Musicalização e habitus conservatorial em tensão: desafios para o ensino superior
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2447-7117.rt.2026.242198Palabras clave:
Musicalização, habitus conservatorial, formação docente, autoanáliseResumen
O presente artigo, resultado de uma pesquisa de iniciação científica, analisa as tensões na formação inicial de professores de música, investigando como o habitus conservatorial pode influenciar a compreensão conceitual e a prática docente da musicalização. Adotando a metodologia de estudo de caso em uma universidade pública brasileira, a pesquisa combina uma abordagem qualitativa com dados quantitativos. Para tal, foram realizadas a análise curricular e bibliográfica do curso de licenciatura em música e entrevistas semiestruturadas com sete estudantes do curso. Os resultados, apresentados em quatro categorias de análise, demonstram que o habitus conservatorial estabelece uma inércia estrutural-disposicional que fragiliza o componente de musicalização, que seria o foco principal do curso e que é trabalhado em disciplinas pedagógicas. Essa inércia se manifesta na subordinação sistemática da musicalização à lógica de primazia da performance e da teoria, o que é reforçado pelo peso da formação musical. Adicionalmente, o estudo identificou a inconsciência dos estudantes sobre suas próprias influências e a ausência de vivências prévias em musicalização, fatores que contribuem diretamente para a reprodução desse modelo pedagógico tradicional. Observa-se que a superação da ambiguidade da musicalização exige, no âmbito curricular, a inserção mais sólida da vivência da prática musical antes da teoria, e a integração fluida de abordagens inovadoras. Os resultados, quando colocados em confronto com outras pesquisas, sugerem que essas tensões não são fenômenos exclusivos deste contexto, apontando para a necessidade de uma reflexão crítica mais ampla sobre a formação docente em música no ensino superior.
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Referencias
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