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				<journal-title>Psicologia USP</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Psicol. USP</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0103-6564</issn>
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				<publisher-name>Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0103-656420150134</article-id>
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					<subject>ARTIGOS ORIGINAIS</subject>
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				<article-title>Reflexões sobre o método nas ciências humanas: quantitativo ou qualitativo, teorias e ideologias<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref></article-title>
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					<trans-title>Réflexions sur la méthode dans les sciences humaines: quantitative ou qualitative, théories et idéologies</trans-title>
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					<trans-title>Reflexiones sobre el método en las humanidades: cuantitativo o cualitativo, teorías e ideologías</trans-title>
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						<surname>Furlan</surname>
						<given-names>Reinaldo</given-names>
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					<xref ref-type="corresp" rid="c1"><sup>*</sup></xref>
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				<institution content-type="original">Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Departamento de Psicologia e Educação. Ribeirão Preto, SP, Brasil</institution>
				<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
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					<label>*</label>Endereço para correspondência: <email>reinaldof@ffclrp.usp.br</email>
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				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2017</year>
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			<volume>28</volume>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O objetivo deste ensaio é desconstruir os termos “quantitativo” e “qualitativo” usados para caracterizar o método de pesquisa científica, ou tentar desfazer o que nos parece um equívoco: a denominação e divisão de método quantitativo ou qualitativo de pesquisa, que para nós mistifica e empobrece a concepção de conhecimento ou ciência. Há muitas questões metodológicas, tão plurais, conflitantes ou não, conforme o sentido da realidade investigada, que, afinal, é o que tem que ser discutido, do princípio ao fim da pesquisa. Atrelaremos a essa discussão a designação teórica ou ideológica de “método”, que para nós representa outra versão do mesmo problema. Para alcançar esse objetivo, discutiremos determinada imagem de ciência e concepção de pensamento.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>Résumé</title>
				<p>L’objectif de ce travail est de déconstruire les termes quantitatifs et qualitatifs utilisés pour caractériser la méthode de recherche scientifique, ou d’essayer de défaire ce qui nous semble être une erreur: la dénomination et division de la méthode de recherche quantitative ou qualitative, ce que, à notre avis, mystifie et appauvrit la conception de la connaissance ou de la science. Il y a beaucoup de questions méthodologiques, tellement plurielles, contradictoires ou non, en fonction du sens de la réalité de l’enquête, ce qui est en fait ce qui doit être discuté, du début à la fin de la recherche. Nous ajoutons à cette discussion, la désignation théorique ou idéologique de la méthode, qui pour nous représente une autre version du même problème. Pour atteindre cet objectif, nous discutons une certaine image de la science et conception de la pensée.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>El objetivo de este trabajo es deconstruir los términos cuantitativos y cualitativos utilizados para caracterizar lo método de investigación científica, o intentar deshacer lo que nos parece un equívoco: la denominación y división de método de investigación cuantitativa o cualitativa, que a nosotros mistifica y empobrece la concepción de conocimiento o ciencia. Hay muchas cuestiones metodológicas, tan plurales, conflictivas o no, dependiendo del sentido de la realidad investigada, que en definitiva es lo que tiene que ser discutido, desde el principio hasta el final de la investigación. Añadimos a esta discusión la designación teórica o ideológica de método, que para nosotros representa otra versión del mismo problema. Para lograr este objetivo, discutiremos una cierta imagen de ciencia y concepción de pensamiento.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>metodologias</kwd>
				<kwd>ciência</kwd>
				<kwd>ciências humanas</kwd>
				<kwd>pesquisa quantitativa</kwd>
				<kwd>pesquisa qualitativa</kwd>
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				<title>Mots-clés:</title>
				<kwd>méthodologies</kwd>
				<kwd>science</kwd>
				<kwd>sciences humaines</kwd>
				<kwd>recherche quantitative</kwd>
				<kwd>recherche qualitative</kwd>
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				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>metodologías</kwd>
				<kwd>ciencia</kwd>
				<kwd>ciencias humanas</kwd>
				<kwd>investigación cuantitativa</kwd>
				<kwd>investigación cualitativa</kwd>
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					<funding-source>Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)</funding-source>
					<award-id>2014/17192-2</award-id>
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				<funding-statement>Informações sobre financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), proc. 2014/17192-2.</funding-statement>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Este ensaio tem um objetivo polêmico, sobretudo porque se opõe ao que nos parece um quadro estabelecido em parte das ciências humanas, em particular na psicologia: a divisão entre método quantitativo e qualitativo de pesquisa. E se não tem a pretensão de um <italic>Contra o m</italic>étodo (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Feyerabend, 1977</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> é porque seu objetivo e alcance são bem mais modestos, a saber, apenas o de recuar as grandes sistematizações metodológicas, entre as quais essa divisão entre quantitativo e qualitativo, para questões metodológicas tão variadas e desafiadoras quanto o são nossas questões empíricas de pesquisa.</p>
			<p>Considerando esse objetivo, talvez seja pertinente afirmar o que este artigo não pretende fazer. O artigo não objetiva fazer uma arqueologia das ciências humanas, em particular da psicologia, para explicitar seus eventuais e atuais embaraços metodológicos, entre os quais destacamos a divisão entre métodos quantitativo e qualitativo de pesquisa; nem apresentar, mesmo de forma sumária, diferentes concepções de racionalidade e quantificação nas ciências humanas, ou de experiências de laboratório na história da psicologia. Além de isso representar uma tarefa que ultrapassa em muito seus limites, e por mais interessante que isso tudo possa ser, não é essa a proposta deste artigo, que se situa num terreno que chamaríamos de mais democrático e pluralista em face de grandes determinações e recortes na história do pensamento científico.</p>
			<p>Trata-se, apenas, de desconstruir os termos “quantitativo” e “qualitativo” usados para determinar o método científico, com o intuito de fortalecer a liberdade de pensamento e o <italic>foco ou rigor na discussão do que interessa</italic>, que são os problemas que animam a ciência e os procedimentos usados para seus encaminhamentos, dos quais a quantificação pode fazer parte, mas não com status de identificação de método, que é da ordem da imaginação e justificação do experimento, ou da articulação e justificação dos dados empíricos da pesquisa. O método é uma <italic>atividade crítica</italic> da ciência, e não uma receita geral ou técnica de pesquisa, como esperamos deixar claro a seguir.</p>
			<p>Atrelaremos a essa discussão a designação teórica ou ideológica de método, que para nós representa uma outra versão do mesmo problema.</p>
			<p>Trata-se, pois, de combater ou tentar desfazer o que nos parece um equívoco: a denominação de método quantitativo ou qualitativo de pesquisa, que consideramos que mistifica a concepção de conhecimento ou ciência. Ao contrário, queremos enfatizar que há muitas questões metodológicas, tão plurais e conflitantes ou concordantes, conforme o sentido da realidade investigada. É assim que assistimos à apresentação de um método em Wallon, Vygotski, Piaget, Saussure, Lévi-Strauss, Marx, Freud, Durkheim etc., a par com suas concepções ou perspectivas da realidade estudada. Método e teoria, portanto, construídos juntos numa investigação, e de maneira circular ou recíproca, de forma que um não existe sem o outro, ou de forma que não é possível separá-los, pois um método pressupõe uma questão e uma hipótese ou concepção de realidade. Assim, por exemplo, se Freud apregoa o método da livre associação de ideias em sua teoria da clínica como investigação da realidade psíquica, é porque pressupõe tal realidade através de determinados conceitos de inconsciente, censura ou defesa, e seu funcionamento primário e secundário, criados como hipóteses para responder a uma questão. E se nos primórdios da sua teoria Freud utilizava o método de hipnose, é porque também pressupunha tal realidade com um conteúdo inconsciente, mas não propriamente com o destaque dos mecanismos de defesa ou censura, o que significa que o próprio estatuto do conceito de inconsciente na teoria era outro. Mais precisamente, Freud passou a entender que a representação inconsciente decorria sobretudo de um conflito psíquico entre o desejo e a moral do indivíduo, e não mais, como antes supunha com Breuer, de sua vivência em estado hipnoide ou alterado de consciência, e a livre associação de ideias visava, justamente, contornar os mecanismos de censura aos conteúdos inconscientes, ou favorecer a vazão do funcionamento primário do psiquismo sob o domínio de suas elaborações secundárias ou conscientes, hipótese que lhe parecia responder melhor à questão investigada.</p>
			<p>Ora, seria possível encontrar, sob a diversidade de todas as perspectivas teóricas e metodológicas na história das ciências humanas, duas perspectivas que as classificariam segundo o método qualitativo ou quantitativo de pesquisa? Ou, não é suficientemente significativo como não encontramos essas denominações de método em Marx, Freud, Piaget, Wallon, Vygotski, Lévi-Strauss, Max Weber, Durkheim e tantos outros clássicos das ciências humanas? Teria passado despercebido a todos eles esse aspecto que divide hoje as perspectivas metodológicas em qualitativas ou quantitativas? Tentaremos, através da discussão de uma imagem hipotética de ciência e de uma concepção de pensamento, avançar algumas hipóteses sobre os motivos dessa divisão.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Uma imagem de ciência</title>
			<p>Vamos partir de uma imagem hipotética de ciência, tomando a física como modelo, para repensar a divisão entre método quantitativo ou qualitativo de pesquisa nas ciências humanas, que nos parece mais acentuada na psicologia. Nossa hipótese é que uma compreensão mais adequada do sentido das ciências naturais enquanto modelo de atividade científica, em particular essa inaugurada com a física moderna, pode ser operatória para a desconstrução da ideia de método quantitativo e, <italic>pari passu</italic>, de método qualitativo. Em outros termos, determinada imagem de ciência, cujo controle de variáveis não só é rigoroso, mas se expressa em fórmulas matemáticas - um conhecimento exato ou, quando probabilístico, que tem a exatidão como meta -, teria favorecido certa fetichização numérica. A saber, a ordem natural das coisas, ou do fenômeno rigorosamente controlado e produzido, isto é, montado no laboratório segundo modelos inventados e, sobretudo, passíveis de réplica, pode passar a ideia de que o que distingue um conhecimento científico de um não científico é sua possibilidade de quantificação, e, <italic>pari passu</italic>, sua metodologia<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>, ponto principal de nossa discussão. Ora, cremos que é preciso ter com mais clareza algumas características distintivas desse tipo de conhecimento.</p>
			<p>Antes de tudo, e em termos gerais, gostaríamos de ressaltar, ou mesmo lembrar, que a quantificação não basta para a formação de um conhecimento científico, nem é sua principal característica, pois é preciso explicar ou mostrar a ordem que concatena os dados quantitativos, o que torna possível falar em causa e efeito ou em condições necessárias iniciais e finais da experiência. Ou seja, sobretudo hoje, em tempos que nos parecem faltar reflexão, e em que a psicologia, mas não só ela, reduz-se cada vez mais à produção de dados em detrimento de sua análise crítica e, consequentemente, em prejuízo da própria teoria, não nos parece demais lembrar que a quantificação na ciência faz parte de um princípio explicativo ou compreensivo do fenômeno. Em última instância, um número por si só não tem significado algum; um número só adquire significado num contexto analítico de sentido. Ora, a obviedade de tal tese, que não nos parece passível de controvérsia (ou não deveria ser), pode servir como ponto de apoio para o princípio de nossa discussão, pois a atividade que organizará a realização desse contexto analítico de sentido, do qual fará parte a quantificação, será justamente chamada de método da pesquisa.</p>
			<p>Nesse sentido, gostaríamos de frisar, em primeiro lugar (lembremos que estamos tratando de uma imagem de ciências naturais), que a experiência criada e replicada em laboratórios é organizada por um modelo teórico de investigação que trabalha determinadas hipóteses sobre a realidade. Ou seja, não se trata de uma observação livre ou espontânea, porque ela é dirigida por determinadas questões e hipóteses sobre a realidade, e pode-se dizer que esse princípio que enfatiza o papel ativo e ordenador do pensamento na investigação científica é comum à maioria dos filósofos da ciência no século XX.</p>
			<p>Por exemplo, é certo que Popper, contemporâneo da teoria da física da relatividade, tratou com o caráter provisório do saber científico, o que Kant, contemporâneo de Newton, acreditava passível apenas de aperfeiçoamento, e não de substituição ou refutação. Mas (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Kant, 1781/1989</xref>) já dizia, antecipando-se a (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Popper, 1963/1994</xref>), a esse respeito (também poderíamos citar a noção de paradigma, de Kuhn - 1962/2009), que a razão só aprende com a natureza forçando-a a responder a suas questões, segundo planos que se antepõem a ela. Diz (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Kant, 1781/1989</xref>) no prefácio da <italic>Crítica da razão pura</italic>:</p>
			<disp-quote>
				<p>Quando Galileu fez rolar no plano inclinado as esferas, com uma aceleração que ele próprio escolhera, quando Torricelli fez suportar pelo ar um peso, que antecipadamente sabia idêntico ao peso conhecido de uma coluna de água... foi uma iluminação para todos os físicos. Compreenderam que a razão só entende aquilo que produz segundo os seus próprios planos; que ela tem que tomar a dianteira com princípios, que determinam os seus juízos segundo leis constantes e deve forçar a natureza a responder às suas interrogações em vez de se deixar guiar por esta; de outro modo, as observações feitas ao acaso, realizadas sem plano prévio, não se ordenam segundo a lei necessária, que a razão procura e de que necessita. (p. 18)</p>
			</disp-quote>
			<p>Ou ainda,</p>
			<disp-quote>
				<p>A razão, tendo por um lado os seus princípios, únicos a poderem dar aos fenômenos concordantes a autoridade de leis e, por outro, a experimentação, que imaginou segundo esses princípios, deve ir ao encontro da natureza, para ser por esta ensinada, é certo, mas não na qualidade de aluno que aceita tudo o que o mestre afirma, antes na de juiz investido nas suas funções, que obriga as testemunhas a responder aos quesitos que lhes apresenta. (p. 18)</p>
			</disp-quote>
			<p>Apenas a título de esclarecimento (nosso propósito não é a apresentação da filosofia kantiana), entre os princípios que guiam a razão em seus juízos sobre a natureza, aos quais o autor se refere, encontra-se o determinismo, a concepção de que os fenômenos naturais se articulam segundo relações de necessidade, o que torna possível enunciá-las em leis. Trata-se do próprio conceito de “natureza”, fundado na modernidade. Mas, e é isso que mais nos interessa aqui, esse princípio não se aplica sem um plano, isto é, sem a imaginação e montagem de uma experimentação acerca de hipóteses sobre determinadas relações naturais, como nos exemplos citados de Galileu e Torricelli. Para a nossa questão, o mais importante nesses exemplos é justamente destacar a montagem do experimento, ou seja, o <italic>método</italic> para verificar a hipótese ou responder à questão do cientista perante a natureza, no qual a quantificação é <italic>apenas</italic> um dos seus elementos ou procedimentos.</p>
			<p>(<xref ref-type="bibr" rid="B16">Merleau-Ponty, 1949-52/1988</xref>) é outro filósofo que também destaca esse papel do pensamento ativo e criativo na ciência. Também a ele não passaram despercebidos alguns dos principais pontos destacados por Kant sobre a atividade científica, quando diz:</p>
			<disp-quote>
				<p>Paradoxo da ciência: para compreender o concreto, é preciso, em certo sentido, dar-lhe as costas. Galileu teve de reconstruir os dados dos sentidos por um procedimento intelectual. Quando, ao contrário, quer-se notar diretamente o fato (Aristóteles: a ligação natural dos corpos pesados) chega-se a abstrações. A ciência começa quando, ao invés de notar passivamente, reconstrói-se as aparências, dá-se modelos da realidade. (p. 486)</p>
			</disp-quote>
			<p>Note-se que Merleau-Ponty inverte a concepção comum sobre a diferença entre o abstrato e o concreto, justamente para destacar a importância que tem o modelo na reconstrução intelectual das aparências ou dos dados dos sentidos. A simples notação não leva ao conhecimento da realidade. O mais próximo, isto é, a aparência sensível, nesse caso se revela o mais distante do conhecimento da realidade; e o mais distante, por supor a criação de um modelo intelectual da realidade, isto é, a reconstrução dos dados dos sentidos, revela-se mais próximo do seu conhecimento.</p>
			<p>Nesse sentido, (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard, 1934/1985</xref>) usa o termo “fenomenotécnica” para destacar o caráter artificial da experimentação científica, isto é, que produz seu fenômeno a título de experimentação. E (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Latour e Woolgar, 1979/1997</xref>), inclusive, destacam o quanto a simples presença de aparelhos técnicos num laboratório de pesquisa representa teorias reificadas usadas para a construção de novos fatos científicos. Isto é, são teorias incorporadas nesses aparelhos sem mais discussão, como se representassem a realidade, e usadas para a investigação de novos fenômenos de laboratório que levam, por sua vez, a novos fatos e materiais. Por exemplo, o telescópio usado por Galileu para observar o céu pressupunha o modelo teórico da física ótica nele presente - o que, aliás, suscitou muitas discussões na época - e levou à descoberta de novos fenômenos celestes (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Furlan, 2008</xref>). De tal forma que a ciência passa a ser, assim, o modelo de uma rede teórica e instrumental complexa sobre a realidade.</p>
			<p>Por último, pode-se até dizer, conforme (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Heidegger, 1938/2001</xref>), que a técnica está no coração da ciência moderna, que tem por objetivo o controle e a manipulação da natureza, e daí a necessidade da medida ou quantificação, expressa em equações matemáticas. Nesse sentido, pode-se questionar, de um ponto de vista ético ou de avaliação de uma forma de vida, o impacto que a supremacia desse tipo de olhar ou comportamento humano tem sobre a vida, questão da qual não nos ocupamos aqui. O que não se pode é confundir a <italic>montagem intelectual</italic> da experiência científica, da qual a medida fará parte, com método quantitativo, o que seria tomar uma parte pelo todo. O método, como procuramos destacar, é muito mais da ordem da <italic>imaginação e invenção da experiência</italic> do que da quantificação de suas variáveis, atrelada àquelas.</p>
			<p>Vale, aqui, a anedota contada por (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Popper, 1963/1994</xref>), de que ele teria iniciado uma conferência em Viena demandando aos estudantes de física que tomassem às mãos lápis e papel, que observassem cuidadosamente e anotassem suas observações. Os estudantes, naturalmente, perguntaram o que ele queria que eles observassem. Afinal, observar para quê, com qual objetivo? Ora, o mesmo vale para a quantificação e a medida: <italic>sem um princípio de seleção e articulação</italic> não nos leva a lugar algum. Ou, no caso da observação, a falta disso pode levar à mística, ou à experiência do sublime, conforme Kant, ou à direção do solo primordial de nossa experiência pré-reflexiva de mundo, isto é, ao campo transcendental de sentidos, conforme a fenomenologia, ou ao campo transcendental das forças e intensidades, como destacam as filosofias de Nietzsche e Deleuze.</p>
			<p>Mas isso, por mais importante que seja, não é fazer ciência. A ciência será sempre um plano (limitado) de compreensão da realidade, construído a partir de um princípio de seleção e articulação de variáveis do qual a quantificação poderá fazer parte. A matematização da natureza até mesmo poderá ser o objetivo do conhecimento, que pode representar um princípio bastante redutor de conhecimento que se mostrou poderoso para manipular ou controlar a realidade (o princípio da técnica, como adiantamos com Heidegger), mas a quantificação só pode ser considerada como método tanto quanto o pode a observação, isto é<italic>, não pode</italic>, enquanto não se submeter a ou não se inserir em um plano de construção do conhecimento, ou seja, enquanto não justificar a elaboração de um método com hipóteses sobre a realidade.</p>
			<p>Ora, uma vez suspeita a pertinência da noção de método quantitativo para designar a metodologia científica (note-se que tomamos um dos modelos mais bem estabelecidos de ciência - a física), o mesmo ocorre com a noção de método qualitativo, cuja denominação só tem sentido em contraposição àquela. Afinal, o método qualitativo só é enquanto contraposição ou crítica ao método quantitativo, isto é, de que a quantificação não é suficiente para compreender ou explicar um fenômeno, mas isso é o que acabamos de ver.</p>
			<p>Podemos ilustrar esse ponto através do prefácio que (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Ginzburg, 1976/2006</xref>) escreveu para a edição italiana de sua obra <italic>O queijo e os vermes</italic>, na qual ele pesquisa o cotidiano da vida de um moleiro chamado Menocchio, que viveu no século XVI, no norte da Itália, e cujas ideias foram alvo da Inquisição. Ginzburg trabalha com a documentação que a Inquisição produziu sobre ele e justifica sua pesquisa através de várias discussões teóricas e metodológicas sempre interligadas. Vale notar que o autor não pretende negar ou se contrapor à dicotomia entre pesquisa quantitativa e qualitativa, que é o que pretendemos, embora o seu resultado nos pareça exatamente esse. Para os nossos propósitos, iniciamos com a passagem na qual ele se utiliza da metáfora do computador para identificar o espírito da pesquisa quantitativa:</p>
			<disp-quote>
				<p>Com isso não estamos querendo contrapor as pesquisas qualitativas às quantitativas. Simplesmente queremos frisar que, no que toca às classes subalternas, o rigor demonstrado pelas pesquisas quantitativas não pode deixar de lado (se quisermos, não pode ainda deixar de lado) o tão deplorado impressionismo das qualitativas. O chiste de E.P. Thompson sobre o ‘grosseiro e insistente impressionismo do computador que repete <italic>ad nauseam</italic> um único elemento, passando por cima de todos os dados documentais para os quais não foi programado’, é literalmente verdadeiro, já que o computador, como é óbvio, não pensa, mas executa ordens. Por outro lado, só uma série de pesquisas particulares, de grande fôlego, pode permitir a elaboração de um programa articulado, a ser submetido ao computador. (p. 21)</p>
			</disp-quote>
			<p>O exemplo parece bastante ilustrativo de nossa discussão, afinal, alguém tem que pensar, como o programador do computador que, como finaliza Ginzburg, tem que ser capaz de destacar e articular os dados significativos para a questão investigada, o que por sua vez implica uma teoria e uma hipótese sobre a realidade (tal como fizeram Galileu e Torricelli, conforme citamos com Kant). O programador, podemos acrescentar, deve ser capaz, inclusive, de reprogramar o computador se o encontro com a realidade assim o exigir, quantas vezes parecerem necessárias, o que outros pesquisadores, na mesma linha de pesquisa, também devem fazer para evitar o risco de “impressionismo” do computador ou, poderíamos dizer, de seu “subjetivismo”. Inversão curiosa ou inabitual dos termos, mas que de fato aponta que por trás da rigidez de uma concepção há a presença exagerada de determinada forma de olhar e conceber a realidade.</p>
			<p>Dessa citação, também interessa destacar o significado do “tão deplorado impressionismo das qualitativas”, que, na verdade, em última instância significa <italic>falta de fundamentação empírica</italic>, ou <italic>caráter especulativo sem a devida contrapartida empírica</italic>. De modo que, com a hipótese de que o método qualitativo se contrapõe ao quantitativo sob a perspectiva de que a quantificação não basta para explicar um fenômeno, completa-se o que nos parece o fundo motivacional da querela entre método quantitativo ou qualitativo de pesquisa, no qual o “qualitativo” acusa no “quantitativo” insuficiência de “pensamento”, e o “quantitativo” acusa no “qualitativo”, ao contrário, seu “excesso” ou caráter demasiadamente especulativo. Ou seja, tudo não passa de uma discordância sobre o sentido do objeto ou da realidade investigada, que é o que tem que ser discutido do princípio ao fim da pesquisa, mas que se reifica, equivocadamente, através dos termos “qualitativo” e “quantitativo”. O referido trabalho de pesquisa de Ginzburg, além de instigante, é bem fundamentado empiricamente? É disso que se trata.</p>
			<p>Em contrapartida, Ginzburg refere-se à história das ideias, que, segundo ele, tem feito amplos levantamentos quantitativos das ideias presentes em determinada época e lugar, mas que não costuma se perguntar sobre o uso efetivo que as camadas mais populares fazem desse material escrito, do qual o caso Menocchio será um exemplo bastante singular, pois ele não apenas lia textos mais eruditos, como também os conjugava de forma original com sua tradição oral.</p>
			<p>Note-se que a crítica que Ginzburg faz às pesquisas quantitativas na história das ideias não diz respeito, propriamente, aos procedimentos de quantificação, que, na verdade, estão presentes em toda e qualquer pesquisa empírica, de uma forma ou de outra. O próprio Ginzburg trabalha sobre um conjunto de documentos escritos pela Inquisição no caso Menocchio e outros escritos pelo próprio acusado. Os erros que Ginzburg destaca referem-se sempre a determinada concepção de realidade histórica, que, nesse caso, deve-se ao fato de a história das ideias não levar em consideração o papel do leitor em relação à palavra escrita.</p>
			<p>No mesmo sentido, Ginzburg encaminha sua crítica à história das mentalidades, da qual Lucien Febvre é, para ele, um caso exemplar. A história das mentalidades pressupõe um espírito comum à época, subjacente à história das ideias, na medida em que incorpora em suas pesquisas hábitos e significados inconscientes, tendo um significado mais amplo ou mais próximo da realidade, da qual as ideias publicadas apenas são uma manifestação bastante incompleta ou particular. Mas, segundo Ginzburg, a história das mentalidades ainda pressupõe uma realidade homogênea a diferentes classes sociais, ocultando suas diferenças.</p>
			<p>A noção de cultura popular, que é o objeto de sua pesquisa, ao menos evita essa extensão homogeneizante interclassista, e o próprio autor apressa-se em dizer que também não desconhece que o termo ainda é muito amplo e que há diferenças, por exemplo, entre o popular do campo e o da cidade. Os desafios são o acesso ao passado dessa cultura de caráter predominantemente oral, aos quais os antropólogos têm acesso quando estudam o presente, enquanto os historiadores não podem se transportar ao passado para presenciar a oralidade das culturas antigas. Mas as pesquisas historiográficas contornaram parcialmente esse problema, na medida em que passaram a ter acesso a publicações de caráter mais popular, como a literatura de cordel, o que ao menos representa um conjunto de ideias que circulavam entre as classes subalternas da população.</p>
			<p>É nesse sentido que Ginzburg também descobre nos arquivos da Inquisição sobre Menocchio um material direto sobre a cultura popular da época. Naturalmente, Menocchio, na medida em que lê e escreve, não é manifestação de uma cultura popular pura, visto que é atravessado pelas ideias da elite letrada. Mas, para Ginzburg, isso não é propriamente um problema, pois para ele não se trata de isolar uma cultura da outra (popular e erudita), e sim compreender a circulação entre elas. Também não se trata de ignorar o contexto mais geral que seu caso evidencia, do qual se destacam a expansão da imprensa - que possibilitava um acesso mais fácil a materiais escritos - e o movimento da Reforma - que lhe estimularia a audácia para falar e expressar suas ideias religiosas. Também se deve notar que a Contrarreforma recrudesceu a repressão à liberdade de expressão, o que levou, por fim, Menocchio a ser queimado pela Inquisição.</p>
			<p>Ora, nenhuma dessas questões diz respeito, em si mesmas, à quantificação, que só é questionada por Ginzburg no que pressupõe como teoria histórica, mais especificamente, no que lhe <italic>falta</italic> considerar do ponto de vista teórico sobre a realidade. É o que importa discutir, e é o que procura fazer Ginzburg no seu prefácio, de modo que os termos “quantitativo” ou “qualitativo” usados para designar o método de pesquisa podem ser vistos como uma reificação de concepções teóricas e epistemológicas, cujas discussões são abandonadas. São como restos arqueológicos tomados <italic>per si</italic>, separados do pensamento vivo do qual participavam, com suas hesitações e apostas, suscetíveis de abandono ou desenvolvimento. O que significa que o que se encontra em jogo na utilização ou abandono dos termos quantitativo ou qualitativo nos projetos de pesquisa é a prerrogativa do pensamento morto ou vivo, quer dizer, qual ênfase será privilegiada na pesquisa: se a técnica, tomada como método, ou se o método, sempre atento à lógica de sua articulação com a questão.</p>
			<p>Em síntese, todo dado empírico é sempre uma construção em função da questão que o destaca e que, portanto, também não dispensa a singularidade do olhar e pensamento do pesquisador (como nos exemplos de Galileu e Torricelli, citados por Kant, ou do programador do computador, citado por Ginzburg). Ou, como destaca (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Lenclud, 1991</xref>) a respeito do método etnográfico, e que para nós também vale para as ciências naturais e humanas de forma geral, o documento etnográfico “é ‘criado’ pela <italic>interrogação</italic> que o suscitou e pela <italic>operação</italic> que o isolou de uma prática para promovê-lo em instrumento de conhecimento” (p. 475, grifos nossos). O que, naturalmente, também se aplica aos dados de medidas e análises estatísticas em pesquisas empíricas nas ciências humanas, que podem ser importantes meios de investigação da realidade, desde que o pesquisador não se deixe seduzir por sua aparência de objetividade (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Boudon &amp; Bourricaud, 2011</xref>), pois o que importa é <italic>discutir a pertinência</italic> e o <italic>alcance ou os limites</italic> dos dados relacionados à questão que se procura responder. Por isso o método não se reduz a uma técnica de quantificação, o que leva (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Boudon e Bourricaud, 2011</xref>) a destacarem que o método é, por excelência, “explicação de texto” (p. 369), isto é, discussão e justificação dos procedimentos para encaminhar a questão investigada.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Uma concepção de pensamento</title>
			<p>Outra maneira de abordar a questão da divisão entre método quantitativo e qualitativo de pesquisa nas ciências humanas, em particular na psicologia, é destacar o que nos parece um recuo geral da atividade de pensar. Então nos damos conta de que o problema do qual tratamos é mais amplo do que a simples divisão entre método qualitativo ou quantitativo de pesquisa, pois situação análoga pode se passar com qualquer denominação teórica ou ideológica de método acrescida à pesquisa, como, por exemplo, o de método “positivista” (atualmente, em geral empregado por seus críticos, isto é, à pesquisa dos outros), “fenomenológico”, “marxista”, “psicanalítico” etc., seja lá o que isso tudo possa significar do ponto de vista metodológico, dada a grande generalidade de cada uma dessas perspectivas, inclusive a diversidade de perspectivas no seio de cada uma delas, e muitas vezes na história do pensamento de um mesmo autor. De modo que, se não bastassem possíveis reações identitárias à contraposição da divisão estabelecida entre método quantitativo e qualitativo de pesquisa, acrescentamos, aqui, o risco da resistência por parte daqueles que identificam suas pesquisas a alguma corrente de pensamento.</p>
			<p>Gostaríamos de convencê-los, ou ao menos convidá-los, a pensar que tais identificações, mais do que promotoras de boas experiências de pesquisa, podem ser uma forma de lhes cercear o pensamento. Ora, se às questões da divisão entre método quantitativo e qualitativo de pesquisa acrescentamos as questões referentes às designações teóricas ou ideológicas do método, é porque elas nos parecem outra versão do mesmo problema. Afinal, o que se espera com tais afirmações? Sobrepor à questão ou ao problema uma determinada abordagem de sentido que, é importante frisar, não oferece sequer a garantia de um uso apropriado, dada sua grande generalidade?</p>
			<p>Não significa, <italic>em absoluto</italic>, que tais abordagens de pesquisa não possam ser valiosas ou estar presentes no pensamento da questão. Vale frisar: ninguém entra vazio num projeto de pesquisa, ou, toda pesquisa traz determinada perspectiva teórica ou de olhar (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B6">Furlan, 2008</xref>), assim como método e perspectiva teórica se constroem juntos, conforme destacamos. Mas não nos parece de modo algum adequado confundir a generalidade de uma perspectiva teórica com a precisão ou delimitação de um procedimento metodológico que toda pesquisa empírica deve ter. De modo que, se inicialmente aproximamos método e teoria, gostaríamos, agora, de lhes precisar uma distinção que nos parece essencial para realizar uma pesquisa empírica. A saber, um método pressupõe <italic>controle de procedimentos</italic>, conforme os exemplos de Galileu e Torricelli citados por Kant em seu prefácio para a <italic>Crítica da razão pura</italic>, ou os exemplos que demos do método da hipnose ou da livre associação de ideias na psicanálise. Um método, pois, pode se <italic>aplicar</italic> à realidade.</p>
			<p>Ora, uma perspectiva teórica é uma maneira de investigar a realidade que se confunde com o “olhar” do ou com o próprio pesquisador. Dito de outro modo, estrito senso, não se pode aplicar o marxismo, a psicanálise, a fenomenologia, o construtivismo, o socioconstrutivismo, a esquizoanálise ou qualquer outra corrente de pensamento a uma pesquisa empírica, embora se possa “ser” marxista, psicanalista, fenomenólogo, construtivista, socioconstrutivista, esquizoanalítico etc. na investigação da realidade, e então empregar, conforme tais escolas de pensamento, procedimentos ou métodos considerados adequados à pesquisa da realidade. Na verdade, em geral somos uma “mistura” de perspectivas teóricas, quase tão difícil de destrinchar, parafraseando Descartes, quão a união substancial do “corpo e da alma”, o que não significa que não haja aí estrelas de diferentes grandezas, como diz Merleau-Ponty a respeito da importância dos outros na formação de nossas subjetividades (<xref ref-type="bibr" rid="B14">1964</xref>).</p>
			<p>Mas, o que não se deve é confundir grandes perspectivas teóricas, que por definição são abertas, mesmo tendo um delineamento que as distinga das outras, com a aplicação de um método que por definição deve ser preciso (e “preciso” não significa estático, que não possa sofrer ajustes ou demandar outros tipos de procedimentos). Um psicanalista, por exemplo, há de encontrar procedimentos metodológicos que propiciem em seu “objeto” de estudo a emergência de sentidos inconscientes sob o sintoma vivido por seus portadores. Que procedimentos serão esses? Cabe à imaginação do pesquisador desenvolvê-los, tal como Freud com a livre associação de ideias no divã, de acordo com seus pressupostos teóricos. E cada corrente psicanalítica pode delinear um procedimento ou outro conforme sua especificidade em relação às demais (exemplo: determinados jogos ou brincadeiras para uma psicanálise das crianças). Um marxista há de encontrar procedimentos que possam trazer à luz contradições sociais na produção da realidade humana sob o discurso ou o sentido manifesto dos fatos e conforme sua especificidade em relação a outras correntes do marxismo. Um fenomenólogo, procedimentos que favoreçam o destaque de sentidos e sua descrição despidos de toda teoria prévia, conforme o “método da epoché” (suspensão dos juízos) preconizado por Husserl.</p>
			<p>Ora, a radicalidade da proposta fenomenológica, que pretende se colocar aquém de toda teoria ou concepção prévia de realidade, parece-nos privilegiada para nos colocar no cerne do ponto em discussão, pois, afinal, tal suspensão de juízos é possível? Ou, em que medida essa suspensão de juízos é possível? Por que será que a fenomenologia, como diz (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Merleau-Ponty, 1945/1994</xref>) no prefácio à <italic>Fenomenologia da percepção</italic>, é reconhecida antes por um estilo ou movimento incoativo de pensamento do que por “uma doutrina ou um sistema”? (p. 20). Que método é esse, além da prescrição geral de descrever o sentido percebido, ao invés de explicá-lo segundo teses admitidas sobre a realidade?</p>
			<p>Conforme o sentido principal que (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Merleau-Ponty, 1945/1994</xref>) nos ensina na mesma obra, pode-se dizer que, ainda que fosse possível suspender todas as nossas teses, conforme os preceitos de Husserl, bastará um só movimento para dizer o sentido do que vemos ou percebemos que estaremos inelutavelmente no campo implícito dos sentidos que temos do mundo, e por isso a tal redução fenomenológica é um processo sem fim. Não é preciso ser merleau-pontyano para abraçar essa tese, autor que, por sinal, não abria mão da <italic>mediação</italic> das pesquisas das ciências para desvelar o sentido da realidade (para realizar sua própria fenomenologia, portanto), ou seja, autor que não abria mão de pesquisas que <italic>iam além</italic> do preceito da simples descrição dos fenômenos e que adiantavam hipóteses e modelos sobre a realidade.</p>
			<p>Basta notar, conforme adiantamos, trabalhos e perspectivas de pensamento dos diferentes autores da corrente fenomenológica para se convencer de que tal generalidade terminológica não é aplicável <italic>tout court</italic>, o que também vale para a psicanálise, o marxismo ou qualquer outra corrente teórica ou ideológica de pensamento<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>, pois não é possível se afastar dos sentidos implícitos que temos do mundo tal como se tira uma camisa e se coloca outra, ou se substitui a lente dos óculos por outra, como se costuma dizer a respeito das correntes de pensamento que usamos para pensar a realidade, porque é do próprio corpo ou do próprio olho que se trata. Se se quiser, admitamos a existência de duas definições de método, uma mais geral (teórica ou ideológica), como <italic>maneira ou estilo de pensar</italic>, isto é, <italic>de selecionar e relacionar</italic> variáveis à luz da perspectiva teórica, e outra mais específica, que justifica e define com precisão seus procedimentos, e onde se joga pontualmente a sorte de uma pesquisa (quantas pesquisas com resultados surpreendentes não se definiram simplesmente pela genialidade do pesquisador na montagem de um experimento!), sem nunca perder de vista sua relação intrínseca com a teorização da realidade, isto é, o jogo instável ou dialético<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> de suas determinações recíprocas.</p>
			<p>Ora, para efeito de clareza, reservamos para essa última concepção a denominação de método da pesquisa, propriamente dito, pois é com ela que se encaminhará <italic>concretamente</italic> o desenvolvimento da questão a ser pesquisada, isto é, os procedimentos técnicos ou práticos através dos quais se procura responder à questão da pesquisa: entrevistas, observações, procedimentos estatísticos etc., em seus diferentes modos e situações. E se reservarmos a denominação de método ao <italic>encaminhamento</italic> dos procedimentos concretos da pesquisa que podem ser controlados no enfrentamento de sua questão, o que, por si só explode a divisão binária entre método quantitativo ou qualitativo de pesquisa, em absoluto se pode compreender o método como técnica, porque, conforme desenvolvemos ao longo deste trabalho, o pensamento encontra-se sempre na relação instável ou dialética entre tais procedimentos e o campo teórico no qual se situam.</p>
			<p>Esse é o ponto que queremos destacar: a necessidade de evitar o risco de esvaziamento da discussão teórica implícita em todo procedimento metodológico. Dito de outra forma, um método nunca está pronto, e por isso não é uma simples técnica, muito pelo contrário, o uso de uma técnica se justifica <italic>no</italic> método, assim como faz parte <italic>do</italic> método a sua justificação na pesquisa, conforme suas hipóteses sobre a realidade.</p>
			<p>Para finalizar esse ponto sobre a herança teórico-metodológica a partir da qual pensamos a realidade, cremos que vale a pena uma citação mais longa do que (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Merleau-Ponty, 1960/1984</xref>) diz a respeito da sua herança do pensamento de Husserl, e que, para nós, vale também para todos os pensamentos clássicos das ciências humanas, que ora citamos neste trabalho:</p>
			<disp-quote>
				<p>A tradição é esquecimento das origens, dizia o último Husserl. Justamente por lhe devermos muito, estamos incapacitados para apreciar com justeza o que é seu. Diante de um filósofo, cujo empreendimento despertou tantos ecos, e aparentemente muito afastado do ponto onde ele próprio permanecia, toda comemoração é também traição... . Porém, tais dificuldades, que são as da comunicação entre os ‘egos’, eram bem conhecidas por Husserl, que não nos deixa desamparados diante delas. Eu me empresto ao outro, eu o faço com meus próprios pensamentos: não se trata de um fracasso na percepção do outro, mas, justamente, da percepção do outro. Não o esmagaríamos com nossos comentários importunos, não o reduziríamos avaramente ao que é atestado objetivamente como sendo dele, se de início ele não estivesse ali para nós, sem dúvida, não com a evidência frontal de uma coisa, mas instalado transversalmente em nosso pensamento, detentor em nós, como outro-nós-próprios, de uma região que lhe pertence exclusivamente. (p. 239)</p>
			</disp-quote>
			<p>Para então completar, na sequência, que é impossível, mesmo de direito, repartir a cada momento o que é do pensamento de cada um:</p>
			<disp-quote>
				<p>Aquele que acredita que a interpretação está restringida ou a deformar ou a retomar literalmente a significação de uma obra, na verdade, deseja que tal significação seja completamente positiva e suscetível, de direito, de um inventário capaz de delimitar o que está e o que não está nela. Quem acreditar nisso engana-se sobre a obra e sobre o pensar. (p. 241)</p>
			</disp-quote>
			<p>Naturalmente, uma pesquisa empírica não é um comentário de uma obra, mas, quando pretende se servir dela como princípio teórico-metodológico, encontra-se sujeita ao mesmo tipo de diálogo ao qual se refere Merleau-Ponty a respeito do pensamento filosófico. E por isso, conforme viemos desenvolvendo, não é possível propriamente aplicá-la como método, simplesmente porque a teoria não é um objeto para o nosso pensamento, uma ideia que podemos manipular e ajustar à realidade, tal como nossos procedimentos empíricos de pesquisa. Ou seja, ela se encontra mais em nós (transversalmente, conforme a citação) e de forma “confusa” (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Merleau-Ponty, 1951/1991</xref>), isto é, em comunicação com outras obras, do que diante de nós e passível de manipulação.</p>
			<p>Mas isso tudo é apenas o aspecto formal de nossa questão, que não suporta, pois, no nosso entender, nem a generalidade vazia dos termos “quantitativo” ou “qualitativo” (que pouco significado têm), nem a concepção de um método cujos procedimentos não podem ser definidos e <italic>controlados</italic>, no caso das correntes teóricas ou ideológicas. É apenas o aspecto formal, porque o que importa numa pesquisa, em primeiro lugar, é pensar com liberdade ou abertura de espírito a questão a ser pesquisada, o que não deve ser confundido com falta de rigor teórico e empírico que devem estar presentes em toda pesquisa; muito pelo contrário, esse rigor deve ser consequência da liberdade e abertura de espírito, do respeito à singularidade e à complexidade de qualquer fenômeno.</p>
			<p>Muitas são as perspectivas<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> possíveis para desenvolver uma questão, mas seja ela qual for, deve estar a serviço do exercício do pensamento em sua investigação. Ou seja, perspectivas teórico-metodológicas prévias não devem subjugar o pensamento, o que seria seu enclausuramento no pensamento do outro que efetivamente pensou para elaborar um problema. Que não se subestime, com essa afirmação, a grande importância que tem a leitura dos clássicos para o pensamento da realidade e a realização das pesquisas em ciências humanas<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>.</p>
			<p>Em geral, as perspectivas teórico-metodológicas, considerados os questionamentos e as ressalvas anteriores sobre sua identidade e seu uso, aparecem <italic>imanentes</italic> à pesquisa, como força de abertura e apreensão de sentido de mundo, na sua capacidade analítica de desenvolvimento da questão, e não como etiquetas coladas ao lado da apresentação do método (aliás, quantos trabalhos não traíram na forma e no conteúdo a perspectiva teórico-metodológica que prometeram, o que mostra simplesmente, conforme afirmamos, que isso não se aplica <italic>tout court</italic>).</p>
			<p>Em outros termos, pode-se “ser” marxista, psicanalista, fenomenólogo, foucaultiano, socioconstrutivista, esquizoanalítico etc., ou, <italic>preferimos dizer</italic>, somos um estilo ou determinada maneira de perceber, sentir e dizer a realidade, mas isso deve favorecer a abertura, e não o fechamento de nossa experiência de mundo. De fato, já nos parece um dado a importância da linguagem na forma de percepção do mundo. Nesse sentido, como destaca (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Feyerabend, 1977</xref>), “a linguagem e os padrões de reação que envolvem não constituem meros instrumentos para <italic>descrever</italic> eventos (fatos, estados de coisas), mas são, também, modeladores de eventos (fatos, estados de coisas)” (p. 349). No caso específico da ciência, é o que (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Kuhn, 1962/2009</xref>) chamou de paradigma, e (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Deleuze e Guattari, 1991</xref>) chamaram de observadores parciais ou científicos, para frisarem a ligação intrínseca entre percepção e linguagem, ou entre determinada forma de sensibilidade e elaboração científica de mundo. <italic>Mas</italic>, o que importa é que essa sensibilidade também seja suficientemente aberta para não ser subjugada pela determinação dos conceitos, e vice-versa, conceitos suficientemente abertos para não serem subjugados por determinados padrões de percepção, pois então o pensamento perderá sua força ou capacidade de exploração.</p>
			<p>Isso significa que não se deve dar prioridade a uma dessas faculdades (perceber, sentir e dizer), tampouco considerá-las separadas na formação do conhecimento, pois elas se cruzam e se constituem reciprocamente. Mais precisamente, o importante é não conceber a comunicação entre essas faculdades apenas do ponto de vista de sua concordância no processo de conhecimento, mas também de sua tensão ou discordância que nos desafiam a novos arranjos entre nossa linguagem e percepção de mundo, ou, simplesmente, que nos desafiam a pensar.</p>
			<p>Em síntese, além de expor e justificar os procedimentos metodológicos concretos através dos quais se pretende enfrentar a questão, o que já traz muitas implicações teóricas a respeito da realidade, afirmar que o método é quantitativo, qualitativo, marxista, psicanalítico, esquizoanalítico, fenomenológico, socioconstrutivista etc. não vai acrescentar em nada do ponto de vista epistemológico, seja pelo significado vazio dos termos “quantitativo” e “qualitativo”, seja pela generalidade incontrolável dos termos das correntes teóricas ou ideológicas, além de colocar em risco a liberdade ou o exercício pleno da atividade de pensamento na pesquisa.</p>
			<p>Na pior das hipóteses, tais denominações visam a proteger as pesquisas de suas fragilidades, como se os dois primeiros termos representassem opções metodológicas que devessem ser respeitadas (e não devem) e os demais convocassem a autoridade de aliados imaginários para suprir suas próprias deficiências, como se, lendo tais pesquisas, devêssemos também supor o que escreveram Marx, Freud, Husserl, Foucault, Piaget, Vygotsky etc. (isso quando tais denominações metodológicas não cumprem apenas o protocolo imposto por certa tradição acadêmica de fazer ciência).</p>
			<p>Chega a ser curiosa, nesse sentido, a necessidade que às vezes se tem de dar um nome ao que se está fazendo, questão que abre, naturalmente, para uma reflexão muito mais ampla do que os limites deste artigo. A despeito disso, gostaríamos de destacá-la como possibilidade de um sintoma de recuo do pensamento ou de evitação da necessidade de pensar<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> - nesse caso, do recuo da necessidade de <italic>justificar</italic> 
 <italic>bem</italic> o método na sua <italic>relação tensa ou dialética com a questão pesquisada</italic> (sua pertinência, alcances e limites). Como um subterfúgio, pois, para se desembaraçar de um problema incômodo.</p>
			<p>Enfim, e conforme iniciamos este artigo, com a exclusão dos termos “quantitativo” ou “qualitativo” ou dos termos de “correntes teóricas” ou “ideológicas”, propomos uma limpeza ou economia <italic>terminológica</italic> na denominação dos métodos de pesquisa, tanto em obediência ao sentido da atividade científica quanto para não perder o foco naquilo que interessa, o que deve agudizar a necessidade de justificação do método em toda pesquisa. Uma economia, portanto, que aumente a clareza e necessidade de pensar.</p>
		</sec>
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			<title>Referências</title>
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					<publisher-name>Tempo Brasileiro</publisher-name>
					<comment>Trabalho original publicado em 1934</comment>
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				<mixed-citation>Ginzburg, C. (2006). O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição (8a ed., M. B. Amoroso &amp; J. P. Paes, trad.). São Paulo, SP: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1976)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Heidegger, M. (2001). L’époque des conceptions du monde. In Chemins qui ne mènent nulle part (Nouvelle édition, Wolfgang Brokmeier, trad., pp. 99-146). Paris, France: Gallimard. (Trabalho original publicado em 1938)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Kant, I. (1989). Crítica da razão pura (2a ed., M. P. Santos &amp; A. F. Morujão, trad.). Lisboa, Portugal: Fundação Calouste Gulbenkian. (Trabalho original publicado em 1781)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Kuhn, T. (2009). A estrutura das revoluções científicas (9a ed., B. V. Boeira &amp; N. Boeira, trad.). São Paulo, SP: Perspectiva. (Trabalho original publicado em 1962)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Latour, B. &amp; Woolgar, S. (1997). A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos (A. R. Vianna, trad.). Rio de Janeiro, RJ: Relume Dumara. (Trabalho original publicado em 1979)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Lenclud, G. (1991). Méthode ethnographique. In P. Bonte &amp; M. Izard (Orgs.), Dictionnaire de l’ethnologie et de l’anthropologie (pp. 470-476). Paris, France: Quadrige/Puf.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Merleau-Ponty, M. (1964). Le visible et l’invisible. Paris, France: Gallimard.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Merleau-Ponty, M. (1984). O filósofo e sua sombra. In M. S. Chauí (Org.), Merleau-Ponty (Os Pensadores, 2a ed., M. S. Chauí, trad., pp. 239-260). São Paulo, SP: Abril Cultural. (Trabalho original publicado em 1960)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Merleau-Ponty, M. (1988). Merleau-Ponty à la Sorbonne - Résumés de Cours - 1949-1952. Dijon-Quetigny, France: Cynara. (Cursos proferidos em 1949-1952)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Merleau-Ponty, M. (1991). O homem e a adversidade. In Signos (M. E. G. G. Pereira, trad., pp. 253-275). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1951)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Merleau-Ponty, M. (1994). Fenomenologia da percepção (C. A. de Moura, trad.). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1945)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Popper, K. (1994). Conjecturas e refutações (S. Bath, trad., 3a ed.). Brasília, DF: UnB. (Trabalho original publicado em 1963)</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Proust, M. (1987). No caminho de Swann (M. Quintana, trad., 11a ed.). Rio de Janeiro, RJ: Globo. (Trabalho original publicado em 1913)</mixed-citation>
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			<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Informações sobre financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), proc. 2014/17192-2.</p>
			</fn>
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			<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Information about funding: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), proc. 2014/17192-2.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">Feyerabend, 1977</xref>) é um dos grandes filósofos da ciência no século XX. Ele defende o que chama de anarquismo metodológico, e vale frisar que a metodologia científica em sua discussão é a da física, talvez o modelo de ciência mais bem reconhecido entre nossas formas de saber. Para os nossos propósitos, ele diz: “verificamos que os princípios do raciona­lismo crítico (tomar os falseamentos a sério; aumentar o conteúdo; evitar hipóteses ad hoc; ‘ser honesto’ – signifique isso o que significar, e assim por diante) e, a fortiori, os princípios do empirismo lógico (ser preciso; apoiar a teoria em medições; evitar idéias vagas e imprecisas; e assim por diante) proporcionam inadequada explicação do passado desenvolvimento da ciência e são suscetíveis de prejudicar-lhe o desenvolvimento futuro. Proporcionam inadequada versão da ciência, porque esta é muito mais ‘fugidia’ e ‘irracional’ do que sua imagem metodológica” (p. 278). Para uma introdução bastante didática das discussões filosóficas sobre metodologia científica no século XX, cf. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Chalmers, A., 2000</xref>).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>No sentido restrito do termo, “metodologia” é o estudo do método. Então, enquanto o método tem um caráter mais positivo ou determinado, a metodologia tem um caráter mais geral, que abstrai do método suas características essenciais. Para os fins deste artigo, não importa a distinção entre os termos “método” ou “metodologia”, nem mesmo a sua variação com o termo “pesquisa” (quantitativa ou qualitativa). O que nos interessa são os adjetivos “quantitativo” e “qualitativo” para designar o método, a metodologia ou a pesquisa, à luz do sentido da atividade científica.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Por ideologia significamos um conjunto coerente de ideias de explicação ou compreensão de mundo.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Por dialética significamos, com (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Merleau-Ponty, 1964</xref>, pp. 124-128), o pensamento instável em contato com o ser: “a dialética instável, no sentido que os químicos dão à palavra.... Uma das tarefas da dialética, como pensamento de situação, pensamento em contato com o ser, é sacudir as falsas evidências, denunciar as significações cortadas da experiência do ser, esvaziadas, e se criticar a si mesma na medida em que se torna uma delas... É-lhe essencial ser autocrítica” (p. 124).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>“Perspectiva” significa concentração de olhar em determinada direção, donde vem a sua força de desvelamento de sentido, mas também sua limitação – de qualquer forma, o que seria um olhar sem perspectiva alguma?</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Conferir, nesse sentido, (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Furlan, 2012</xref>, p. 212).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Encontramos em (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Proust, 1913/1987</xref>) um paralelo interessante com essa questão, quando, recordando sua infância, ele diz que, após muitas horas de leitura, saía para passear, e estando seu corpo excitado com muitas ideias, emitia golpes ao entorno com seu guarda-chuva ou bengala, soltando “gritos alegres, que não passavam, uns e outros, de idéias confusas” que o “exaltavam e ainda não haviam alcançado o repouso da plena claridade, preferindo, a um lento e penoso esclarecimento, o prazer de uma derivação mais fácil para um escape imediato”. Para completar: “A maioria dessas pretensas traduções de nossos sentimentos não consegue mais que desembaraçar-nos deles, fazendo-os sair de nós sob uma forma indistinta que não nos ensina a conhecê-los” (pp. 152-153, grifos nossos).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">Feyerabend, 1977</xref>) is one of the major science philosophers of the 20th century. He advocates for what he calls methodological anarchism. It is worth mentioning that in his discussion he approaches the scientific methodology of physics, which is probably the most recognized of our ways of knowledge. For our purposes, he states: “We see that the principles of critical rationalism (take falsification seriously; increase content; avoid ad hoc hypotheses; be ‘honest’ – whatever that means; and so on) and, a fortiori, the principles of logical empiricism (be precise; base your theories on measurements; avoid vague and unstable ideas; and so on) give an inadequate account of the past development of science and are liable to hinder science in the future. They give an inadequate account of science because science is much more ‘sloppy’ and ‘irrational’ than its methodological image” (page 278). For a very didactic introduction to the philosophical discussions on scientific methodology in the 20th century, refer to (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Chalmers, A., 2000</xref>).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>In the strict sense of the term, methodology is the study of the method. So, while method has a more positive or determined nature, methodo­logy’s nature is more general, abstracting from method its essential traits. For the purposes of this article, the differentiation between the terms “method” or “methodology” does not matter, neither does their variation with the term “research” (quantitative or qualitative). What effectively concerns us are the adjectives “quantitative” and “qualitative” to designate method, methodology or research in the light of the meaning of scientific activity.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>By ideology we mean a coherent set of ideas to explain or understand the world.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>By dialectic we mean, just like (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Merleau-Ponty, 1964</xref>, pp. 124-128), the instable thinking in contact with the being: “the instable dialectic, in the sense assigned by chemists to the word… One of the tasks of dialectic, as thought about a situation, thought in contact with being, is to shake false evidence, denounce meanings cut off from the experience of being, emptied, and criticize itself as it becomes one of them… It must be self-critical” (free translation of page 124).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Perspective means the concentration of the view on a given direction, the source of its power to unveil meaning, but also of its limitation - anyway, what would be a view with no perspective?</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>In this respect, refer to (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Furlan, 2012</xref>, p. 212).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>We find in (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Proust, 1913/1987</xref>) an interesting parallel to this question when, recalling his childhood, he says that after reading for long hours, he used to go for a walk. As his body was excited with so many ideas, he used to strike things around with his umbrella or walking stick, with “happy screams and had not yet reached a condition of full clarity, choosing, instead of a slow and painful path to clarification, the pleasure of an easier derivation for immediate escape”. To supplement: “Most of these alleged translations of our feelings do nothing but disentangle us from them, making us leave ourselves under an unclear form that does not teach us to know our feelings (free translation of pages 152-153, emphasis added).</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>ORIGINAL ARTICLES</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Reflections on method in human sciences: quantitative or qualitative, theories and ideologies<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref></article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Furlan</surname>
						<given-names>Reinaldo</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
					<xref ref-type="corresp" rid="c2"><sup>*</sup></xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff2">
				<institution content-type="original">Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Departamento de Psicologia e Educação. Ribeirão Preto, SP, Brasil</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c2">
					<label>*</label>Correspondence address: <email>reinaldof@ffclrp.usp.br</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>The goal of this study is to deconstruct the meanings of the terms “quantitative” and “qualitative”, usually used to characterize scientific research method, or to try to undo what seems to be a mistake: the denomination and division of quantitative or qualitative research methods. We consider that this division confuses and impoverishes the conception of knowledge or science. There are many methodological questions so plural, conflicting or not, according to the meaning of the investigated reality which, after all, is what should be discussed from the beginning to the end of the research. We add the theoretical or ideological designation of method to this discussion that for us represents another version of the same problem. To accomplish this goal, we discuss a view of science and a conception of thought.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>methodologies</kwd>
				<kwd>science</kwd>
				<kwd>human sciences</kwd>
				<kwd>quantitative research</kwd>
				<kwd>qualitative research</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction</title>
				<p>The objective of this article is quite controversial, mainly because it opposes what seems to be an established framework in human sciences, mainly in psychology: the division between quantitative and qualitative research methods. And if it is not as ambitious as the <italic>Against method</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Feyerabend, 1977</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>, then this is because its objective and scope are much more modest. It only intends to retreat from major methodological systematizations, including this division between quantitative and qualitative, for such varied and challenging methodological issues as the empirical issues of this research.</p>
				<p>Considering this objective, it is worth stating what this article is not focused on. The article is not aimed towards an archeology of human sciences, notably psychology, to explain any eventual and current methodological constraint, among which there is the division between quantitative and qualitative research methods. Neither does it intend to present, even briefly, the different concepts of rationality and quantification in human sciences, or lab experiences in the history of psychology. That would be a task far beyond our scope here, and however interesting that might be, it is not our proposal. This study is situated in an arena that we would call more democratic and pluralist in face of the major establishments and approaches in the history of scientific thought.</p>
				<p>It is merely about deconstructing the terms “quantitative” and “qualitative” used to define the scientific method, aiming to strengthen freedom of thought and the <italic>focus on or rigor in the discussion about what matters</italic> - problems that boost science - and the procedures used for its guidance. These procedures comprise quantification, but not as an identification of the method - which belongs to imagination and to the experiment rationale - nor as link and justification for empirical research data. The method is a <italic>critical activity</italic> of science, rather than a general formula or technique of research, as we intend to make clear further.</p>
				<p>We will attach this discussion to the theoretical or ideological designation of method. To us, it is a different version of the same problem.</p>
				<p>Therefore, it is about fighting or trying to undo what seems to be a mistake: the denomination of quantitative or qualitative research method that, we believe, mystifies the concept of knowledge or science. To the contrary, we would like to emphasize the many existing methodological issues, which are plural and controversial or consistent, depending on the sense of the reality surveyed. That is how we see the presentation of a method in Wallon, Vygotski, Piaget, Saussure, Lévi-Strauss, Marx, Freud, Durkheim etc., in line with their concepts or perspectives about the reality under study. We refer, therefore, to method and theory built together in an investigation and in a circular or mutual way, so that one cannot exist without the other, or in a way that one cannot separate them, since a method assumes a question and a hypothesis or concept of reality. So, for example, if Freud advocates for the method of free association of ideas in his clinical theory as an investigation of the psychical reality, it is because he assumes such a reality through certain concepts of the unconscious, censorship or defense and their primary and secondary processes, which was created as hypotheses to answer a question. And if at the beginning of his theory, Freud used the method of hypnosis, it is also because he assumed that reality with an unconscious content, but not necessarily by highlighting the mechanisms of defense or censorship. It means to say that the very statute of the concept of unconscious in theory was different. More precisely, Freud started considering that unconscious representations resulted mainly from a psychic conflict between the individual’s desire and morals, and no longer, as supposed by Breuer, from the individual’s experience in a state of hypnosis or altered consciousness. This way, the free association of ideas aimed to circumvent the mechanisms of censorship of unconscious contents, or favor the flow of the primary process of the psyche under the domain of its secondary or conscious elaborations. For Freud, this hypothesis seemed to provide a better answer to the question under investigation.</p>
				<p>Could one find, under the diversity of all theoretical and methodological perspectives in the history of human sciences, two perspectives that could be classified according to the qualitative or quantitative method of research? Would the fact that one cannot find such denominations of method in Marx, Freud, Piaget, Wallon, Vygotski, Lévi-Strauss, Max Weber, Durkheim and many other classic thinkers of human sciences not be relevant enough? Would all of them have overlooked this aspect that now divides methodological perspectives into qualitative or quantitative? We will discuss a hypothetical image of science and of a concept of thought in an attempt to advance some hypotheses on the reasons for such a division.</p>
			</sec>
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				<title>An image of science</title>
				<p>We will start from a hypothetic image of science based on physics to rethink the division between the quantitative or qualitative method of research in human sciences. In our view, such a division is even sharper in psychology. We hypothesize that a more adequate understanding of the sense of natural sciences as model of scientific activity, notably the one launched by modern physics, can serve to deconstruct the idea of quantitative method and, <italic>pari passu</italic>, of qualitative method. In other words, a certain image of science where the control of variables is not only strict, but is expressed in mathematical formulas - knowledge that is exact or, when probabilistic, still aimed at accuracy - might have favored some numerical fetishizing. The natural order of things or of the phenomenon rigorously controlled and produce, i.e., assembled in lab according to invented and replicable models, can give the impression that what distinguishes scientific from non-scientific knowledge is the possibility of quantifying it and, <italic>pari passu</italic>, its methodology<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>. This is the main point of our discussion. We believe that some distinguishing features of this sort of knowledge should be made clearer.</p>
				<p>First of all, we would like to emphasize or recall that quantification is not enough to build scientific knowledge, neither is it its main trait. There is the necessity to explain or show the order that links quantitative data, which enables talking about cause-effect relationships or the required initial and final conditions to the experience. In other words, particularly today, when there is an apparent shortage of reflection and when psychology - but not only psychology - is reduced to the production of data at the expense of critical analysis, therefore to the detriment of theory itself, we should bear in mind that quantification in science is part of a principle of explanation or understanding of the phenomenon. Ultimately, a number alone has no meaning. A number only acquires meaning in an analytical context of sense. This thesis does not seem to be (or should not be) subject to contention. It can serve as the supporting point to the beginning of our discussion, because the activity that will organize the accomplishment of this analytical context of sense that comprises quantification will be named method of research.</p>
				<p>For this reason, we would firstly like to emphasize (keeping in mind that we are dealing with an image of natural sciences) that the experience created and replicated in labs is organized by a theoretical model of investigation that works on some hypotheses regarding reality. In other words, it is not a free or spontaneous observation because it is driven by certain questions and hypotheses about reality. One could say that this principle, which emphasizes the active and organizing role of thought in scientific investigation, is shared by most philosophers of science in the 20<sup>th</sup> century.</p>
				<p>For example, Popper - contemporary to the theory of the physics of relativity - dealt with the provisionary trait of scientific knowledge, while Kant - contemporary to Newton - believed that scientific knowledge could only be improved, but never replaced or rebutted. However, prior to (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Popper, 1963/1994</xref>), (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Kant, 1781/1989</xref>) had already covered this issue - we could also mention Kuhn’s (<xref ref-type="bibr" rid="B11">1962/2009</xref>) notion of paradigm -, that reason only learns with nature by forcing it to give answers to reason’s questions, following thought-out plans. According to (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Kant, 1781/1989</xref>) in the preface of <italic>Critique of pure reason</italic>:</p>
				<disp-quote>
					<p>When Galileo caused balls, the weights of which he had himself previously determined, to roll down an inclined plane; when Torricelli made the air carry a weight which he had calculated beforehand to be equal to that of a definite volume of water… a dawn broke upon all students of nature. They learned that reason only has insight into that which it produces after a plan of its own, and that it must not allow itself to be kept, as it were, in nature’s leading-strings, but must itself show the way with principles of judgment based upon fixed laws, constraining nature to give answer to questions of reason’s own determining. Accidental observations, made in obedience to no previously thought-out plan, can never be made to yield a necessary law, which reason alone is concerned with discovering. (p. 18)</p>
				</disp-quote>
				<p>Or also,</p>
				<disp-quote>
					<p>Reason, holding its principles in the one hand, according to which alone concordant appearances can be admitted as equivalent to laws, and, in the other hand the experiment which is devised in conformity with these principles, must approach nature in order to be taught by it. It must not, however, do so in the character of a pupil who listens to everything that the teacher chooses to say, but rather as an appointed judge who compels the witness to answer questions which he himself has formulated. (p. 18)</p>
				</disp-quote>
				<p>Only for clarification purposes (we do not wish to introduce Kant’s philosophy), among the principles that guide reason in its judgment about nature, as referred by the author, is determinism, the concept that natural phenomena are linked according to relationships of necessity, which makes it possible to state these relationships in laws. It is the concept of “nature” itself, founded in modernity. What really matters to us here is that this principle is not applicable without a plan, i.e., without imagining and assembling an experiment on the hypotheses about certain natural relationships, as in the examples cited above of Galileo and Torricelli. Here, what is more important in these examples is to emphasize the assembling of the experiment, i.e., the <italic>method</italic> to verify the hypothesis or answer the scientist’s question before nature; in the method, quantification is <italic>just</italic> one of its elements or procedures.</p>
				<p>(<xref ref-type="bibr" rid="B16">Merleau-Ponty, 1949-52/1988</xref>) is another philosopher who also highlights this role of active and creative thought in science. He did not overlook some of the main issues highlighted by Kant regarding scientific activity when he states:</p>
				<disp-quote>
					<p>Paradox of science is that in order to understand the concrete, we must begin, in a sense, by turning our backs to it. Galileo had to reconstruct the givens of the senses by an intellectual step. When, on the contrary, the desire is to notice the fact directly (for instance, how Aristotle noted the natural link of heavy bodies), one is led to abstractions. Science commences the day that, instead of passively noticing, it reconstructs appearances, thus giving itself models of reality. (free translation, p. 486)</p>
				</disp-quote>
				<p>It is worth noting that Merleau-Ponty reverses the ordinary concept about the difference between abstract and concrete precisely to highlight the importance of the model in the intellectual reconstruction of appearances or data of senses. Simple observation does not lead to knowledge about reality. Here, being the closest to it, i.e., the sensitive appearance is farther from knowledge in terms of reality. It is farther because it assumes the creation of an intellectual model of reality, i.e., the reconstruction of data of sense, turns out to be closer to its knowledge.</p>
				<p>In this sense, (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Bachelard, 1934/1985</xref>) employs the term phenomeno-technique to emphasize the artificial nature of scientific experiments, i.e., that which produces its phenomenon as experimentation. (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Latour and Woolgar, 1979/1997</xref>) emphasize how the simple presence of technical devices in a research lab represents reified theories used to build new scientific facts. In other words, these theories are incorporated into devices with no further discussion, as if they represented reality, and are used to investigate new lab phenomena, which, in turn, lead to new facts and materials. For example, the telescope used by Galileo to observe the sky assumed the theoretical model of the optical physics it contained - which, incidentally, raised much discussion at the time - and led to the discovery of new celestial phenomena (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Furlan, 2008</xref>). Thus, science becomes the model of a complex theoretical and instrumental network about reality.</p>
				<p>Finally, according to (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Heidegger, 1938/2001</xref>), we could say that technique is at the heart of modern science, which aims to control and manipulate nature, hence the need for measurement or quantification as expressed in mathematical equations. So, from the perspective of ethics or of the evaluation of a way of life, we could question the impact of the supremacy of this kind of human view or behavior on life, a subject we are not addressing here. What cannot be done is to confuse the <italic>intellectual assembling</italic> of the scientific experience, of which measurement is part, with the quantitative method. That would be like taking the part as the whole. The method, as we emphasize, belongs much more to <italic>imagination and</italic> 
 <italic>invention of experience</italic> than to the quantification of its variables, which are attached to imagination and invention. Here, it is worth mentioning the anecdote by (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Popper, 1963/1994</xref>) that he started a conference in Vienna by asking the physics students to take their pencils and paper and carefully observe and record their observations. The students naturally asked him what he wanted them to observe. After all, observe what, for what purpose? The same holds for quantification and measurement: <italic>without a principle of selection and linkage</italic>, they will lead nowhere. Or, with regard to observation, this shortage may lead to mysticism or to experiencing the sublime, according to Kant. Or, according to phenomenology, it could lead to the primordial ground of our pre-reflexive experience of the world, i.e., to the transcendental field of senses. Or, according to the philosophies of Nietzsche and Deleuze, it could lead to the transcendental field of forces and intensities.</p>
				<p>But this, however important, is not creating science. Science will always be a (limited) plan of understanding reality, built from a principle of selecting and linking variables, which can comprise quantification. The mathematization of nature could even be the objective of knowledge, representing a very reductive principle of knowledge which proved powerful for the manipulation or control of reality (the principle of technique, as mentioned with Heidegger). Quantification, however, can only be considered as a method as much as observation can; i.e., <italic>it cannot</italic>, as long as it is not subjected to, or inserted into, a plan to build knowledge, or, in other words, as long as it does not justify the elaboration of a method with hypotheses about reality.</p>
				<p>So, once suspicion is cast on the pertinence of the quantitative method to designate scientific methodology (here based on one of the most well-established models of science, i.e., physics), the same occurs to the notion of the qualitative method, which only makes sense in opposition to the quantitative method. After all, the qualitative method only exists in opposition or criticism to the quantitative. In other words, quantification is not enough to understand or explain a phenomenon. But that is what we have just seen.</p>
				<p>This can be illustrated by Ginzburg’s (<xref ref-type="bibr" rid="B8">1976/2006</xref>) preface to the Italian edition of his work, <italic>The Cheese and the Worms</italic>. Here, he investigates the everyday life of a miller named Menocchio. The miller lived in the 16<sup>th</sup> century, in the north of Italy, and had his ideas persecuted by the Inquisition. Ginzburg works on the documents the Inquisition produced on Menocchio. He justifies his research through several theoretical and methodological discussions that are always interconnected. It is worth noting that the author does not intend to deny or oppose the dichotomy between quantitative and qualitative research - which we do - although his result seems to be exactly that. For our purposes, we start with a passage where he uses the metaphor of a computer to identify the spirit of quantitative research:</p>
				<disp-quote>
					<p>With this, it is not my intention to pass judgment on qualitative versus quantitative research; quite simply, it must be emphasized that, as far as the history of the subordinate classes is concerned, the precision of the latter cannot do without (cannot do <italic>yet</italic>, that is) the notorious impressionism of the former. E.P. Thompson’s telling remark about “the gross reiterative impressionism of a computer, which repeats the conformity <italic>ad nauseam</italic> while obliterating all evidence for which it has not been programmed” is literally true in the sense that the computer, obviously, executes but does not think. On the other hand, only a series of specific in-depth investigations may permit the development of an articulate program to be submitted to the computer. (p. 21)</p>
				</disp-quote>
				<p>The example seems quite illustrative of our discussion. After all, someone must think as the computer programmer does, who, as Ginzburg concludes, must be capable of highlighting and articulating significant data to the question under investigation. This, in turn, implies a theory and a hypothesis on reality (just as Galileo and Torricelli did, in our aforementioned citation of Kant). The programmer, we could add, must also be capable of reprogramming the computer if reality so demands, as many times as required. Other researchers, following the same line of research, should do the same to prevent the risk of “impressionism” of the computer or, we might say, of its “subjectivism”. It is a curious or unusual inversion of terms, but one that actually points out that behind the rigidity of a concept there is the exaggerated presence of a given way of looking at and conceiving reality.</p>
				<p>The meaning of “notorious impressionism of qualitative” is also worth highlighting in the quotation. Ultimately, it means <italic>lack of empirical foundation</italic>, or <italic>a speculative nature without the due empirical counterpart</italic>. Therefore, assuming that the qualitative method opposes the quantitative, in the perspective that quantification is not enough to explain a phenomenon, we have the motivational background for the dispute between the quantitative or qualitative research methods. Here, the “qualitative” accuses the lack of “thought” in the “quantitative”, and the latter, in turn, claims that there is an “excess” of extremely speculative thought in the “qualitative” method. In other words, all this is nothing but a disagreement about the sense of the object or reality investigated. And this sense of the investigated object or reality is what should be discussed from the beginning to the end of the research, but it is mistakenly reified through the qualitative and quantitative terms. Besides being instigating, is Ginzburg’s aforementioned research work empirically well-grounded? This is the point.</p>
				<p>On the other hand, Ginzburg refers to the history of ideas, which, according to him, has conducted broad quantitative surveys of the ideas found in a given time and place. However, it does not ask questions regarding the effective use of this written material by the poorest. Menocchio is a very singular example of this, since he not only used to read more erudite texts, but he also conjugated them in an original way with his oral tradition.</p>
				<p>Ginzburg’s criticism of quantitative research in the history of the ideas does not refer exactly to quantification procedures, which, in fact, are found in any empirical research, in one way or another. In the case of Menocchio, Ginzburg himself works on a set of documents written by the Inquisition and others written by the defendant. The mistakes highlighted by Ginzburg Ginzburg always refer to a given conception of historical reality, which, in this case, is due to the fact that the history of ideas does not consider the reader’s role in relation to the written word.</p>
				<p>His criticism of the history of mentalities follows the same direction. According to Ginzburg, Lucien Febvre is a case in point of the history of mentalities. The history of mentalities presupposes a spirit that is typical of that time and that underlies the history of ideas, as it incorporates habits and unconscious meanings to the research. Thus, it has a broader meaning or a meaning that is closer to reality, whereas the published ideas are only a quite incomplete or particular manifestation of the same reality. However, according to Ginzburg, the history of mentalities still assumes a homogeneous reality to different social classes, concealing their differences.</p>
				<p>The notion of popular culture - which is the object of his research - at least avoids this inter-class homogenizing extension. The author insists that he is not unaware of the broad scope of the term and that there are differences, for example, between rural and urban populations. The challenge here is the access to the past of this mainly oral culture. Anthropologists have access to it when studying the present, while historians cannot go back to the past and witness the orality of ancient cultures. But historiographical research has partially circumvented this problem as it starts to have access to more popular publications such as the <italic>cordel</italic> literature, which at least represents a set of ideas that circulated among the subordinate classes of the population.</p>
				<p>It is in this perspective that Ginzburg also finds in the Inquisition’s archives about Menocchio a direct material regarding the popular culture of that time. Obviously, because Menocchio can read and write, he is not a manifestation of pure popular culture as he is pervaded by the ideas of the literate elite. However, to Ginzburg, this is not exactly a problem, because his aim is not to isolate one culture from the other (popular and erudite), but rather to understand the circulation between them. Neither is it a matter of disregarding the broader context evidenced by the case. A highlight in that context is the press expansion - that allowed easier access to written materials - and the Reformation movement - which fostered the boldness to talk about and express his religious ideas. It is also worth noting that the Counter-Reformation worsened the repression of freedom of speech, which eventually caused Menocchio to be burnt by the Inquisition.</p>
				<p>None of these questions refer to quantification. Ginzburg only challenges it regarding its assumptions about historical theory, more specifically regarding what is <italic>not</italic> considered from a theoretical viewpoint of reality. This is what he is really concerned with, and is what he tries to discuss in his preface. Thus, the terms “quantitative” or “qualitative” used to designate the research method can be considered a reification of theoretical and epistemological concepts, while discussions regarding such concepts are left aside. These resemble archeological remainders which are taken <italic>per se</italic>, separated from the living thought in which they participated with their hesitations and bets that are susceptible to abandonment or development. This means that what is at stake in using or abandoning the terms quantitative or qualitative in research projects is the prerogative of dead or living thoughts. In other words, which emphasis will be privileged in the research, i.e., the technical one - taken as a method - or the method, always attentive to the logic of its articulation with the issue.</p>
				<p>In sum, any empirical datum is always a construction in function of the question that highlights it. Therefore, it does not give up the singularity of the view and thought of the researcher (like in the examples of Galileo and Torricelli, quoted by Kant, or of the computer programmer, quoted by Ginzburg). Or, as (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Lenclude, 1991</xref>) emphasizes about the ethnographic method - and, to us, this is also valid for natural and human sciences in general -, the ethnographic document “is ‘created’ by the <italic>questioning</italic> that gave rise to it and by the <italic>operation</italic> that isolated it from practice to promote it into a knowledge instrument” (free translation of page 475, emphasis added). Obviously, this is also applicable to data of statistical measurements and analyses of empirical research in the human sciences. These can be important means for investigating reality, provided the researcher is not charmed by its apparent objectivity (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Boudon &amp; Bourricaud, 1982</xref>, p. 370), because what matters is to <italic>discuss the adequacy</italic> and <italic>scope or limits</italic> of data related to the question to be answered. That is why the method is not reduced to a quantification technique, which leads (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Boudon and Bourricaud, 1982</xref>) to emphasize that the method is, par excellence, “explanation of text” (p. 369), i.e., discussion and justification of procedures for guiding the investigated issue.</p>
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				<title>A concept of thought</title>
				<p>Another way to approach the issue of the division between quantitative and qualitative research methods in human sciences, notably in psychology, is to highlight what seems to be a general retreat of the activity of thinking. Then we can see that the problem we are dealing with is broader than the simple division between qualitative or quantitative research methods. After all, an analogous situation can take place with any theoretical or ideological denomination of a method added to the research, such as the “positivist” (today, generally used by its critics, i.e., applied to other people’s research), the “phenomenological”, “Marxist”, “psychoanalytical” etc., whatever all this could mean from the methodological point of view. This is very much thanks to the generality of each of those perspectives, including the diversity of the perspectives in the heart of each of them and, many times, in the history of the same author’s thinking. Hence, if potential identity reactions to the contrast of the division established between quantitative and qualitative research methods were not enough, here we add the risk of resistance by those that fit their research into some current of thought.</p>
				<p>We would like to convince, or at least invite people to think that such identifications, rather than fostering good research experiences, could be a way of limiting one’s thoughts. Well, if we added questions related to theoretical or ideological designations of method to the issue of division between quantitative and qualitative research methods, it is because we view in the former another version of the same problem as in the latter. After all, what could one expect from such statements? To top the question or problem with a certain approach of sense that, and this should be emphasized, does not even ensure an appropriate use, given its general nature?</p>
				<p>It <italic>definitely</italic> does not mean that such research approaches cannot be valuable or present when considering the question. We should bear in mind that no one begins a research project completely empty, or that any research brings a given theoretical perspective or view (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B6">Furlan, 2008</xref>), just like method and theoretical perspectives are built together, as aforementioned. However, it seems inadequate to confound the generality of a theoretical perspective with the accuracy or delimitation of a methodological procedure that any empirical research should have. Hence, if in principle we brought method closer to theory, now we would like to make a distinction that seems crucial to conduct any empirical research. A method presupposes <italic>control of procedures</italic>, as in the examples of Galileo and Torricelli mentioned by Kant in the preface to the <italic>Critique of pure reason</italic>, or the examples we gave of the methods of hypnosis or free association of ideas in psychoanalysis. Therefore, a method can be <italic>applied</italic> to reality.</p>
				<p>In contrast, a theoretical perspective is a way of investigating reality that merges with the “glance” of the researcher or with the researcher himself. Put differently, <italic>stricto sensu</italic>, marxism, psychoanalysis, phenomenology, constructivism, socio-constructivism, schizoanalysis or any other current of thought cannot be applied to an empirical research, although the researcher can “be” marxist, psychoanalyst, phenomenologist, constructivist, socio-constructivist, schizoanalyst, etc., in investigating reality, and then employ, according to such schools of thought, the procedures or methods considered suitable to that research of reality. In fact, we are usually a “mix” of theoretical perspectives that are as inseparable as - paraphrasing Descartes - the substantial union between “body and soul”. It does not mean there are no stars with different magnitudes, as Merleau-Ponty says about the importance of others in building our subjectivities (<xref ref-type="bibr" rid="B14">1964</xref>).</p>
				<p>However, we should not confound the great theoretical perspectives that, by definition, are open, despite the design that differentiates one from the other, with the application of a method that, by definition, should be accurate (and “accurate” does not mean static, not subject to adjustments or not demanding other types of procedures). Psychoanalysts, for example, will find in their “object” of study methodological procedures that enable the emergence of unconscious senses under the symptom experienced. Which are these procedures? It is the researcher’s imagination that should develop them, such as Freud does with the free association of ideas on the divan, in accordance with his theoretical assumptions. Each psychoanalytical current can outline one procedure or another according to its specificity in relation to the other ones (e.g., certain games or play activities for child psychoanalysis). A Marxist will find procedures that can bring to light social contradictions in the production of human reality under the discourse or manifested sense of the facts, and according to their specificity in relation to other Marxist currents. A phenomenologist, in turn, will find procedures that can help to highlight senses and describe them free of any previous theory, according to the “method of <italic>epoché</italic>” (suspension of judgments), as advocated by Husserl.</p>
				<p>The radicalism of the phenomenological proposal, intended to position itself prior to any theory or concept of reality, seems to be privileged to place us in the heart of the discussion. After all, is such a suspension of judgments possible? Or, to what extent is such a suspension of judgments possible? Why, as (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Merleau-Ponty, 1945/1994</xref>) states in the preface to the <italic>Phenomenology of Perception</italic>, is phenomenology recognized by an inchoative style or movement of thoughts rather than by “a doctrine or a system”? (p. 20). What method is that but the general prescription to describe the perceived meaning (<italic>sens</italic>) rather than explaining it according to accepted theses on reality?</p>
				<p>According to the main perspective that (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Merleau-Ponty, 1945/1994</xref>) teaches us in the same work, we can add that if we could suspend all of our theses, as advocated by Husserl, even then, with any single movement to say the meaning (<italic>sens</italic>) of what we see or perceive, we would already be in the implicit field of meanings (<italic>sens</italic>) we have about the world. This is why the phenomenological reduction is an endless process. We do not have to be a follower of Merleau-Ponty to embrace this thesis. The author himself, by the way, would not give up the <italic>mediation</italic> of science research to unveil the meaning (<italic>sens</italic>) of reality (therefore, to conduct his own phenomenology). In other words, an author who would not give up research that went <italic>beyond</italic> the precept of simple description of phenomena and advanced hypotheses and models on reality.</p>
				<p>If we simply observe works and perspectives of the different authors in the phenomenological current, we will be convinced that such terminological generality is not <italic>tout court</italic> applicable. This also holds for psychoanalysis, marxism or any other theoretical or ideological current of thought.<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> And it holds simply because we cannot separate ourselves from the implicit meanings (<italic>sens</italic>) we have of the world as if we were taking off one shirt and putting on another, or changing the lenses of our glasses, as is usually said about the currents of thought we use to think about reality, because here we are talking about the body itself or the eye itself. We might, if we like, assume the existence of both definitions of methods. One that is more general (theoretical or ideological), as a <italic>way or style of thinking</italic>, i.e., <italic>of selecting and linking</italic> variables in the light of the theoretical perspective. The other, more specific, justifies and accurately defines its procedures and determines, in a restricted way, the fate of a research (so many research works have achieved surprising results only because of the genius of the researcher when assembling an experiment!), always bearing in mind its intrinsic relationship with the theorization of reality, i.e., the instable or dialectic game<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> of their mutual determinations.</p>
				<p>For purposes of clarity, we reserved the denomination of research method to the latter concept. We do so because it is through this concept that one can <italic>concretely</italic> conduct the development of the question to be researched, i.e., the technical or practical procedures through which one tries to answer the research question: interviews, observations, statistical procedures, etc., in their different modes and situations. And if we reserve the denomination of method to the <italic>conduction</italic> of the concrete research procedures that can be controlled when confronting the question - which, <italic>per se</italic>, explodes the binary division between the qualitative or quantitative research methods -, then one cannot understand method as technique because, as we have demonstrated throughout this paper, thought is always in the instable or dialectic relationship between those procedures and the theoretical field wherein they are situated.</p>
				<p>This is the point we would like to stress: the need to prevent the risk of emptying the theoretical discussion implicit in any methodological procedure. To put it another way, a method is never ready and, therefore, is not a simple technique. Rather, the use of a technique is justified <italic>in the</italic> method, just like its justification in research is part <italic>of</italic> the method, depending on its hypotheses about reality.</p>
				<p>To conclude this point about the theoretical-methodological heritage that grounds our way of thinking about reality, we believe it deserves a longer citation of what (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Merleau-Ponty, 1960/1984</xref>) says about what he inherited from Husserl’s thought. For us, it is also valid for all classic thoughts of human sciences that we mention herein:</p>
				<disp-quote>
					<p>Tradition means the forgetting of its origins, the aging Husserl used to say. Precisely because we owe him so much, we are in no position to see just what belongs to him. With regard to a philosopher whose venture has awakened so many echoes, and such an apparent distance from the point where he himself stood, any commemoration is also a betrayal (…). But Husserl was well aware of these difficulties - which are problems of communication between “egos” - and he does not leave us to confront them without resources. I lend myself to others; I create others from my own thoughts. This is no failure to perceive others; it is the perception of others. We would not overwhelm them with our importunate comments, we would not stingily reduce them to what is objectively certified of them, if they were not for us to begin with. Not to be sure with the frontal evidence of a thing, but installed athwart our thought and, like different selves of our own, occupying a region which belongs to no one else but them. (p. 239)</p>
				</disp-quote>
				<p>To subsequently complete that it is impossible, even by right, to separate, at each moment, what belongs to the thought of each one:</p>
				<disp-quote>
					<p>The reason why we think that interpretation is restricted to either inevitable distortion or literal reproduction is that we want the meaning of a man’s works to be fully positive and by rights susceptible to an inventory which sets forth what is and is not in those works. But this is to be deceived about works and thought. (page 241)</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Obviously, an empirical research is not a comment about a work. However, when one intends to use it as theoretical-methodological principle, it is subject to the same kind of dialogue as mentioned by Merleau-Ponty concerning philosophical thought. Therefore, as we have exposed, it cannot be duly applied as a method simply because theory is not an object for our thought, an idea that we can manipulate and adjust to reality, as with our empirical research procedures. In other words, it is more in us (transversely, according to the citation) and in a “confused” way (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Merleau-Ponty, 1951/1991</xref>), i.e., in communication with other works, more than in front of us and subject to manipulation.</p>
				</disp-quote>
				<p>But all this is just the formal aspect of our question, which, in our view, does not supports neither the empty generality of the terms “quantitative” or “qualitative” (which have little meaning) nor the concept of a method where procedures cannot be defined and <italic>controlled</italic>, as in the case of theoretical or ideological currents. It is just the formal aspect because what matters in research is, first of all, to think freely and with an open spirit about the question to be researched. This should not be confused with a lack of the theoretical and empirical rigor required in any research. Quite the opposite, this rigor should be a consequence of the freedom and openness of spirit, of the respect for the singularity and complexity of any phenomenon.</p>
				<p>There are many potential perspectives to develop a question<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>, but whatever the perspective, it should be to the service of exercising thought in the investigation. That is to say that previous theoretical-methodological perspectives should not subdue thought, which would mean to enclose it in the thinking of someone else who effectively thought to elaborate a problem. This statement does not underestimate the importance of reading classic works to think about reality and conduct research in human sciences.<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>
				</p>
				<p>Generally speaking, theoretical-methodological perspectives, considering the questionings and exceptions about their identity and use, emerge <italic>immanent</italic> to the research, like a force to open and apprehend the meaning (<italic>sens</italic>) of world, in their analytical capacity of developing the question, rather than as labels stuck on the presentation of the method (by the way, how many works have not betrayed, in form and content, the theoretical-methodological perspective that they promised, which just goes to show, as said earlier, that this cannot be <italic>tout court</italic> applied).</p>
				<p>To put it differently, one can “be” marxist, psychoanalyst, phenomenologist, foucauldian, socio-constructivist, schizoanalyst, etc. or, as <italic>we would rather say</italic>, we are a style or a given way of perceiving, feeling and saying reality. But this should favor openness rather than closure in our experience of the world. Indeed, the importance of language on the way the world is perceived already seems a datum. In this sense, as (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Feyerabend, 1977</xref>) highlights, “languages and the reaction patterns they involved are not merely instruments for <italic>describing</italic> events (facts, states of affairs), but that they are also <italic>shapers</italic> of events (facts, states of affairs)” (page 349). In the specific case of science, it is what (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Kuhn, 1962/2009</xref>) called paradigm, and Deleuze and Guattari called partial or scientific observers (<xref ref-type="bibr" rid="B4">1991</xref>) to emphasize the intrinsic link between perception and language, or between a certain form of sensitiveness and the scientific elaboration of the world. <italic>However</italic>, what matters is that such sensitiveness should also be open enough to prevent being subdued by the determination of concepts, and vice-versa, concepts should be open enough to prevent being subdued by certain perception patterns, otherwise, thought would lose its power or capacity of exploitation.</p>
				<p>This means that we should not attach priority to one of these faculties (perception, feeling and speech) nor consider them as separated in building knowledge, because they pervade each other and are mutually constituted. More specifically, what matters is not to conceive the communication between these faculties exclusively from the point of view of their agreement in the process of knowledge, but also from the point of view of their tensions or disagreements that challenge us to new arrangements between our language and perception of the world or, simply, that challenge us to think.</p>
				<p>In sum, besides exposing and justifying the concrete methodological procedures through which one intends to deal with the question, which already brings many theoretical implications about reality, to state that the method is quantitative, qualitative, Marxist, psychoanalytical, schizoanalitic, phenomenological, socio-constructivist, etc. will add nothing from the epistemological point of view, whether because of the empty meaning of the terms “quantitative” or “qualitative”, or because of the uncontrolled generality of the terms of theoretical or ideological currents. Moreover, it can jeopardize the freedom or the full exercise of the act of thinking in research.</p>
				<p>At worst, these denominations aim to protect a research from its weaknesses. It is as if the first two terms represented methodological options that should be respected (but they should not), and the other terms summoned the authority of imaginary allies to remedy their shortcomings, as if, by reading such research, we should also suppose what Marx, Freud, Husserl, Foucault, Piaget, Vygotsky, etc., wrote (not to mention when such methodological denominations are just a compliance with the protocol imposed by some academic tradition of doing science).</p>
				<p>In this perspective, the occasional necessity to name what is being done can be amazing. It is a question that obviously paves the way for broader reflection that exceeds the scope of this article. Nevertheless, we would like to stress that it is a potential symptom of a retreat of thought or avoidance of the necessity to think<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> - in this case, retreat from the necessity to <italic>soundly justify</italic> the method in its <italic>tense or dialectic relation with the question researched</italic> (its adequacy, scope and limitations). Therefore, as subterfuge to get rid of bothersome problem.</p>
				<p>Finally, and as we started this article by excluding the terms “quantitative” or “qualitative” or the terms of “theoretical currents” or “ideological currents”, we propose a <italic>terminological</italic> cleaning or economy in the denomination of research methods. That would both comply with the meaning of scientific activity, and keep the focus on what matters, which should sharpen the need for method justification in any research. An economy, therefore, to improve clarity and increase the necessity to think.</p>
			</sec>
		</body>
	</sub-article>
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