A COP30 e as mobilizações sociais
DOI:
https://doi.org/10.14201/reb20251226127146Palavras-chave:
COP30, Cúpula dos Povos, Justiça climática, Povos indígenas, movimentos sociaisResumo
Este artigo analisa a importância da Cúpula dos Povos no processo de construção e realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, no estado do Pará (Brasil), entre 10 e 21 de novembro de 2025. O estudo centra-se na participação das organizações representativas dos povos indígenas e dos movimentos camponeses nacionais e internacionais no enfrentamento da crise climática. Metodologicamente, realizou-se revisão bibliográfica e documental sobre as Conferências das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e as Conferências das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, contextualizando a participação social nesses processos. Também foi analisada a trajetória da Cúpula dos Povos, bem como os documentos apresentados pelas organizações indígenas e camponesas durante a COP30. A pesquisa foi complementada por observação direta em eventos temáticos e ações públicas realizados no âmbito da Cúpula dos Povos. Os resultados evidenciam a relevância histórica das conferências internacionais para a consolidação do debate sobre as mudanças climáticas e para o fortalecimento da atuação de povos indígenas, comunidades tradicionais e movimentos sociais. Enquanto a agenda oficial da COP30 privilegiou negociações entre Estados e mecanismos de mercado voltados à governança climática, a Cúpula dos Povos enfatizou a defesa dos direitos humanos e da natureza, da justiça climática, dos direitos territoriais, de condições dignas de trabalho e de vida e do enfrentamento das desigualdades socioambientais. Conclui-se que as respostas à crise climática não podem restringir-se a soluções técnicas ou de mercado, exigindo transformações políticas e sociais que reconheçam o protagonismo dos povos e das populações diretamente afetadas.
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