Coledocolitíase sem fatores preditivos positivos: um relato de caso

Autores

  • Pedro Humberto Campanharo Lagares Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485
  • Filipe Waridel Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rafaella Avakian Mansur Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Valdir Zamboni Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238253

Palavras-chave:

Coledocolitíase, Colecistectomia Videolaparoscópica, Colangiografia Intraoperatória, Colédoco, Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica, Icterícia

Resumo

A coledocolitíase, caracterizada pela presença de cálculos no colédoco, associa-se classicamente a sintomas como icterícia, dor no quadrante superior direito do abdome e elevações nas enzimas hepáticas. Entretanto, cerca de 50% dos casos permanecem assintomáticos, o que dificulta o diagnóstico precoce e exige estratégias clínicas mais sensíveis e individualizadas. O diagnóstico costuma basear-se em alterações laboratoriais, presença de icterícia e achados imagiológicos, mas casos atípicos revelam limitações dessa abordagem convencional.Relato de Caso: Um paciente masculino de 69 anos acompanhava-se ambulatorialmente por episódios recorrentes de dor pós-prandial no hipocôndrio direito, associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresentava-se eutrófico, hidratado, sem icterícia ou massas abdominais, com dor localizada e sinal de Murphy negativo. Os exames laboratoriais estavam normais, incluindo enzimas hepáticas, bilirrubinas, amilase e lipase. A ultrassonografia abdominal revelou vesícula biliar com cálculos, parede preservada e vias biliares sem dilatação ou cálculos visíveis. Foi submetido à colecistectomia videolaparoscópica, sem intercorrências iniciais. Durante a revisão cirúrgica, observou-se extravasamento biliar de origem indeterminada. Optou-se por conversão para laparotomia, que revelou lesão puntiforme pós-ligadura do ducto cístico, sem lesão na via biliar principal. A colangiografia intraoperatória não identificou lesões, mas evidenciou falha de enchimento do colédoco distal. Tentou-se remoção do cálculo com cateter de Fogarty, sem sucesso, indicando coledocolitíase obstrutiva por cálculo de 10 mm no colédoco distal. Como não havia CPRE disponível no serviço, realizou-se o procedimento no pós-operatório, com remoção bem-sucedida do cálculo. O paciente evoluiu estável e recebeu alta.Discussão Este caso evidencia a complexidade diagnóstica da coledocolitíase em pacientes sem preditores clássicos. A ausência de icterícia, alterações enzimáticas e dilatação das vias biliares não exclui a presença de cálculos no colédoco. A colangiografia intraoperatória direcionou a suspeita para obstrução mecânica, justificando a CPRE pós-operatória. 

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Referências

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Lagares, P. H. C. ., Waridel, F. ., Mansur, R. A. ., Zamboni, V. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Coledocolitíase sem fatores preditivos positivos: um relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238253. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238253