A relação entre fatores institucionais e a escolha de divulgação de lucros não-GAAP no cenário internacional
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1982-6486.rco.2025.233094Palavras-chave:
Lucros não-GAAP, EBITDA, Fatores institucionaisResumo
Neste estudo, examinamos o papel dos fatores institucionais e fatores específicos das empresas na decisão de reporte de lucros não-GAAP, utilizando uma amostra internacional de empresas que realmente reportam lucros não-GAAP. Evidências sugerem que esses fatores moldam os incentivos de reporte das empresas, afetando, assim, suas escolhas sobre divulgações voluntárias. Nosso artigo contribui para a literatura ao endereçar uma lacuna significativa destacada em pesquisas anteriores, investigando o fenômeno da divulgação de lucros não-GAAP em países do G20. Apresentamos evidências inéditas ao focar em dados anuais dos anos de 2013 a 2022. Até onde sabemos, este é o terceiro estudo que investiga os determinantes de lucros não-GAAP para uma amostra internacional e o segundo a alcançar uma amostra de empresas que realmente divulgam lucros não-GAAP, e não proxies como substitutos. Nossos achados indicam, em consonância com pesquisas anteriores, que empresas localizadas em países com melhores condições econômicas e ambientes de reporte robustos têm maior probabilidade de reportar medidas de lucros não-GAAP. Especificamente, países com regulação para medidas não-GAAP, mercados acionários desenvolvidos, forte proteção aos investidores e origens de direito comum promovem a divulgação voluntária de lucros não-GAAP como medidas estratégicas de desempenho. Esses resultados sugerem que empresas de países com condições econômicas mais favoráveis e ambientes de divulgação de alta qualidade enfrentam maiores incentivos para evitar a manipulação de lucros GAAP, resultando na divulgação de medidas adicionais de desempenho.
Downloads
Referências
Andrade, G. V. de., & Murcia, F. D.-R. (2019). A critical analysis on the additional adjustments considered in the disclosure of the non- GAAP “adjusted EBITDA” measure in the reports of Brazilian listed companies. Revista de Educação e Pesquisa Em Contabilidade, 13(4), 477–494. https://doi.org/http://dx.doi.org/10.17524/repec.v13i4.2412
Ball, R., Kothari, S. P., & Robin, A. (2000). The effect of international institutional factors on properties of accounting earnings. Journal of Accounting and Economics, 29(1), 1–51. https://doi.org/10.1016/S0165-4101(00)00012-4
Barth, M. E., Landsman, W. R., & Lang, M. H. (2008). International accounting standards and accounting quality. Journal of Accounting Research, 46(3), 467–498. https://doi.org/10.1111/j.1475-679X.2008.00287.x
Black, D. E., Black, E. L., Christensen, T. E., & Heninger, W. G. (2012). Has the Regulation of Pro Forma Reporting in the US Changed Investors’ Perceptions of Pro Forma Earnings Disclosures? Journal of Business Finance and Accounting, 39(7–8), 876–904. https://doi.org/10.1111/j.1468-5957.2012.02297.x
Black, D. E., & Christensen, T. E. (2009). US managers’ use of “pro forma” adjustments to meet strategic earnings targets. Journal of Business Finance and Accounting, 36(3–4), 297–326. https://doi.org/10.1111/j.1468-5957.2009.02128.x
Bond, D., Czernkowski, R., Lee, Y. S., & Loyeung, A. (2017). Market reaction to non-GAAP earnings around SEC regulation. Journal of Contemporary Accounting and Economics, 13(3), 193–208. https://doi.org/10.1016/j.jcae.2017.09.001
Brosnan, M., Duncan, K., Hasso, T., & Hollindale, J. (2023). Happy 20-Year Anniversary Non-GAAP Earnings: A Systematic Review of the Literature. Journal of Accounting Literature, 46(1), 82–104. https://doi.org/10.1108/JAL-02-2023-0035
Brown, N. C. (2020). Tornando-se de capital aberto: os benefícios e as armadilhas das métricas não GAAP. REPeC – Revista de Educação e Pesquisa Em Contabilidade, 14(2), 145–157.
Charitou, A., Floropoulos, N., Karamanou, I., & Loizides, G. (2018). Non-GAAP Earnings Disclosures on the Face of the Income Statement by UK Firms: The Effect on Market Liquidity. International Journal of Accounting, 53(3), 183–202. https://doi.org/10.1016/j.intacc.2018.07.003
Young, S. (2014). The drivers, consequences and policy implications of non-GAAP earnings reporting. Accounting and Business Research, 44, 444-465. https://doi.org/10.1080/00014788.2014.900952
Christensen, T. E., Drake, M. S., & Thornock, J. R. (2014). Optimistic Reporting and Pessimistic Investing: Do Pro Forma Earnings Disclosures Attract Short Sellers?. 31(1), 67–102. https://doi.org/10.1111/1911-3846.12009
Clinch, G., Tarca, A., & Wee, M. (2022). Country diversity and non- IFRS financial performance measures. 1–30. https://doi.org/10.1111/acfi.12980
Choi, Y. S., & Young, S. (2015). Transitory earnings components and the two faces of non-generally accepted accounting principles earnings. Accounting and Finance, 55(1), 75–103. https://doi.org/10.1111/acfi.12040
Cormier, D., Demaria, S., & Magnan, M. (2022). Non-GAAP reporting and capital markets: contrasting France and Canada. https://doi.org/10.1108/JFRA-11-2021-0383
Comissão de Valores Mobiliários – CVM (2022). Instrução CVM 516. Retrieved from https://conteudo.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst516.html
Coté, D. E., & Qi, R. (2005). Honest EPS: A measure of GAAP earnings relative to pro forma earnings. International Journal of Managerial Finance, 1(1), 25–35. https://doi.org/10.1108/17439130510584865
Doing Business (n.d.). Protecting Minority Investors. Retrieved from https://subnational.doingbusiness.org/en/data/exploretopics/protecting-minority-investors/what-measured
FTSE (2022). FTSE Equity Country Classification. Retrieved from: https://research.ftserussell.com/products/downloads/FTSE-Country-Classification-Update-2022.pdf
G20 (2021). About the G20. Retrieved from: https://www.g20.org/about-the-g20.html.
Herr, S. B., Lorson, P., & Pilhofer, J. (2022). Alternative Performance Measures: A Structured Literature Review of Research in Academic and Professional Journals. Schmalenbach Journal of Business Research, 74(3), 389–451. https://doi.org/10.1007/s41471-022-00138-8
Hope, O. K. (2003). Firm-level disclosures and the relative roles of culture and legal origin. Journal of International Financial Management and Accounting, 14(3), 218–248. http://dx.doi.org/10.1111/1467-646X.00097
Isidro, H., & Marques, A. (2013). The effects of compensation and board quality on non-GAAP disclosures in Europe. International Journal of Accounting, 48(3), 289–317. https://doi.org/10.1016/j.intacc.2013.07.004
Isidro, H., & Marques, A. (2015). The Role of Institutional and Economic Factors in the Strategic Use of Non-GAAP Disclosures to Beat Earnings Benchmarks. European Accounting Review, 24(1), 95–128. https://doi.org/10.1080/09638180.2014.894928
Jennings, R., & Marques, A. (2011). The Joint Effects of Corporate Governance and Regulation on the Disclosure of Manager-Adjusted Non-GAAP Earnings in the US. Journal of Business Finance and Accounting, 38(3–4), 364–394. https://doi.org/10.1111/j.1468-5957.2011.02238.x
JuriGlobe (n.d.). World Legal Systems. Retrieved from http://www.juriglobe.ca/eng/
Kolev, K., Marquardt, C. A., & McVay, S. E. (2008). SEC scrutiny and the evolution of non-GAAP reporting. Accounting Review, 83(1), 157–184. https://doi.org/10.2308/accr.2008.83.1.157
Koning, M., Mertens, G., & Roosenboom, P. (2010). The impact of media attention on the use of alternative earnings measures. Abacus, 46(3), 258–288. https://doi.org/10.1111/j.1467-6281.2010.00319.x
La-Porta, R., Lopez-de-Silanes, F., & Vishny, W. R. (1998). Law and Finance. Journal of Political Economy, 106(6), 1113–1155.
La-Porta, R., Lopez-de-Silanes, F., & Shleifer, A. (2008). The Economic Consequences of Legal Origins. Journal of Economic Literature, 46(2), 285–332.
Leuz, C., & and Wysocki, D. P. (2016). The Economics of Disclosure and Financial Reporting Regulation: Evidence and Suggestions for Future Research. Journal of Accounting Research, 54(2), 525–622.
Marques, A. (2006). SEC interventions and the frequency and usefulness of non-GAAP financial measures. Review of Accounting Studies, 11(4), 549–574. https://doi.org/10.1007/s11142-006-9016-x
Marques, A. (2010). Disclosure strategies among S&P 500 firms: Evidence on the disclosure of non-GAAP financial measures and financial statements in earnings press releases. British Accounting Review, 42(2), 119–131. https://doi.org/10.1016/j.bar.2010.02.004
Marques, A. (2017). Non-GAAP earnings: International overview and suggestions for future research. Meditari Accountancy Research, 25(3), 318–335. https://doi.org/10.1108/MEDAR-04-2017-0140
Solsma, L., & Mark Wilder, W. (2015). Pro forma disclosure practices of firms applying IFRS. International Journal of Accounting and Information Management, 23(4), 383–403. https://doi.org/10.1108/IJAIM-12-2014-0083
Visani, F., Di Lascio, F. M. L., & Gardini, S. (2020). The impact of institutional and cultural factors on the use of non-GAAP financial measures. International evidence from the oil and gas industry. Journal of International Accounting, Auditing and Taxation, 40, 100334. https://doi.org/10.1016/j.intaccaudtax.2020.100334
Zhang, H., & Zheng, L. (2011). The valuation impact of reconciling pro forma earnings to GAAP earnings. Journal of Accounting and Economics, 51(1–2), 186–202. https://doi.org/10.1016/j.jacceco.2010.07.001
Zingales, L. (2009). The Future of Securities Regulation. Journal of Accounting Research, 47(2), 391–425.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Gabriela Vasconcelos de Andrade, Fernando Dal-Ri Murcia, Luiz Felipe de Araújo Pontes Girão

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
A RCO adota a política de Acesso Livre (Libre Open Access), sob o acordo padrão Creative Commons (CC BY-NC-ND 4.0). O acordo prevê que:
- A submissão de texto autoriza sua publicação e implica compromisso de que o mesmo material não esteja sendo submetido a outro periódico. O original é considerado definitivo;
- Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attributionque permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com necessário reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista;
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre);
- A revista não paga direitos autorais aos autores dos textos publicados;
- O detentor dos direitos autorais da revista, exceto os já acordados no acordo de Libre Open Access (CC BY-NC-ND 4.0), é o Departamento de Contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
Não são cobradas taxas de submissão ou de publicação.
São aceitos até 4 autores por artigo. Casos excepcionais devidamente justificados poderão ser analisados pelo Comitê Executivo da RCO. São considerados casos excepcionais: projetos multi-institucionais; manuscritos resultantes da colaboração de grupos de pesquisa; ou que envolvam grandes equipes para coleta de evidências, construção de dados primários e experimentos comparados.
É recomendada a ordem de autoria por contribuição, de cada um dos indivíduos listados como autores, especialmente no desenho e planejamento do projeto de pesquisa, na obtenção ou análise e interpretação de dados e redação. Os autores devem declarar as efetivas contribuições de cada autor, preenchendo a carta ao editor, logo no início da submissão, responsabilizando-se pelas informações dadas.
É permitida a troca de autores durante todo o processo de avaliação e, antes da publicação do manuscrito. Os autores devem indicar a composição e ordem final de autoria no documento assinado por todos os envolvidos no aceite para publicação. Caso a composição e ordem de autoria seja diferente da informada anteriormente no sistema, todos autores anteriormente listados deverão se manifestar favoráveis.
No caso de identificação de autoria sem mérito ou contribuição (ghost, guest or gift authorship), a RCO segue o procedimento recomendado pela COPE.




