Brincadeiras de roda e o brincar livre: práxis em circularidades estéticas, imaginárias e fenomênicas
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.2025e39244054Palavras-chave:
Brincadeiras de roda, Brincar livre, Estética do Desporto, Fenomenologia, Imaginário, LazerResumo
Este artigo propõe uma reflexão fenomenológica e imaginal sobre brincadeiras de roda, entendida como práxis potente de uma linguagem simbólica e estética que atravessa culturas, temporalidades e corporeidades. Ancorado em estudos de campo e em referenciais da fenomenologia e do imaginário, o texto explora o significado da forma circular no brincar, reconhecendo-a como expressão estética, intercorpórea e arquetípica. A partir de observações realizadas em contextos escolares e comunidades tradicionais, são analisadas as ressonâncias do redondo na experiência infantil, nos gestos, nas danças e nos rituais de comunidades tradicionais, apontando para a persistência dessa prática como um saber intercorpóreo e coletivo. A brincadeira de roda é apresentada como experiência simbólica que organiza o espaço, o tempo e o vínculo entre os sujeitos, revelando-se um campo fértil de formação ética, sensível e política. O estudo defende o brincar como fenômeno ontológico, cujas manifestações carregam uma pedagogia da escuta, do encontro e da comunhão com a natureza e com o outro. A brincadeira de roda afirma uma educação ecocentrada, integradora e contra-hegemônica, ancorada na beleza, no ritmo e no encantamento da existência compartilhada.
Downloads
Referências
Haraway D. Quando as espécies se encontram. São Paulo: Ubu Editora; 2022.
Guidon N, Delibrias G. Carbon-14 dates point to man in the Americas 32,000 years ago. Nature. 1986;321:769-71.
Freire P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra; 1996.
Reeks D, Meirelles R. Território do brincar [documentário]. São Paulo (SP): Maria Farinha Filmes; 2015. cor, 90 min.
Reeks D, Meirelles R. Terreiros do brincar [documentário]. São Paulo (SP): Maria Farinha Filmes; 2017. cor, 15 min.
Reeks D, Meirelles R, Mendonça P. Waapa [documentário]. São Paulo (SP): Maria Farinha Filmes; 2017. cor, 22 min.
Saura SC. Culturas populares, brincar e conhecer-se. In: Meirelles R, organizadora. Território do brincar: diálogo com escolas. São Paulo: Instituto Alana; 2015. p. 51-61.
Saura SC, Carvalho RMD. Brincantes e goleiros: considerações sobre o brincar e o jogo a partir da fenomenologia da imagem. In: Correia WR, Rodrigues BM, organizadores. Educação física no ensino fundamental: da inspiração à ação. São Paulo: Fontoura; 2015. p. 35-60.
Saura SC, Eckschmidt S. Observar o brincar espontâneo de um menino, ou o que aprendi com os Guarani Mbya. In: Willms EE, Almeida R, Beccari M, organizadores. Diálogos entre arte, cultura & educação. São Paulo: FEUSP; 2019. p. 500-24.
Saura SC, Eckschmidt S, Zimmermann AC. Ensaio sobre um princípio fenomenológico da imagem: as árvores e as crianças. XV Seminário de Educação Física Escolar; 8-10 nov. 2019; São Paulo, SP, Brasil. São Paulo: Faculdade de Educação Física e Esporte: 2019. p. 9-13. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/695352655/As-Arvores-e-as-Criancas.
Lacerda TO, Graça L, Pereira P. Fora do corpo não reconheço a densidade da alma: da Educação Física e da relação estética com o mundo. In: Mesquita I, Bento J, organizadores. Professor de Educação Física: Fundar e dignificar a profissão. Belo Horizonte: Instituto Casa da Educação Física; 2012. p. 237-54.
Hackerott MA, Zimmermann AC, Saura SC. Between adventure and delicacy: sailing as a powerful experience for women. J Philos Sport. 2024;51(2):239-52. doi: https://doi.org/10.1080/00948705.2024.2330985.
Kunz E, Costa AR. A imprescindível e vital necessidade da criança: brincar e se movimentar. In: Kunz E, organizador. Brincar & se-movimentar: tempos e espaços de vida da criança. Ijuí: Editora Unijuí; 2015. p. 13-37.
Huizinga J. Homo ludens: do jogo como elemento da cultura. 4a ed. Monteiro JP, tradutor. São Paulo: Editora Perspectiva; 2000. (Coleção Estudos).
Carvalho RMD. Águas infantis: um encontro com os brinquedos e brincadeiras da Amazônia [dissertação]. São Paulo (SP): Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação; 2007.
Saura SC. Planeta de boieiros: culturas populares e educação de sensibilidade no imaginário do bumba-meu-boi [tese]. São Paulo (SP): Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação; 2008.
Saura SC. O imaginário do lazer e do lúdico anunciado em práticas espontâneas do corpo brincante. Rev Bras Educ Fís Esporte. 2014;28(1):163-75. Disponível em:https://www.scielo.br/j/rbefe/a/KT3JS89J3dKdcB5wrmsrj7f/?format=pdf&lang=pt.
Chaparro NS, Ribeiro MRR, Silva PC, Lacerda TO. Da ligação entre lúdico e estética. Rev Min Educ Fís. 2012;(Esp 1):1283-91.
Reeks D, Meirelles R. Brincar em casa [documentário]. São Paulo (SP): Ludus Vídeos; 2021. cor, 31 min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-hTzF0MV9oQ.
Reeks D, Meirelles R. Brincar livre: de dentro para fora [documentário]. São Paulo: Ludus Vídeos; 2022. cor, 30 min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2566_EKL37U.
Despret V. Conversas com animais. São Paulo: Ubu Editora; 2021.
Zimmermann AC, Saura SC. Corpo e espanto na filosofia de Merleau-Ponty. In: Nóbrega TP, Caminha IO, organizadores. Merleau-Ponty e a educação física. São Paulo: Liber Arts; 2019. p. 119-32.
Saura SC, Zimmermann AC. Traditional sports and games: intercultural dialogue, sustainability and empowerment. Front Psychol. 2021;11:590301. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2020.590301/full.
Van Manen M. Researching lived experience: human science for an action sensitive pedagogy. Albany: State University of New York Press; 1990.
Ferreira-Santos M. Outros tempos e espaços de saber compartilhado: coisas ancestrais de creança. In: Processos artísticos, tempos e espaços. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura; 2014.
Olival B, Hornett E, Limaverde G, et al. Material de apoio: miradas [material didático]. São Paulo: Instituto Alana; 2019. Disponível em: https://territoriodobrincar.com.br/wp-content/uploads/2014/02/publicac%CC%A7a%CC%83o_territo%CC%81rio_pg_dupla_06-1.pdf.
Krenak A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras; 2011.
Kopenawa D, Albert B. The falling sky: words of a Yanomami shaman. London: Harvard University Press; 2013.
Maffesoli M. A contemplação do mundo: uma tentativa de transfiguração do social. Settineri FF, tradutor. Porto Alegre: Artes e Ofícios; 1995.
Silva EBT, Neves VFA. Brincando de roda com bebês em uma instituição de educação infantil. Educ Rev. 2019;35(76):239-58. doi: https://doi.org/10.1590/0104-4060.64890.
Luz AA, Andrade RC, Silva JR. As brincadeiras cantadas na educação infantil: aproximações de um estado da arte. Rev Sítio Novo. 2023;7(3):48-59. Disponível em: https://sitionovo.ifto.edu.br/index.php/sitionovo/article/view/1332.
Borges RM, Brito CMD, Monteiro CF. Saúde, lazer e envelhecimento: uma análise sobre a brincadeira de dança de roda das Meninas de Sinhá. Interface. 2020;24:e190279. https://doi.org/10.1590/Interface.190279.
Bachelard G. A poética do espaço. São Paulo: Nova Cultural; 1990.
Goethe J. Ensaios científicos: uma metodologia para o estudo da natureza. Cardoso J, tradutora. São Paulo: Barany Editora; 2012.
Figueiredo FH, Benaim A. Biocêntricos [documentário]. São Paulo (SP): Aiuê; 2022. cor, 108 min.
Platão. A república. Pereira MHR, tradutora. 15a ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 2017.
Chaui M. Introdução à história da filosofia. Vol. 1: dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Companhia das Letras; 2007.
Nietzsche F. Assim falou Zaratustra. Souza PC, tradutor. São Paulo: Companhia das Letras; 2011.
Eliade M. Mito e realidade. São Paulo: Editora Perspectiva; 2020.
Mandelbrot B. The fractal geometry of nature. New York: Times Books; 1982.
Bispo dos Santos A. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/Piseagrama; 2023.
Andrieu B, Nóbrega P, Torres LS, Silva LAN. Emergir na natureza: uma educação para a ecologia corporal e lazer emersivo. Rev Cocar. 2018;Esp(4):9-27.
Andrieu B, Nóbrega P, Sirost O. Body ecology: a new philosophy through cosmotic emersiology. Acta Univ Carol Kinanthropol. 2018;54(1):16-27.
Krenak A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras; 2019.
Santos MF. Cultura imaterial e processos simbólicos. Rev Mus Arqueol Etnol. 2004;14:139-51.
Saura SC, Zimmermann AC, Lacerda TO. Entre o lazer e o esporte: saberes aéreos da arqueria indígena e tradicional. Rev Territorial. 2025;14:133-62. (Dossiê: Etnoesporte e Jogos Indígenas e Tradicionais).
Meirelles R. Cozinhando no quintal. São Paulo: Editora Terceiro Nome; 2014.
Durand G. As estruturas antropológicas do imaginário: introdução à arquetipologia geral. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes; 2001.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Todo o conteúdo da revista, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons (CC-BY)