Abscesso perianal extenso com necrose em paciente obeso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238291Palavras-chave:
Abscesso Perianal, Necrose Tecidual, Drenagem Cirúrgica, Obesidade Mórbida, Antibioticoterapia, Infecção AnorectalResumo
Abscessos perianais são infecções agudas da região anal, geralmente resultantes da obstrução das glândulas anais, levando à formação de coleções purulentas. O quadro clínico típico inclui dor intensa, edema, secreção purulenta e febre. O tratamento padrão é a drenagem cirúrgica ampla, sendo a antibioticoterapia reservada para casos com comorbidades ou sinais sistêmicos graves. Relato de Caso Um paciente masculino de 65 anos, com obesidade grau 3 (IMC 40), apresentou dor intensa na região anal por 12 dias, acompanhada de secreção purulenta, malcheirosa e sanguinolenta, sensação febril e perda de apetite. Referiu última evacuação há dois dias e uso de ibuprofeno em altas doses por 12 dias. No exame físico, encontrava-se descorado, desidratado, com abdome flácido e dor leve difusa à palpação. Na região perianal, apresentava duas lesões (5 cm e 2 cm) com saída de líquido amarelado fétido. Exames laboratoriais mostraram leucocitose intensa, PCR elevado, insuficiência renal aguda e hiponatremia. A tomografia evidenciou coleção perianal com imagens gasosas. Foi realizado desbridamento cirúrgico das áreas de necrose, identificando comunicação entre as coleções, com drenagem pela pele anterior esquerda. O esfíncter anal foi preservado. Instituiu-se antibioticoterapia com ceftriaxona e metronidazol. O paciente evoluiu bem e recebeu alta após estabilização clínica. Discussão: O abscesso perianal é uma urgência cirúrgica que exige drenagem imediata para controle da infecção e alívio dos sintomas. A presença de necrose e múltiplas lojas comunicantes indica infecção avançada, demandando desbridamento extensivo e drenagem adequada. Pacientes com obesidade grave apresentam maior risco de complicações, justificando o uso associado de antibióticos. A preservação do esfíncter anal é fundamental para evitar incontinência fecal. O uso prolongado de anti-inflamatórios pode mascarar sintomas e retardar o diagnóstico, agravando o quadro. O tratamento cirúrgico é definitivo, sendo essencial para evitar formação de fístulas e recidivas.
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