Hacer hablar a las marcas: Contrapuntos a los procesos de invisibilización en la creación de unidades de conservación ambiental en territorios tradicionalmente ocupados en la cuenca del río Xingu
DOI:
https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.226682Palabras clave:
pueblos y comunidades tradicionales, conservación ambiental, conflictos socioambientalesResumen
Este artigo analisa processos de invisibilização envolvidos no estabelecimento de unidades de conservação de proteção integral em territórios tradicionalmente ocupados na região do médio Xingu, estado do Pará. O trabalho se apoia em pesquisa etnográfica e em fontes adicionais do campo da arqueologia e da história para compor um panorama da ocupação do médio Xingu e seu principal afluente, o rio Iriri, demonstrando como essa história de maior duração não foi devidamente considerada no processo que criou tais unidades de conservação. A partir de um percurso antropológico entre as agendas da ecologia histórica e política, o artigo busca mostrar como fazer falar as marcas se constitui uma ferramenta para combater essa invisibilização ambientalista colonial, apontando para novas matrizes da relação entre conservação ambiental e territórios tradicionais, bem como atender a demandas de justiça em face de violações de direitos humanos sofridas pelos povos e comunidades tradicionais envolvidos nesses conflitos.
Descargas
Referencias
ADALBERTO, Príncipe da Prússia. 2002 [1847]. Brasil: Amazonas-Xingu. Belo Horizonte: Itatiaia.
ARNAULT, Renan P. P. 2016. Altamira indígena em Belo Monte: experiências Xipaya e Kuruaya em transformação. São Paulo. Dissertação de Mestrado em Antropologia Social, Universidade de São Paulo.
BALÉE, William. 2006. “The Research Program of Historical Ecology”. Annual Review of Anthropology, 35: 75-98. https://doi.org/10.1146/annurev.anthro.35.081705.123231.
BALÉE, William; OLIVEIRA, Vinicius Honorato de; SANTOS, Raquel R.; AMARAL, Márcio; ROCHA, Bruna C.; GUERRERO, Natalia R.; SCHWARTZMAN, Stephan; TORRES, Mauricio; PEZZUTI, Juarez. 2020. “Ancient Transformation, Current Conservation: Traditional Forest Management on the Iriri River, Brazilian Amazonia”. Human Ecology, 48(2): 1-15. https://link.springer.com/article/10.1007/s10745-020-00139-3.
BETTENDORF, João Felippe. 1910. “Chronica da missão dos padres da Companhia de Jesus no estado do Maranhão”. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo LXXII (Parte I), p. 277-580.
CARDOZO, Alírio. 2008. “História como espetáculo: a Missão da Companhia de Jesus nas águas do Xingu. 1636”. In: SOUZA, César M.; CARDOZO, Alírio. Histórias do Xingu: fronteiras, espaços e territorialidades (Séc. XVII - XXI). Belém, Edufpa, pp. 17-34.
CARNEY, Judith A.; VOEKS, Robert A. 2003. “Landscape legacies of the African diaspora in Brazil”. Progress in Human Geography, 27(2): 139-152. http://dx.doi.org/10.1191/0309132503ph418oa.
CASTELO BRANCO, José Moreira Brandão. 1956. Nos vales do Xingu e Tapajós. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 231: 3-137.
CASTRO, Eduardo Viveiros de; ANDRADE, Lúcia M. M. 1988. “Os povos indígenas do médio Xingu”. In: SANTOS, Leinad Ayer O.; ANDRADE Lúcia M. M. As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas. São Paulo, Comissão Pró-Índio de São Paulo, pp. 135-146.
CHAMBOULEYRON, Rafael. 2008. “O sertão dos Taconhapé. Cravos, índios e guerras no Xingu seiscentista”. In: SOUZA, César M.; CARDOZO, Alírio. Histórias do Xingu: fronteiras, espaços e territorialidades (Séc. XVII - XXI). Belém, Edufpa, pp. 51-75.
CLEMENT, Charles R.; DENEVAN, William; HECKENBERGER, Michael; JUNQUEIRA, André B.; NEVES, Eduardo; TEIXEIRA, Wenceslau G.; WOODS, William I. 2015. “The domestication of Amazonia before European conquest”. Proceedings B. of the Royal Society, v. 282(1812). https://doi.org/10.1098/rspb.2015.0813.
CORRÊA, Mariza. 2003. Antropólogas & Antropologia. Belo Horizonte, Editora da UFMG.
COUDREAU, Henri. 1977 [1897]. Viagem ao Xingu. Belo Horizonte, Itatiaia. (Reconquista do Brasil, 49).
CUNHA, Manuela Carneiro da. 2019. “Antidomestication in the Amazon: Swidden and its foes”. Journal of Ethnographic Theory, 9(1): 126-136. https://doi.org/10.1086/703870.
DENEVAN, William M. 1992. “The pristine myth: the landscape of the Americas in 1492”. Annals of the Association of American Geographers, 82(3): 369-385, Sep. http://www.jstor.org/stable/2563351?origin=JSTOR-pdf.
FARIA, Eliane da Silva Sousa. 2016. Viagem etno-histórica e arqueológica ao médio Xingu: Memória e História Indígena na Amazônia. Belém, Tese de Doutorado em Antropologia, Universidade Federal do Pará.
FAUSTO, Carlos; NEVES, Eduardo. 2018. “Was there ever a Neolithic in the Neotropics? Plant familiarisation and biodiversity in the Amazon”. Antiquity, 92(366): 1604-1618. https://doi.org/10.15184/aqy.2018.157.
FERRETTI, Federico. 2017a. “Imperial ambivalences. Histories of lady travellers and the french explorer Octavie Renard-Coudreau (1867-1938)”. Geografiska Annaler, Series B: Human Geography, 99(3): 238-255. http://dx.doi.org/10.1080/04353684.2017.1353887.
FERRETTI, F. 2017b. “Tropicality, the unruly Atlantic and social utopias: the French explorer Henri Coudreau (1859-1899)”. Singapore Journal of Tropical Geography, 38(3): 332-349. http://dx.doi.org/10.1111/sjtg.12209.
FIGUEIRA, Luis. 1927 [1637]. “Memorial sobre as terras, e gentes do Maranhão, e Grão-Pará, e Rio das Amazonas”. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 148(94): 425-432.
FURUIE, Vinicius de Aguiar. 2020. Argonauts of the Amazon: river trade and rights in the Xingu Basin. Princeton, Tese de Doutorado, Princeton University.
GUERRERO, Natalia Ribas. 2022. Tem romance aquele lugar: territorialidade beiradeira e resistência em conflitos socioambientais nos rios Xingu e Iriri (Pará). São Paulo, Tese de Doutorado em Antropologia Social, Universidade de São Paulo.
HERIARTE, Mauricio. 1874 [1662]. Descrição do Estado do Maranhão, Pará, Corupá e Rio das Amazonas. Viena, edição do autor.
INGOLD, TIM. 2000. “Temporality of the landscape”. In: ______. The perception of the environment. Essays in livelihood, dwelling and skill. Londres, Routledge.
KOCH, Alexander; BRIERLEY, Chris; MASLIN, Mark; LEWIS, Simon. 2019. “Earth system impacts of the European arrival and Great Dying in the Americas after 1492”. Quaternary Science Reviews, 207: 13-36. http://dx.doi.org/10.1016/j.quascirev.2018.12.004.
KRÄUTLER, Erich. 1997. Menschen am Xingu. Eine documentarische Autobiographie. Viena, Böhlau.
LEVIS, Carolina; COSTA; Flávia R. C.; BONGERS, Frans; PEÑA-CLAROS, Marielos; CLEMENT, Charles R.; JUNQUEIRA, André B.; NEVES, Eduardo G. et al. 2017. “Persistent effects of pre-Columbian plant domestication on Amazonian forest composition”. Science, 355(6328): 925-931. https://doi.org/10.1126/science.aal0157.
LEVIS, Carolina; FLORES, Bernardo M.; MOREIRA, Priscila A.; LUIZE, Bruno G.; ALVES, Rubana P.; FRANCO-MORAES, Juliano; LINS, Juliana et al. 2018. “How People Domesticated Amazonian Forests”. Frontiers in Ecology and Evolution, 5. https://doi.org/10.3389/fevo.2017.00171.
NEVES, Eduardo Góes. 2006. Arqueologia da Amazônia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar.
NEVES, Eduardo Góes. 2020. “Castanha, pinhão e pequi ou a alma antiga dos bosques do Brasil”. In: OLIVEIRA, Joana Cabra; AMOROSO, Marta; LIMA, Ana Gabriela Morim de; SHIRATORI, Karen; MARRAS, Stelio; EMPERAIRE, Laure (org.). Vozes vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo, Ubu; IRD, pp. 109-124.
NIMUENDAJÚ, Curt. 1948. “Tribes of the Lower and Middle Xingú Rivers”. In: STEWARD, Julian H. (ed.). Handbook of South American Indians Vol. 3: The tropical forest tribes. Washington, Government Publishing Office.
OLIVEIRA, Adélia Engrácia de. 1970. “Os índios Juruna do alto Xingu”. Dédalo, 6(11/12): 6-291. http://www.etnolinguistica.org/biblio:oliveira-1970-juruna.
OLIVEIRA, Joana Cabra; AMOROSO, Marta; LIMA, Ana Gabriela Morim de; SHIRATORI, Karen; MARRAS, Stelio; EMPERAIRE, Laure (org.). 2020. Vozes vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo, Ubu; IRD.
OLIVEIRA FILHO, João Pacheco de. 1987. “Elementos para uma sociologia dos viajantes”. In: ______. Sociedades Indígenas & Indigenismo no Brasil. Rio de Janeiro, UFRJ; Marco Zero, pp. 84-148.
PARENTE, Izabel Cavalcanti Ibiapina. 2018. O Amazonismo e as Representações sobre os Seringueiros e a Natureza Amazônica. Brasília, Tese de Doutorado em Antropologia Social, Universidade de Brasília.
PETSCHELIES, Erik. 2018. “Karl von den Steinen’s ethnography in the context of the Brazilian Empire”. Sociologia & Antropologia, 8(2): 543-569. https://doi.org/10.1590/2238-38752017v828.
ROCHA, Bruna Cigaran da. 2017. Ipi Ocemumuge: A Regional Archaeology of the Upper Tapajós River. Londres, Tese de Doutorado, University College London.
SCOLES, Ricardo. 2015. “Do Rio Madeira ao Rio Trombetas, novas evidências ecológicas e históricas da origem antrópica dos castanhais amazônicos”. Novos cadernos NAEA, 14(2): 265-282. http://dx.doi.org/10.5801/ncn.v14i2.549.
SHOCK, Myrtle P.; MORAES, Claide de Paula. 2019. “A floresta é o domus: a importância das evidências arqueobotânicas e arqueológicas das ocupações humanas amazônicas na transição Pleistoceno/Holoceno”. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi - Ciências Humanas, 14: 263-89. https://doi.org/10.1590/1981.81222019000200003.
SNETHLAGE, Emília. 2002 [1912]. A Travessia entre o Xingu e o Tapajós. Manaus, Governo do Estado do Amazonas. (Documentos da Amazônia, 98).
STEINEN, Karl von den. 1942. Brasil central: expedição em 1884, para a exploração do Rio Xingu. São Paulo, Editora Nacional.
UMBUZEIRO, Antônio Ubirajara Bogéa; UMBUZEIRO, Ubirajara Marques. 2012. Altamira e sua história. 4 ed. rev. e ampliada. Belém, Ponto Press.
WEINSTEIN, Barbara. 1993. A borracha na Amazônia: expansão e decadência (1850-1920). São Paulo, Hucitec.
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Revista de Antropologia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Autores que publicam na Revista de Antropologia concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
