Desafios diagnósticos e manejo minimamente invasivo em corpo estranho duodenal: relato de caso e abordagem endoscópica

Autores

  • Hian Vechiato Betoni Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Brenda Margatho Ramos Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Taciana Pereira Boog Betoni Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • João Pedro Leal Puppin Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Vinicius Ravena Lourenço Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238272

Palavras-chave:

Corpo Estranho, Duodeno, Diagnóstico por Imagem, Endoscopia Terapêutica, Perfuração Duodenal, Tratamento Minimamente Invasivo

Resumo

A ingestão acidental de corpos estranhos no trato gastrointestinal superior é comum, principalmente em crianças e pacientes psiquiátricos, mas pode ocorrer em adultos sem fatores de risco identificáveis. Objetos pontiagudos, como palitos de dente, apresentam risco elevado de perfuração ou obstrução intestinal, exigindo diagnóstico e intervenção precoces para evitar complicações graves.Relato de Caso Uma paciente feminina de 36 anos, previamente hígida, apresentou dor abdominal difusa há 48 horas, associada à náusea, sem vômitos ou febre. Negava ingestão intencional de objetos. Ao exame físico, apresentava dor à palpação no quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal. A tomografia computadorizada de abdome revelou espessamento dos planos gordurosos adjacentes à quarta porção do duodeno e imagem tubuliforme densa de 6 cm, horizontalizada na luz duodenal, compatível com corpo estranho. A endoscopia digestiva alta identificou um palito de dente impactado transversalmente no duodeno distal, removido com alça de polipectomia. A paciente recebeu alta hospitalar com orientação para dieta leve e acompanhamento ambulatorial, sem intercorrências.Discussão A perfuração duodenal por corpo estranho é rara, porém potencialmente letal, com risco de sepse e falência multivisceral. O diagnóstico pode ser dificultado pela ausência de relato de ingestão, presente em até 40% dos adultos, e sintomas inespecíficos como dor abdominal e náusea. A quarta porção do duodeno é vulnerável à impactação de objetos alongados, como palitos de dente. A tomografia computadorizada apresenta alta sensibilidade para detecção de corpos estranhos densos e complicações associadas. A endoscopia é o método preferencial para remoção, com sucesso em até 85% dos casos, enquanto a cirurgia é reservada para falha endoscópica ou complicações. Este caso reforça a importância da suspeição clínica, uso adequado de imagem e abordagem multidisciplinar para reduzir morbidade e mortalidade em ingestão de corpos estranhos.

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Referências

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Betoni, H. V. ., Martines, B. M. R. ., Frati, R. ., Betoni, T. P. B. ., Puppin, J. P. L. ., & Lourenço, V. R. . (2025). Desafios diagnósticos e manejo minimamente invasivo em corpo estranho duodenal: relato de caso e abordagem endoscópica. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238272. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238272