A relação entre a cobertura vacinal e os casos de meningite causada por Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae, entre os anos de 2012 a 2022, nas maiores cidades da região do Grande ABC, SP
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104iesp.e-234402Palavras-chave:
Meningite, Saúde pública, Epidemias, Vacinação em massa, Cobertura vacinal, Vacinas meningocócicas, Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidisResumo
Os casos de meningite meningocócica e pneumocócica, notificados entre 2012 e 2022, nas sete maiores cidades do Grande ABC, em São Paulo foram analisados e comparados com as informações referentes à cobertura vacinal para o mesmo período. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, realizado através da utilização de informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), ambos vinculados ao DATASUS. No período estudado, foram notificados 7.573 casos de meningite, dos quais 366 (4,83%) foram atribuídos a Neisseria meningitidis e 226 (2,99%) a Streptococcus pneumoniae. As maiores incidências ocorreram nas cidades de São Bernardo do Campo e Santo André, com picos entre 2012 e 2015. Em 2018, observou-se um aumento expressivo nos casos, coincidindo com a redução gradual da cobertura vacinal, que atingiu níveis críticos em 2021, especialmente em Rio Grande da Serra (32,53%) e Ribeirão Pires (53,84%). Fatores como a pandemia de COVID-19, hesitação vacinal e desafios logísticos podem ter contribuído para essa queda. Os dados sugerem que a diminuição da cobertura vacinal influenciou o aumento dos casos, embora a relação direta entre esses eventos exija investigações mais detalhadas. A persistência de baixos índices de imunização amplia o risco de surtos em populações vulneráveis. Conclui-se que a manutenção da cobertura vacinal é fundamental para o controle da meningite, sendo necessário intensificar políticas públicas, ampliar o acesso às vacinas e promover campanhas educativas para reverter a tendência de queda na imunização e prevenir o ressurgimento da doença.
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Referências
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