Adenocarcinoma de vesícula biliar com apresentação atípica e evolução fulminante: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238293Palavras-chave:
Adenocarcinoma, Vesícula, Neoplasia, Fulminante, Anatomopatológico, BiliarResumo
O adenocarcinoma de vesícula biliar é uma neoplasia rara e agressiva, geralmente diagnosticada tardiamente devido à apresentação clínica inespecífica. Sintomas constitucionais e alterações pouco específicas em exames de imagem dificultam o diagnóstico precoce, resultando em prognóstico reservado. A suspeição clínica em pacientes de risco é fundamental para intervenção oportuna. Relato de Caso Uma paciente feminina de 71 anos procurou atendimento com febre, inapetência, constipação intestinal e perda ponderal de 15 kg em três meses. A tomografia computadorizada (TC) inicial sem contraste mostrou lesões hipodensas no lobo hepático direito, interpretadas como abscessos, e iniciou-se antibioticoterapia empírica. Sem melhora clínica, mesmo após estabilização hemodinâmica, foi encaminhada para avaliação especializada. Nova TC com contraste revelou áreas heterogêneas hipovascularizadas nos segmentos IVb, V e VI hepáticos, além de comprometimento da vesícula biliar, com paredes indistinguíveis e infiltração adjacente. Suspeitou-se de neoplasia primária de vesícula biliar. Realizou-se biópsia percutânea radioguiada, sem intercorrências. O estudo anatomopatológico e imuno-histoquímico confirmou adenocarcinoma pouco diferenciado. Durante a internação, a paciente evoluiu com colangite e insuficiência renal aguda, indo a óbito em sete dias. Discussão O caso evidencia a dificuldade diagnóstica do adenocarcinoma de vesícula biliar, frequentemente confundido com processos infecciosos ou inflamatórios em fases iniciais. Lesões hepáticas hipodensas associadas à perda ponderal significativa devem levantar suspeita de malignidade, especialmente em idosos. A infiltração da parede vesicular e a rápida evolução para colangite e falência multiorgânica refletem a agressividade do tumor pouco diferenciado. A imunohistoquímica foi fundamental para o diagnóstico definitivo, ressaltando a importância da integração entre radiologia, patologia e clínica. A ausência de ressonância magnética limitou a caracterização das vias biliares, e o estado clínico inviabilizou abordagem cirúrgica curativa. O caso reforça a necessidade de suspeição precoce e intervenção imediata em casos localizados, pois a sobrevida em estágios avançados é limitada, com alta mortalidade por complicações obstrutivas.
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