Neoplasia gástrica avançada: relato de caso e desafios no manejo clínico-cirúrgico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238246Palavras-chave:
Câncer Gástrico, Carcinomatose Peritoneal, Laparoscopia Diagnóstica, Tomografia ComputadorizadaResumo
O câncer gástrico é a quinta neoplasia mais frequente no mundo, com predominância do adenocarcinoma. Uma das principais formas de recorrência é a carcinomatose peritoneal, presente em cerca de 14% dos casos. Nesses pacientes, o tratamento indicado é a quimioterapia paliativa, sem indicação cirúrgica. A detecção da metástase peritoneal pode ser feita por tomografia computadorizada (TC), porém o exame apresenta baixa sensibilidade (52%), sendo necessária a videolaparoscopia diagnóstica (VLP Dx) para confirmação.Relato de Caso: Um paciente masculino, 53 anos, triatleta, procurou atendimento por epigastralgia e pirose, inicialmente aliviadas com omeprazol, que evoluíram para dor leve no andar inferior do abdome. Ao exame físico, apresentou dor à palpação em mesogástrio, sem sinais de peritonite. A endoscopia digestiva alta revelou lesão infiltrativa difusa (Bormann IV) do antro ao piloro pela pequena curvatura. A biópsia identificou adenocarcinoma pouco diferenciado, de células pouco coesas e invasivo. O estadiamento por TC de tórax, abdome e pelve mostrou espessamento difuso das paredes gástricas, linfonodos aumentados, ascite e espessamento nodular do peritônio e omento maior. A videolaparoscopia diagnóstica confirmou carcinomatose peritoneal. O paciente foi encaminhado para oncologia clínica para tratamento quimioterápico paliativo.Discussão: Este caso exemplifica a realidade do câncer gástrico no Brasil, onde a maioria dos pacientes é diagnosticada em estágio avançado, com cerca de 66% apresentando carcinomatose peritoneal. Embora os exames de imagem sugiram comprometimento metastático, a videolaparoscopia diagnóstica é fundamental para confirmar o diagnóstico, pois a TC pode apresentar falsos negativos em até 12,5% dos casos. A investigação precoce de sintomas dispépticos por exames endoscópicos é crucial para identificar adenocarcinomas pouco diferenciados, permitindo tratamento curativo e evitando progressão metastática. Em pacientes com doença avançada, a complementação do estadiamento com TC e VLP Dx é essencial para definir a conduta terapêutica adequada.
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Referências
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