Automedicação em pacientes com odontalgia aguda durante a pandemia da COVID-19
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v102i6e-217629Palavras-chave:
Automedicação, Odontalgia, Terapêutica, Pandemia COVID-19Resumo
A pandemia da COVID-19 gerou diversas mudanças nos hábitos e comportamentos da população mundial. Durante o período da pandemia, alguns serviços de atendimento médico estavam fechados e diversas pessoas evitaram ir até estabelecimentos de saúde para eventuais consultas por medo de contraírem a infecção, optando assim por se automedicarem em uma situação de dor. A automedicação é uma prática comum em situações de dores agudas. O presente estudo teve por objetivo avaliar as características e as motivações da automedicação em pacientes que apresentaram dor aguda de origem odontogênica durante o período da pandemia da COVID-19. O estudo do tipo descritivo e transversal foi realizado por meio da aplicação de um questionário digital através da plataforma “Google Forms” com 11 questões objetivas e discursivas, em um processo de amostragem aleatória. Foram analisados os seguintes parâmetros: a) os principais medicamentos utilizados por conta própria em uma situação de dor aguda; b) a quantidade e frequência de uso desses fármacos; c) possíveis reações adversas relatadas pelo uso desses medicamentos. A amostra foi composta por 111 pessoas e por meio dos resultados, inferiu-se que a prática da automedicação ocorreu em maior número em pessoas que possuem ensino superior (42,3%). A queixa principal que levou os pacientes a se automedicarem foram situações de dor de origem endodôntica (45,1%) e a maioria da amostra classificou a dor como sendo de forte intensidade (40,5%). Os principais medicamentos utilizados foram dipirona sódica, paracetamol e nimesulida. Cerca de 48% da amostra não leram a bula antes da ingestão desses fármacos e somente 5,6% deles relataram reações adversas como desconforto gástrico e sonolência. Com base nos resultados supracitados, conclui-se que a prática da automedicação foi alta durante o período observado e deve ser desencorajada por todos os profissionais da saúde, buscando o desenvolvimento de uma consciência social a respeito do tema.
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