O jazz e a implosão da concepção adorniana de obra de arte

Auteurs

  • Lucas Fiaschetti Estevez Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

DOI :

https://doi.org/10.11606/issn.2447-9772.i18p136-164

Mots-clés :

Theodor Adorno, Jazz, Obra de arte, Estética

Résumé

Neste artigo, temos como objetivo traçar os limites e potencialidades da crítica ao jazz empreendida por Theodor Adorno, a fim de compreender o que levou o autor a recusar em bloco o jazz como uma música de arte. Em um primeiro momento, trataremos da polêmica que sua posição suscitou, abordando as principais críticas feitas ao frankfurtiano e indicando em que medida tais posições se sustentam. Em seguida, analisaremos as limitações empíricas de sua análise, jogando luz sobre o jazz em suas diferentes fases e tendências, com foco nas profundas transformações sofridas nesse cenário a partir do pós-guerra e da ascensão do bebop, do cool jazz e do free jazz. Neste ponto, defenderemos a tese de que parte do jazz ultrapassa a crítica adorniana, tornando-a deficitária diante da transformação profunda do objeto. Assim, argumentaremos que a recusa de Adorno ao jazz não diz respeito a uma recusa moral, ao seu gosto musical ou a um suposto desconhecimento da cena musical. Na realidade, defenderemos que os limites da crítica de Adorno ao jazz dizem respeito aos limites de sua estética.

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  • Lucas Fiaschetti Estevez, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

    Doutorando no Departamento de Sociologia da USP

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Publiée

2024-12-05

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Comment citer

Estevez, L. F. (2024). O jazz e a implosão da concepção adorniana de obra de arte. Rapsódia, 18, 136-164. https://doi.org/10.11606/issn.2447-9772.i18p136-164