O alquimista: um “sujeito periférico” no circuito do empreendedorismo social

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DOI:

https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.214437

Palavras-chave:

Periferias urbanas, Cultura popular, Etnografia, Empreendedorismo social

Resumo

Com base na interlocução com um empreendedor social e “sujeito periférico” da zona Sul de São Paulo, abordo neste artigo as contradições do empreendedorismo enquanto prática na experiência popular. Sob o impacto das mudanças sentidas na periferia na sequência das transformações no mundo do trabalho e no acesso ao consumo, o relato de João Vicente expõe uma renovação do ativismo em diálogo com formas de empreendedorismo social. Oprimidos pelo mundo do trabalho e movidos por uma utopia de liberdade, jovens periféricos se veem enredados entre a precariedade de suas alternativas e a necessidade de gerar renda. O núcleo do texto acompanha a trajetória de João Vicente e seus itinerários entre classes sociais, cultura periférica e engajamento político. Por fim, concluo que a adesão ao empreendedorismo entre jovens periféricos é resultado das novas condições de sociabilidade nas periferias urbanas entre sofrimentos e expectativas do futuro.

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Biografia do Autor

  • Henrique Bosso da Costa, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
    Mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo

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Publicado

2024-11-28

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Como Citar

Costa, H. B. da. (2024). O alquimista: um “sujeito periférico” no circuito do empreendedorismo social. Revista De Antropologia, 67. https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.214437