Perfil dos litigantes em casos de judicialização da saúde: um estudo a partir da judicialização da saúde infantil no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2316-9044.rdisan.2025.218551Palabras clave:
Judicialização da Saúde, Marcadores Sociais, Saúde Infantil, Saúde Pública, Saúde SuplementarResumen
A produção científica acerca da judicialização da saúde avançou bastante sobre suas causas normativas e institucionais. Ainda existem lacunas, no entanto, na descrição do perfil dos litigantes dessas demandas, como os diferentes tipos de perfil impactam o que é demandado e como juízes decidem. Poucos trabalhos controlam seus achados por diferenças socioeconômicas, etárias ou de gênero e, menos ainda, apresentam informações sobre a raça de demandantes, que são ainda bastante incompletas. Este estudo contribui com essa frente da literatura sobre o tema, estudando a judicialização da saúde promovida por um grupo específico – o de pacientes menores de 18 anos. Congelando a variável etária, os dados sobre desigualdade de gênero e raça tornam-se mais evidentes. Foram analisados todos os casos de judicialização da saúde decididos pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, entre 2011 e julho de 2022, que tivessem como demandantes crianças ou adolescentes de zero a 18 anos. Os dados demonstram um predomínio de casos ajuizados em favor de crianças mais jovens, brancas, especialmente do gênero masculino e com demandas relacionadas ao transtorno de espectro autista ou ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, tendência ainda mais forte junto à saúde suplementar. O estudo indica que desigualdades de acesso a serviços de saúde refletem-se em perfis diferentes de judicialização.
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Referencias
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