Cantos da vida contra governos da morte: os kanhgág tỹnh e o Acampamento Terra Livre

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.2022.215211

Palavras-chave:

cantos-dança, movimento indígena, festas funerárias, Acampamento Terra Livre, Kaingang

Resumo

Este artigo aborda movimentos e ações políticas indígenas a partir da etnografia de práticas expressivas de um coletivo kaingang denominado Nẽn Ga. Essas práticas, descritas pelos Kaingang como rituais [tỹnh], incluem cantos, danças, pinturas corporais, ornamentações, e são imprescindíveis para a realização de festas, as quais são atreladas a movimentos de retomada e de luta indígena. Propõe-se que as mobilizações indígenas, assim como as festas/ rituais kanhgág – das quais se destaca a festa funerária do Kiki –, produzem movimentos de afastamento e aproximação, construção e desconstrução de vínculos, promovidos muito por conta da experiência do cantar-dançar junto e do mobilizar-se contra inimigos comuns. A realização anual do Acampamento Terra Livre e outros eventos de mobilização são fundamentais para a renovação de alianças entre coletivos e povos diversos, que se unem especialmente contra governos mortíferos. A existência da Apib, maior rede do movimento indígena nacional contemporâneo, é, portanto, indissociável desses encontros, das lutas presenciais, que são cantadas, movimentadas por corpos pintados e ritmados.

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Publicado

2026-07-28

Edição

Seção

Dossiê Representação e “presentação” política ameríndia vol. 2

Como Citar

Gibram, P. A. (2026). Cantos da vida contra governos da morte: os kanhgág tỹnh e o Acampamento Terra Livre. Revista De Antropologia, 69, e215211. https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.2022.215211