Avaliação tomográfica e reconstrução complexa em hérnia incisional encarcerada de paciente com múltiplos fatores de risco
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238239Palavras-chave:
Hérnia Incisional, Encarceramento, Correção Primária, Complicação Tardia, Sutura Não Absorvível, Enfraquecimento de Parede Abdominal por ObesidadeResumo
A hérnia incisional ocorre pela ruptura parcial das camadas musculares em uma cicatriz cirúrgica, preservando a camada epitelial. Pode manifestar-se meses ou anos após a cirurgia, associada a fatores que elevam a pressão intra-abdominal, como obesidade, tosse crônica, esforço físico e constipação. A prevalência varia de 12,8% na população geral a 69% em pacientes com comorbidades. Casos com encarceramento requerem reparo urgente, e a reconstrução em pacientes multicomorbidos apresenta desafios técnicos significativos. Relato de Caso Paciente de 68 anos, com diabetes, hipotireoidismo, rinite alérgica e obesidade grau III (IMC 42,2), foi admitida com dor abdominal difusa, ausência de eliminação de flatos e fezes por sete dias e vômitos por um mês. Apresentava antecedentes de cesárea, colecistectomia e cirurgia de varizes. Exame físico mostrou abdome distendido e hérnia infraumbilical paramediana esquerda tensa e dolorosa, sem sinais de peritonite. A tomografia evidenciou hérnia incisional infraumbilical esquerda com alças intestinais torcidas, espessamento das paredes, líquido no saco herniário e distensão de alças a montante, além de outras hérnias menores. No mesmo dia, ela foi submetida à reconstrução complexa da parede abdominal, com flap da bainha anterior do reto abdominal à esquerda, incisão relaxadora à direita e fechamento do defeito com tela pré-aponeurótica, sem enterectomia. Inseriram dreno de sucção no flanco direito. Durante oito dias, evoluiu sem intercorrências, aceitando dieta e sem dor significativa. Recebeu alta com uso de cinta abdominal. Discussão A tomografia foi essencial para diagnosticar o encarceramento e orientar o reparo urgente. A literatura recomenda seu uso sistemático em hérnias complexas, mesmo em urgência. O caso ressalta a importância da estratégia individualizada em pacientes com múltiplos fatores de risco para falência aponeurótica e complicações tardias. A manutenção do dreno por sete dias e a técnica com tela onlay seguiram protocolos baseados em evidências para pacientes de alto risco.
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Referências
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