A gestão militarizada dos indesejáveis
espacialização do encarceramento na cidade do Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.11606/eISSN.2236-2878.rdg.2026.239318Palavras-chave:
militarização do espaço urbano, encarceramento, indesejáveis, confinamento espacialResumo
A partir de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) referentes aos anos de 2015 e 2022, este artigo analisa a dinâmica espacial do encarceramento no município do Rio de Janeiro, articulando-a ao processo de militarização do espaço urbano. Propõe-se demonstrar como essa movimentação efetiva uma lógica de controle ostensivo, alinhada a projetos de cidade que privilegiam interesses econômicos hegemônicos. O marco teórico-metodológico fundamenta-se nas contribuições de autores como Mike Davis e Stephen Graham, complementadas por análise documental de relatórios sobre violência e segurança pública. A abordagem revela que os cinco bairros com maior incidência de detenções no período – Centro, Copacabana, Barra da Tijuca, Bangu e Campo Grande – representam áreas centrais ou subcentros econômicos estratégicos da cidade, contrariando a narrativa dominante que associa o encarceramento prioritariamente às áreas periféricas e favelizadas. Essa distribuição espacial reforça a tese de um aprofundamento da segregação urbana no Rio de Janeiro mediada pelo aparato penal. O encarceramento assume aqui características de um mecanismo de confinamento seletivo, removendo, parcialmente ou integralmente, grupos socialmente indesejáveis de zonas valorizadas, onde sua presença é interpretada como obstáculo à circulação de riqueza e à imagem de cidade global. Tal dinâmica consolida um urbanismo de exceção que naturaliza a exclusão como requisito para a atração de investimentos.
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