Úlcera péptica perfurada e tuberculose pulmonar: estratégias clínico-cirúrgicas e complexidades em pacientes com comorbidades
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238247Palavras-chave:
Úlcera Gástrica, Drogas, Tuberculose Disseminada, ComorbidadesResumo
A úlcera gástrica perfurada é uma emergência cirúrgica grave, frequentemente associada a fatores como etilismo crônico e uso de substâncias psicoativas. Em pacientes com dependência química, o manejo torna-se complexo devido ao risco aumentado de complicações infecciosas, imunossupressão e interações medicamentosas. Este relato destaca a coexistência rara de perfuração gástrica com tuberculose pulmonar ativa, evidenciando a importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar. Relato de Caso: Um homem de 37 anos, com histórico de etilismo e uso de drogas ilícitas, chegou ao pronto-socorro com dor epigástrica súbita e intensa, hipotensão e rigidez abdominal. A radiografia e tomografia computadorizada (TC) de abdome confirmaram pneumoperitônio e líquido livre intraperitoneal, indicando urgência cirúrgica. Durante a laparoscopia, identificou-se úlcera perfurada de 1,5 cm na curvatura menor do estômago, que foi reparada cirurgicamente. A evolução inicial na UTI foi favorável, porém, no quinto dia, o paciente apresentou tosse produtiva com expectoração purulenta. A TC de tórax revelou nódulos pulmonares em padrão "árvore em brotamento", sugestivos de tuberculose endobrônquica. A confirmação ocorreu com positividade para BAAR em amostras de escarro, levando à introdução de esquema antituberculoso alternativo devido à intolerância gastrointestinal. A persistência de sinais de irritação peritoneal pós-cirurgia levantou suspeita de infecção residual ou envolvimento tuberculoso do peritônio. O tratamento incluiu linezolida, levofloxacino, amicacina e metronidazol, com monitoramento rigoroso de efeitos adversos. A reintrodução gradual da dieta e suporte nutricional foram essenciais, apesar da evolução clínica lenta e complicada. Discussão: O manejo da úlcera perfurada associada à tuberculose pulmonar apresenta desafios clínico-cirúrgicos significativos, exigindo abordagem multidisciplinar. A reparação primária com patch de omento é o tratamento padrão para a perfuração, preferencialmente por via minimamente invasiva. A tuberculose complica o manejo devido à imunossupressão e necessidade de terapia prolongada, aumentando o risco de infecções e complicações pulmonares.
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Referências
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