Tuberculose na população em situação de rua na América do Sul: uma revisão sistemática dos determinantes sociais, estratégias de controle e equidade em saúde
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2025-0222enPalavras-chave:
Tuberculose, Pessoas Mal Alojadas, Vulnerabilidade Social, Disparidades Socioeconômicas em Saúde, América do SulResumo
Introdução: A tuberculose (TB) continua sendo um importante problema de saúde pública na América do Sul, afetando desproporcionalmente populações vulneráveis, como a população sem-teto (PST). Objetivo: Sintetizar, por meio de uma revisão sistemática com metassíntese, as evidências científicas sobre a relação entre tuberculose e seus determinantes sociais, individuais e programáticos no Sistema de Saúde da América do Sul, destacando os fatores associados ao abandono do tratamento e à mortalidade. Métodos: Foram pesquisados artigos científicos nas bases de dados PubMed, EMBASE, LILACS, SciELO, Web of Science e Cochrane, publicados em português, inglês ou espanhol entre 2013 e 2023. A seleção dos estudos foi realizada de forma independente por três revisores, sendo que, quando necessário, um quarto revisor chegou a um consenso. O processo seguiu os protocolos da Colaboração Cochrane e o fluxograma PRISMA, resultando na inclusão de 27 estudos. Resultados: Os determinantes mais frequentes foram a falta de proteção social (85%) e a pobreza extrema (75%), ambos associados a altas taxas de abandono do tratamento (média de 36%) e mortalidade (média de 14%). A redução no uso da Terapia Diretamente Observada (TDO) e as desigualdades regionais emergiram como fatores críticos. A metassíntese indicou que usuários de álcool e drogas apresentaram um risco 2,3 vezes maior de abandono do tratamento, enquanto a coinfecção por TB-HIV aumentou a mortalidade em até três vezes. Conclusão: A vulnerabilidade das PST à tuberculose está fortemente ligada a fatores sociais e programáticos. As estratégias de intervenção devem priorizar a proteção social, a expansão do TDO, políticas intersetoriais e abordagens adaptadas aos contextos regionais, a fim de reduzir as desigualdades e promover a equidade em saúde.
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