Coledocolitíase sem fatores preditivos positivos: um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238253Palavras-chave:
Coledocolitíase, Colecistectomia Videolaparoscópica, Colangiografia Intraoperatória, Colédoco, Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica, IcteríciaResumo
A coledocolitíase, caracterizada pela presença de cálculos no colédoco, associa-se classicamente a sintomas como icterícia, dor no quadrante superior direito do abdome e elevações nas enzimas hepáticas. Entretanto, cerca de 50% dos casos permanecem assintomáticos, o que dificulta o diagnóstico precoce e exige estratégias clínicas mais sensíveis e individualizadas. O diagnóstico costuma basear-se em alterações laboratoriais, presença de icterícia e achados imagiológicos, mas casos atípicos revelam limitações dessa abordagem convencional.Relato de Caso: Um paciente masculino de 69 anos acompanhava-se ambulatorialmente por episódios recorrentes de dor pós-prandial no hipocôndrio direito, associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresentava-se eutrófico, hidratado, sem icterícia ou massas abdominais, com dor localizada e sinal de Murphy negativo. Os exames laboratoriais estavam normais, incluindo enzimas hepáticas, bilirrubinas, amilase e lipase. A ultrassonografia abdominal revelou vesícula biliar com cálculos, parede preservada e vias biliares sem dilatação ou cálculos visíveis. Foi submetido à colecistectomia videolaparoscópica, sem intercorrências iniciais. Durante a revisão cirúrgica, observou-se extravasamento biliar de origem indeterminada. Optou-se por conversão para laparotomia, que revelou lesão puntiforme pós-ligadura do ducto cístico, sem lesão na via biliar principal. A colangiografia intraoperatória não identificou lesões, mas evidenciou falha de enchimento do colédoco distal. Tentou-se remoção do cálculo com cateter de Fogarty, sem sucesso, indicando coledocolitíase obstrutiva por cálculo de 10 mm no colédoco distal. Como não havia CPRE disponível no serviço, realizou-se o procedimento no pós-operatório, com remoção bem-sucedida do cálculo. O paciente evoluiu estável e recebeu alta.Discussão Este caso evidencia a complexidade diagnóstica da coledocolitíase em pacientes sem preditores clássicos. A ausência de icterícia, alterações enzimáticas e dilatação das vias biliares não exclui a presença de cálculos no colédoco. A colangiografia intraoperatória direcionou a suspeita para obstrução mecânica, justificando a CPRE pós-operatória.
Downloads
Referências
-
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Pedro Humberto Campanharo Lagares, Filipe Waridel, Rafaella Avakian Mansur, Valdir Zamboni, Brenda Martines, Rodrigo Frati

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.