Manejo de ruptura esplênica tardia: desafios diagnósticos e tratamento
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238262Palavras-chave:
Cuidados de Suporte Avançado de Vida no Trauma, Avaliação Sonográfica Focada no Trauma, Cirurgia de Cuidados Críticos, Tratamento Conservador, Trauma Abdominal Fechado, Trauma EsplênicoResumo
O trauma abdominal contuso representa cerca de 80% das lesões abdominais atendidas em emergências, com alta morbimortalidade. A maioria dos casos decorre de acidentes automobilísticos, agressões e quedas. Entre essas lesões, o trauma esplênico é o mais frequente, ocorrendo em até 55% dos casos, especialmente após impacto no quadrante superior esquerdo, frequentemente associado a fraturas de arcos costais. O diagnóstico e a abordagem adequada são essenciais para prevenir complicações graves. Relato de Caso: Um paciente masculino, 37 anos, foi vítima de agressão com politrauma contuso. Após atendimento inicial em serviço secundário, foi encaminhado a hospital terciário, onde se identificaram fraturas de arcos costais esquerdos e laceração esplênica de 1,8 cm no polo inferior, classificada como grau II. Como estava hemodinamicamente estável, optou-se pelo tratamento conservador, com internação por três dias e alta com orientações de repouso. Três dias após a alta, retornou ao pronto-socorro com dor abdominal intensa, dor referida no ombro esquerdo e fraqueza após esforço físico. Apresentava-se descorado, desidratado, com pressão arterial de 100x70mmHg e frequência cardíaca de 110bpm. Nova tomografia evidenciou lesão esplênica grau IV com blush arterial e grande quantidade de líquido livre. Indicaram esplenectomia via laparotomia mediana, com achado de fratura de hilo esplênico junto à cauda do pâncreas. Realizaram ligadura do hilo esplênico e preservação da cauda pancreática, com retirada do baço. O paciente recebeu transfusão e evoluiu bem, recebendo alta no sétimo dia pós-operatório e vacinação contra germes encapsulados no décimo quarto dia. Discussão:Lesões esplênicas de baixo grau frequentemente têm sucesso com manejo conservador, mas rupturas tardias, embora raras, podem ocorrer, especialmente após esforço físico precoce. Pseudoaneurismas intraparenquimatosos podem contribuir para rupturas tardías. A avaliação inicial adequada, classificação da lesão e seguimento rigoroso são fundamentais para identificar fatores de risco para falha do tratamento conservador e garantir intervenções oportunas.
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Referências
Suporte Avançado de Vida no Trauma (ATLS) 10a Edição
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