O Bonito e o Político nas Coisas: reflexões sobre as relações dos Mebengokré-Kayapó com museus alemães
DOI:
https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.227409Palavras-chave:
Museus de antropologia, Coleções etnográficas, Mebengokré-Kayapó, Conflitos de intenções, Museu-aldeiaResumo
Entre alguns museus etnológicos alemães e os Mebengokré-Kayapó existe uma relação indireta que se constitui por meio das coleções nos acervos dos museus. Os indígenas querem, por outro lado, uma relação direta e próxima, que lhes possibilitaria conhecer o acervo e receber curadores dos museus em suas aldeias. Esta última relação é tratada neste artigo como relação direta, que existe apenas em potencial. Assim, o objetivo desta análise centra-se em entender e refletir sobre o que querem os indígenas a partir destas relações. Esta contribuição fundamenta-se em pesquisa de acervo na Alemanha e nove meses de etnografia com os Mebengokré-Kayapó entre 2021 e 2023. Ao tomarem contato com fotografias das coleções nos acervos, os Mebengokré-Kayapó teceram considerações e avaliações estéticas sobre os mesmos, que revelam suas próprias concepções sobre o que é uma coleção e o que é um museu. Argumento que para entender que tipo de relação desejam ter com as instituições alemãs é imprescindível levar em consideração suas relações políticas e de parentesco. Finalmente, na perspectiva indígena, museus devem se parecer com aldeias, converterem-se em museu-aldeia, para que possam usar os espaços dos museus para produzirem, confirmarem e ampliarem suas relações políticas e de parentesco.
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