Relações entre Solo e Vertente: As reflexões de José Pereira de Queiroz Neto
DOI:
https://doi.org/10.11606/eISSN.2236-2878.rdg.2026.242337Palavras-chave:
Queiroz Neto;, Solo, Vertente, Análise Estrutural da Cobertura Pedológica, Pedogênese, MorfogêneseResumo
O texto apresenta as reflexões do Professor José Pereira de Queiroz Neto sobre as relações entre solos e relevo, com base em seu artigo “Relações entre as vertentes e os solos: revisão de conceitos”, publicado em 2011 na Revista Brasileira de Geomorfologia. O autor discute a interação entre pedogênese e morfogênese, propondo que esses processos coevoluem, contrapondo-se à visão clássica de oposição entre ambos. Ele analisa essas relações em duas escalas espaciais: regional e local. Na escala regional, relaciona os tipos de solos aos grandes compartimentos geomorfológicos: relevos suaves estão associados a solos bem desenvolvidos e espessos, enquanto que relevos declivosos estão vinculados a solos rasos e pouco evoluídos. Na escala local, Queiroz Neto enfatiza as topossequências como sucessões laterais de solos geneticamente relacionados ao longo das vertentes, diferindo da visão de catena proposta por Milne, em 1936, que resulta de processos erosivos. Fundamentado na tese de doutoramento defendida por René Boulet, em 1978, Queiroz Neto utilizou a Análise Estrutural da Cobertura Pedológica para compreender a filiação genética entre solos, destacando a importância da topografia e da circulação hídrica na diferenciação pedológica. O autor também abordou a questão da autoctonia e aloctonia dos materiais de origem, defendendo que o material de um solo pode derivar de um solo pré-existente, e não necessariamente da rocha subjacente. Por fim, o autor reafirmou que as relações solo–relevo são dinâmicas e multiescalares (no tempo e no espaço), influenciadas por fatores climáticos, tectônicos e geoquímicos, constituindo um novo paradigma de coevolução entre morfogênese e pedogênese.
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