Da geologia à genética: uma abordagemantropológica para o percurso tecnocientífico daradioatividade natural
DOI:
https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.222216Palavras-chave:
Radioatividade natural, Lajes pintadas, Produção Científica, Antropologia da Ciência e da TecnologiaResumo
O objetivo deste artigo é apresentar o percurso e a infraestrutura tecnocientífico das verificações da radioatividade natural na cidade de Lajes Pintadas-RN, sob a perspectiva da Antropologia da Ciência e da Tecnologia. São três os conjuntos de informações analisados neste texto. Primeiro, os relatórios de prospecção geológica que demonstram o potencial da mineração de Urânio. Segundo, as pesquisas em Física e Química que atestam os níveis de gás Radônio. Por fim, a fundamentação da Geologia Médica, pois foca nas substâncias formadas em escalas temporalmente distantes da humanidade. A partir da abordagem antropológica dos trabalhos que compõem a história da radioatividade em Lajes Pintadas, este artigo problematiza o projeto de desenvolvimento nacional, destaca os laboratórios e recursos necessários na construção dos fatos, indica como os resultados são transformados por distintas abordagens, salientando como os efeitos da radioatividade operam conexões e requerem definições mais abrangentes.
Downloads
Referências
BERTOLDO, Arno Luís. 2000. Avaliação das atividades de levantamento geológico e dos Serviços Geológicos Nacionais: uma abordagem comparativa internacional. Campinas, SP, Tese de Doutorado em Administração e Política de Recursos Minerais, Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/131. Acesso em 08/10/2025.
CAMPOS, T. F. C.; NETO, J. V.; SRIVASTAVA, N. K.; PETTA, R. A.; HARTMANN, L. A.; MORAES, J. F. S.; MENDES, L.; SILVEIRA, S. R. M. 2002. “Arquipélago de São Pedro e São Paulo: soerguimento tectônico de rochas infracrustais no Oceano Atlântico”. In: SCHOBBENHAUS, C.; SILVA, C. R. (orgs.). Sítios geológicos e paleontológicos do Brasil. Brasília, DNPM/CPRM – Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), pp. 253-260. Disponível em: http://www.unb.br/ig/sigep/sitio002/sitio002.pdf. Acesso em 08/10/2025.
CAMPOS, T. F. C.; PETTA, R. A.; PASTURA, V. F. S.; SINDERN, S.; NASCIMENTO, P. S. R. 2009. “Environmental and safety education campaign on the radioactivity and the risk of malignity in the pegmatite Borborema province: preventive measures to avoid contamination with U and Th”. Estudos Geológicos (UFPE), 19: 77-
92. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosgeologicos/article/view/259820. Acesso em 08/10/2025.
CAMPOS, T. F. C.; PETTA, R.; MALANCA, A.; PASTURA, V. F. S.; SICHEL, S. E.; MOTOKI, A. 2013. “O gás radônio doméstico e a radioatividade natural em terrenos metamórficos: o caso do município de Lucrécia (Rio Grande do Norte, Brasil)”. Re- vista de Geologia, 2: 85-93. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/14851. Acesso em 08/10/2025.
CAVALCANTE, R. 2015. Petrologia e geologia estrutural do plutão granítico Barcelona, Província Borborema, NE do Brasil. Natal-RN, Brasil, Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica, Departamento de Geologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível
em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/15269. Acesso em 08/10/2025.
CHAVES, L. C. C.; NAVONI, J. A.; FERREIRA, D.; BATISTUZZO, M.; FERREIRA, C, T.; PETTA, R. A.; SOUZA DO AMARAL, V. 2016. “Water mutagenic potential assessment on a semiarid aquatic ecosystem under influence of heavy metalsand natural radioactivity using micronuclei test”. Environmental Science and Pollution Research, 1: 1-10. https://doi.org/10.1007/s11356-015-5993-2. Acesso em 08/10/2025.
CNEN. 2020. “Resolução n. 267”, de 14 de outubro.
DANTAS, A. P. 2017. Produção de espaço urbano e centralidade regional: tecendo reflexões acerca da cidade de Santa Cruz. Natal-RN, Brasil, Dissertação de Mestrado em Geografia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/33042. Acesso em 08/10/2025.
FONSÊCA, C. S. 2019. Análise de risco associado à qualidade da água e sua relação com indicadores ambientais em reservatórios do Rio Grande do Norte-RN. Natal-RN, Brasil, Dissertação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/ccf7bee9-9d-65-46c7-ad14-73013d50ef98/content. Acesso em 08/10/2025.
HOUDART, S. 2015. “Humanos e não-humanos na antropologia”. Revista Ilha, 17(2): 13-29, ago./dez. https://doi.org/10.5007/2175-8034.2015v17n2p13. Acesso em 08/10/2025.
KECK, F. 2019. The anthropology of epidemics. Londres, Routledge.
KECK, F. 2009. “Conflits d’experts: les zoonoses, entre santé animale et santé humaine”. Ethnologie Française, XXXIX(1): 79-88. https://10.3917/ethn.091.0079. Acesso em 08/10/2025.
LATOUR, B. 1994. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Rio de Janeiro, Editora 34.
LATOUR, B. 2010. “Redes que a razão desconhece: laboratórios, bibliotecas, coleções”. In:
PARENTE, A. Tramas da rede: Novas dimensões filosóficas estéticas e políticas da comunicação. Porto Alegre, Sulina.
LATOUR, B. 2011. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp.
LATOUR, B. 2012. Reagregando o social: uma introdução à Teoria Ator-Rede. Bauru, SP, Edusc; Salvador, BA, EDUFBA.
LATOUR, B. 2001. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru (SP), Edusc.
LIMA, M. G. 2008. A história do intemperismo da Província Borborema Oriental, Nordeste do Brasil: Implicações paleoclimáticas e tectônicas. Natal--RN, Brasil, Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/items/928be29e-5df6-4d78-a06a-e21f0fde8a6f. Acesso em 08/10/2025.
LIMA, E. M. 2009. Doenças respiratórias associada à atividade de mineração no município de parelhas, região do Seridó Norte-Riograndense. Natal-RN, Brasil, Dissertação PRODEMA, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/items/6d-91facc-f7a0-4c57-a1f8-fde01a3a985a. Acesso em 08/10/2025.
MALANCA, A. 1993. Measuremente of Gamma Radiation in Three Underground Scheleet Mines. J. Environ. Radioactivity. https://doi.org/10.1016/0265-931X(94)90505-3. Acesso em 08/10/2025.
MALANCA, A.; PESSINA, V.; DALLARA, G. 1993. “Assessment of the natural radioactivity in Brazilian state of Rio Grande do Norte”. Health Physics , Londres, 65(3): 298-302. https://10.1097/00004032-199309000-00008. Acesso em 08/10/2025.
MELO, A. 2011. mineração artesanal e de pequena escala em pegmatitos e cerâmica no município de Parelhas, Região do Seridó/Rio Grande do Norte. Natal-RN, Brasil, Dissertação PRODEMA, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
MORAES, J. F. 1999. Gemas do Estado do Rio Grande do Norte. Recife, CPRM.
PETTA, R. A.; CAMPOS, T. F. C. 2013. “O gás radônio e suas implicações para a saúde pública”. Revista de Geologia, Fortaleza, 26(2): 7-18. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/14895. Acesso em 08/10/2025.
ROCHA, A. L. 2003. Lajes Pintadas: história e memória. Natal-RN, Brasil, Trabalho de Conclusão de Curso, Licenciatura em História, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
ROCHA, E. 2017. A caatinga dos biólogos e a política das plantas: controvérsias na Transposição do Rio São Francisco. Natal-RN, Brasil, Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/communities/f401c5e8-22a5-4ea2-83f-
5-933277af207d. Acesso em 08/10/2025.
ROCHA, I. 2017. O Urânio e seus problemas: a formação dos públicos e a questão nuclear em Caetité/Ba. Salvador-BA, Brasil, Dissertação, Universidade Federal da Bahia. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/27213. Acesso em 08/10/2025.
SANTOS, M. G. 2016. Economia de transição para o setor de serviços: um estudo de caso no município de Sítio Novo-RN (1999-2012). Natal, Ed-UFRN.
SANTOS, Mycarla Nely Rodrigues dos; KONESKI, Álvaro Lívio de Sá; SOUZA, Felipe Henrique de; AMARAL, Viviane Souza do. 2018. “Diagnóstico da percepção ambiental de moradores da região de agronegócio no semiárido do RN-Brasil: impactos dos agrotóxicos ao meio ambiente”. Revista E&Á, 43, 10 set. Disponível em: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=1476. Acesso em 06/10/2025.
SILVA, Eduardo Ferreira da; GOMES, Celso; INÁCIO, Maria Manuela; MARTINS, Virgínia. 2009. “Geologia e saúde”. Janus, Universidade de Aveiro. Disponível em: https://www.janusonline.pt/arquivo/2009/2009_2_17.html. Acesso em 30 set. 2025.
SILVA, G. 1999. Angra I e a melancolia de uma era; um estudo sobre a construção social do risco. Niterói, EDUFF. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/15056/Angra-I-e-a-melancolia-de-uma-era.pdf?sequence=1&isAllowed=y Acesso em 06/10/2025.
SILVA, G. 2000. “A Usina e o Frade – risco tecnológico e tradição: notas para uma antropologia do sofrimento”. In: 22ª reunião da Associação Brasileira de Antropologia, 2000, Brasília. Anais da 22ª reunião da Associação Brasileira de Antropologia. Brasília: CD Rom, v. 1. Disponível em: http://evento.abant.org.br/rba/22RBA/. Acesso em 06/10/2025.
SOARES, V. 2018. Memória, criação do Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR). Jornal do Departamento de Física UFMG.
STENGERS, Isabelle. 2022. A invenção das ciências modernas. São Paulo, Editora 34.
STENGERS, Isabelle. 2023. Uma outra ciência é possível: manifesto por uma desaceleração das ciências. São Paulo, Bazar do Tempo.
STRATHERN, M. 2014. “Cortando a rede”. In: STRATHERN, Marilyn. O efeito etnográfico. São Paulo, Cosac Naify, pp. 295-319.
TEIXEIRA, Márcia de Oliveira. 2001. “A ciência em ação: seguindo Bruno Latour”. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, Rio de Janeiro, 8(1): 265-273, mar./jun. https://doi.org/10.1590/S0104-59702001000200012. Acesso em 06/10/2025.
VAILATI, Alex; D’ANDREA, Anthony. 2020. “Antropologia da infraestrutura no Brasil: Desafios teóricos e metodológicos em contextos emergentes”. Revista Anthropológicas, Recife, 31(2): 3-27. https://doi.org/10.51359/2525-5223.2020.249899. Acesso em 06/10/2025.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Revista de Antropologia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista de Antropologia concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
