Werther: a revolta encarnada
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2447-9772.i19p8-27Palavras-chave:
Goethe, Romance, Drama, Querer, Hans-Robert JaussResumo
O artigo aproxima inicialmente o Werther da dramaturgia de Goethe, em especial de Götz von Berlichingen, a fim de examinar o tema do querer no drama moderno e na sua relação com Shakespeare. Paralelamente, percorre a noção de querer na estrutura interna do romance, perguntando se essa vontade persistente e íntegra exibiria a mesma qualidade do drama moderno. Enquanto no drama moderno predomina um querer ilimitado, no Werther opera um querer finito, que corresponde a um mundo instável, no qual muda a relação da arte com o público. No romance, diferentemente, o caráter do herói não segue modelos, pois é incomparável: uma subjetividade que se constitui não mais com base em uma ação dirigida para o exterior, mas no dobrar-se do indivíduo sobre si mesmo. Examinando a poesia e outros ensaios de Goethe, o artigo sugere que, embora efetue uma inclinação trágica, o que constitui a singularidade histórica do romance é esta noção do querer que, entrelaçando os múltiplos conflitos, constitui-se como negatividade radical: uma linguagem da recusa, que é uma crítica moderna dos limites do mundo.
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