Conexões, oscilações e contrapontos entre a política kaiowá e guarani – teko joja – e a política não indígena – karai política
DOI:
https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.213231Palavras-chave:
política indígena, indigenismo, Kaiowá e Guarani, autonomia indígenaResumo
Os Kaiowá e Guarani se organizam em parentelas bilaterais, reunindo certo número de fogos domésticos. Cada parentela é articulada e politicamente dirigida por um ou mais casais de velhos, os donos da casa –ogajara, metaforicamente reconhecidos como os avós de toda a parentela (ramõi e jaryi). Até 1988, o SPI e a Funai impuseram o deslocamento das parentelas de seus territórios de ocupação tradicional para reservas, e implantaram aí um regime de controle político, instrumentalizando-se do recurso da administração indireta, nomeando um “capitão” e auxiliares indígenas. Esse regime se mantém até hoje, a despeito das mudanças na legislação. Resultam daí conexões, oscilações e contrapontos, entre um sistema político que poderíamos nominar como “presentação”, baseado na figura do líder diretamente vinculado à reciprocidade entre parentes, e um sistema político pretensamente representativo, onde a pessoa que lidera o grupo da “capitania” intenta representar todas as parentelas reunidas na reserva, acionando a categoria “comunidade” ou “aldeia”.
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