Manejo clínico e desfechos em casos graves de COVID-19: síndrome do desconforto respiratório agudo em duas ondas
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2024-0213enPalavras-chave:
Síndrome do Desconforto Respiratório, Respiração Artificial, Resultados de cuidados críticos, Corticosteroides, COVID-19Resumo
Objetivo: Analisar as mudanças nos fatores epidemiológicos e prognósticos, no manejo clínico e no impacto evolutivo dessas variáveis nos desfechos hospitalares, comparando as duas primeiras ondas da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) devido à COVID-19 em um centro universitário no Nordeste do Brasil. Métodos: Os pacientes hospitalizados de abril de 2020 a fevereiro de 2021 foram incluídos na amostra da primeira onda; enquanto a segunda onda, de março a agosto de 2021, de acordo com o aumento e a queda de casos em Pernambuco. Estudo prospectivo em que analisamos o perfil clínico, os desfechos e o tratamento em pacientes hospitalizados. Resultados: Entre 176 pacientes, 95 eram da primeira onda e 81 da segunda onda. A mortalidade foi de 35,8%, sendo 47,4% vs. 22,2% (p = 0,001), respectivamente. A idade média foi de 55 anos [IQR: 46–58], sem diferença entre as ondas. A Avaliação Sequencial de Falência de Órgãos (SOFA) foi maior na primeira onda, com mediana de 4 [IQR: 3;7,7] vs. 3 [IQR: 2;5,5] e 5 [IQR: 3;8] vs. 3 [IQR: 2;7], em 24 e 72 horas, respectivamente (p = 0,001). Os pacientes da primeira onda receberam mais ventilação mecânica invasiva (VMI), 68,4% vs. 45,7% (p = 0,002) e hemodiálise, 49,5% vs. 17,7% (p = 0,000), mas menos ventilação não invasiva (VNI), 8,4% vs. 72,5% (p = 0,000) e corticosteroides, 86,6% vs. 96,6% (p = 0,02). Ninguém foi vacinado na primeira onda, enquanto apenas 7 pacientes haviam recebido vacina completa na segunda onda. Conclusões: Os pacientes com SDRA apresentaram menor mortalidade, menos disfunções orgânicas e menor necessidade de VMI e hemodiálise, com maior uso de VNI e corticosteroides na segunda onda.
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