Tratamento endoscópico com terapia a vácuo em fístula esofágica crônica pós-reparação de hiatoplastia com tela: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238274Keywords:
Fístula Esofágica, Terapia a Vácuo, Tratamento Endoscópico, Hiatoplastia Com Tela, Complicações Pós-operatórias, Relato de CasoAbstract
Fístulas esofágicas são complicações raras, porém graves, após procedimentos cirúrgicos como hiatoplastia com fundoplicatura. A extrusão de tela cirúrgica pode resultar em comunicação anormal entre o esôfago e cavidades adjacentes, configurando um desafio terapêutico significativo. Recentemente, técnicas endoscópicas, como a terapia a vácuo, têm se destacado no manejo minimamente invasivo dessas fístulas complexas. Relato de Caso Uma paciente feminina foi admitida para reoperações devido a sintomas dispépticos e disfagia, em contexto de migração intratorácica de válvula e suspeita de extrusão de tela cirúrgica. Submeteu-se a re-hiatoplastia, fundoplicatura anterior, rafia de fístula esôfago-cavidade abdominal, drenagem e início de terapia endoscópica a vácuo modificada. O tratamento incluiu múltiplas intervenções semanais, como septotomias, trocas de dispositivos e manutenção de suporte nutricional. O acompanhamento foi realizado por tomografias, endoscopias e esofagogramas seriados. Durante o intraoperatório, evidenciou-se extrusão de tela para a luz esofágica, com fístula a 35 cm da arcada dentária. A terapia endoscópica a vácuo foi iniciada, promovendo redução progressiva da cavidade fistulosa. O esofagograma final mostrou dois trajetos fistulosos sem extravasamento de contraste e esvaziamento esofágico preservado. A paciente evoluiu com boa aceitação da dieta, retirada da sonda nasoenteral e alta definitiva, sem sinais de infecção ou recidiva.Discussão O uso de tela em hiatoplastia, embora frequente, pode resultar em complicações como extrusão e formação de fístulas. O manejo convencional envolve reoperações complexas, com alta morbimortalidade. A terapia endoscópica a vácuo surge como alternativa eficaz, promovendo drenagem contínua, redução da cavidade e estimulação da granulação tecidual. Este caso demonstra a eficácia da abordagem endoscópica associada ao suporte nutricional enteral, evitando novas cirurgias. O acompanhamento multidisciplinar e a adaptação terapêutica foram fundamentais para o sucesso do tratamento, reforçando o valor das estratégias minimamente invasivas em situações cirúrgicas complexas.
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