Correlação cirúrgico-radiológica em abdome agudo traumático: relato de caso com discussão comparativa dos métodos de imagem e protocolos terapêuticos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238261Palavras-chave:
Trauma Abdominal, Tomografia Computadorizada, Diagnóstico por Imagem, Abdome Agudo, Peritonite, Protocolos TerapêuticosResumo
O abdome agudo decorrente de trauma contuso representa uma emergência clínica de alta complexidade, com potencial para rápida evolução a peritonite e choque séptico. A avaliação integrada dos dados clínicos e radiológicos é fundamental para decisões terapêuticas precisas. Atualmente, a tomografia computadorizada (TC) com contraste é o método de escolha na avaliação do trauma abdominal, devido à sua elevada sensibilidade e especificidade para identificar lesões em órgãos sólidos, alças intestinais e estruturas mesentéricas. A correlação entre achados tomográficos e evolução clínica orienta o manejo, otimizando desfechos e reduzindo complicações. Relato de Caso: Um paciente masculino de 54 anos, trabalhador em madeireira, sofreu trauma contuso abdominal. Apresentou dor abdominal intensa (8/10), dificuldade para urinar, evacuar e eliminar flatos. O exame físico revelou abdome flácido, doloroso à palpação profunda e sinais de irritação peritoneal. A TC de abdome e pelve com contraste evidenciou espessamento difuso das alças delgadas no flanco direito e fossa ilíaca, densificação dos planos mesentéricos, pneumoperitônio, líquido livre e redistribuição atípica das alças jejunais. Indicaram laparotomia exploratória imediata. No intraoperatório, identificaram pequena lesão de 0,5×0,5 cm no íleo terminal, a 15 cm da válvula ileocecal, com pequenos hematomas e cerca de 80 mL de líquido seropurulento. Realizaram enterorrafia em dois planos e lavagem peritoneal com 2 litros de solução fisiológica aquecida. O paciente evoluiu bem, retomou alimentação oral e recebeu alta no sexto dia pós-operatório, sem intercorrências.Discussão: A precisão diagnóstica no trauma abdominal depende da integração entre dados clínicos e radiológicos. A TC com contraste é indispensável para avaliar a extensão do trauma e indicar cirurgia. No caso, sinais tomográficos como pneumoperitônio e espessamento das alças orientaram a intervenção precoce. Embora o FAST seja útil para detecção rápida de líquido livre, sua sensibilidade para lesões sutis é inferior à da TC.
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