a notion of health, which would contrast to what should define the position of a psychoanalyst. In this sense, Assoun states: “A psychoanalyst starts from the symptom; our ‘anthropologist’, assuming the whole dimension of this term, starts from something else, ‘health’. That is precisely what is, therefore, in its most literal sense, a clinical anthropology” (2006, p. 67).</p>
				<p>However, Winnicott, without taking the risk of undoing Freud’s achievements (reintroducing a normative, moralizing, idealized, and ideological conception of the subjects, both theoretically and clinically, since his notion is broad enough to be much more an <italic>ethic of being</italic> than a <italic>morality of being</italic>), presents a descriptive notion of health:</p>
				<disp-quote>
					<p>The life of a healthy individual is characterized more by fears, conflicting feelings, doubts, frustrations as much as by their positive features. The main thing is that the man or woman feels he or she is living his or her own life, taking responsibility for action or inaction, and able to take credit for success and blame for failure. In one language it can be said that the individual has emerged from dependence to independence or autonomy. (1971/1999a, p. 10) (Cf. also <xref ref-type="bibr" rid="B29">Fulgencio, 2016</xref>, for an analysis of the notion of health)</p>
				</disp-quote>
				<p>Here, the notion of health is also much closer to the way in which modern existentialism considers the mode of being human, much closer to the way that Heidegger characterizes <italic>Dasein</italic> than considering the human being as an apparatus, an entity of the nature.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Winnicott’s developmentalist perspective </title>
				<p>Winnicott is clear in putting himself as a developmentalist: “You will already have perceived that by nature and by training and by practice I am a person who thinks developmentally” (1984/1999b, p. 42). He explains his position:</p>
				<disp-quote>
					<p>When I see a boy or a girl at a desk adding and subtracting and struggling with the multiplication table, I see a person who already has a long history in terms of the developmental process, and I know that there may be developmental deficiencies, developmental distortions, or distortions organized to deal with deficiencies that have to be accepted, or that there may be a certain precariousness in respect to developments that seem to have been achieved. I see the development towards independence and ever-new meanings to the concept of wholeness that may or may not become a fact in that child’s future if the child lives. Also, I am all the time aware of dependence and the way that the environment, originally all-important, continues to have significance, and will have significance even when the individual reaches towards independence by means of an identification with environmental features, as a child grows and marries and brings up a new generation of children, or begins to take part in social life and in the maintenance of the social structure. (1984/1999b, pp. 42-43) </p>
				</disp-quote>
				<p>Besides, for him, psychoanalysis alone presents this theory of development as a function of relations of dependence: “We have the only really useful formulation that exists of the way human being psychologically develops from an absolute dependent immature being to a relatively independent mature adult” (1989/1994c, p. 94).</p>
				<p>In this context, I would like to highlight the general framework of Winnicott’s developmental process, that is, his description of the process of emotional development focused on the issue of dependency (or, in other words, the various ways of being-with-the-other), since both the ontology he considers (centered on the notion of being) and his notion of health are inserted in this context. Specifically regarding the <italic>stages of infant development</italic>, focused on the issue of dependency, Winnicott distinguishes three major periods: (1) <italic>absolute dependence</italic> (four first months), in which the infant does not yet have any possibility of recognizing a non-self reality and the environment (the mother-environment) as something external to him; (2) <italic>relative dependence</italic> (up to approximately 1.5 years of age), in which the infant can realize the need for details of maternal care and can increasingly relate them to the personal impulse, phase in which transitional phenomena arise and which culminates as the conquest of integration or the feeling of the I AM (I am different from the world), differing himself from all that is not ‘I’; and (3) <italic>towards independence</italic> (from 1.5 years of age until the moment of arrival in the Oedipus phenomenon and its relational scenario), in which the infant begins to make a series of integrations, until he comes to constitute himself as <italic>whole person</italic>, who has as one of his main existential tasks, the administration of the instinctual life in the Oedipal scenario, at which point there may be relations with objects external to the individual (perceived by the individual as external)(1960/1983a, pp. 45-46).</p>
				<p>It seems to me to be terminologically appropriate, with this kind of analysis, to affirm that Winnicott’s theory of emotional development is a theory of the development of being (of the various ways of being with oneself and with the other, expressed in the same terms).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The psychotherapeutic treatment in Winiccot’s point of view </title>
				<p>Which is the objective of psychotherapeutic treatment, whether in the psychoanalytic setting or in other settings? (Although constructed based on this psychoanalytic theory of the development proposed by Winnicott.) It is about taking an individual to find a place to live, having a life that seems real; a life lived from itself, where the individual accepts what he is (with his positive and negative aspects, limitations, qualities, etc.) and for that reason, this life is worth living, whether with more or less suffering. It is a matter of seeking, as ideal, what he described as health, knowing, however, that individuals must come to themselves, have a life from themselves, accepting what they are (in their potencies, qualities and limitations); being able to take care of themselves and others or the place in which they live, being able to repair damages that may come from themselves and also take advantage of being responsible for doing things of value (for themselves and for others). In health, the human being can then adapt to the world without losing too much of the sense of himself and his spontaneity (1965/2001, 216), or without excessive loss of his personal impulse (1986/1999, 31).</p>
				<p>And what would be the psychotherapeutic, psychoanalytic or psychoanalytic treatment? What are its objectives and dynamics? Considering the several ways Winnicott characterized his method of psychoanalytic treatment, we can state that: (1) psychoanalysis makes it possible for the patient to deal with his/her history, taking care of one thing at a time (1958/1978, pp. 275-276); (2) the treatment corresponds to a prolonged anamnesis (1989/1994b, p.109) or to a collection of stories (1965/1983c, p.121, 1984, p.264), having the treatment as a byproduct (1963 / 1996, p.180); and, fundamentally, (3) therapy must occur in the conjunction of analyst’s and patient’s playing areas (1971/1975c, 80).</p>
				<p>Opposing the question “<italic>how much</italic> should one do?” in analysis, Winnicott established, in his maturity, another motto: “<italic>how little</italic> need be done?” (1965/1983d, p. 152). But what exactly does this motto mean? In a certain sense, it is a matter of waiting for the patient to make his/her own discoveries, but that does not mean doing nothing; on the contrary, it is necessary to create the conditions so that the patient can himself/herself arrive at his/her solutions: “If only we can wait, the patient arrives at understanding creatively and with immense joy” (1969/1994a, pp. 121-122). It is not a matter of, in the strict sense of the term, revealing the repressed unconscious, mentally understanding the patient’s story and existential condition, but a matter of restoring the conditions for the patient to regain autonomy to face his/her problems and live his/her life by himself/herself, even if it is a life of suffering, but without false existence (false self) and without false solutions (a false solution is that which was not found by the patient himself/herself). The psychotherapeutic treatment aims to create environmental and communication conditions so that the patient can mature: “In a professional setting, given appropriate professional behaviour, the ill patient may find a personal solution to complex problems of the emotional life and of interpersonal relationships; and what we have done is to facilitate growth, not to apply a remedy” (1986/1999d, pp. 113-114). </p>
				<p>At the end of a psychoanalytic psychotherapeutic treatment, or a psychoanalysis-based treatment, the patient should conquer the possibility of having a relatively autonomous life, being able to take care of himself/herself and others - as should be the case with his/her children -, so that the psychotherapist, in this sense, is no longer a support or a necessary environmental support, to the point of being able to disappear: “At the end of endless ramifications in term of hypochondriac fantasy and persecutory delusion a patient has a dream which says: I eat you. Here is stark simplicity like that of the Oedipus complex” (1965/1983b, p. 153). </p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final considerations</title>
				<p>Bringing back this series of references - ontology, health as <italic>telos</italic>, the process of development described in terms of the situations lived and their achievements, some aspects of the psychotherapeutic process -, is used here to show that Winnicott integrated all the descriptive discoveries made by psychoanalysis of Freud, Klein, and others of his contemporaries, with the conceptions that I considered in agreement (conceptual and descriptive, although not exactly the same) with those found in modern existentialism, aiming to show they arise in the descriptions of the psychic-emotional process and also can be taken up in the psychotherapeutic processes and in the handling of the relationship between the patient and his analyst.</p>
				<p>With Winnicott, the ontology, the developmentalist <italic>telos</italic> (whether in health or in pathological organizations), the consideration of ways of being and of inter-human determination, are, therefore, much more in agreement with what phenomenology and existential analytics expected that could be the basis of a scientific psychology according to <italic>Dasein</italic>, than the naturalistic model initially proposed by Freud... without ceasing to be psychoanalysis, since it maintains the empirical foundations of psychoanalysis (recognition of unconscious psychic processes, transference, resistance, repression, the importance of sexuality and the Oedipus complex in the process of development and psychic organization of the human being), even though it has restructured its epistemological framework.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn5">
					<label>5</label>
					<p>It, thinking about existentialist psychotherapeutic practices, should not be confused with the anguish that comes from the affective story of the human being (Oedipal anguishes, for example).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>6</label>
					<p>This excerpt corresponds to a part of the annex “De quelques concordances dans la vie d’âme des sauvages et des névroses”, composed of five paragraphs published in March, 1912, on Imago magazine, as an introduction to the first part of <italic>Totem and Taboo</italic>; they have been replaced with a written preface when the book was published in September, 1913. This annex was omitted in posterior editions and only published in 1987 (<italic>Nachtragsband</italic> da <italic>Gesammelte Werke</italic>). This excerpt was mentioned from the text of <italic>Complete Psychological Works</italic> published in French (<italic>Nachtragsband</italic> da <italic>Gesammelte Werke</italic>) (Freud, 1913/1998).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>7</label>
					<p>It may be a fruitful path for the dialogue and conjunction of knowledge coming from different theoretical-semantic systems in psychoanalysis, methodological issue that has been object of concern of the International Psychoanalytical Association (IPA), as the article of Bohleber et al. (2013) shows.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>