Restrições financeiras e políticas de desenvolvimento: evidências a partir de empréstimos do banco de desenvolvimento brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-057x20262448.enPalavras-chave:
crédito direcionado, banco de desenvolvimento, crédito subsidiado, desenvolvimento econômico, desenvolvimento socialResumo
Este estudo mapeia os padrões de alocação de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
de 2002 a 2019, examinando associações entre características das empresas, disparidades regionais e acesso a financiamento.
Pesquisas anteriores focaram principalmente em empresas listadas ou em medidas agregadas, negligenciando um cenário mais
amplo. Para enfrentar essa lacuna, o artigo reúne uma base de dados granular com 2.515 empresas (1.537 beneficiárias e 978
não beneficiárias), incluindo companhias abertas e de capital fechado. Dado o peso sistêmico do BNDES, que historicamente
responde por mais de 15% do crédito privado e está fortemente correlacionado com o investimento, compreender sua alocação
é central para os debates sobre correção de falhas de mercado e crescimento inclusivo. Os resultados encontrados evidenciam
os trade-offs do BNDES: os recursos alcançam regiões desfavorecidas e setores estratégicos, mas fluem sistematicamente para
empresas capazes de oferecer garantias. Isso desafia a ideia de que bancos de desenvolvimento atendem prioritariamente
firmas mais restritas financeiramente e evidencia tensões entre objetivos sociais e sustentabilidade financeira. O estudo
utiliza modelos logísticos binários em uma amostra transversal em nível de firma, com variáveis explicativas como idade,
tamanho, tangibilidade, liquidez, rentabilidade, alavancagem e variáveis dummy para região, setor, listagem e afiliação a
grupo. Um modelo logístico multinomial explora a frequência dos empréstimos, enquanto o pareamento por escore de
propensão garante robustez. Os empréstimos do BNDES mostram claro direcionamento regional e setorial: empresas do
Nordeste e do setor de utilidade pública têm maior probabilidade de obter crédito. As beneficiárias tendem a ser mais antigas,
mais líquidas e com maior tangibilidade de ativos. O tamanho da firma constitui uma exceção ao perfil predominante das
empresas beneficiárias, uma vez que empresas menores apresentam maior probabilidade de acessar recursos do que empresas
maiores. Esse conjunto de evidências revela um “paradoxo de alocação”, pois os empréstimos fluem para regiões e setores
prioritários, mas favorecem perfis corporativos de menor risco.
Downloads
Referências
Almeida, H. T. V., & Braga, J. P. C. H. (2020). The Brazilian Development Bank impact thesis: A methodology to address the development goals of the knowledge and sustainable new economy. F. Matos, V. Vairinhos, I. Salavisa, L. Edvinsson, & M. Massaro (Eds.), Knowledge, people, and digital transformation. Contributions to management science. Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-030-40390-4_16
Alti, A. (2003). How sensitive is investment to cash flow when financing is frictionless? The Journal of Finance, 58(2), 707-722. https://doi.org/10.1111/1540-6261.00542
Antunes, A., Cavalcanti, T., & Villamil, A. (2015). The effects of credit subsidies on development. Economic Theory, 58(1), 1-30. https://doi.org/10.1007/s00199-014-0808-0
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. (2018, October 19). Fato: A taxa de inadimplência do BNDES é inferior à do Sistema Financeiro Nacional. https://agenciadenoticias.bndes.gov.br/detalhe/fatoboato/Fato-A-taxa-de-inadimplencia-do-BNDES-e-inferior-a-do-Sistema-Financeiro-Nacional/
Banerjee, A. V., & Duflo, E. (2014). Do firms want to borrow more? Testing credit constraints using a directed lending program. The Review of Economic Studies, 81(2), 572-607. https://doi.org/10.1093/restud/rdt046
Barboza R. M., Pessoa, S., Roitman, F., & Ribeiro, E. P. (2023). What have we learned about national development banks? Evidence from Brazil. Brazilian Journal of Political Economy, 43(3), 646-669. https://doi.org/10.1590/0101-31572023-3467
Barboza, R. M., & Vasconcelos, G. F. R. (2019). Measuring the aggregate effects of the Brazilian Development Bank on investment. The North American Journal of Economics and Finance, 47, 223-236. https://doi.org/10.1016/j.najef.2018.12.013
Bonomo, M., Brito, R. D., & Martins, B. (2015). The after crisis government-driven credit expansion in Brazil: A firm level analysis. Journal of International Money and Finance, 55, 111-134. https://doi.org/10.1016/j.jimonfin.2015.02.017
Campos, R. O. (1969). A retrospect over Brazilian development plans. In H. S. Ellis (Ed.), The economy of Brazil. University of California Press. https://doi.org/10.1525/9780520325906-017
Cavalcanti, T., & Vaz, P. H. (2017). Access to long-term credit and productivity of small and medium firms: A causal evidence. Economics Letters, 150, 21-25. https://doi.org/10.1016/j.econlet.2016.10.043
Cipoletta Tomassian, G., & Abdo, T. (2022). Development bank financing in the context of the COVID-19 crisis in Latin America and the Caribbean. Economic Commission for Latin America and the Caribbean. https://hdl.handle.net/11362/47882
Cull, R., Li, W., Sun, B., & Xu, L. C. (2015). Government connections and financial constraints: Evidence from a large representative sample of Chinese firms. Journal of Corporate Finance, 32, 271-294. https://doi.org/10.1016/j.jcorpfin.2014.10.012
Ehrl, P., Pereira, G. A., & Zanchi, V. V. (2022). Lending and regional growth in Brazil: The development bank BNDES versus private and public banks. Estudos Econômicos, 52(3), 503-532. https://doi.org/10.1590/1980-53575232pgv
Fávero, L. P. L., & Belfiore, P. (2017). Manual de análise de dados: estatística e modelagem multivariada com Excel®, SPSS® e Stata®. Elsevier.
Frischtak, C., Pazarbasioglu, C., Byskov, S., Perez, A. H., & Carneiro, I. A. (2017). Towards a more effective BNDES. World Bank. https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/28398
Gomes, M. C., & Valle, M. R. (2023). Do companies that benefit from development banks’ funding invest more? New evidence from Brazil. Economic Modelling, 127, 106476. https://doi.org/10.1016/j.econmod.2023.106476
Griffith-Jones, S., Ocampo, J. A., Rezende, F., Schclarek, A., & Brei, M. (2018). The future of national development banks. In S. Griffith-Jones & J. A. Ocampo (Eds.), The future of national development banks, initiative for policy dialogue. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/oso/9780198827948.003.0001
Hadlock, C. J., & Pierce, J. R. (2010). New evidence on measuring financial constraints: Moving beyond the KZ index. The Review of Financial Studies, 23(5), 1909-1940. https://doi.org/10.1093/rfs/hhq009
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2023, June 28). Between 2010 and 2022, Brazilian population grows 6.5%, reaches 203.1 million. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/en/agencia-news/2184-news-agency/news/37245-between-2010-and-2022-brazilian-population-grows-6-5-reaches-203-1-million#:~:text=Highlights,million%20persons%20in%20the%20period.
Kaplan, S. N., & Zingales, L. (1997). Do investment-cash flow sensitivities provide useful measures of financing constraints? The Quarterly Journal of Economics, 112(1), 169-215. https://doi.org/10.1162/003355397555163
Kayo, E. K., Silva, W. E., & Martelanc, R. (2023). The two faces of subsidized loans. Finance Research Letters, 56, 104149. https://doi.org/10.1016/j.frl.2023.104149
Kring, W. N., & Gallagher, K. P. (2019). Strengthening the foundations? Alternative institutions for finance and development. Development and Change, 50(1), 3-23. https://doi.org/10.1111/dech.12464
La Porta, R., Lopez-De-Silanes, F., & Shleifer, A. (2002). Government ownership of banks. The Journal of Finance, 57(1), 265-301. https://doi.org/10.1111/1540-6261.00422
Lazzarini, S. G., Musacchio, A., Bandeira-de-Mello, R., & Marcon, R. (2015). What do state-owned development banks do? Evidence from BNDES, 2002-09. World Development, 66, 237-253. https://doi.org/10.1016/j.worlddev.2014.08.016
Levy-Yeyati, E. L., Micco, A., & Panizza, U. (2004). Should the government be in the banking business? The role of state-owned and development banks [Working Paper]. Social Science Research Network. https://doi.org/10.2139/ssrn.1818717
Quaye, F. M., & Hartarska V. (2016). investment impact of microfinance credit in Ghana. International Journal of Economics and Finance, 8(3), 137-150. https://doi.org/10.5539/ijef.v8n3p137
Resende, G. M. (2013). Regional development policy in Brazil: A review of evaluation literature. Revista de Desenvolvimento Regional, 18(3), 202-225. https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=552056834011
Simpasa, A., Shimeles, A., & Salami, A. O. (2015). Employment effects of multilateral development bank support: The case of the African Development Bank. African Development Review, 27(S1), 31-43. https://doi.org/10.1111/1467-8268.12137
Sousa, F. L., & Ottaviano, G. I. P. (2018). Relaxing credit constraints in emerging economies: The impact of public loans on the productivity of Brazilian manufacturers. International Economics, 154, 23-47. https://doi.org/10.1016/j.inteco.2017.11.002
Whited, T. M., & Wu, G. (2006). Financial constraints risk. The Review of Financial Studies, 19(2), 531-559. https://doi.org/10.1093/rfs/hhj012
Downloads
Arquivos adicionais
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
O conteúdo do(s) artigo(s) publicados na RC&F são de inteira responsabilidade do(s) autores, inclusive quanto a veracidade, atualização e precisão dos dados e informações. Os autores cedem, antecipadamente, os direitos autorais à Revista, que adota o sistema CC-BY de licença Creative Commons. Leia mais em: https://creativecommons.org/licenses/.
A RC&F não cobra taxa para a submissão de artigos. A submissão de artigo(s) à RC&F implica na autorização do(s) autor(es) para sua publicação, sem pagamento de direitos autorais.
A submissão de artigos autoriza a RC&F a adequar o texto do(s) artigo(s) a seus formatos de publicação e, se necessário, efetuar alterações ortográficas, gramaticais e normativas.


