Entre o tatame e a escola: a maestria de mulheres faixas-pretas como prática pedagógica insurgente
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.2025e39239392Palavras-chave:
Artes marciais, Fenomenologia, Gênero, Imaginário, Filosofia do EsporteResumo
Este ensaio analisa a experiência de mulheres faixas-pretas no jiu-jitsu, com foco na maestria como práxis docente e insurgente. A partir de entrevistas em profundidade com cinco praticantes experientes, a pesquisa vale-se da abordagem fenomenológica para compreender como essas mulheres significam sua trajetória em um espaço hegemonicamente masculinizado. O estudo buscou identificar as tensões, resistências e estratégias pedagógicas construídas por elas ao ocuparem posições de maestria em um ambiente marcado por hierarquias, normatividades de gênero e práticas de silenciamento, dialogando sobretudo com Freire e hooks. Tanto o jiu-jitsu como a escola são espaços de formação corporal, social e ética. As práticas pedagógicas construídas no tatame, quando tensionadas por mulheres faixas-pretas, oferecem contribuições significativas para repensar a formação docente em educação física, sobretudo no que diz respeito à produção de saberes encarnados, à construção de autoridade baseada no cuidado e à pedagogia do corpo vivido. A faixa-preta, nesse contexto, é compreendida não como ponto final de uma jornada técnica, mas como símbolo de resistência, reinvenção e potência pedagógica, sugerindo outras referências para mulheres iniciantes no jiu-jitsu.
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