Heteroidentificação na Universidade de São Paulo: antecedentes, arranjos e repercussões jurídico-institucionais
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2319-0558.v13i1p%25pSchlagwörter:
Universidade de São Paulo, Cotas raciais, Heteroidentificação, Controle de política pública, JudicializaçãoAbstract
O artigo trata da experiência da Universidade de São Paulo no primeiro triênio (2023-2025) da implantação da banca de heteroidentificação no vestibular dos cursos de graduação. A ferramenta tem sido adotada por instituições do país com o propósito de impedir a ocorrência de desvios na ocupação de vagas destinadas a minorias raciais. O estudo se propõe a sistematizar a trajetória institucional do programa e de sua ferramenta de controle, de modo a criar um repertório de informações que possa ser útil a outros observadores das experiências de implementação das cotas raciais no país. O estudo foi desenvolvido com base no método de observação participante e análise normativa. Os dados apresentados foram coletados junto ao Serviço de Informação ao Cidadão - USP. Entre os resultados alcançados, o artigo apresenta o cenário de candidatos afetados pela ferramenta e a sua repercussão junto ao Poder Judiciário do Estado de São Paulo.
Downloads
Literaturhinweise
BAPTISTA, Bárbara Gomes Lupetti. O uso da observação participante em pesquisas realizadas na área do Direito, in MACHADO, Maíra Rocha (org.). Pesquisar empiricamente o Direito, 1. ed. São Paulo: Rede de Estudos Empíricos em Direito, 2017, p. 81-118.
CORREA, Suzana. Alunos da USP denunciam pelo menos 400 casos de fraude em cotas raciais na universidade. O Globo, 24 out. 2019. Acesso em: 18 ago. 2025.
DIAS, Gleidson Renato Martins. Considerações à Portaria Normativa nº 4 de 6 abril de 2018 do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, in DIAS, Gleidson Renato Martins; FABER JÚNIOR, Paulo Roberto (org.). Heteroidentificação e cotas raciais: metodologias e procedimentos. Canoas: IFRS, 2018, p. 142-175.
FONTOURA, Maria Conceição Lopes. Tirando a Vovó e o Vovô do Armário, in DIAS, Gleidson Renato Martins; FABER JÚNIOR, Paulo Roberto (org.). Heteroidentificação e cotas raciais: metodologias e procedimentos. Canoas: IFRS, 2018, p. 107-139.
HASENBALG, Carlos. Entre o mito e os fatos: racismo e relações raciais no Brasil. Dados – Revista de Ciências Sociais, v. 38, n. 2, p. 355-374, 1998.
LANNA, Ana Lúcia Duarte. Comissões de heteroidentificação e a política de cotas na USP. Jornal da USP, 5 mar. 2024. Acesso em: 18 ago. 2025.
LANNA, Ana Lúcia Duarte. Os desafios da heteroidentificação. Jornal da USP, 20 jan. 2025. Acesso em: 18 ago. 2025.
MÓDOLO, Lucas de Santana. Cotas étnico-raciais na Universidade de São Paulo: da implementação à necessidade do controle antifraude. Revista da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, v. 4, n. 1, p. 73-95, 2021.
MOREIRA, Matheus. USP deve ter banca de identificação racial no próximo vestibular, diz novo reitor. Folha de São Paulo, 22 fev. 2022. Acesso em: 18 ago. 2025.
MORI, Leticia. A luta contra os fraudadores de cotas raciais nas universidades públicas. BBC News Brasil, 23 fev. 2020. Acesso em: 18 ago. 2025.
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem. Tempo Social – Revista de Sociologia da USP, v. 19, n. 1, p. 287-308, 2007.
PALHARES, Isabela. Aluno processa USP após perder vaga em Direito por não ser considerado pardo. Folha de São Paulo, 1 mar. 2024. Acesso em: 5 set. 2025.
PALHARES, Isabela. Banca presencial para pretos e pardos, prometida por reitor da USP, deve ocorrer só em 2025. Folha de São Paulo, 5 mar. 2024. Acesso em: 5 set. 2025.
PALHARES, Isabela. USP cancela matrícula de cotista de Medicina por negar que ele seja pardo. Folha de São Paulo, 29 fev. 2024. Acesso em: 5 set. 2025.
PRIP. Audiência na FDUSP sobre comissões de heteroidentificação. PRIP, 2 ago. 2022. Acesso em: 18 ago. 2025.
SANTOS, Adilson Pereira dos; TEODORO, Paula Silva; FERREIRA, Lígia dos Santos. Um panorama das comissões de heteroidentificação étnico-racial: reflexões do II Seminário Nacional. Revista Ensaios e Pesquisa em Educação e Cultura, v. 5, n. 9, p. 68-85, 2020.
SANTOS, Sales Augusto dos. Mapa das comissões de heteroidentificação étnico-racial das universidades federais brasileiras. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 13, n. 36, p. 365-415, 2021.
SILVA SILVA, Vinicius Conceição. O controle da autodeclaração racial dos beneficiados das cotas raciais: a experiência das comissões de heteroidentificação na Defensoria Pública de São Paulo. Revista da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, v. 4, n. 1, p. 97-117, 2022.
SILVA, Bruna Caroline Moreira; XAVIER, Wescley Silva; CALBINO, Daniel. Política de cotas e meritocracia: uma análise da percepção de professores universitários. Dados – Revista de Ciências Sociais, v. 65, n. 1, p. 1-34, 2022.
SILVA, Suellen Francine da Silva e. Vivências escolares de estudantes negros: o acesso à Universidade de São Paulo após a adoção das cotas raciais. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2020.
SOUZA, Marcilene Garcia de. Bancas de aferição, fraudes e seus desafios na educação superior e nos concursos públicos. Revista Educação em Debate, ano 42, n. 83, p. 85-97, 2020.
VAZ, Lívia Sant’anna. Cotas raciais. São Paulo: Jandaíra, 2022.
Downloads
Veröffentlicht
Ausgabe
Rubrik
Lizenz
Copyright (c) 2026 Lucas de Santana Módolo

Dieses Werk steht unter der Lizenz Creative Commons Namensnennung - Nicht-kommerziell - Weitergabe unter gleichen Bedingungen 4.0 International.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantêm os direitos autorais e concedem à RDDA o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License. que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista (referência à RDDA).
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).