Interações medicamentosas potenciais e eventos adversos no uso de psicofármacos e cardiofármacos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i4e-234223Palavras-chave:
Farmacovigilância, Algoritmos, Prescrição de Medicamentos, Polifarmácia, Interações MedicamentosasResumo
Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar interações medicamentosas potenciais em prescrições de pacientes em uso concomitante de medicamentos psicotrópicos e cardiovasculares, investigando a relação entre interações graves e eventos adversos a medicamentos. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo, transversal e descritivo em um hospital universitário de média e alta complexidade em Teresina, Piauí. Os dados foram coletados entre março e agosto de 2024, abrangendo pacientes internados entre junho de 2021 e dezembro de 2023. Foram incluídos indivíduos com 18 anos ou mais, hospitalizados por no mínimo cinco dias e utilizando simultaneamente medicamentos psicotrópicos e cardiovasculares. As interações medicamentosas potenciais foram identificadas por meio da ferramenta “Interactions Checker” do Drugs.com® e classificadas de acordo com a gravidade. As prescrições contendo interações graves foram analisadas utilizando a Global Trigger Tool para detectar possíveis marcadores de eventos adversos, e a relação causal foi avaliada pelo Algoritmo de Naranjo com base nos prontuários clínicos. Resultados: A amostra foi composta majoritariamente por pacientes do sexo masculino, com média de idade de 63 anos. Entre as 150 prescrições analisadas, foram identificados 39 medicamentos psicotrópicos e 35 medicamentos cardiovasculares, com média de 5,52 medicamentos por prescrição. As classes psicotrópicas mais prescritas foram antipsicóticos, ansiolíticos, hipnóticos e sedativos; analgésicos opioides; e antiepilépticos. Entre os medicamentos cardiovasculares, destacaram-se betabloqueadores, agentes redutores de lipídios e inibidores do sistema renina–angiotensina. Ao todo, foram identificadas 1.040 situações de coadministração, das quais 59,6% foram classificadas como moderadas e 6,7% como graves. Amiodarona e morfina foram os medicamentos mais frequentemente envolvidos nas interações graves, incluindo associações entre sinvastatina–morfina e carvedilol–morfina. Marcadores de eventos adversos foram detectados em seis pacientes, e uma possível relação causal foi observada nas combinações de morfina com carvedilol ou sinvastatina e de amiodarona com fentanil ou escitalopram. Conclusão: O estudo identificou alta incidência de interações moderadas em pacientes cardíacos em uso de medicamentos psicotrópicos, além de uma possível relação causal entre interações graves e eventos adversos a medicamentos em quatro pacientes, reforçando a necessidade de vigilância contínua em farmacovigilância.
Downloads
Referências
1. Leão IN, Fernandes BD, Oliveira BG, Almeida PHRF, Lemos GS, Junior GLV, et al. Prevalência das interações medicamentosas potenciais e suas possíveis consequências clínicas em indivíduos hipertensos atendidos na atenção primária. Rev Atenção Saúde. 2020 Mar 24;18(63). Doi: 10.13037/RAS.VOL18N63.6031
2. Petri AA, Schneider A, Kleibert KRU, Bittencourt VLL, Winkelmann ER, Colet C de F. Interações medicamentosas potenciais em pacientes hospitalizados. Rev Atenção Saúde. 2020;18(63). Doi: 10.13037/RAS.VOL18N63.6248
3. Santos MHBA. Análise de interações medicamentosas potenciais e de eventos adversos a medicamentos em uma unidade de terapia intensiva [Master Thesis]. Fundação Oswaldo Cruz; 2017. https://arca.fiocruz.br/handle/icict/24086
4. Assis SF, Vieira DFVB, Sousa FREG, Pinheiro CEO, Prado PR. Eventos adversos em pacientes de terapia intensiva: estudo transversal. Rev Esc Enf USP. 2022;56:e20210481. Doi: 10.1590/1980-220X-REEUSP-2021-0481EN PubMed PMID: 35551577.
5. Brasil. Reference document for the National Patient Safety Program [Internet]. Brasília; 2014. https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/biblioteca/documento-de-referencia-para-o-programa-nacional-de-seguranca-do-paciente/
6. Lombardi NF, Mendes AEM, Lucchetta RC, Reis WCT, Fávero MLD, Correr CJ. Analysis of the discrepancies identified during medication reconciliation on patient admission in cardiology units: a descriptive study. Rev Lat Am Enfermagem. 2016;24:e2760. Doi: 10.1590/1518-8345.0820.2760 PubMed PMID: 27533269.
7. Alvim MM, Da Silva LA, Leite ICG, Silvério MS. Adverse events caused by potential drug-drug interactions in an intensive care unit of a teaching hospital. Rev Bras Ter Intensiva. 2015;27(4):353–9. Doi: 10.5935/0103-507X.20150060 PubMed PMID: 26761473.
8. Sobrinho NP, Campos JF, da Silva RC. Eventos adversos a medicamentos relacionados às potenciais interações medicamentosas graves em pacientes com doenças cardiovasculares. Rev Gaucha Enferm. 2020;41:e20190511. Doi: 10.1590/1983-1447.2020.20190511 PubMed PMID: 33237225.
9. Naranjo CA, Busto U, Sellers EM, Sandor P, Ruiz I, Roberts EA, et al. A method for estimating the probability of adverse drug reactions. Clin Pharmacol Ther. 1981;30(2):239–45. Doi:10.1038/CLPT.1981.154 PubMed PMID: 7249508.
10. Fontenele RE, Araujo TL de. Analise do planejamento dos horarios de administracao de medicamentos em unidade de terapia intensiva cardiologica. 2006. https://hdl.handle.net/20.500.14330/PER01000255895
11. WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. ATC/DDD Index. 2024. https://atcddd.fhi.no/atc_ddd_index/
12. Drugs.com. Prescription Drug Information, Interactions & Side Effects. 2026. https://www.drugs.com/drug_interactions.html
13. Griffin F, Resar R. HI Global Trigger Tool for Measuring Adverse Events. Cambridge; 2009. http://ihi.org.br
14. Pereira LMV, Menezes JC, Vendruscolo ACS. Desenvolvimento de instrumento para avaliação de notificações de suspeita de eventos adversos a medicamentos. Rev Qualidade HC. 2016;60–9. https://hcrp.usp.br/revistaqualidadehc/apresentacao.aspx
15. Moraes JT, Maia JM, Trindade OM, de Oliveira LA, Sanches C, Trevisan DD. Fatores associados para potenciais interações medicamentosas clinicamente significantes em terapia intensiva adulto. Medicina (Ribeirão Preto). 2020;53(4):379–88. Doi: 10.11606/ISSN.2176-7262.V53I4P379-388
16. Ribeiro GS, Leão IN, Rangel MS, Santos EG. Interações medicamentosas potenciais em prescrições de medicamentos na emergência de um hospital público. Rev Cient Elet Cons Reg Farmácia Bahia. 2022;e01012204–e01012204. Doi: 10.4322/rce-crf-ba.e01012204
17. Da B, Santos S, Daiane T, Santana B, Mércia A, Mascarenhas S, et al. Interações medicamentosas potenciais e polifarmácia em prescrições de pacientes acompanhados por farmacêuticos clínicos em unidades de terapia intensiva. RECIMA21 - Rev Cient Multidisc. 2021;2(9):e29674–e29674. Doi: 10.47820/RECIMA21.V2I9.674
18. Emanuela R, Lima De Carvalho F, Max A, Reis M, Pereira De Faria LM, Santana K, et al. Prevalência de interações medicamentosas em unidades de terapia intensiva no Brasil. Acta Paul Enf. 2013;26(2):150–7. Doi: 10.1590/S0103-21002013000200008
19. Franchi F, Mazzetti L, Scolletta S. Sedation and hemodynamics. Crit Care Sedat. 2018;155–66. Doi: 10.1007/978-3-319-59312-8_10/SAVE-RESEARCH
20. Alvim MM, Cruz DT, Aquino GA, Leite ICG. Study on medication prescription in the elderly population: benzodiazepine use and potential drug interactions. Cad Saude Colet. 2021;29(2):209–17. Doi:10.1590/1414-462X202129020480
21. Sangaleti CT, Lentsck MH, da Silva DC, Machado A, Trincaus MR, Vieira MCU, et al. Polifarmácia, medicamentos potencialmente inapropriados e fatores associados entre idosos com hipertensão na atenção básica. Rev Bras Enferm. 2023;76:e20220785. Doi: 10.1590/0034-7167-2022-0785
22. Lin JH, Yamazaki M. Role of P-glycoprotein in pharmacokinetics: clinical implications. Clin Pharmacokinet. 2003;42(1):59–98. Doi: 10.2165/00003088-200342010-00003
23. Max A, Reis M, Pedroso LA, Coelho Costa S, Pires T, Figueiredo D. Drugs used by the elderly at home with action as substrates or modulators of p-glycoprotein. J Hosp Pharm Health Serv. 2015;6(1):30–6. https://jhphs.org/sbrafh/article/view/212
24. Paixão FM, Camerini FG, Fassarella CS, Henrique DM, Assad LG, Radighieri AR. Gravidade das incompatibilidades medicamentosas em pacientes crí¬ticos: Uma revisão integrativa. Saúde Colet. 2020;9(51):1907–12. Doi: 10.36489/saudecoletiva.2019v9i51p1907-1912
25. Shukla AK, Jhaj R, Misra S, Ahmed SN, Nanda M, Chaudhary D. Agreement between WHO-UMC causality scale and the Naranjo algorithm for causality assessment of adverse drug reactions. J Family Med Prim Care. 2021;10(9):3303–8. Doi: 10.4103/JFMPC.JFMPC_831_21
26. Woroń J, Siwek M, Gorostowicz A. Adverse effects of interactions between antidepressants and medications used in treatment of cardiovascular disorders. Psychiatr Pol. 2019;53(5):977–95. Doi: 10.12740/PP/ONLINEFIRST/96286
27. Lima ÍM, Vidigal SB, Lima NM, Carvalho D, Santos EJ, Juníor AC, et al. Application of FASTHUG-MAIDENS mnemonic and evaluation of its impact in pharmaceutical intervention in an adult intensive care unit. J Hosp Pharm Health Serv. 2021;12(1):566–566. Doi: 10.30968/RBFHSS.2021.121.0566
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Mateus Saraiva, Tayná Silva, Liana Magalhães, Dalton Dittz

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.