Gestão prudencial dos bancos brasileiros: variáveis-chave sob Basileia III
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-057x20252503.enPalavras-chave:
adequação de capital, CAMELS, requisitos de capital, Basileia IIIResumo
Este estudo examina os determinantes da adequação de capital nos bancos comerciais brasileiros, com foco em como os indicadores internos de desempenho da estrutura CAMELS (adequação de capital, qualidade dos ativos, qualidade da gestão, ganhos, liquidez e sensibilidade ao risco de mercado) e as condições macroeconômicas moldam o capital prudencial adicional sob o Acordo de Basileia III. Embora a regulamentação de capital desempenhe um papel central nas economias emergentes, a literatura oferece evidências limitadas sobre a influência conjunta das dimensões CAMELS e dos fatores macroeconômicos nas posições de capital excedente dos bancos. Além disso, poucos estudos abordam explicitamente a natureza dinâmica e endógena do ajuste prudencial de capital, particularmente no contexto brasileiro. Compreender os fatores determinantes dos adicionais de capital dos bancos fornece insights sobre a eficácia do Acordo de Basileia III no fortalecimento da resiliência financeira e contribui para os debates regulatórios nas economias em desenvolvimento. Dados de painel trimestrais de 15 bancos comerciais brasileiros de 2018 a 2024 são analisados utilizando estimadores de painel tradicionais e abordagens dinâmicas baseadas no método de momentos generalizados por diferença e por sistema, permitindo endogeneidade, persistência e ajuste intertemporal. A variável dependente é definida como a diferença entre o índice de adequação de capital observado e o mínimo regulatório. Os resultados indicam que a qualidade dos ativos e a rentabilidade afetam positivamente a adequação de capital, enquanto a alavancagem e a inflação exercem efeitos negativos robustos. Outros fatores, incluindo liquidez, sensibilidade ao risco de mercado, tamanho do banco e crescimento econômico, apresentam resultados sensíveis à especificação, destacando o papel do ajuste dinâmico e dos efeitos de retroalimentação. De modo geral, os valores de capital adicional refletem um processo prudencial e dinâmico, em vez de decisões puramente contemporâneas. Os resultados contribuem para a literatura sobre regulamentação prudencial e fornecem insights para reguladores e gestores bancários sobre supervisão baseada em risco e planejamento de capital em economias emergentes.
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