A sustentabilidade gera valor: como o desempenho ESG reduz o custo da dívida no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-057x20262369.enResumo
Este estudo investiga a relação entre práticas ambientais, sociais e de governança (environmental, social, and governance
– ESG) e o custo da dívida (cost of debt – CoD) de companhias brasileiras não financeiras de capital aberto no período
de 2014 a 2023. O estudo analisa a relação entre a qualidade ESG e o CoD, um tema menos explorado do que a relação
entre ESG e o custo do capital próprio. A literatura existente concentra-se principalmente em economias desenvolvidas
ou em análises internacionais, oferecendo evidências limitadas para mercados emergentes. Ao examinar o Brasil — país
em que reguladores há muito incentivam e, mais recentemente, passaram a exigir a divulgação ESG e sua utilização em
avaliações de crédito —, o estudo contribui para preencher essa lacuna. O artigo oferece evidências oportunas sobre como a
transparência e o desempenho ESG afetam a precificação do crédito, os resultados financeiros e a mitigação de fragilidades
institucionais, especialmente em setores com maior exposição a riscos ambientais e sociais. Compreender como os fatores
ESG moldam as condições de financiamento é fundamental para investidores, credores e gestores corporativos que buscam
alinhar sustentabilidade à alocação de capital e à gestão de riscos, especialmente em mercados caracterizados por maior
incerteza institucional. A análise empírica utiliza regressões em painel com efeitos fixos de firma como abordagem principal,
complementadas pelo método dos momentos generalizados em diferenças (difference-generalized method of moments), a
fim de tratar problemas de endogeneidade e simultaneidade, com resultados consistentes. O CoD é mensurado pela razão
entre despesas financeiras e passivos onerosos; o desempenho ESG, pelos scores da Refinitiv Eikon; e os controles incluem
características das firmas e variáveis macroeconômicas. As evidências empíricas mostram que um desempenho ESG
superior está significativamente associado a um menor CoD para as empresas brasileiras. O pilar de governança apresenta
o impacto mais forte e consistente, enquanto o pilar ambiental possui significância marginal e o pilar social não apresenta
relação substantiva. Esses achados ressaltam que uma governança robusta reduz o risco de crédito percebido e os custos de
financiamento em mercados emergentes. Também destacam a necessidade de maior padronização das taxonomias ESG e
de integração dos riscos ambientais e sociais às avaliações de risco de crédito.
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