Carcinoma hepatocelular avançado com invasão vascular extensa em paciente com hepatite c crônica tratada: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238254Keywords:
Chc, Carcinoma, Hepatocelular, Tratada, Invasão, AtrialAbstract
O carcinoma hepatocelular (CHC) é a neoplasia maligna primária mais comum do fígado, frequentemente associada a hepatopatias crônicas, especialmente pela infecção pelo vírus da hepatite C. Apesar dos avanços no tratamento antiviral, pacientes com fibrose avançada ou cirrose mantêm risco elevado para CHC. O diagnóstico precoce é fundamental para terapias curativas, porém muitos casos são detectados tardiamente, quando já há comprometimento vascular e linfonodal, dificultando o manejo clínico.Relato de Caso: Um paciente masculino de 80 anos, catador de reciclagem, apresentou fraqueza e inapetência persistentes há seis meses. Procurou atendimento cardiológico e hepatológico, sendo diagnosticado com hepatopatia crônica por hepatite C, com carga viral sustentada desde 2016. Recebeu tratamento antiviral por 12 semanas. Posteriormente, a tomografia computadorizada evidenciou fígado com sinais de doença crônica e massa volumosa de 15 cm nos segmentos IV e VIII, com realce hipervascular na fase arterial e washout nas fases tardias. A lesão infiltrava veias hepáticas, estendendo-se até a veia cava inferior e o átrio direito, além de extensa linfonodomegalia no hilo hepático, tronco celíaco e retroperitônio. Os exames laboratoriais mostraram hemoglobina de 14,7 g/dL, plaquetas 119.000/mm³ e alfa-fetoproteína (AFP) de 3,1 ng/mL. O paciente foi encaminhado a serviço oncológico terciário para avaliação e manejo especializado. Discussão: A presença de massa volumosa hipervascular infiltrando veias hepáticas e a veia cava inferior, com extensão ao átrio direito, caracteriza estágio avançado do CHC, associado a prognóstico reservado e poucas opções terapêuticas. A linfonodomegalia extensa indica disseminação regional, limitando ainda mais as alternativas curativas. Mesmo após tratamento antiviral eficaz, a fibrose residual mantém o risco para CHC, reforçando a importância do rastreamento contínuo em hepatopatas crônicos. A AFP normal, como neste caso, não exclui o diagnóstico, sendo os exames de imagem fundamentais para avaliação e estadiamento.
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