“Futebol moderno”

ideologia, sentidos e disputas na apropriação de uma categoria futebolística

Autores

  • Felipe Tavares Paes Lopes Universidade de Sorocaba image/svg+xml
  • Bernardo Borges Buarque de Hollanda Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas

Palavras-chave:

Futebol profissional, torcidas organizadas, coletivos torcedores, ideologia, análise de discurso

Resumo

O presente artigo examina os usos e sentidos da categoria “futebol moderno”, tal como empregado por subgrupos e vanguardas de torcedores de clubes esportivos no Brasil. À luz do conceito de ideologia, desenvolvido por John B. Thompson, analisa-se uma série de discursos de lideranças de torcidas organizadas e de coletivos torcedores que se contrapõem às transformações econômicas, arquitetônicas e organizacionais em curso no futebol profissional contemporâneo. Por meio de nove entrevistas semiestruturadas, procura-se entender como o termo “contra futebol moderno”, originado na Europa dos anos 1970 e difundido como slogan por movimentos ultras europeus desde os anos 1990, vem sendo apropriado no Brasil durante a última década, em reação aos megaeventos esportivos realizados no país (2007-2016) e à construção de arenas multiuso, que suplantam o modelo de estádios públicos, vigente desde a segunda metade do século XX. A análise de discurso aqui realizada chega à conclusão de que, embora se trate de uma pauta unificadora importante para esse segmento de atores futebolísticos, envoltos em relações assimétricas de poder, a luta contra o “futebol moderno” comporta uma série de ambiguidades em suas narrativas, porquanto se configura mais reativa e circunstancial do que efetivamente propositiva e programática. Ao assestarem suas baterias contra a descaracterização da tradição futebolística, verifica-se uma ambivalência na valoração do passado, via de regra idealizado como autêntico, espontâneo e festivo, em contraposição a um presente em tudo comprometedor da “essência” e da “autenticidade” perdida com a nova configuração do futebol midiático e mercantilizado.

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Biografia do Autor

  • Felipe Tavares Paes Lopes, Universidade de Sorocaba

    Doutor em Psicologia Social pela USP. Pós-doutorado na Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp, Brasil) e no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC, Brasil). Professor adjunto do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso, Brasil)

  • Bernardo Borges Buarque de Hollanda, Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas

    Doutor em História Social e da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ, Brasil). Pós-doutorado na Fondation Maison des Sciences de l’Homme. Professor adjunto da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV, Brasil) e pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC, Brasil).

Referências

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Publicado

2018-12-31

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

“Futebol moderno”: ideologia, sentidos e disputas na apropriação de uma categoria futebolística. (2018). Revista De Estudios Brasileños, 5(10), 159-175. https://revistas.usp.br/reb/article/view/154329