Relação entre agressividade tributária e habilidade gerencial: o papel moderador da gestão de riscos
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-057x20252200.enPalavras-chave:
agressividade tributária, habilidade gerencial, gestão de riscosResumo
O objetivo deste estudo foi avaliar o papel moderador da gestão de riscos corporativos na relação entre habilidade gerencial e agressividade tributária. Estudos anteriores se concentraram na dispersão no nível de agressividade tributária entre as empresas por meio de características pessoais dos gestores, tais como a habilidade gerencial, com resultados mistos. Este estudo questiona se a gestão de riscos corporativos pode explicar esses resultados mistos, influenciando a relação entre a agressividade tributária e a habilidade gerencial, o que oferece um avanço no conhecimento dos determinantes da agressividade tributária. O estudo evidencia a relevância do processo de gestão de riscos na delimitação da tolerância e do apetite ao risco fiscal, favorecendo o aproveitamento de oportunidades de redução da despesa tributária com o consequente aumento do desempenho organizacional. Ele demonstra que a interação entre a habilidade gerencial e a gestão de riscos exerce, sobre práticas de agressividade tributária que geram diferenças permanentes, efeitos distintos dos que exerce sobre práticas que geram diferenças temporárias, o que pode ser útil para gestores, auditores, investidores, reguladores e demais interessados na agressividade tributária corporativa. Este estudo aplicou a técnica de análise de regressão estimada pelo método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) sobre uma amostra de empresas brasileiras não financeiras listadas, no período de 2016 a 2021. Mensurou-se a agressividade tributária pela Total Book-Tax Differences (BTD Total) e por suas componentes, BTD Temporária e BTD Permanente. A habilidade gerencial foi mensurada conforme Demerjian et al. (2012), e a gestão de riscos, conforme o Enterprise Risk Management Index (ERMI), de Gordon et al. (2009). Os resultados sugerem que a gestão de riscos melhora a comunicação interna e externa e oferece aos gestores informações para tomar decisões tributárias mais eficientes. Evidenciam também que, em empresas com melhores processos de gestão de riscos, os gerentes com maior habilidade gerencial decidem engajar-se apenas em estratégias tributárias mais agressivas, as quais resultam em diferenças permanentes.
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