Úlcera perfurada em paciente jovem e não crítico: um caso atípico associado ao uso de aines e infecção urinária

Autores

  • Yan Robert Queiroz Santos Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Rafael Martins da Rocha Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Gabriel Silva Bizarias Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • César Rocha de Alencar Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238249

Palavras-chave:

Úlcera Perfurada, Pielonefrite, Antiinflamatórios Não Esteroidais (aines), Hidropneumoperitônio, Laparoscopia de Emergência, Peritonite

Resumo

A úlcera péptica é uma condição comum, afetando até 10% da população ao longo da vida. Está frequentemente associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), infecção por Helicobacter pylori, tabagismo e etilismo. Apesar da redução da incidência e mortalidade nas últimas décadas, complicações ainda ocorrem em até 20% dos casos, sendo a hemorragia a mais frequente. A perfuração, embora menos comum, é a principal indicação para cirurgia de emergência e responde por cerca de 40% das mortes relacionadas à úlcera. Relato de Caso: Uma paciente feminina de 19 anos, sem antecedentes médicos relevantes, foi admitida em hospital terciário com dor abdominal há quatro dias, localizada no flanco e fossa ilíaca direita, irradiando para a região inguinal. Referia disúria, polaciúria e episódios de vômitos, sem febre, além de uso recente de AINEs. Na admissão, encontrava-se estável, sem sinais de sepse. Exames laboratoriais revelaram leucocitúria, nitrito positivo, creatinina de 1,17 mg/dL e proteína C reativa elevada (391 mg/L). A tomografia evidenciou sinais de pielonefrite, e a paciente foi internada para antibioticoterapia intravenosa com ciprofloxacino. Dois dias após, apresentou dor abdominal intensa e difusa, náuseas, vômitos e sinais de irritação peritoneal, com taquicardia, hipotensão e abdome em tábua. Nova tomografia revelou volumoso hidropneumoperitônio, espessamento do antro pilórico com descontinuidade da parede gástrica anterior. Submeteu-se à laparoscopia de emergência, que evidenciou líquido bilioso abundante, peritonite difusa e perfuração gástrica anterior no antro, medindo cerca de 1 cm. Realizou-se sutura primária e lavagem peritoneal. Durante o procedimento, apresentou instabilidade hemodinâmica, necessitando suporte vasoativo. Evoluiu com melhora progressiva. Discussão: Este caso descreve uma úlcera de estresse perfurada em paciente jovem e previamente hígida, fora do perfil clássico. O uso recente de AINEs e o quadro infeccioso urinário com intensa resposta inflamatória sistêmica provavelmente contribuíram para a formação da úlcera. 

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Referências

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Santos, Y. R. Q. ., Rocha, R. M. da ., Bizarias, G. S. ., Alencar, C. R. de ., Martines, B., & Frati, R. . (2025). Úlcera perfurada em paciente jovem e não crítico: um caso atípico associado ao uso de aines e infecção urinária. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238249. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238249