Geomorfologia antropogênica e alagamentos em estruturas metroviárias: a estação Jardim São Paulo (São Paulo, Brasil)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/eISSN.2236-2878.rdg.2026.248390

Palavras-chave:

Geomorfologia Antropogênica, Geomorfologia Aplicada, Cartografia Geomorfológica, Transporte Metroviário, Alagamentos Urbanos

Resumo

A urbanização de sistemas geomorfológicos implica em mudanças em formas e materiais superficiais, com efeitos sobre tendências espaciais de processos hidromorfodinâmicos. Em muitos casos, estas mudanças originam riscos associados à alagamentos e inundações, podendo afetar infraestruturas urbanas causando perdas de vida e prejuízos socioeconômicos. A estação Jardim São Paulo, localizada na bacia hidrográfica do córrego Jardim São Paulo (SP), é um exemplo de infraestrutura afetada por alagamentos recorrentes. Neste contexto, o presente artigo objetivou avaliar variáveis geomorfológicas originais e antropogênicas na geração de fluxos superficiais concentrados na área e correlações com alagamentos da estação metroviária. O estudo apoia-se nos preceitos e procedimentos da geomorfologia antropogênica, em especial na abordagem histórica, cartografia geomorfológica retrospectiva e uso de geoindicadores. Os resultados indicaram que, em cerca de 90 anos, a urbanização implicou no adensamento de arruamentos em 38,6%, impermeabilização de 92,5% da bacia e tamponamento de 100% da rede de drenagem, condições que corroboram com o aumento da tendência de geração escoamento superficial concentrado. Os alagamentos, por sua vez, relacionam-se tanto à geração de fluxos concentrados, quanto às características da morfologia interna e localização da estação metroviária na bacia. As características dos eventos meteorológicos, embora relevantes, não foram completamente exploradas em função das limitações de dados na escala necessária. O estudo reforça que eventos extremos em infraestruturas urbanas abrangem sobreposição de fatores geomorfológicos pré-urbanos e derivações antropogênicas, os quais são insights promissores para planejamento de infraestruturas urbanas e adaptabilidade climática.

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Biografia do Autor

  • Breno Schmidtke Rodrigues, Universidade de São Paulo

    Mestre em Ciências (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo. Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo. Doutorando em Geografia Física pelo Programa de pós-Graduação em Geografia Física da Universidade de São Paulo (PPGF-USP). Docente de ensino médio e técnico no Centro Paula Souza (CPS). Atua nas áreas de geomorfologia fluvial e geomorfologia antropogênica, com ênfase na caracterização hidrogeomorfológica e avaliação de impacto humano em sistemas fluviais, em especial, bacias hidrográficas e planícies fluviais. Desenvolve estudos sobre mudanças hidromorfológicas e marcadores antropogênicos em sistemas fluviais. Atua também na aplicação de técnicas de investigação de processos fluviais, avaliação de eventos hidrológicos extremos (em especial inundações), gestão de sistemas fluviais e cartografia geomorfológica. Possui experiências em ensino de geografia na educação básica e em pesquisas básicas e aplicadas em geomorfologia fluvial.

  • Marisa de Souto Matos Fierz, Universidade de São Paulo

    Possui bacharelado e Licenciatura pela Universidade de São Paulo, graduação em GEOGRAFIA pela Universidade de São Paulo, mestrado em Oceanografia Química e Geológica pela Universidade de São Paulo e doutorado em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo. Foi docente no curso de Geografia bacharelado e licenciatura na Fundação Santo André (2002- 2009). Foi Docente substituta no curso de Geografia em (2007-2007) na Pontifícia Universidade Católica- PUC-SP. Atualmente é da Universidade de São Paulo, especialista em Geomorfologia, pesquisadora e professora palestrante/colaboradora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geomorfologia e Geologia, atuando principalmente nos seguintes temas: geomorfologia, geomorfopedologia, geomorfologia fluvial e costeira, fragilidade ambiental, planejamento ambiental (planos de manejo), solos e novas geotecnologias.

  • Cleide Rodrigues, Universidade de São Paulo

    Docente da Universidade de São Paulo desde 1992. Atua na área de Geografia, com ênfase em Geomorfologia nos seguintes temas: Geomorfologia Fluvial Aplicada, Cartografia Geomorfológica, Geomorfologia e Antropoceno, Geomorfologia e Urbanização de São Paulo, ordenamento territorial e ambiental. Realizou Pós Doutorado na University of Oxford UK em 2009/2010 em Geomorfologia Aplicada e Antropoceno. Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq de 2012 a 2025, com o Programa de pesquisa intitulado : Intervenções Antrópicas e Efeitos Hidromorfodinâmicos em Sistemas Fluviais Urbanizados de São Paulo em Tempos de Mudanças Climáticas, com fases e sub-projetos específicos. Atua em gestão de bacias hidrográficas e planícies fluviais de áreas urbanizadas de São Paulo e em geomorfologia fluvial na região amazônica e no Vale do Ribeira-SP. Atua também na reconstituição histórica de sistemas geomorfológicos para avaliação de mudanças antrópicas nestes sistemas, especialmente em áreas urbanas. Estudiosa do Antropoceno, da Antropogeomorfologia e da Cartografia Geomorfológica de áreas antrópicas. Consultora de Planos de Manejo de Unidades de Conservação no Estado de São Paulo. Estabeleceu parcerias e colaborações de pesquisa internacionais com :Universidade de Oxford, Museo de Historia Natural de Madrid; Universidade de Zaragoza; Universidade de Manchester UK; Universidade de Liverpool UK. Estabeleceu parceria nacionais com as seguintes instituições : UFMT; UEA; Prefeitura do Município de São Paulo, IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo , dentre outras, atuando em projetos de extensão e pesquisa aplicada.

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Publicado

03-08-2026

Como Citar

Rodrigues, B. S., Fierz, M. de S. M., & Rodrigues, C. (2026). Geomorfologia antropogênica e alagamentos em estruturas metroviárias: a estação Jardim São Paulo (São Paulo, Brasil). Revista Do Departamento De Geografia, 47, e248390. https://doi.org/10.11606/eISSN.2236-2878.rdg.2026.248390

Dados de financiamento