Abordagem de perfuração de cólon durante rastreamento de neoplasia colorretal - relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238281Keywords:
Colonoscopia, Perfuração Colônica, Rastreamento, Complicações, Tratamento Endoscópico, VideolaparoscopiaAbstract
A perfuração colônica é uma complicação rara, porém grave, da colonoscopia, especialmente em pacientes com comorbidades e anatomia desfavorável. Fatores como idade avançada, doenças autoimunes e uso de imunossupressores aumentam o risco de complicações. O diagnóstico precoce e o manejo multidisciplinar são fundamentais para evitar desfechos adversos. Relato de Caso: Uma paciente de 57 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica, lúpus eritematoso sistêmico e síndrome do anticorpo antifosfolípide, fazia uso contínuo de losartana, hidroxicloroquina, ciclosporina e prednisona. Foi submetida a colonoscopia de rastreamento para neoplasia colorretal. Durante a introdução do colonoscópio, houve perfuração mecânica na transição retossigmóide, associada à acentuada angulação local. A perfuração foi prontamente identificada e tratada com dois clipes metálicos, com resultado inicial satisfatório. O exame foi interrompido e a paciente encaminhada ao pronto-atendimento para avaliação cirúrgica. Inicialmente, encontrava-se estável, sem dor ou sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais não mostraram alterações inflamatórias. A tomografia de abdome com contraste revelou retropneumoperitônio adjacente à transição retossigmóide, sem líquido livre. Optou-se por tratamento conservador, jejum e vigilância clínica. No primeiro pós-operatório, a paciente apresentou dor à palpação profunda. Nova tomografia mostrou aumento do retropneumoperitônio e solução de continuidade na parede do cólon sigmóide. Diante da falha do tratamento endoscópico, indicou-se correção cirúrgica videolaparoscópica. O pós-operatório evoluiu sem intercorrências, com progressão dietética e retirada do dreno no sexto dia, recebendo alta hospitalar no sétimo dia. Discussão Perfurações colônicas durante colonoscopia diagnóstica, especialmente na transição retossigmóide, são desafiadoras devido à anatomia local. O sucesso do tratamento endoscópico depende do tamanho da lesão e da identificação imediata. Em casos de falha, a correção cirúrgica videolaparoscópica é eficaz e segura. Vigilância clínica e por imagem é essencial para detecção precoce de complicações. O caso evidencia a importância do diagnóstico precoce, adaptação terapêutica e trabalho integrado entre endoscopistas e cirurgiões para um desfecho favorável.
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References
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