Verdade extática e imagens excessivas no cinema de Werner Herzog
DOI :
https://doi.org/10.11606/issn.2447-9772.i19p83-116Mots-clés :
Werner Herzog, verdade extática, imagem, sentido obtuso, NietzscheRésumé
O artigo pretende estabelecer uma reflexão estética e filosófica sobre o cinema do diretor alemão Werner Herzog. Para tanto, propomos a hipótese de que é na abertura constitutiva da imagem (seu aspecto “obtuso”, segundo Barthes) que Herzog apresenta uma reconciliação possível para as várias oposições sob os quais seu cinema opera (como ficção/realidade, homem/natureza, subjetivo/objetivo, verdade/ mentira etc.), e o faz mediante a figuração da própria fratura que expõe a relação antagônica entre esses domínios, conservando a dimensão de excesso e de alteridade inerente a ambos. Para defender essa hipótese, partimos da análise de um conjunto de filmes do diretor que serão considerados em relação com o conceito de “verdade extática”, formulado por Herzog em sua “Declaração de Minnesota” (1999). Buscamos, por fim, refletir sobre os vários pressupostos filosóficos que subjazem tanto o conceito de “verdade extática”, quanto o conjunto de seus filmes (especialmente os documentários), aproximando-os das ideias propostas pelo filósofo Friedrich Nietzsche.
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