Anestesia no paciente oncológico
as técnicas e agentes anestésicos podem influenciar o desfecho destes pacientes? Uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i1p40-45Palavras-chave:
Anestesia, Neoplasias, Recidiva, CâncerResumo
Introdução: A anestesia no paciente oncológico representa um desafio sob vários aspectos: pacientes complexos, com diversas comorbidades e, muitas vezes, submetidos a tratamentos adjuvantes. O tratamento cirúrgico é o tratamento de primeira linha em grande parte dos casos oncológicos e a anestesia é uma etapa essencial para viabilizar este tratamento. O uso de diferentes agentes e técnicas anestésicas hoje é visto como um dos potenciais fatores que podem vir a influenciar o desfecho oncológico. Revisamos alguns dos novos conceitos que têm surgido na literatura, referentes aos cuidados anestésicos perioperatórios e a evolução desta população. Métodos: Estudo bibliográfico narrativo e exploratório. Realizada pesquisa nos bancos de dados Medline e SciELO, utilizando os termos (((anesthesia) OR (anaesthesia)) AND (cancer)) até novembro de 2019 e 44 estudos foram utilizados. Resultados: Os estudos discutem o papel específico de diversos agentes anestésicos, principalmente agentes hipnóticos endovenosos, inalatórios e opioides, além de abordarem as possíveis diferenças entre as técnicas anestésicas. Além dos agentes anestésicos propriamente ditos, o papel de outros agentes frequentemente utilizados no período perioperatório foram incluídos. Conclusões: Técnicas de anestesia regional ainda necessitam ser mais estudadas, mas podem trazer benefícios para esta população auxiliando no controle álgico perioperatório, reduzindo o consumo de opioides e a inflamação desencadeada pela resposta ao estresse. Ainda não há evidências suficientes para modificação dos agentes e técnicas utilizadas na anestesia, mas existem alguns potenciais benefícios sinalizados para o uso de anestesia venosa, técnicas de analgesia multimodal poupadora de opioides e, até mesmo, o uso de certos agentes como a lidocaína e o propofol. Poucas evidências clínicas respaldam o uso de anestesia totalmente livre de opioides com o objetivo de reduzir a recorrência tumoral e otimizar o desfecho do paciente oncológico, mas o assunto está sendo amplamente pesquisado e brevemente haverá mais novidades e evidências que poderão redirecionar a conduta anestésica perioperatória.