Avaliação de pacientes internados por COVID-19 com infarto agudo do miocárdio em hospital terciário no interior de São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i5e-213360Palavras-chave:
COVID-19, Síndrome Coronariana Aguda, Infarto do Miocárdio, Troponina, Síndrome Respiratória Aguda GraveResumo
A infecção pelo novo coronavírus, Severe Acute Respiratory Syndrome Corona Virus type 2 (SARS-Cov 2), consiste em uma doença infecciosa altamente contagiosa com manifestações predominantemente no trato respiratório com inúmeros estudos publicados a partir da declaração da pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em março de 20201. A literatura carece, entretanto, de estudos acerca dos agravos ao sistema cardiovascular, embora diversas pesquisas demonstrem relação entre a infecção e o desenvolvimento de infarto agudo do miocárdio. Dessa forma, este estudo teve como objetivo correlacionar a presença de fatores de risco e infarto agudo do miocárdio, avaliada pela elevação da troponina no sangue periférico, em pacientes internados com a infecção pelo coronavírus e a letalidade. Estudo observacional, coorte retrospectivo, foi realizado através de revisão de 386 prontuários eletrônicos, no período de junho de 2020 a março de 2021, incluindo pacientes internados em unidade de terapia intensiva com síndrome respiratória aguda grave e exame comprovando a infecção pelo SARS-Cov 2. O coeficiente de letalidade resultou em 47,9%. A presença de elevação de troponina resultou em aumento da letalidade para 74,3%, ocasionando aumento de 4,69 vezes da chance de óbito, confirmada pelo cálculo do Odds Ratio (p < 0,01). Quanto à associação entre fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo, etilismo e doença renal crônica, não houve diferença estatística na letalidade, contrastando com a obesidade que se revelou como fator protetor com redução da mesma pelo teste do qui-quadrado (p = 0,015). Concluímos, portanto, que o infarto agudo do miocárdio representa um marcador relevante de agressão durante a infecção pelo coronavírus, sendo necessário novos estudos para elucidar os mecanismos de lesão miocárdica por infecções virais desta e de outras classes de vírus.
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