Tratamento endoscópico com terapia a vácuo em fístula esofágica crônica pós-reparação de hiatoplastia com tela: relato de caso

Authors

  • Carlos Eduardo Barbosa Passos Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (unauthenticated)
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238274

Keywords:

Fístula Esofágica, Terapia a Vácuo, Tratamento Endoscópico, Hiatoplastia Com Tela, Complicações Pós-operatórias, Relato de Caso

Abstract

 Fístulas esofágicas são complicações raras, porém graves, após procedimentos cirúrgicos como hiatoplastia com fundoplicatura. A extrusão de tela cirúrgica pode resultar em comunicação anormal entre o esôfago e cavidades adjacentes, configurando um desafio terapêutico significativo. Recentemente, técnicas endoscópicas, como a terapia a vácuo, têm se destacado no manejo minimamente invasivo dessas fístulas complexas. Relato de Caso Uma paciente feminina foi admitida para reoperações devido a sintomas dispépticos e disfagia, em contexto de migração intratorácica de válvula e suspeita de extrusão de tela cirúrgica. Submeteu-se a re-hiatoplastia, fundoplicatura anterior, rafia de fístula esôfago-cavidade abdominal, drenagem e início de terapia endoscópica a vácuo modificada. O tratamento incluiu múltiplas intervenções semanais, como septotomias, trocas de dispositivos e manutenção de suporte nutricional. O acompanhamento foi realizado por tomografias, endoscopias e esofagogramas seriados. Durante o intraoperatório, evidenciou-se extrusão de tela para a luz esofágica, com fístula a 35 cm da arcada dentária. A terapia endoscópica a vácuo foi iniciada, promovendo redução progressiva da cavidade fistulosa. O esofagograma final mostrou dois trajetos fistulosos sem extravasamento de contraste e esvaziamento esofágico preservado. A paciente evoluiu com boa aceitação da dieta, retirada da sonda nasoenteral e alta definitiva, sem sinais de infecção ou recidiva.Discussão O uso de tela em hiatoplastia, embora frequente, pode resultar em complicações como extrusão e formação de fístulas. O manejo convencional envolve reoperações complexas, com alta morbimortalidade. A terapia endoscópica a vácuo surge como alternativa eficaz, promovendo drenagem contínua, redução da cavidade e estimulação da granulação tecidual. Este caso demonstra a eficácia da abordagem endoscópica associada ao suporte nutricional enteral, evitando novas cirurgias. O acompanhamento multidisciplinar e a adaptação terapêutica foram fundamentais para o sucesso do tratamento, reforçando o valor das estratégias minimamente invasivas em situações cirúrgicas complexas.

Downloads

Download data is not yet available.

References

LOSKE, G. et al. Endoscopic vacuum therapy of the upper gastrointestinal tract. Chirurg, v. 89, n. 8, p. 723–732, 2018.

BRÜCKNER, T. et al. Endoscopic vacuum therapy reduces mortality in anastomotic leak after esophagectomy. Surgical Endoscopy, v. 35, p. 1464–1473, 2021.

SHAH, A. et al. Management of Esophageal Perforation and Anastomotic Leak. J Thorac Dis, v. 12, n. 3, p. 1275–1284, 2020.

YANG, C. J. et al. Techniques for the prevention and treatment of esophageal leaks. Thorac Surg Clin, v. 31, n. 1, p. 91–101, 2021.

Published

2025-06-30

How to Cite

Passos, C. E. B. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Tratamento endoscópico com terapia a vácuo em fístula esofágica crônica pós-reparação de hiatoplastia com tela: relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238274. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238274