Desafios diagnósticos e manejo minimamente invasivo em corpo estranho duodenal: relato de caso e abordagem endoscópica
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238272Palavras-chave:
Corpo Estranho, Duodeno, Diagnóstico por Imagem, Endoscopia Terapêutica, Perfuração Duodenal, Tratamento Minimamente InvasivoResumo
A ingestão acidental de corpos estranhos no trato gastrointestinal superior é comum, principalmente em crianças e pacientes psiquiátricos, mas pode ocorrer em adultos sem fatores de risco identificáveis. Objetos pontiagudos, como palitos de dente, apresentam risco elevado de perfuração ou obstrução intestinal, exigindo diagnóstico e intervenção precoces para evitar complicações graves.Relato de Caso Uma paciente feminina de 36 anos, previamente hígida, apresentou dor abdominal difusa há 48 horas, associada à náusea, sem vômitos ou febre. Negava ingestão intencional de objetos. Ao exame físico, apresentava dor à palpação no quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal. A tomografia computadorizada de abdome revelou espessamento dos planos gordurosos adjacentes à quarta porção do duodeno e imagem tubuliforme densa de 6 cm, horizontalizada na luz duodenal, compatível com corpo estranho. A endoscopia digestiva alta identificou um palito de dente impactado transversalmente no duodeno distal, removido com alça de polipectomia. A paciente recebeu alta hospitalar com orientação para dieta leve e acompanhamento ambulatorial, sem intercorrências.Discussão A perfuração duodenal por corpo estranho é rara, porém potencialmente letal, com risco de sepse e falência multivisceral. O diagnóstico pode ser dificultado pela ausência de relato de ingestão, presente em até 40% dos adultos, e sintomas inespecíficos como dor abdominal e náusea. A quarta porção do duodeno é vulnerável à impactação de objetos alongados, como palitos de dente. A tomografia computadorizada apresenta alta sensibilidade para detecção de corpos estranhos densos e complicações associadas. A endoscopia é o método preferencial para remoção, com sucesso em até 85% dos casos, enquanto a cirurgia é reservada para falha endoscópica ou complicações. Este caso reforça a importância da suspeição clínica, uso adequado de imagem e abordagem multidisciplinar para reduzir morbidade e mortalidade em ingestão de corpos estranhos.
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Referências
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