Recomprando riqueza: opções de ações para executivos e oportunismo no mercado brasileiro

Autores

  • Verônica de Fátima Santana Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, São Paulo, SP, Brasil
  • Augusto de Castro Silva Barbetta Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, São Paulo, SP, Brasil
  • Vinicius Augusto Brunassi Silva Fundação Getulio Vargas, Escola de Economia de São Paulo, Departamento de Economia, São Paulo, SP, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.1590/1808-057x20262461.en

Palavras-chave:

remuneração executiva, recompra de ações, conflito de agência

Resumo

Este artigo investiga a relação entre a remuneração de executivos baseada em opções de ações e as recompras de ações
realizadas por empresas de capital aberto no Brasil. O estudo contribui para a literatura ao lançar luz sobre uma dimensão
ainda pouco explorada da atividade de recompra de ações no mercado brasileiro, destacando sua relação com mecanismos
de governança corporativa. Embora a teoria financeira tradicional preveja que os investidores sejam indiferentes entre
dividendos e recompras de ações, pesquisas subsequentes mostram que as empresas frequentemente favorecem as recompras
devido a fatores como gestão da estrutura de capital, efeitos de sinalização e incentivos. Em particular, executivos cuja
remuneração é baseada em opções de ações podem possuir fortes incentivos pessoais para iniciar programas de recompra,
uma vez que essas operações podem sustentar o preço das ações e aumentar diretamente o valor de suas participações.
Embora as recompras de ações ainda sejam relativamente modestas no Brasil em comparação aos Estados Unidos, as
evidências mostram que elas possuem implicações relevantes para a governança corporativa, especialmente no que se refere
aos esquemas de remuneração executiva. Os resultados sugerem que as recompras não constituem apenas um mecanismo
alternativo de distribuição de recursos aos acionistas, mas também um canal por meio do qual gestores podem ampliar os
benefícios privados extraídos da empresa. A análise empírica utiliza modelos de regressão com dados em painel, incluindo
efeitos fixos de empresa e de ano, para avaliar a relação entre as estruturas de remuneração executiva e a magnitude das
recompras de ações. Adicionalmente, é usado um modelo de regressão logística para dados em painel com o objetivo de
investigar se empresas que oferecem incentivos baseados em ações apresentam maior probabilidade de realizar recompras
acima do nível médio observado. Também foi conduzida uma série de testes de robustez para garantir a consistência dos
resultados entre diferentes especificações. Os resultados mostram que empresas que incorporam opções de ações aos pacotes
de remuneração de seus executivos realizam recompras de ações significantemente maiores. Essa evidência sugere que gestores
podem utilizar estrategicamente programas de recompra para ampliar sua riqueza pessoal, colocando em dúvida até que
ponto os incentivos baseados em ações realmente alinham os interesses dos gestores aos dos acionistas. Esses achados são
relevantes não apenas para investidores que buscam interpretar as decisões corporativas de distribuição de recursos, mas
também para reguladores e formuladores de políticas públicas preocupados com a eficácia dos mecanismos de governança
corporativa que regulam a remuneração executiva e as políticas de payout.

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Arquivos adicionais

Publicado

2026-10-26

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Santana, V. de F., Barbetta, A. de C. S., & Silva, V. A. B. (2026). Recomprando riqueza: opções de ações para executivos e oportunismo no mercado brasileiro. Revista Contabilidade & Finanças, 37(102), e2461. https://doi.org/10.1590/1808-057x20262461.en