Divertículo de meckel sintomático em lactente: abordagem cirúrgica de um caso de hemorragia digestiva recorrente
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238217Palavras-chave:
Divertículo de Meckel, Lactente, Diagnóstico, Tratamento Cirúrgico, Hemorragia Digestiva, Laparoscopia DiagnósticaResumo
O divertículo de Meckel é uma anomalia congênita resultante da persistência do ducto onfalomesentérico, sendo a principal causa de hemorragia digestiva indolor em crianças menores de cinco anos. O diagnóstico pode ser desafiador, especialmente em casos com sintomas recorrentes e exames de imagem inconclusivos. A abordagem laparoscópica tem papel importante na identificação e tratamento dessa condição. Relato de Caso: Um paciente masculino de 1 ano e 9 meses apresentou múltiplos episódios de sangramento retal, incluindo hematoquezia maciça, anemia sintomática (hemoglobina de 6,9 g/dL) e instabilidade hemodinâmica, necessitando transfusão sanguínea. Durante a primeira internação, ultrassonografia abdominal e tomografia computadorizada não identificaram alterações conclusivas, possivelmente devido à interposição gasosa e sobreposição intestinal. Optou-se por conduta conservadora, com melhora clínica. Quatro meses depois, o paciente retornou com novo episódio de hematoquezia volumosa, palidez acentuada e hemoglobina de 8,9 g/dL, sem alterações no coagulograma. Diante da suspeita persistente de divertículo de Meckel, realizou-se laparoscopia diagnóstica, que revelou divertículo inflamado aderido à parede abdominal anterior, próximo à cicatriz umbilical. A equipe ampliou a incisão umbilical, exteriorizou o segmento afetado e realizou ressecção em cunha de 4 cm, seguida de anastomose primária término-terminal. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências, com resolução completa do sangramento.Discussão: Este caso exemplifica os desafios diagnósticos do divertículo de Meckel em crianças com hemorragia digestiva obscura. A cintilografia com tecnécio-99m, padrão-ouro para identificar mucosa gástrica ectópica, não foi realizada devido à urgência clínica e indisponibilidade. A laparoscopia emergencial permitiu visualização direta do divertículo e intervenção precisa, minimizando riscos. A ressecção em cunha com anastomose primária preserva função intestinal e reduz complicações. A presença de tecido ectópico justifica a ressecção completa para prevenir recidivas. O caso reforça a importância da suspeição clínica elevada e do manejo multidisciplinar para otimizar diagnóstico e tratamento em pacientes pediátricos com hemorragia digestiva.
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Referências
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